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A Acrópole Ateniense - Uma Visão Geral

 

A parte mais alta da cidade grega de Atenas constituiu-se na Antiguidade como a arca dos tesouros religiosos e artísticos; o asilo dos magistrados e sacerdotes em tempos de invasões e o lugar inamovível das divindades protectoras da cidade.

Na história da sua fundação encontra-se Teseu, herói lendário que conduziu uma colónia grega ao lugar da Acrópole. Teseu encarrega-se de reunir os pequenos núcleos da população dos arredores e dá origem à cidade, que toma o nome de Atenas em honra da sua divindade protectora.

Pisístrato, em 600 a.C. enriquece-a com templos, entre os quais se encontra o primeiro Parténon, dedicado a Atena Partenos, Atena Virgem. Em 480 a.C. tem lugar a devastação de Atenas pelos persas, sendo a cidade incendiada e saqueada por Jerjes. Mas o seu maior esplendor adquiriu-o no tempo de Péricles (499-429 a.C.), quando encarregou Fídias da reconstrução do Parténon no mesmo lugar do antigo, mas com mais 16 m de comprimento.

Com as conquistas romanas começa a sua decadência. Sila faz desmantelar a cidade, mas Atenas não sofre estragos de maior por causa da admiração que os romanos sentem pelos seus encantos. Nero acrescenta às estátuas roubadas em Delfos e em Olímpia as que arrebata à Acrópole para decorar o seu palácio, a Casa Dourada.

Alarico, Rei dos godos (370-410), depois de devastar as cidades do sul da Grécia e tendo franqueado os Propíleos para arrebatar os tesouros ao recinto sagrado, deteve-se, tomado pelo pavor, ante a descomunal estátua de Atena Batalhadora.

Até ao século XVI foram conservados quase integralmente os seus grandes monumentos, mas durante o domínio turco, o Parténon converteu-se em mesquita, os Propíleos em paiol, e o Templo da Vitória sem Asas foi destruído para colocar uma bateria; o Erecteion transformou-se em harém e toda a Acrópole se cobriu de cabanas turcas. Em 1656 explode o paiol destruindo os Propíleos. Em 1687, os venezianos lançaram as suas bombas, ficando especialmente danificado o Parténon.

A Acrópole de Atenas, obra-prima da arte grega, está situada sobre uma rocha de 150 m de altura, à qual se tinha acesso pelos Propíleos, pórticos situados à entrada. A plataforma da Acrópole, de 300 m de comprimento por 130 m de largura estava coberta por templos, estátuas e belas obras de arte.

Está cercada por uma muralha construída pelos pelasgos, antiquíssimo povo, que se estabeleceu na Grécia e em Itália. Construíram em redor da cidade muralhas ciclópicas formadas por enormes blocos de pedra que o tempo não conseguiu destruir, apesar de estarem unidas sem nenhum ci­mento.

Dentro da Acrópole destaca-se pela sua magnificência o Parténon, dedicado a Atena Partenos, em cujo interior se encontrava a estátua da Deusa de 13 m de altura.

No cume da rocha sagrada elevava-se outra estátua colossal de Atena de 21 m de altura, toda ela de ouro e marfim, cinzelada por Fídias.

Os primeiros tempos da Acrópole

As descobertas arqueológicas provaram a existência de estabelecimentos permanentes na Acrópole, desde o sexto milénio a.C.

O povo e a língua grega foram o resultado da fusão de raças e línguas. Os minios, povo invasor de origem indo-europeia, provocaram a separação dos velhos pelasgos. Crê-se que a língua grega, resultado da fusão do an­tigo pelásguico com elementos indo-europeus, se desenvolveu depois do ano 2000 a.C. Mais tarde este grego básico dividiu-se em quatro dialectos: o dórico, o jónico, o eólico e o arcádio.

Os monumentos mais representativos da sociedade ateniense são os Propíleos, o Erection e o Templo de Atena Niké, construídos 700 anos depois da fundação da cidade-estado de Atenas.

Os primeiros reis que se estabeleceram na Acrópole, entre os quais se destaca o rei Cecrops, tentaram fundir os diferentes elementos sociais e culturais numa só comunidade. Cecrops, que subiu ao trono em 1573 a.C. e a quem se atribui a introdução do culto a Zeus, assim como as oferendas rituais em substituição dos sacrifícios humanos, estabeleceu uma aliança de 12 cidades para defender a Ática das invasões por mar e por terra. Depois da dinastia de Cecrops, surgiram os principais heróis de Atenas: Egeu, Erecteu, Teseu...

