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Arte Geométrica - O Despertar da Grécia Medieval

 

hindu

O paulatino despertar da Grécia do seu sonho medieval ou Idade Obscura, que se seguiu ao período micénico, coincide com o nascimento e auge da Cerâmica Geométrica. As Escolas de Mistérios, que permaneciam ocultas no meio da barbárie, e a contribuição de conhecimentos egípcios e orientais deve ter permitido uma ressurreição da chama civilizacional. Como a cerâmica constitui um arquivo no tempo da cosmovisão grega, podemos pensar que nos símbolos geométricos desta cerâmica se encontrem profundas e abstrusas ideações, só expressáveis pelo número e pelas formas geométricas.

De acordo com as formas e os motivos da Cerâmica Geométrica podemos falar dos seguintes períodos:


Inicial, de 1000 a 900 a. C.: Com o predomínio do preto, os motivos decorativos são franjas estreitas, as composições, a partir da simplicidade do protogeométrico, tornam-se cada vez mais complexas, os espaços internos entre as bandas estruturam-se na vertical, formando uma espécie de triglifos e métopes. O vaso cerâmico tem um eixo vertical e outro horizontal.

Médio, de 850 a 750 a. C.: O espaço decorativo amplia-se e torna-se mais complexo, os motivos circulares são mais pequenos, as bandas enquadram-se com outros motivos menores e dá-se mais importância à composição. Os motivos mais importantes são os meandros e em segundo lugar os triângulos e ângulos. As figuras animais e humanas que aparecem não formam quadros.

Final, de 760 a 700 a. C.: As peças tornam-se cada vez maiores, as figuras animais e humanas formam quadros. As figuras humanas têm o torso em forma de triângulo, e aparecem, geralmente e dado que se trata de cerâmica funerária, a lamentarem-se com os braços ao alto ou arrancando os cabelos, em sinal de luto. Estas cenas funerárias nunca são exactamente iguais nas distintas vasilhas. Os motivos destas cenas exibem: um cadáver sobre o cadafalso (Próthesis), o cortejo fúnebre, o carro do guerreiro (Ekphora), jogos funerários em honra do defunto (Thapsos), que de um modo preciso Homero descreveu na sua Ilíada, e cenas de batalha, geralmente navais. A figura humana cobre cada vez mais superfície da vasilha e os símbolos geométricos aparecem menos, ainda que frequentemente estejam desenhados no «ar» simbolizando as potências invisíveis que regem a cena.

 

"E, sem dúvida, o mais sagrado de todos os símbolos nesta cerâmica geométrica é o Losango, símbolo das Escolas Esotéricas que permitiram a ressurreição da Grécia"


Seguem-se estilos posteriores de cerâmica, como a coríntia, ou, por exemplo, a de Melos, datada de 630 a. C., em que Ajax e Odisseu combatem pelas armas de Aquiles mostrando também o triunfo de Apolo, seguido de dois hiperbóreos. Os poderes invisíveis ou virtudes que impregnam a atmosfera ainda são figurados de modo geométrico.

Mas que formas geométricas são utilizadas e quais os seus significados? Por analogia com outras culturas podemos deduzir o seu simbolismo: Svastikas, símbolos da vontade divina e humana, do poder criador e da força que faz girar os mundos celestes. Geometrização das Águas Primordiais, símbolo da matéria no seu estado puro, da natureza como um espelho da mente divina.

Duplos triângulos como geometrização da parte superior do machado duplo, o labrys cretense, o poder diferenciador do Espírito e da mente humana na Natureza. Geometrizações de espigas representando o Fogo de Prometeu e a origem divina do homem e sua condição racional e fraterna.

SSS simples ou duplos, símbolo de sabedoria ígnea e criadora, também do Fiat Lux, da luz divina e astral.

Espirais, que simbolizam a vida e o seu movimento, o nascimento e o regresso à unidade de tudo quanto existe e palpita na natureza.

Linha ziguezagueantes que descem e sinuosas que ascendem, geometrizações do raio e da serpente que simbolizam o poder que cristaliza as ideias divinas em formas (Fohat, o Fogo Criador da tradição oriental) e o mesmo poder divino que dorme preso no cárcere da matéria, até que chegue o momento em que ascende como serpente divina (Kundalini, na sabedoria da Índia).

Quadrículas, como as do xadrez, representam a alternância dos ciclos e o entretecer-se da vida através do encontro e alternância de opostos.

Os homens com escudos em «oito» que acompanham o cortejo fúnebre são, na realidade homens-machado, ou seja, guerreiros, encarnações da vontade e do dever ser.

As gregas falam da continuidade da vida que gera formas e situações sem fim e expressa na sua geometria a sombra dos números ou arquétipos platónicos, representados na cerâmica geométrica como estrelas de oito ou mais pontas (a modo de asteriscos).

Os triângulos são símbolos, segundo Platão do fogo como semente espiritual, do Logos regedor da Natureza, do Demiurgo e também do espírito.

A vesica piscis, rodeada de pontos representa a entrada da matriz e, portanto, a Alma do Mundo, no sentido profundo da realidade.

E, sem dúvida, o mais sagrado de todos os símbolos nesta cerâmica geométrica é o Losango, símbolo das Escolas Esotéricas que permitiram a ressurreição da Grécia, símbolo que expressa a reflexão da alma na natureza e como as potências espirituais do homem se podem traduzir em acções eficazes e úteis. O losango é um dos símbolos do Santo Quatro ou da Tetraktis que os pitagóricos invocavam no seu juramento.

 

José Carlos Fernandez
Director Nacional da Nova Acrópole

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
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