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Creta e o Labirinto Mágico

 

 

O mito de Teseu e o Labirinto tem muito elementos misteriosos. A própria palavra Labirinto está relacionada com uma obra que teria construído Ares-Dionísio com o seu labrys ou machado de lavrar, que depois se converteu, no seu centro, numa criatura de fogo ou numa tocha inextinguível.

Jorge Angel Livraga

 

 

knossosA ilha de Creta, com cerca de 8300 km2, foi o berço da mais antiga civilização europeia que a história conhece.  No III milénio a. C. já esta cultura estava plenamente desenvolvida, considerando-se que o seu período áureo decorreu de 2000 a. C. a 1450 a. C., época dos grandes e sumptuosos palácios, como o de Cnossos. Este período áureo acabaria de forma abrupta devido a causas naturais, havendo de seguida, um período de alguns séculos dominado pelo poder micénico (os famosos aqueus da guerra de Tróia) até que no final do II milénio a. C. os Dórios que, tomaram todo o domínio do mundo micénico, também invadiram a ilha de Creta. A partir dessa época inicia-se o processo do qual irá resultar a Grécia Clássica. A cultura cretense recebeu claras influência do Oriente e mantendo um grande domínio dos mares tinha fortes ligações com a Ásia Menor e com o Egipto.  Influenciou bastante a civilização micénica e foi o berço das divindades mais importantes do mundo grego (excepção feita a Dionísio). Zeus foi criado em alguma das misteriosas cavernas de Creta e amamentado pela cabra amalteia (a que não dava leite!). Creta e Micenas foram sem dúvida culturas mistéricas de grande culto ao poder interno e à espiritualidade arcaica que vieram a constituir raízes ígneas (fogo secreto) da civilização grega. Na proto-história cretense vamos encontrar Minos que, tal como Menes no antigo Egipto e Manu na Índia, terá sido um sábio legislador e unificador dos povos cretenses. Segundo o mito, era filho de Zeus e de Europa, raptada pelo Deus em forma de touro branco. Por outro lado, a sua mulher, Pasifae, teve amores ocultos com o mesmo rei do Olimpo, ainda disfarçado de touro. Desta união adúltera nasceu o estranho Minotauro com cabeça de touro e corpo de homem. Para o ocultar, Dédalo construiu o famoso Labirinto de Creta que, contrariamente, à opinião geral dos historiadores não deveria ser o Palácio de Cnossos mas sim um efectivo e enorme labirinto subterrâneo, do qual alguns arqueólogos da actualidade que conhecemos têm pistas claras sobre onde será a sua localização na ilha de Creta. Quan­do Androgeu, filho de Minos, venceu as Panatenaicas e foi assassinado por atenienses invejosos, Minos com a sua frota de guerra, que dominava toda a navegação entre o Egeu e o Mediterrâneo, sitiou Atenas e tomou-a. A partir dessa data, os atenienses ficaram obrigados todos os anos a dar o tributo de 7 rapazes e 7 donzelas que eram internados no labirinto e destroçados pelo Minotauro. Mais tarde, Teseu, o filho do rei Egeu, revolta-se contra a servidão imposta e, depois de consultar o Oráculo de Delfos, parte em direcção a Creta para lutar contra o Minotauro. Consegue o amor da Filha do rei Minos, Ariadne, que, à entrada do labirinto entrega ao herói ateniense, um novelo de fio sobre um fuso, que ele vai desenrolando até chegar ao centro do labirinto. Aqui, com o labrys, ou seja, com o machado duplo, Teseu parte a cabeça do monstro e recolhendo o fio de Ariadne (que se torna luminoso e é enrolado em forma de esfera ou de ovo) pôde regressar, sem se perder, à entrada do labirinto. No regresso a Atenas, Teseu tomou a direcção ao famoso porto do Cabo Sounion onde o aguardava o seu pai Egeu junto ao Templo de Poseidónis. Infelizmente, Teseu esqueceu-se de mudar as içar as velas brancas, em vez das pretas, assim o rei pensou que Teseu não tinha conseguido acabar com a servidão dos atenienses e atirou-se entregando a sua vida ao mar. Por isso, ainda hoje, esse mar se denomina Egeu.

 

O LABIRINTO E O MACHADO DUPLO

labrisNa chave psicológica, este mito de Teseu e o Minotauro encerra um profundo simbolismo. Teseu é o homem que vence os obstáculos interiores impostos pela sua personalidade e inicia a demanda ao centro de si mesmo ajudado pelo fio de ariadne (a filosofia dos mistérios). Aí, tendo descongelado os seus monstros interiores ou a sua sombra – se preferirmos uma lin­gua­gem junguiana – enfrenta-a heroicamente (quer dizer, aceita com humildade a sua «asa negra» e dissolve-a com a luz do seu trabalho discipular), porém só a pode vencer se utilizar o labrys, o machado duplo, símbolo do poder interno que o discípulo faz despertar harmonizando o seu trabalho interior com as acções exteriores. Para que Atena, a deusa da Sabedoria, nascesse da cabeça de Zeus, Hefaístos, o deus do Fogo, teve que golpear a cabeça do rei do Olimpo com o machado duplo. Este instrumento mágico encontra-se como símbolo mágico-religioso em várias culturas da Europa e da bacia do Mediterrâneo e era muitíssimo cultuado na civilização cretense.

 

Paulo Alexandre Loução
Investigador e Escrito

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
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