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Apolónio de Tiana


apolonioApolónio de Tiana foi um extraordinário filósofo e taumaturgo que nasceu na Capadócia no princípio do século I d.C. Damis, seu mais fiél e querido discípulo, que acompanhou o Mestre em suas inúmeras viagens, fez um relato simbólico da sua peregrinação iniciática.

Cem anos mais tarde, Filóstrato, baseado no relato de Damis, escreveu a biografia de Apolónio. Nesta obra encontramos, de forma alegórica, as várias viagens que o filósofo de Tiana empreendeu ao longo da sua vida, como também os seus principais diálogos que escondem, na profundeza do seu conteúdo, os mais importantes segredos da Natureza.

Como em todas as obras de tipo iniciático, encontramos nesta o relato das várias etapas e provas que o neófito atravessa, os ensinamentos secretos e os lugares misteriosos só conhecidos dos Iniciados.

As longas conversas de Apolónio com os Romanos, a sua visita ao rei Hiarchas explicam, em forma velada, muito da sabedoria de Hermes.

O modo de vida tão particular deste sábio teurgista faz-nos recordar a disciplina pitagórica, na qual Apolónio encontrou a sua mais pura fonte de inspiração. Seus múltiplos milagres fizeram dele um dos mais famosos contemporâneos de Jesus: profetizou com sábia exactidão vários acontecimentos, factos estes registados nos anais de Roma; afastou com o seu poder interno epidemias, curou doentes, e até ressuscitou uma jovem.

Sabia ler nas estrelas e tinha poder sobre os quatro elementos da natureza. Por mais de uma vez apareceu e desapareceu subitamente no meio da multidão, isto é, pela força da sua vontade desmaterializou-se, como ocorreu diante do próprio imperador Domiciano. Não obstante, nunca fez dos seus prodígios um motivo de celebridade, e sempre recusou qualquer privilégio de ordem material.

Colocou a sua liberdade interna ao serviço de uma vida simples e de uma grande humildade para reprovar ou orientar a conduta tanto dos plebeus como dos altos dignatários, sem excepção para o imperador de Roma. Como os puros anacoretas da Índia, Apolónio manifestava o poder de Deus através da submissão dos seus veículos terrenos purificados, nunca atribuindo a si mesmo os resultados dos seus prodígios.

Falava da imortalidade da Alma, demonstrando por diversas vezes que nenhum sofrimento ou aflição eram capazes de perturbar a sua Alma, mesmo quando o corpo se encontrava sujeito às mais duras provações.

Como todos os Homens superiores, foi incompreendido; os seus sábios conselhos tornaram-se “blasfemos” para todos aqueles que não levavam uma vida exemplar, nem tinham a consciência limpa e, mais grave do que isso, que não se queriam corrigir. À semelhança de Sócrates foi um acérrimo defensor da moral pública; como Pitágoras foi acusado de feiticeiro; como Jesus foi apelidado de falso profeta.
Foi caluniado por se vestir de uma maneira um tanto chocante para os costumes da época, com a túnica de linho própria dos Iniciados, e sofreu sevícias por parte dos que viam na sua longa cabeleira uma provocação aos hábitos dos romanos. Também o acusaram de fazer sacrifícios humanos, a ele que, seguidor dos preceitos pitagóricos, sempre recusou todo o tipo de oferendas manchadas de sangue, de qualquer ser vivo que elas fossem, pois considerava-as um ultraje à Divindade.

Ao longo das sua inúmeras viagens restabeleceu, com todo o rigor da tradição, os códigos então degenerados dos ritos ancestrais, mas nem por isso Roma soube reconhecer o valor do seu santo labor.

Dirigiu a sua mensagem de salvação às camadas mais responsáveis do seu tempo, por pensar encontrar aí um terreno fértil para o exercício de uma verdadeira justiça política.

Foi caluniosamente acusado de conjurar contra o poder de Domiciano, e preso como um simples traidor. A sua defesa, tal como a apologia de Sócrates, é um dos mais belos trechos de dignidade humana para nos elevar até à dignidade divina. Provou aos seus acusadores que o homem de bem é útil ao povo, e que o verdadeiro governante, que ama o seu povo, zela para que a este lhe seja concedido o convívio educativo do homem virtuoso. Talvez, por isso, tenha sido absolvido. No entanto, sem ouvir a sentença final, Apolónio concluiu a sua defesa deste modo: “Não me matarás, pois não sou mortal” e desapareceu diante dos olhos perplexos do Imperador.

Algum tempo mais tarde, num encontro secreto com os seus discípulos deu-lhes a entender que as suas horas estavam contadas. Presume-se que teria uns 90 ou 100 anos, conservando um corpo ainda saudável e belo. A sua morte, se é que morreu –como diz Filóstrato– pode ter tido lugar em Éfeso ou em Lindos, ao entrar no templo de Atena.