À medida que a cidade prosperava, mais tentadora se tornava para os invasores, como o prova a expedição das amazonas durante o reinado de Teseu. Em redor de Teseu foi criada uma tradição heróica que inspirou os artistas atenienses ao longo de toda a História.

Tucídides, o historiador grego (460-395 a.C.) situa o nascimento do Estado ateniense na época em que Teseu funda o Pritaneo, sede da federação Ática, onde eternamente ardia a chama sagrada. Foi então nivelado o planalto da Acrópole e rodeado com uma muralha ciclópica.

Conta a lenda que Teseu, o herói ateniense, filho clandestino de Egeu, rei de Atenas, depois de se fazer reconhecer pelo seu pai, realizou numerosas façanhas, entre elas a de penetrar no labirinto de Creta, guiado pelo fio de Ariadne, para atacar e matar o Minotauro. Quando Egeu morreu, Teseu subiu ao trono de Atenas. Mais tarde tomou parte na guerra dos Centauros e na expedição dos Argonautas, em busca da conquista do Tosão de Ouro.

Atenas emergiu dos tempos micénicos como uma cidade-estado disposta a desempenhar um importante papel na História. A primitiva Atenas é um dos centros onde floresceu a civilização micénica, depois da civilização minóica de Creta. Os primeiros palácios que aparecem em solo helénico têm uma origem cretense. A lenda de Teseu descreve a luta heróica que os atenienses tiveram de travar para se libertarem do custo em vidas humanas que os cretenses lhes impunham, ano após ano.

A civilização micénica surgiu como uma continuação das civilizações que se tinham desenvolvido em Creta e nas Cícladas, estendendo-se a sua influência por todo o Egeu. É de assinalar que a maior parte dos Deuses olímpicos de Atenas foram “importados” de Creta.

O mito de Teseu também deixa entrever o papel que Atenas desempenhou na luta entre micénicos e minóicos para adquirir o controlo das rotas marítimas do Mediterrâneo, tendo sido os minóicos os primeiros a con­seguir a supremacia.

Os primeiros palácios que aparecem em solo helénico, os primeiros frescos, têm a sua origem em Creta.

O animal mitológico dos reis de Atenas foi a serpente sagrada, que aparece no escudo de Atena, e à qual se continuou a render culto no Erecteion, por volta de 400 a.C. Os atenienses consideravam a serpente como a guardiã da Acrópole e existia uma serpente real que era alimentada com oferendas. Conta Heródoto que quando a serpente sagrada, no ano 480 a.C., se recusou a comer os alimentos, isso foi interpretado pelos atenienses como um aviso da Deusa Atena para que abandonassem a Acrópole e assim escapar da invasão persa.

A serpente, além de ser a forma minóica da Deusa Atena, era também a protectora da Casa Real. O culto à serpente veio da Creta minóica, onde existiam múltiplos deuses-serpente aos quais lhes era tributada veneração.

O Erecteion era um símbolo de concórdia religiosa, onde ao mesmo tempo se rendia culto a Zeus, Poseídon, Atena e Hefaistos. Na sua entrada principal erguia-se um altar a Zeus a quem se faziam oferendas. O poço continha água do mar e quando soprava o vento de sul era possível ouvir o som das ondas.

Pausanias, o geógrafo grego do século II da nossa era, afirma que à Deusa Atena se oferecia, em cada ano, uma lâmpada de ouro, que era enchida com azeite uma única vez e que essa quantidade era suficiente para que ardesse todo um ano, sendo a mecha formada por um linho especial que não se consumia com o fogo.

No Erecteion havia quatro símbolos que representavam a terra, o mar, o vento e o fogo, onde tinham lugar os mistérios que se relacionavam com os quatro elementos.

Durante o governo de Pisístrato foram mantidos e restaurados os edifícios existentes, instalaram-se novos sistemas de condutas de água, construíram-se caminhos e edificaram-se dois templos: o primeiro era dedicado a Atena, a sul do Erecteion, e foi construído em 520 a.C., mas só restaram os alicerces. O seu estilo era dórico com seis colunas nos lados mais pequenos e doze nos maiores. Possuíam um vestíbulo, um santuário com três compartimentos e um acrescento de três secções destinado ao culto de várias Deidades. O segundo templo, no ângulo noroeste do Parténon, foi construído em 566 a.C. e foi denominado Hecatompedon, devido aos seus 100 pés de comprimento, mas não ficou dele o menor vestígio.

