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Avatar - Algumas reflexões sobre o filme de James Cameron

 

avatar«Avatar» é um filme que tem impactado o público principalmente devido ao aspecto relacionado com os efeitos especiais que, certamente, irão revolucionar o cinema.

Esta película conta-nos a história de Jake Sully, um ex-marine paraplégico, que é leva­do para um planeta denominado Pandora com o objectivo de poder ajudar o governo numa missão e, deste modo, como recom­pensa pelos seus serviços, recuperar a vitalidade das suas pernas.

O planeta, habitado por um povo indígena, é rico num minério precioso que é explorado pelos seres humanos. A missão de Jake é inflitrar-se entre a comunidade nativa de modo a conhecer melhor os seus segredos e poder ajudar os seus a conseguir acesso total aos territórios onde o minério se encontra.

Os indígenas, seres com pele azul e mais de dois metros de altura, vivem em comunhão total com a Natureza e adorando uma deusa-mãe denominada Eywa.

O culto à deusa-mãe representava, na história da Humanidade, o culto à Natureza, como aquela que tudo proporcionava para os seus «filhos» poderem subsistir. Esta relação vinculava o ser humano com o meio ambiente em seu redor, respeitan­do-o, retirando dele o necessário, mas não o concebendo como propriedade sua. Para essas sociedades, como por exemplo as tribos índias da América do Norte, a Natureza era uma entidade viva que proporciona alimento, abrigo e mesmo a capacidade de regenerar em vários níveis as pessoas.

 

 



Chamo a atenção para uma cena do filme em que Jake Sully está sozinho na floresta e é perseguido por animais. A princesa dos Na’vi salva-o, porém diz que a culpa pelo facto dela ter morto um dos animais é dele porque este, ao andar na selva desastradamente e fazendo muito ruído, perturbou a harmonia existente. O nome do filme, Avatar, faz alusão aos corpos híbridos Na’vi-humanos, criados por cientistas, e que funcionam através de uma ligação mental com um humano compatível.

A palavra Avatar deriva do sânscrito, uma linguagem bastante antiga falada na Índia há mais de 2000 anos, e significa «descida», referindo-se à descida de uma entidade divina do céu para a terra. Segundo a filosofia da Índia, uma divindade podia encarnar várias vezes, em diversos corpos, sendo esses denominados de Avatar.

O melhor exemplo é o de Vishnu, o Deus Supremo da tradição hindu que, segundo a mesma, teve muitos avatares entre os quais se encontram Rama e Krishna.

A missão de um avatar era instaurar o Dharma entre a Humanidade. A palavra Dharma vem da raiz sânscrita dhr («conter» ou «transportar»), significando «o que contém em conjunto, o que suporta, sustenta».

Dharma está relacionado com a Lei Cósmica que sustenta o Universo, é a justiça ideal tornada viva. Também se reflecte como ordem moral e social, mas também como dever. Todos os seres humanos, individual e colectivamente, têm um dever a cumprir de acordo com a sua própria natureza. Que vínculo existe entre o Dharma e o filme?

Na película vemos que aquilo que move os homens é a ganância, a procura de riquezas que faz com que não olhem a meios para procurarem atingir o seu objectivo. Assim sendo, não têm problemas nenhuns em devastar florestas inteiras e eliminar animais para acederem ao precioso (para os humanos) minério.
Pelo seu lado, os Na’vi possuem uma visão diferente. Como já vimos, a sua relação com a Natureza é estreita, eles consideram-na uma entidade viva. Todos os seres têm o seu papel (Dharma) nela e havia que saber respeitar isso. A sua ligação chega a tal ponto que, com a ajuda das suas tranças, eles conseguem não só comunicar com os seres viventes de Pandora, como também senti-los. Eles não se concebem como donos e senhores do planeta, mas sim como sendo parte dele, do mesmo modo que, por exemplo, as células fazem parte de um corpo.

Assim sendo, o Dharma da Humanidade, relacionado com o planeta Terra, não deve ser possuir a Natureza e moldá-la ao seu gosto, mas interagir com ela, retirar o necessário, mas também cuidar para que ela possa estar harmonizada, limpa, intacta. O Homem é parte da Natureza, não um ser que vive fora dela. Ela e nós, humanos, pertencemos à mesma família.

Para terminar, e como meio de ajudar a reflectir sobre este último ponto, deixo um extracto da carta que o chefe índio Seattle escreveu ao presidente dos Estados Unidos em 1854:

Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra?
Essa ideia parece-nos estranha.
Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?
Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e insecto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo.
A seiva que percorre o corpo das árvores, carrega consigo as lembranças do homem vermelho.
Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas.
Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho.
Somos parte da terra e ela faz parte de nós.
As flores perfumadas são nossas irmãs, o cervo, o cavalo, a grande águia são nossos irmãos.
Os picos rochosos, os sulcos húmidos nas campinas, o calor do corpo do potro e o homem - todos pertencem à mesma família.

 

Cleto Saldanha
Investigador e Formador da Nova Acrópole

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
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