O Cipreste

Simbolismo e tradições
O cipreste pertence à família das CONIFERAS. Esta árvore simboliza a união entre o Céu e a Terra. Desde tempos remotos é considerada como uma árvore simbólico religiosa, é também apelidada de “Árvore da Vida”pela sua longa vida e perene verdura.
Na Grécia e em Roma, esta árvore estava relacionada com as divindades do inferno e relacionava-se com o culto a Plutão ou Hades. Também era associada ao deus da medicina, Esculápio ou Asclépio, a Saturno ou Cronos, deus do tempo e a Apolo (pela sua copa em forma de chama). Dizia-se que o cipreste tinha a faculdade de repelir feitiços.
Na Europa, esta árvore é símbolo de duelo e talvez por isso adorna os cemitérios. A origem desta crença é muito antiga: as coníferas estão associadas à ideia de imortalidade e ressurreição, pois a sua resina é incorruptível e a sua folhagem persistente, nem os gelos do Inverno, não conseguem faze-la perder as suas folhas.
Na tradição cristã, encontramos esta árvore na boca de Origenes que vê nela “um símbolo das virtudes espirituais, pois o cipreste exala muito bom aroma, o perfume da santidade”. Representa a esperança da vida no mais além.
Na China antiga, as sementes desta árvore eram usadas para assegurar a longevidade e dizia-se que esfregando os calcanhares com resina de cipreste, podia-se andar sobre as águas, pois o corpo tornava-se leve.
No Japão, os ceptros dos sacerdotes eram feitos de hinoki, uma variedade de cipreste. E os fogos rituais que se acendiam esfregando dois pedaços de madeira desta mesma árvore. Esta era também a madeira que se utilizava na construção dos templos.
Também o Islão foi cativado pela beleza e serenidade desta árvore. As tumbas muçulmanas de Anatólia, Turquia, estão decoradas com representações de ciprestes e no Palácio Imperial de Topkapi, em Istambul, encontramos mosaicos com sete ciprestes representados. Em Espanha, concretamente no Generalife do Alhambra de Granada, podemos contemplar a beleza desta árvore: os ciprestes centenários, com mais de seis séculos de vida, fazem deste passeio um lugar que dificilmente se pode esquecer.
Propriedades terapêuticas
Já no séc. I d. C., o médico grego Dioscorides mencionava as propriedades curativas do cipreste como diurético, contra a disenteria, as hemorragias, etc..
Devido às suas propriedades vasoconstritoras, o cipreste utilizado para tratar as doenças relacionadas com o aparelho circulatório que estejam relacionadas com a hemorragia ou inflamação das veias, tais como varizes ou flebites.
Um dos componentes do cipreste, o tanino que está presente nos seus frutos, é especialmente indicado para acelerar a cura de feridas, ajudando a cicatriza-las e a deter a hemorragia. Por isso, é muito útil quando surgem problemas de diarreia, hemorróidas, sangramento nasal, hemoptise, etc..
Outro dos seus componentes é um óleo essencial rico em substâncias que outorgam numerosas propriedades (adstringente, anticéptico, tónico, vasoconstritor, anti-reumático, diurético, calmante da tosse, expectorante, etc.), pelo que é muito utilizado em tratamentos para resolver problemas de: tosse, catarro, bronquite, faringite, gripe, asma, sinusite, acne, sudurese, frieiras, hérnias, úlceras e feridas abertas, etc..
A indústria farmacêutica utiliza este óleo essencial do cipreste na composição de alguns medicamentos e é igualmente utilizado em cosmética devido a suas numerosas propriedades.
Carmen Morales
Investigadora e Formador da Nova Acrópole
Material utilizado
www.botanical-online.com
www.webislam.com
Dicionário dos Símbolos; JEAN CHEVALIER e ALAIN GHEERBRANT, (Herder, Barcelona,1995).
Dicionário dos Símbolos e mitos; J.A.Pérez-Rioja. Ed.Tecnos S.A. (1988)