Pisístrato também fez a reparação da muralha pelásguica na qual, na sua parte sul, e dentro dos seus limites se construiu a fonte de Asclépios.

Depois da Batalha de Maratona começou a construir-se um Parténon mais antigo que o de Péricles e ainda não se tinha acabado a sua construção quando em 480 a.C. foi destruído pelos persas.

Na batalha de Maratona, em 490 a.C., os atenienses derrotaram as tropas de Dário e no canal de Salamina, Temistócles venceu a terceira expedição persa. No período que vai desde Maratona a Salamina construiu-se o primeiro Parténon grego.

Com Hiparco, filho mais novo de Pisístrato, as festas Panateneias, que co­memoravam a unificação da Ática, receberam um novo esplendor. Tam­bém se devem a ele as primeiras representações de Dionísio.


Atenas em Todo o Seu Esplendor

 Foi Péricles que, com a ajuda de artistas inspirados, sobretudo do escultor Fídeas, executou um plano de reforma radical da Acrópole e construiu o Parténon. A guerra de Peleponeso interrompeu estes trabalhos, que se­riam retomados em 421 a.C., altura em que os atenienses edificaram o Templo da Vitória, e uma vez terminado o Erecteion não se erigiu mais nenhum templo importante na Acrópole até ao ano 27 a.C., em que se edificou o pequeno Templo de Roma. Da geração de Péricles irradia uma grande actividade criadora, expressão de um vigoroso impulso religioso e espiritual.

Desde o século 4 a.C., a cidade era honrada apenas pelo seu passado histórico. Só quando os romanos impõem o seu domínio no oriente helénico, é despertado de novo o velho espírito artístico de Atenas, enchendo o mundo com cópias das velhas maravilhas.

O maior espólio da Acrópole teve lugar no princípio do século XIX, quan­o Lord Elguin, embaixador inglês na Turquia, levou grande parte das esculturas para Inglaterra, onde foram compradas pelo Museu Britânico.

Quando a Grécia retomou a sua independência, os gregos começaram rapidamente a tirar as construções que se tinham acrescentado, reconstruindo simultaneamente os seus monumentos.

As grandes escavações de 1885-1890 trouxeram à luz muitos dos elementos arqueológicos, sobretudo aqueles que, destruídos pelos persas, foram enterrados pelos atenienses no regresso das suas campanhas.

A Acrópole é um grande Templo consagrado a Atena, o Parténon, o Erecteion e o Templo da Vitória estavam-lhe dedicados.

 

Monumentos Importantes

Os Propileus

Uma vez terminado o Parténon, Péricles quis remodelar os Propileus construídos sob o governo de Pisístrato. Pretendia-se criar uma entrada monumental digna dos novos templos. Uma vez realizados os planos, em 437 a.C. começou-se a construção, mas estes trabalhos tiveram de ser in­ter­rompidos no quinto ano e a Guerra de Peleponeso impediu que fossem retomados.

Os Propileus ocupavam a fachada ocidental da Acrópole e consistiam em três secções: a entrada central, formada por um simples pórtico com­posto por cinco portas. As duas colunas centrais dos pórticos estavam mais separadas que as restantes para permitir a passagem de carros e procissões. Em ambos os lados eram franqueados por três colunas jónicas que sustinham o tecto. Das duas alas só foi terminada a do lado norte, que era chamada a Pinacoteca. A fachada leste dava para o pórtico dórico Hexástilo rematado por um frontão. Como em toda a Acrópole, o material utilizado era o mármore. Esta foi a última obra de Péricles antes da sua morte no ano 429 a.C.

Frente à entrada principal dos Propileus encontram-se os restos do pedestal da gigantesca estátua de Atena Promachos, a que vai diante da batalha, obra de Fídias.

Santuário de Artemisa Brauronia

Mandado edificar por Pisístrato, era um Sanctuário ao qual acudiam especialmente as mulheres que tinham dado à luz e todas as raparigas em geral. A estátua de Artemisa do interior do Santuário foi obra de Praxitéles.

