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A Arte do Bonsai

O que é o Bonsai?

Dentro da imensa riqueza e misticismo do Oriente, encontramos uma "Arte" que só foi conhecida na Europa nos finais do século passado e que, não obstante, ainda hoje é desconhecida pela maioria das pessoas.
A "Arte do Bonsai" tem a sua origem no recôndito passado da humanidade; segundo as antigas tradições, foram os monges budistas chineses que, no século X ou XI, levaram para o Japão o Bonsai como objecto religioso.

Há duas formas de o cultivar. Uma, a preferida no sul, consiste em imitar a natureza. Assim, cultivam unicamente árvores nascidas nas montanhas e conservam-nas mais ou menos com a mesma forma que a natureza lhes deu, mas mantendo-as anãs.

No norte prevalece uma ideia diferente, que consiste em obter de maneira artificial formas harmoniosas para estas pequenas árvores.

Da China passou para as ilhas japonesas sob estas duas formas, havendo aí especialistas que aprenderam e descobriram a melhor forma de educar ramos e troncos, podar raízes, etc…

A palavra japonesa "Bonsai" é uma derivação de "Pen-Zin", antiga palavra chinesa que significa "pequena árvore anã". No entanto, o ideograma japonês que se pronuncia "Bonsai" encerra um conceito bastante mais extenso, que significa: "Árvore ou arbusto mantido anão, para que possa ser admirado como um troço da natureza".

 Actualmente, no Japão, a obtenção do "Bonsai" faz-se ainda nas encostas íngremes das montanhas e dos precipícios, onde a natureza é mais selvagem. Ali nascem pequenas árvores destinadas a vegetar durante anos, suportando uma vida precária, porque com o seu reduzido tamanho estão incapacitadas para encontrar o sustento necessário que lhes permita viver; e é aqui que o bom cultivador de Bonsai vai apanhá-la para conservá-las em seguida, pois a maioria delas já são anãs devido às más condições em que viveram. Estas arvorezinhas são transplantadas para recipientes ornamentais onde se pode apreciar a sua misteriosa e peculiar beleza

Reprodução e Sistemas de Cultivo

Sempre que se fala da obtenção de plantas, começa-se, como é natural, pela reprodução das sementes. No caso do "Bonsai", a mais importante fonte da sua obtenção é a recolha de pequenas árvores adultas. A segunda em importância – como forma de reprodução propriamente dita – é a mergulhia; a terceira é a divisão de raízes e a quarta é a estaca. Por último temos as sementes.

Mergulhia – só se pode conseguir de árvores que têm a faculdade de emitir raízes nos ramos. Para obter um "Bonsai" por meio de mergulhia, é preciso procurar o ramo da árvore que esteja mais ramificado na extremidade, de modo que em si mesmo forme já uma arvorezinha. Dão-se uns cortes no ramo escolhido, tapa-se com musgo até que saiam as raízes e, após um ano já se pode plantar.
 
Divisão de raízes – Não se trata de fazer estacas de raízes, mas de uma separação de rebentos.

Estacas – Requer mais tempo para obter uma arvorezinha do que a partir das anteriores formas de reprodução.
Semente – Com pequenas exceções, é possível obter quase todas as espécies de árvores a partir de sementes. No entanto, há que ter em conta que a planta nascida de sementes nem sempre tem as características inerentes à planta da qual procede a semente.

Plantio

Ao plantar o "Bonsai" é necessário escolher com muito cuidado o vaso. As regras que ao longo dos anos se foram estabelecendo sobre os "Bonsai" dizem: "O vaso deve estar em harmonia com a árvore que contém". Quer dizer, quando se tratar de uma árvore jovem, o vaso pode ser em barro cozido e envernizado; se já tem uma certa idade, é mais indicado um vaso de barro cozido apenas; e se a árvore é já muito velha, é conveniente que o vaso seja o mais antigo e rugoso possível.

No vaso fixa-se uma rede de malha estreita nos orifícios e uns pequenos ganchos feitos de arame fino; em seguida cobre-se o fundo do vaso com uma camada de areia grossa. Depois planta-se a arvorezinha, eliminando suavemente a terra que envolve as suas raízes. Esta é uma das operações mais delicadas e é aconselhável fazê-la no período compreendido entre Novembro e Fevereiro, já que é nessa altura que as árvores e arbustos estão geralmente em repouso. É muito importante ter em conta a inclinação com que se deve plantar, a possível educação dos ramos e identificar os que devem ser eliminados, já que é aqui que começa a obra de arte.

Uma vez colocada a árvore na posição correcta, enche-se o vaso com terra nova, apertando-a com força, para que as raízes e a terra fiquem muito identificados e a árvore bem fixa no vaso.
Depois da plantação, deverá regar-se com uma chuva fina e abundante. Em seguida já se podem eliminar os ramos considerados impróprios. É aconselhável deixar a arvorezinha no exterior, mas à sombra, e protegê-la dos ventos fortes. Mais tarde já se poderá expô-la gradualmente ao sol.

Classificação dos Bonsai

Existem quatro grupos que correspondem a diferentes tamanhos.

SOGIN-BONSAI: Significa "mais pequeno do que um miúdo"; a sua medida não ultrapassa os 15 cm de altura.

KO-BONSAI: Significa "Bonsai miúdo"; a sua altura oscila entre os 15 e 35 cm.

