Logo_NA_Verde_2013    
     
  a   a   a   a   a   a   a   a   a   a  
                             
 

Os Druidas - Sacerdotes dos Celtas  

 

druida_1Os Celtas Fazem parte de um ramo de indo-europeus primitivos. Estes últimos constituíam um tronco étnico já poderoso no 3º milénio a.C. na região actualmente ocupada pelo Irão, Afeganistão e norte da Índia. Possuíam uma religião solar e um culto ao fogo, e chamavam-se a si mesmos Ários, filhos de Ar ou Ram, o carneiro solar, aquele que atravessa as trevas e rompe as muralhas. Estes filhos do Sol esforçavam-se em pôr na prática as qualidades do Carneiro Solar: o sentido do sacrifício e do combate contra as trevas.

Os indo-europeus expandiram-se em vagas sucessivas na direcção do Poente. Uns chegaram a Espanha, lugar que os gregos identificaram como o Jardim das Hespérides, fonte inesgotável de conhecimento e de riqueza. Outros, os Dórios, partiram em direcção à Grécia; outros ainda dirigiram-se para os países nórdicos; e outros, como os Celtas e os Germanos, continuaram a sua rota até ao Ocidente.

 

 

 

Durante o primeiro milénio a.C. a migração estava praticamente terminada. Estes povos misturaram-se com os autóctones alimentando-se das suas tradições e inculcando-lhes, em contrapartida, a sua própria espiritualidade. Os Celtas eram, por sua vez, povos guerreiros e lavradores. Deste modo conquistaram a Europa.

Dois grandes universos se desenharam, então, nesta Europa: o universo mediterrânico, amante do calor e do mundo sensível, e o universo do norte e do centro da Europa, envolto em névoa, dotado de uma grande imaginação que se reflecte na sua arte geométrica. Onde ritmos e sons se exprimiam através de ondas e espirais. O mundo da cor (o Sul), e o do som (o Norte), encontraram-se no mundo celta onde a geografia sagrada proibiu a representação antropomórfica da Divindade. Só se lhe podia atribuir uma máscara simbólica.

O deus Ogam ou Ogmios, protector do conhecimento e da eloquência, proporcionou uma escrita sagrada chamada «ogâmica». Ogam está associado aos magos. Gama é a terceira letra do alfabeto grego (nome da antiga língua indo-europeia), que invertida se converte em Mag, palavra utilizada pelos Iranianos para designarem os seus próprios sábios. Esta palavra recorda aqueles que possuem o conhecimento do Fogo e está relacionada com o Poder do som. Cada um dos signos desta escrita estava relacionado com a forma de uma folha de árvore e esta folha era uma representação simbólica. A descoberta destes conhecimentos confirma-nos a existência de uma civilização ligada à mesma tradição e que ia para além das fronteiras geográficas ou da ideia de nação. Fixada em clãs e federada em tribos, a sociedade celta participava ao mesmo tempo de uma estrutura fixa e dinâmica que lhe permitia ser simultaneamente agrícola e guerreira.

 

Quem eram os druidas?

Na hierarquia social, os Druidas eram os sacerdotes dos Celtas. Não formavam uma casta hereditária dado que qualquer pessoa tinha a possibilidade de iniciar-se como druida.

O seu ensinamento compunha-se de três mandamentos:

1. Obediência às leis divinas. Sendo Deus considerado como Inteligência cósmica (os gregos falavam de «Logos-Inteligência», esta obediência pressupõe que existe no homem o princípio de Vontade, característico da Divindade.

2. Interesse pelo bem-estar do meio social, quer dizer da humanidade e do clã. Isto exige uma noção de Amor, segunda característica desta divindade com múltiplas formas que não pode ser representada.

3. Suportar com coragem todos os embates da vida, quer dizer ser-se estóico, ter uma filosofia de vida. Como a História o demonstrou, estes povos tiveram uma enorme capacidade para aguentar o sofrimento e para enfrentar a adversidade. Para que isto seja possível é necessário a Inteligência: para saber calar e renunciar quando é preciso, e agir no momento exacto.

A característica desta divindade, que é ao mesmo tempo Una e Tripla é estar dividida em três, seguindo as três virtudes básicas: Vontade, Amor e Inteligência.

Estes três «mandamentos» podem ser vividos individual ou colectivamente e estão relacionados com os três graus de sacerdócio.

Os três graus de sacerdócio

O primeiro grau é o dos Bardos, os que têm a inteligência de saber viver, de saber calar-se e saber falar quando é preciso.

Os Bardos da Idade Média são os que transmitiam os conhecimentos fazendo circular as notícias. São também os que trabalhavam com as leis da Natureza. O Bardo é aquele que encontra o ritmo na prosa, na língua, no Verbo. Retomando o princípio do ritmo, da onda ou da vaga, o Bardo é aquele que pode combinar uma vaga, uma onda vibrante de vida… criar as canções, fundamento de todo o povo. Quando o povo deixa de bailar ou de cantar, abandonando os elementos que formam a sua própria etnia e a sua própria personalidade, é que está enfermo ou quase morto.

Os Bardos têm acesso a certas fontes de conhecimento e estão inspirados pelo ritmo das estrelas. Suas túnicas são azuis como o céu; além disso são astrónomos. O primeiro grau é uma preparação para a aplicação do terceiro mandamento: fazer face à vida tal qual ela se apresenta e não buscar uma felicidade ou um paraíso inexistente, mas saber transformá-la graças à poesia, ao canto, à dança, quer dizer com a Vida, pois não se pode transformar a vida a não ser com a própria Vida, porque senão matámo-la.