 

Erecteion

É provável que fosse um projecto de Péricles embora isso não esteja demonstrado. A obra começou a construir-se durante a Paz de Nicias; embora tivesse sido interrompida durante os anos 415-413 a.C. para ter sido acabada em 405 a.C.

Com este edifício pretendeu-se substituir o santuário que tinha sido destruído pelos persas. O seu interior albergava o culto a múltiplos Deuses num terreno irregular que a tradição impedia de nivelar.

É um elegante edifício de ordem jónica, edificado nos últimos anos do século V a.C. Era simultaneamente templo de Atena e de Poséidon Erecteu. Julga-se que neste lugar era rendido culto aos sagrados mistérios do passado mítico da Acrópole, por este motivo são considerados, tanto o Erecteion como o templo antigo de Atena, como sendo dois dos edifícios mais sagrados e de maior respeito da Acrópole.

A disposição interior do edifício desapareceu completamente devido à sua transformação em igreja cristã; no entanto, sabe-se que a parte ocidental estava dedicada a Poséidon e ao antigo herói ateniense Erecteu, que chegou a ser identificado com o Deus. Para o fundo do friso foi utilizado mármore cinzento de Elêusis, dispondo-se sobre ele as figuras em mármore branco do Pentélico.

Um dos espaços do Propileu foi deixado propositadamente aberto pa­ra mostrar a direcção em que tinha caído o raio de Zeus matando Erecteu. Contava a lenda que Poséidon, o rei do mar, fez com que jorrasse água da rocha da Acrópole que caía no sótão do edifício, no lugar chamado «mar Erecteu».

A parte exterior do Erecteion era um lugar dedicado a Pandroso, filha do lendário rei Cecrops. Aqui era guardada a oliveira sagrada que Atena tinha oferecido aos atenienses, local onde foi plantada na nossa época esta mesma árvore.

As cariátides do pórtico sul, que se erguem ali onde a tradição situa a tumba de Cecrops, representam seis donzelas das quais cinco são originais e a sexta é uma reprodução da que se encontra no Museu Britânico. A função das cariátides é a de actuar como colunas que sustentam o tecto. Três das donzelas apoiam-se sobre a perna esquerda, enquanto as outras três sobre a direita. Vestem túnicas dóricas ajustadas na cintura e nas suas cabeças sustentam cestos tal como faz o capitel com as colunas.

O Erecteion com as suas colunas altas, estreitas e espaçadas, a sua estrutura assimétrica, a sua delicadeza e o seu esplendor jónico é o complemento ideal da grandeza e dignidade monumental do Parténon dórico.

Apenas uma geração separa a construção do Parténon da do Erec­teion. No entanto, a diferença é bastante notável; não é apenas desigual a ordem – dórica, no Parténon, e jónica no Erecteion – mas também é diferente o espírito que reinava nas duas épocas. A simplicidade do Parténon impunha-se pelo traço das suas linhas e pela distribuição interior do edifício; por outro lado, o Erecteion caracterizava-se pela sua rica de­co­ra­ção e pela graciosidade das suas linhas.

 

Antigo Templo de Atena

A sul do Erecteion, encontram-se as ruínas do primeiro Templo de Atena, que foi destruído pelos persas no ano 480 a.C.

Duas bases rodeadas com grades de ferro serviam para o apoio das colunas de madeira deste Templo. Foi descoberta também uma certa escada que se relaciona com uma cerimónia sagrada das Arrefores, sacerdotisas que preparavam o véu de Atena e que era oferecido pelo povo de Atenas durante as festas Panateneias.

 

O Parténon

A colossal estátua de Atena no interior do Templo, feita totalmente em ouro e marfim, sustentava na mão uma Vitória e um escudo repousava aos seus pés. O escudo estava adornado com relevos do combate das amazonas e no seu pedestal estava representado o nascimento de Pandora.

Em nenhum sítio do Parténon é possível encontrar uma linha recta. É o caso da cornija que aumenta pelos lados largos e estreitos, formando uma hipérbole geométrica.

As colunas possuem estreitamentos e alargamentos, diminuindo a sua espessura de baixo para cima, até que a um terço da sua altura essa diminuição cessa transmitindo a impressão de robustez à coluna.

