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BEOWULF
A SABEDORIA MÍTICA QUE VEM DO NORTE

 

BEOWULFAproveitando o facto de se encontrar nas salas de cinema o filme de Robert Zemeckis, iremos abordar neste artigo alguns aspectos relacionados com esta história.

Beowulf é um poema épico heróico, escrito em inglês arcaico, de autoria desconhecida. Acredita-se que tenha sido escrito entre os séculos VIII e XI, existindo somente um manuscrito datado do séc. XI.
Este mito é um dos mais importantes da literatura inglesa tendo sido mesmo elevado ao estatuto de épico nacional. Influenciou muitos escritores tais como o próprio Tolkien, autor d' O Senhor dos Anéis, que chegou a escrever um ensaio sobre o poema - Beowulf: The Monsters and the Critics (Londres, 1958).
Antes deste ensaio o épico não era tomado em grande consideração pelos estudiosos, visto como o fruto de uma imaginação primitiva e infantil. Mas a análise de Tolkien veio mudar perspectiva. Ele argumentou que o poema devia ser tomado em linha de conta não devido ao seu carácter histórico, mas sim ao seu conteúdo artístico, sendo que os elementos sobrenaturais (o monstro Grendel, a sua mãe e o dragão) deveriam ser encarados como arquétipos antigos que tinham profundas raízes no Inconsciente Colectivo do ser humano, ou seja, eram mitos.

O termo mito significa fala ou narrativa em grego, devendo ser compreendido como a «palavra verdadeira», já que transmite as verdades arquetípicas aos homens numa linguagem simples, embora velada, necessitando de chaves para a sua interpretação. Assim sendo, Beowulf transporta em si um conjunto de símbolos que procuravam facultar ao ser humano um conjunto de conhecimentos que são um legado da humanidade.
Tolkien faz uma analogia muito interessante relativamente ao autor do poema. Ele compara-o com um homem que herdou um campo cheio de pedras antigas e que as usa para construir uma torre. Os amigos deste destroem-na porque reconhecem que as pedras pertenciam a uma construção anterior, e detêm-se a olhar as gravações e inscrições que nelas se encontravam. O que estas pessoas não perceberam é que do cimo da torre destruída o homem foi capaz de olhar o mar. O mito é uma forma de perpetuar verdades que vêm do fundo desse imenso «oceano» que é o Tempo, sendo uma forma de evitar o desgaste que este provoca.

Analisemos agora a história do poema e alguns factos interessantes.
Beowulf é um guerreiro de Geatland (uma terra identificada com o Sul da actual Suécia) que parte da sua terra, com 14 guerreiros, para enfrentar um monstro chamado Grendel que estava a matar e a aterrorizar as terras do rei Hrothgar (situadas na actual Dinamarca). Beowulf enfrenta o monstro, à noite, dentro de uma casa onde ele e os companheiros tinham ficado a pernoitar. Tendo enfeitiçado as armas dos guerreiros e, deste modo, tendo-se tornado imune a elas, Grendel é derrotado pelo herói quando este consegue, com as suas próprias mãos, arrancar um dos braços do monstro, obrigando-o a retirar-se para os pântanos e morrer.
Neste confronto podemos constatar a luta do Homem contra o seu lado animal. O sítio escuro representaria o interior do ser humano, obscuro, sombrio, onde moram os seus medos, angústias, ódios e instintos básicos. Todas estas características encontram-se integradas na figura de Grendel que é totalmente dominado por estes aspectos inferiores. No entanto, o Homem tem a capacidade de os combater e, com coragem e determinação, submetê-los à sua Vontade, não se deixando dominar por eles. É isso que simboliza a derrota do monstro.

Um segundo confronto ocorre quando a mãe de Grendel aparece para vingar a morte do filho. Ela consegue matar um dos melhores guerreiros do rei e é perseguida por Beowulf e mais alguns homens até uma caverna situado por baixo de um lago. Aí o herói embrenha-se sozinho nas águas para poder enfrentar a ameaça, que consegue ultrapassar quando corta a cabeça da oponente.
Aqui iremos observar o confronto com uma parte mais subtil do Homem: a sua Mente. Mas antes teremos que dar uma pequena explicação. Várias civilizações antigas concebiam o ser humano como estando formado por sete níveis: o primeiro deles era a parte física, a seguinte a vital ou energética, aparecendo depois, sucessivamente, as partes emocional, mental concreta, mental pura, intuitiva e espiritual. Os instintos, ódios, medos e paixões radicam no plano emocional. Acima deste encontra-se a mente concreta, que é aquela que o Homem utiliza no quotidiano, é como um computador que possui e utiliza para pensar, calcular, estruturar, etc. É uma ferramenta útil, quando bem utilizada, no entanto, é através dela que o ser humano tem a percepção do mundo em seu redor e de si mesmo, criando muitas vezes uma imagem falsa de ambas as coisas.
Podemos observar que a mãe de Grendel é encontrada numa caverna, debaixo de um lago. A água é o local onde ver uma imagem reflectida, mas se o Homem não tiver a capacidade de entrar nelas toma essa imagem como real. Se mergulhar constata que uma outra realidade se encontra por baixo da superfície.

Do mesmo modo, segundo a filosofia da Índia antiga, o mundo onde o ser humano vive não passa de uma superfície que reflecte a verdadeira Realidade, aquela que é transcendente, imutável e que se encontra mais além da matéria. Porém, o Homem só poderá aceder a essa realidade se conseguir libertar-se dos limites impostos pela mente concreta e dual. Após a libertação dos condicionalismos o Homem acede aos seus elementos superiores (Mente Pura, Intuição e Espírito) aproximando-se da sua verdadeira natureza divina.
Por último, e vários anos depois das duas lutas acima referidas, numa altura em que Beowulf governava a sua terra, um último confronto tem lugar devido à ameaça de um dragão. O dragão ou serpente alada, foi um dos símbolos da Sabedoria no Oriente. É curioso constatar que esta luta acontece 50 anos depois das anteriores, ou seja, o Homem mesmo depois de se libertar da mente não alcança logo a Sabedoria. A conquista desse aspecto implica, entre outras coisas, a capacidade de superar a morte, entendendo-a como um aspecto da Vida-Una que percorre todo o Universo. Aquilo que denominamos como «morte», segundo as tradições antigas, não era mais do que a passagem para um outro tipo de vida num plano diferente, num plano mais subtil onde o corpo físico não era necessário. Compreendendo isto o Homem não teria que temer a morte, pois ela não era o fim, mas o começo de uma nova etapa, que o levaria a passar por mais experiências que o fariam evoluir. Beowulf enfrenta o dragão e consegue derrotá-lo, mas também é ferido mortalmente, acabando por falecer. Neste mundo material o seu papel tinha sido cumprido.

Estes são alguns dos elementos que nos podem ajudar a encontrar nos símbolos deste riquíssimo poema os conhecimentos que encerra, ou seja, a penetrar na profundidade dos arquétipos universais que veicula e, deste modo, termos a capacidade de aceder à torre da sabedoria atemporal.

Cleto Saldanha
Investigador e Formador da Nova Acrópole

 

 

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