Antes de morrer disse a seus discípulos que talvez voltasse para lhes provar que não existe morte para a Alma; e assim o fez, deixando este magnífico verso:

Imortal é a alma, mas não propriedade tua e sim da Providência.
Após a extinção do corpo, de suas cadeias livres, como um impetuoso corcel,
Sem esforço, de um salto, confunde-se com o ar ligeiro,
Pois tem aversão à sua terrível e trabalhosa servidão.

Extractos da biografia de Apolónio de Tiana

Os milagres de Apolónio:

• Conhecimento do futuro, que permite a Apolónio adivinhar uma série de factos, como a morte do governador de Cilicia, a epidemia que ameaçava Éfeso, a identidade do próximo hierofante de Eleusis, que surgiria uma ilha entre Tera e Creta, que um raio estaria prestes a matar Nero, a efémera tomada do poder de Galba, Otão e Vitelio, o destino de Tito ou a iminente morte de Nerva.

• Curas, que constituem o milagre por excelência, a prova típica de santidade. Apolónio aprende esta arte com os Brahmanes, que curam um coxo, um cego e um paralítico, mas supera-os, especialmente no caso da ressurreição de uma rapariga.

• Trasladação mágica de Apolónio do tribunal para Dicearquia, segundo a qual Pitágoras foi visto em Metaponto e Tauromenio (localidades muito distantes entre si), no mesmo dia. A incredulidade de Demetrio, que não sabe se se acha frente a um fantasma, tem paralelos com a incredulidade dos apóstolos ante a aparição de Jesus Cristo.

• Visão à distância da morte de Domiciano.

Apolónio está preso. Palavras de reconforto aos outros presos:
“Senhores que compartilhais comigo este tecto, sinto piedade por vós porque estais buscando a morte por vós próprios, sem saber ainda se a acusação vos condenará à morte. Parece-me, com efeito, que vos ides matar a vós próprios antes de vos condenarem, segundo pensais, à morte, e que tendes ânimo sobre o que temeis, enquanto temeis sobre o que tendes ânimo. Tal coisa não vos convém, e se, pelo contrário, vos recordardes do que disse Arquíloco de Paros que, chamando “resignação” à paciência frente às desgraças, afirma que é um brinde inesperado dos deuses para enfrentar estas aflições, é, pois, conveniente que não considereis desesperada esta situação na qual vos encontrais pela força, e eu, por vontade própria.”

Carta de Vespasiano a Apolónio:

“Do Imperador Vespasiano ao filósofo Apolónio.
Saudações.
Se todos, Apolónio, quiséssemos praticar a mesma filosofia que tu, a filosofia e a pobreza iriam maravilhosamente juntas. Pois a filosofia seria desinteressada e a pobreza livremente eleita. Adeus.”

Concepção do homem divino

Apolónio faz a sua apologia no tribunal presidido pelo imperador Domiciano.

“O meu acusador diz, com efeito, que os homens me consideram um deus e que o proclamam em público porque estão fulminados por mim. Se bem que devia ter-nos informado antes do processo o que é que eu proclamava; qual foi o prodígio que disse ou fiz para induzir os homens a que me seguissem, pois nunca falei entre gregos de onde a minha alma procede, embora seja coisa que conheça bem, nem divulguei concepções desse tipo sobre mim próprio, nem recorri a presságios ou a recitações de oráculos, que são o tributo dos que desejam honras divinas. Não conheço nenhuma cidade em que tenham decidido em assembleia celebrar um sacrifício em honra de Apolónio. Contudo, cheguei a ser muito estimado por cada uma de quantas me solicitaram, e solicitaram-me pelos seguintes motivos: que os enfermos não continuassem enfermos, serem mais santos nas suas iniciações e mais santos nos seus sacrifícios, erradicar a insolência, vigorizar as leis... e o meu salário por tudo isso limitava-se a que parecessem melhores do que antes. E com isso também te favorecia a ti, pois da mesma forma que os que cuidam dos rebanhos os engordam para benefício de seus proprietários, também eu, ao acabar com os defeitos dos cidadãos, corrigia as cidades em teu benifício; de forma que, ainda que me considerassem um deus, tal engano comportava uma vantagem para ti, pois seguramente atender-me-iam com interesse, temerosos de fazer o que não parecia bem a um deus. Mas nem sequer pensavam assim; o que acontece é que há um certo parentesco entre o homem e a divindade, graças ao qual o homem é o único dos animais que conhece os deuses e filosofa sobre a sua própria natureza e sobre a forma em que participa do divino. O homem crê que a sua forma se assemelha à divindade, conforme se pode ver na estatuária e nas pinturas, e está convencido de que as virtudes provêm dos deuses e que os que são virtuosos estão próximos dos deuses e são divinos.”

 

Françoise Terseur
Pintora, Investigadora e Formadora da Nova Acrópole

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
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