Os dez deveres do governante no Budismo
Hoje chegam-nos murmúrios do século VI. a. C., murmúrios da história recompilados por escrito vários séculos depois. Referem-se a Buda e aos seus ensinamentos sobre o governo justo. Na obra Dhammapadatthakatha expressa que, para que um país seja feliz, deve ter um governo justo. Fixemos na nossa consciência e na memória este murmúrio da história e esta verdade de vida e tratemos de a entender.
Afirma que a chave da felicidade não se encontra na satisfação de todas as necessidades humanas, à vontade, nem tão pouco numa vida sem dificuldades nem perigos, físicos e psicológicos. A chave da felicidade é a vivência e exercitação de Ideais que enobrecem a alma. Confúcio dizia que é melhor viver numa cidade justa, ainda que ponha em perigo a existência física, do que respirando os gases venenosos da injustiça e da imoralidade.
Ensinaram os estóicos que ao corpo há que dar aquilo de que ele necessita segundo a sua natureza. E sempre - diziam - é menor do que possamos acreditar porque o corpo - e isto está perfeitamente demonstrado - tem capacidade para se adaptar às circunstâncias mais difíceis.
Mas a alma, a alma não pode viver onde não vive a beleza, a verdade e a justiça. Quem pode afirmar que a tão louvada “sociedade de consumo” tenha outorgado um átomo de felicidade; que tenha elevado a “qualidade de vida”! E o que importa não são as coisas mas a vida, e da vida importa a sua qualidade. É melhor um bom livro do que cem medíocres, é melhor uma amizade verdadeira do que múltiplas anónimas, é melhor o terno sorriso do amor e um olhar de autenticidade do que as mil máscaras que nos impõe o nosso modo de viver. Voltando aos ensinamentos de Buda, os princípios do governo justo são expostos nos “Dez Deveres do Rei”:
1. Liberalidade, generosidade, caridade (dhana). O soberano não deve ter avidez nem afeição pela riqueza e propriedade mas dispor delas para o bem-estar do povo.
2. Um carácter moral elevado (shila). Não deve jamais destruir a vida, enganar, roubar nem explorar os outros, cometer adultério, dizer coisas falsas nem tomar bebidas embriagantes (quer dizer, observar os preceitos dos laicos).
3. Sacrificar tudo pelo bem do povo. Deve estar preparado para sacrificar a sua comodidade, o seu nome, o seu renome e mesmo a sua vida no interesse do Reino.
4. Honestidade e integridade. Deve ser isento de medo ou de favor no exercício dos seus deveres, deve ser sincero nas suas intenções e não deve enganar o público.
5. Amabilidade e afabilidade. Deve ter um temperamento doce.
6. Austeridade nos hábitos. Deve levar uma vida simples e não se deve deixar levar pelo luxo. Deve ser dono de si mesmo.
7. Ausência de ódio, mau-querer ou inimizade. Não deve guardar rancor de ninguém.
8. Não-violência, esforçar-se por fazer reinar a paz e a justiça.
9. Paciência, perdão, tolerância, compreensão. Deve ser capaz de suportar as provas, as dificuldades e os insultos sem se enfurecer.
10. Não-oposição, não-obstrução. Não se opor às medidas favoráveis ao bem- estar do povo. Manter-se em harmonia com o povo.
José Carlos Fernández
Director Nacional da Nova Acrópole