CHIU-BONSAI: Significa "jovem Bonsai"; a sua altura vai de 35 a 55 cm.

DAI-BONSAI: Significa o "grande Bonsai"; pode ultrapassar os 55 cm pois o seu nome indica que já é "o homem Bonsai" e, por conseguinte, pode atingir um metro e meio a dois metros de altura.

Estilos de Bonsai

São muitos os estilos que existem, mas basicamente, temos os seguintes:
           
CHOK-KAN ou erguido formal; a árvore deste estilo dá sempre a impressão de que a sua vida decorreu num lugar aprazível.

SHAK-KAN ou erguido informal; esta árvore viveu num clima um pouco menos clemente.

KENGAI ou cascata; é uma árvore que ao nascer na pendente de uma falésia, cresce sempre com os ramos mais baixos do que a base do tronco; pode no entanto ter uma pequena copa na parte alta, obtendo com isso mais harmonia.

ISHI-ZUKE – raízes sobre ou dentro de uma rocha; duas formas ou estilos podem existir, como resultado de uma laboriosa formação ou educação da árvore.
Uma delas é quando as raízes rodeiam a rocha até alcançarem a terra, enterrando-se nela.
A outra é quando a árvore está plantada dentro da rocha.

YOSE-EU – bosquezinho. Esta forma ou estilo pretende a reprodução de um bosque natural dentro de um mesmo recipiente com árvores de diversos tamanhos e em número impar, as árvores mais altas estão em primeiro plano a fim de darem uma impressão de profundidade.

Educação do Bonsai

O mais interessante no cultivo do "Bonsai" é o trabalho da educação da sua forma, porque se ao plantá-lo iniciamos a obra de arte, é com a poda, o pinçado e a rede de arame que lhe damos as últimas "pinceladas" e que por fim nos proporcionarão a satisfação de termos criado o “troço de natureza” a que se refere a palavra "Bonsai". A educação depende da origem da árvore.

A poda no "Bonsai" é uma das três técnicas que ajudam a dar-lhe a forma desejada; mediante esta e o pinçado, pode-se conseguir uma árvore completamente diferente do original.

Os ramos ou rebentos devem ser cortados o mais rente possível, para que o tronco ou o ramo de onde foram cortados fique completamente liso. O inverno é a estação mais propícia para a poda das árvores.
Pelo contrário, o pinçado é um sistema de poda que é feito sempre na temporada de actividade vegetativa, ou seja, quando as árvores começam a brotar, até ao Outono em que deixam de crescer. Consiste em cortar todos os raminhos que vão crescendo, sempre que têm cinco ou seis folhas, deixando apenas quatro. Isto faz-se com a unha do dedo polegar, apertando-a contra o indicador.

Quanto à rede de arame, é conveniente que seja o menos rígida possível. Os ramos ou troncos a que vamos aplicar o arame para incliná-los numa direção diferente da que têm – ou dar-lhes uma forma determinada que melhore a sua silhueta – devem ser sempre massajados; é muito importante fazer isto antes de colocar o arame, já que dele depende o facto do ramo adoptar com suavidade a forma que se lhe quer dar.
O "Bonsai" necessita que se lhe dedique um pouco de tempo por dia; precisa ser regado diariamente, ser tosquiado periodicamente, usufruir de uma atenção constante e ter um alimento adequado. São ainda elementos indispensáveis para a sua saúde: o sol, ar, água e um ambiente temperado.

O "Bonsai" é uma miniatura de árvore da montanha. Por esse facto necessita de viver permanentemente no exterior, podendo entrar em recintos fechados em certas ocasiões.

 

Que ensinamento nos pode transmitir o Bonsai?
 
A filosofia tradicional Zen afirma que "todas as verdadeiras obras de arte são escadas para o céu". "O Bonsai" é uma obra de arte.

Se considerarmos as suas origens como místicas ou religiosas, iremos descobrir – como muito bem nos indica a frase Zen – que para além do sentido ornamental que chegou ao Ocidente, há um fundo de comunhão com a Divindade que se encontra em toda a Natureza.

Se uma obra de arte é a expressão dos sentimentos mais elevados e depurados, que obra maior do que a que a Natureza nos manifesta em cada uma das suas facetas? Uma "Árvore Bonsai" que cresça durante anos num singelo recipiente, não constitui uma contradição da Natureza: é, pelo contrário, uma tentativa – embora modesta – de retratá-la em miniatura.

O "Bonsai" sempre guardou um sentido religioso, embora ainda desconheçamos as causas profundas com que os monges budistas o executavam.

Hoje, perderam-se muitos valores. Trata-se, pois, de recuperar o que ainda é possível ver para além do frio materialismo que, com o seu racionalismo "irracional", nega o que é verdadeiramente o impulso e motor da nossa existência: a Ideia de Deus.

Do "Bonsai" podem-se extrair muitos ensinamentos; no entanto, limitamo-nos a um daqueles que mais necessitamos: a paciência. Esta é uma virtude que nos torna cada dia melhores, porque não esperamos resultados rápidos, mas efémeros. Se realmente queremos chegar ao Bem Absoluto, devemos trabalhar árdua e pacientemente, tal como se talha a pedra, limando arestas e asperezas; a obra concluída não é cada um dos degraus de escada, mas a própria escada.
           

Júlia Lorenzo e Eugenia Cortés


 

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