As colunas possuem uma inclinação até ao centro, de tal maneira que se estas se prolongassem chegariam a formar uma pirâmide quadrangular.

No lado sul do Parténon, entre o estreito espaço que fica livre entre este e o muro sul observam-se grandes aberturas no solo, deixadas de propósito para que se possam ver as partes mais profundas da rocha que foram descobertas durante os trabalhos de escavação.

Na abertura mais oriental do muro sul, numa das esquinas das fundações do edifício, encontra-se o que se crê ser a oficina de Fídias, onde o escultor preparou a grande estátua da Deusa Atena para o Parténon.

O primeiro Parténon foi começado sob o governo de Clístenes, mas quando estalaram as guerras médicas só estava terminada a sua base. Depois da batalha de Maratona retomaram-se as obras e foi construído totalmente em mármore branco, embora o seu tamanho fosse menor do que aquele que agora conhecemos, sendo 2,25m mais estreito e 3,60m mais largo que o actual. O seu interior dispunha das divisões internas comuns. A obra foi interrompida de novo por causa da guerra com os persas, que ocuparam a Acrópole, demoliram a construção do Partenón até às bases, assim como as dos outros cinco santuários: o de Artemisa, Brauronia, Pandroso, Cecrops, Aglauro e o antigo Erecteion.

Uma vez derrotados os persas, os atenienses reconstruíram a muralha da ladeira norte. A ladeira sudoeste foi nivelada com os fragmentos das estátuas que os persas tinham profanado. As escavações de 1885 trouxeram à luz muitos destes fragmentos. No tempo de Péricles, Atenas converteu-se no ponto de reunião dos filósofos, artistas e poetas de todo o mundo helénico. Não estava vedado a ninguém acompanhar os assuntos públicos, assistir às cerimónias religiosas, contemplar os acontecimentos desportivos ou as representações artísticas.

A personalidade de Péricles dominou a Atenas democrática. Sob o seu mandato os atenienses alcançaram prosperidade, segurança e grandeza. Diziam que a sua voz era tão harmoniosa como a de um instrumento musical. Foi discípulo de Anaxágoras, o qual citava com frequência nos seus discursos. A sua inteligência, o seu grande saber e a sua eloquência fizeram dele um orador notável. Adornou Atenas com monumentos que ainda hoje continuam a surpreender o mundo.

No ano 456 a.C., Péricles convocou uma reunião da Liga de Delos para propor a reconstrução da Acrópole. Apesar da oposição espartana, o seu projecto foi aprovado e em 454 a.C. o tesouro dos aliados, destinado inicialmente à guerra contra os persas, foi trasladado de Delos para Atenas, permitindo assim levar a cabo o seu programa de reconstrução da Acrópole.

A primeira grande obra a ter sido empreendida foi a do Parténon, que começou em 447 a.C., prolongando-se por nove anos. Péricles nomeou Ictino arquitecto chefe, que já tinha trabalhado no Templo de Elêusis; nomeou como ajudante Calícrates, construtor do Templo de Atena Niké e à frente da obra toda colocou Fídias.

O estilo da construção não é completamente dórico, sendo as colunas mais altas e estreitas do que as dóricas propriamente ditas, e não é hexástilo, pois contam-se 8 colunas nos seus lados menores. As colunas que sustentam o tecto do anexo são também mais próprias do estilo jónico. O Parténon é um claro exemplo onde a suavidade e a força da ordem dórica se misturam com o refinamento e a graça da ordem jónica. Ambos os elementos se fundem nessa unidade com características artísticas próprias e peculiares.

Graças à convergência das colunas para o centro do edifício, o Parténon parecia elevar-se. Do mesmo modo, todas as linhas horizontais, desde os fundamentos até às arquitraves, são ligeiramente curvas, o que reforça a ilusão de movimento.

O estilóbato sobre o qual repousa o Templo tem as medidas 30,80 m de largura por 69,51m de profundidade. O pavimento é formado por três patamares de mármore e a ambos os extremos do edifício chegam umas escadas até à colunata, que são 8 nas suas frentes menores e 17 nas laterais. As colunas medem 10,45 m e têm 20 estrias.

No interior do templo encontramos o vestíbulo, a nave central, o adito e o opistodomo. Uma nave rodeava por três lados a estátua de Atena.

