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O Colosso de Pedralva

Eu fui, Eu sou... Ecos do Passado

 

colossoSéculos e séculos percorrem a linha do tempo e eu aqui me mantenho com o braço direito erguido. Sei que não me reconhecem e que adenso o mistério das origens dos humanos que povoaram estas terras de Entre Douro e Minho, mas que poderei mais vos transmitir senão o simples e profundo enigma humano?
Deram-me o nome do local onde me encontraram, Pedralva, e apelidam-me de Colosso que muito bem me fica comparando-me com o vosso tamanho! Nunca deixais de medir as coisas comparando-as com o que conhecem, comparando-as com vós mesmos?


Esta última vida que tenho tido - pois sim que das minhas anteriores vidas, finalidades, funções nada poderão conhecer senão elaborar especulações que muito vos aprazem - esta última vida, dizia, foi iniciada nos finais do século XIX, mais precisamente em 1876, quando esse grande amante do passado Francisco Martins Sarmento foi ao meu encontro por indicação do padre da freguesia de Pedralva.
Estava eu no Monte dos Picos, num sítio chamado Chã do Ferrujal, num estado lastimável, confesso, pois este corpo granítico de que sou formado estava dividido nas suas três partes que o constituem e estas distantes entre si. Martins Sarmento, nesta primeira vez que me viu, até pensou que eu apenas fosse a parte inferior pois somente viu as minhas pernas! E este investigador de antigualhas ficou deslumbrado com o que encontrou: umas pernas bem esculpidas com o joelho direito dobrado, a perna esquerda estendida, numa posição sentado em que faço recordar as clássicas estátuas de Zeus ou Poseidon, e também ficou admirado pelo traçado das minhas pernas que reflectem até alguma beleza feminina, como diriam hoje. Já aquela saliência que tenho apoiada entre as minhas pernas foi e tem sido interpretada como um falos, deduzindo-se daí a minha profunda antiguidade porque nunca obra igual poderia ser esculpida em épocas cristãs! Mas tão pouca virilidade transparece desta saliência… Esqueceram-se que a virilidade é sempre representada por um falos e este é o membro masculino erecto? Onde está essa pressuposta erecção? Será que os humanos não conseguem observar objectivamente e estão condenados às suas interpretações mentais, isto é, àquilo que conseguem referenciar do seu rol do mundo conhecido? Quase que faz rir uma estátua a interpretação dada pelo padre local de que eu era uma representação do bíblico Golias que iria ser levado para o Bom Jesus de Braga!


Continuando com a história desta minha nova vida, devido ao interesse do sr. Sarmento pela minha aquisição (ou a esta minha parte inferior) levaram-se a cabo prospecções nas proximidades e encontraram os restos que me faltavam. A pouca distância estava a minha parte superior: braço direito erguido como que empunhando uma lança, braço esquerdo apenas um toco, cabeça toscamente desenhada com um capacete tipo sumério mas de rosto liso sem olhos nem nariz nem boca, apenas uma pequena saliência onde seria o olho esquerdo… realmente desiludi. Mas não é pelo simples valor estético que actualmente me valorizam, antes pelo mistério desse povo que me esculpiu.


Após esse encontro das minhas diferentes partes, fui adquirido pelo grande investigador de Guimarães que me queria levar para a Citânia de Briteiros mas não houve forma de me transportarem para lá. Ali estive até que na primeira metade do século XX me conseguiram transportar para o Museu da Sociedade Martins Sarmento no centro da cidade. Que bem fiquei junto ao antigo claustro gótico do Convento de S. Domingos ro-deado por outros “colegas”, também eles com elevado interesse histórico e arqueológico. Recordo-me muitas vezes das expressões admiradas dos visitantes quando se deparavam frente a mim, intrigados com o meu tamanho e rudeza.


E muito gostaria que as minhas memórias terminassem aqui, infelizmente assim não acontece. Onde estão os herdeiros culturais de Sarmento que não sabem dignificar o seu património? Retiraram-me do claustro para me colocarem no meio de uma arborizada avenida mas com imenso tráfego automóvel pois é uma entrada da cidade, tendo como vizinhança um grande centro comercial onde circulam, suponho, milhares de pessoas diariamente. E sou completamente ignorado por esses transeuntes, e quem visita o museu já não se pode admirar comigo, e nem uma pequena placa indicando o nome pelo qual vós me chamais! Pois agora sinto que em lugar de provocar o espanto pelos mistérios do passado humano, apenas sirvo para algum comentário jocoso sobre “arte urbana”.
Se o meu rosto tivesse bem marcada uma boca estaria sempre a gritar: tirem-me daqui!

 

José Antunes
Dir. do Centro da Nova Acrópole Porto

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