O «Parténon», ou câmara da Deusa, era o lugar onde a divindade era servida por donzelas atenienses quando decorriam as festas Panateneias. Esta câmara também foi utilizada para guardar o tesouro do templo, até que no século V passou a custodiar o tesouro público.

O templo estava coberto por estreitas telhas de mármore branco. A pintura vermelha, negra, ocre e azul limitava-se aos relevos, juntas, métopas e outros pormenores decorativos.

O frontão oriental do templo tem como tema o nascimento de Atena, surgindo completamente armada da cabeça de Zeus e sendo recebida por Niké, a Vitória. Por detrás de Zeus encontra-se Hefaistos, que abriu a cabeça ao Pai dos Deuses com um machado. Este nascimento decorre no Olimpo perante a presença de Deméter, Perséfone, Afrodite, Dionísio, Artemisa, Selene e Hélios.

O frontão ocidental, do qual não restou nada, descrevia a luta entre Atena e Poséidon pela posse da Ática. As duas Deidades ocupavam o centro com os seus símbolos de poder: a lança e o tridente. Em ambos os lados estavam os seus carros de guerra, protegidos respectivamente por Hermes e Íris.

Fídias esculpiu uma tragédia em pedra cuja heroína era Atena. O Parténon contava com 92 métopas de 1,34x1,27 m repartidas nas suas frentes e nas laterais. Nelas, Atena presta auxílio a Teseu na sua luta contra os gigantes, os centauros e as amazonas. A cidade é libertada dos seus inimigos e estabelecem-se as bases do primeiro reinado. Mais tarde é proclamado ao povo de Atenas o triunfo da Deusa.

Quase todas as métopas foram destruídas na conversão do Parténon em igreja cristã no século VII, menos as do friso sul, que não eram visíveis do caminho que conduzia à Acrópole. A única metopa que ainda se pode contemplar está nesse friso e representa a luta de um centauro contra um lapita.

Nos quatro muros do interior do Templo aparece num friso contínuo a procissão das Panateneias, que decorria em cada quatro anos em honra da Deusa protectora da cidade. A cena inicia-se na fachada oeste com os cavaleiros a preparar os seus corcéis, a procissão avança ao longo dos lados e termina na fachada leste, onde o sumo-sacerdote aceita o véu tecido pelas donzelas atenienses; enquanto os 12 deuses do Olimpo, dos seus tronos, contemplam a procissão. Somente um fragmento do lado oeste chegou até nós.

A construção do Parténon começou no ano 447 a.C. e a cerimónia inaugural teve lugar durante as festas Panateneias do ano 438 a.C, onde então se consagrou a imagem de Atena Partenos. No entanto, os frontões só ficaram terminados no ano 432 a.C.

A obra-prima da antiga Grécia requereu apenas quinze anos para a sua realização. Esta é uma prova da vitalidade da sociedade ateniense, obra de uma geração movida por um espírito vigoroso.

 

O Templo de Atena-Niké

No ângulo sudoeste da Acrópole existia um Santuário dedicado a Atena, que Péricles decidiu converter em edifício jónico. O projecto não começou antes do ano 427, nos inícios da guerra de Peloponeso.

O templo tem quatro colunas jónicas na fachada e na parte posterior. As colunas estão gravadas num só bloco e em mármore pentélico; o seu único adorno escultórico é o friso onde ainda se pode contemplar alguns fragmentos. Tem como tema a Assembleia dos Deuses e cenas onde os hoplitas atenienses combatem nus.

 

Epílogo

A impressão que hoje proporciona a Acrópole é um pouco diferente da que oferecia nos tempos clássicos. Na actualidade desapareceram as altas muralhas que a rodeavam e no seu interior não existem os sucessivos terraços com muros que a dividiam numa série de santuários isolados.

A grande escada que conduz aos Propileus é da época romana e data do império de Cláudio (41-54). Quando o caminhante ultrapassa os Propileus depara-se com um espaço aberto, onde se erguia a enorme estátua de bronze de Atena Promachos, a guerreira, da qual só resta o pedestal de mármore. A partir desse ponto podiam-se encontrar dois caminhos: o primeiro, à direita, que conduzia ao templo de Artemisa Brauronia, chegando até ao extremo ocidental do Parténon; e o segundo, à esquerda, que se dirigia ao Erecteion e ao altar de Zeus. Todos os espaços abertos estavam cobertos por estátuas e oferendas votivas.

 

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