O segundo grau: o Ovate. Esta palavra está relacionada com uma raiz celta que significa «Ovide», ofídio. A serpente é o símbolo de Sabedoria; na Índia o mestre chama-se Naga, serpente, «aquele que conhece». O Ovate usa a túnica verde, cor da vibração da Natureza no nosso planeta; o mar, fonte de vida, vibra nesta tonalidade correspondente à nota Fa, quarta nota na escala de sete.

druida_2O Ovate ainda não é o Druida, mas tem a possibilidade de ensinar a juventude, de lhe dar esperança e ânimo. Também pode aprender a utilizar as armas, a usar a espada e a combater, porque sabe como e quando o deve fazer.

Se o Bardo trabalha com a música profunda, a que encadeia as ondas através de espirais, o Ovate trabalha com as ondas do pensamento.

O terceiro grau é o de Druida. Esta palavra provém do celta «Derw», que deriva da raiz indo-europeia Deria, Dunia, Diria e também Viria. Derw significa «carvalho». Esta árvore canaliza uma energia que lhe permite retorcer-se sobre si mesma.

Uma das funções do Druida é o corte do visco. Esta cerimónia é realizada por três pessoas que incarnam os três mandamentos: duas que aguentam, representando o Amor e a Inteligência e a terceira que corta com a foice de ouro e que representa a Vontade. Esta última apoia-se nos ombros direito e esquerdo dos seus dois companheiros. Deste modo, pode penetrar na árvore e cortar o visco, que é recolhido pelos dois homens, que o seguram.

A foice representa o poder da Lua e de Saturno, símbolo do conhecimento e da vitória sobre a morte.

O Druida usa uma túnica branca e canaliza as energias do céu.

Os três círculos da cruz celta   

Do mesmo modo que uma civilização está regida pelos três aspectos da Lei, também o Universo está dividido em três mundos:

1. O Circulo de Keugant, círculo vazio onde nenhum ser pode subsistir fora de Deus. Mundo do Espírito ou dos Arquétipos, correspondendo ao orifício central da Távola Redonda. É um Todo espiritual, o Desconhecido e Invisível, o Mundo onde nada pode entrar porque aí já tudo está contido. As cruzes celtas têm como ponto de partida um círculo vazio. Para os antigos, que consideravam a matéria em segundo lugar na ordem da emanação, o princípio energético espiritual era o primeiro.                                         

2. O Círculo de Abred, circulo da Fatalidade, do Destino inevitável, em que cada nova existência nasce da morte. O homem atravessa este círculo; este último é a expansão do primeiro e dos quatro braços da cruz que se estendem para fora do círculo. Na realidade, isto dá-nos a roda do deus Sucellus, deus do maço, aquele que bate, que vê o destino. Existem círculos gravados ilustrando este conceito desde o 2º milénio até à época merovíngia. É uma cruz animada, que indica a possibilidade de realização do Destino, e não a fatalidade no seu aspecto negativo. Os hindus chamam a isto a Lei do Karma. Se se bate, apanha-se… Se se apanha, bate-se… Lei de causa e efeito, de acção e de reacção. Este círculo é o nosso mundo concreto; nele poderíamos situar os planetas, o mundo da manifestação e da dualidade espaço-tempo, representado pela cruz.

3. O Circulo de Gwenved, ou círculo de beatitude, é o círculo da luz branca, onde cada ser nasce da vida. Está representado pela coroa de carvalho que rodeia a roda da manifestação como um caduceu. O círculo é a figura geométrica mais perfeita, e este terceiro mundo representa o retorno à totalidade, a realização do ciclo.

Existem pois três mundos:

- O mundo espiritual ou arquetípico.

- O da fatalidade ou do destino, um mundo em cruz como o nosso.

- O mundo da libertação para sair do jogo de luzes e sombras.

Na cruz celta parte-se de um ponto, centro do mundo, e de um círculo que tudo contém. É o mundo florido e aberto da natureza considerada como Sol. Para unir de novo estes dois elementos há a cruz, os dois diâmetros. Deste modo, a cruz vai animar-se gerando a svastika que rodará para a direita e para a esquerda como em espiral dupla, que se estende para o alto e para baixo. O movimento dos braços desta cruz liberta a cruz do seu círculo. Assim, ela sai deste por necessidade e é então que se pode construir o mundo com o martelo de Sucellus. Isto marca o limite do universo quanto à forma, ao passo que a natureza o leva à sua expansão energética.

Este povo revitalizou a Europa entre 900 e 300 a.C. na época que corresponde astrologicamente à Era do Carneiro. As forças solares irrompem no Zodíaco. Este misterioso deus Carneiro com o corpo de serpente é muito importante entre os Celtas. A invasão do Monte Capitólio em Roma e de Delfos pelos Gauleses, marcou o fim do seu ciclo. Pouco a pouco este mundo entrou em decadência, mas certos elementos permaneceram: as vias utilizadas por César, a arte da metalurgia, uma arte geométrica, um panteão e um grande conhecimento das forças da natureza.

Estes elementos mantiveram-se vivos até 819, data em que Louis le Débon-naire aboliu uma forma de cristianismo celta que sobrevivera até então. A Idade Média conservou-o na tradição do ciclo dos Romanos da Távola Redonda, provenientes do universo druídico.

A Cruz Celta resume os três mundos

- O Circulo de Keugant, círculo vazio onde nenhum ser, excepto Deus, pode existir; nem os vivos, nem os mortos a ele podem ter acesso, e só as manifestações de Deus o podem atravessar.

- O Circulo de Abred, circulo da Fatalidade, onde cada novo estado, cada nova existência, nasce da Morte. É o Circulo das Migrações que todo o ser animado tem de atravessar para chegar ao seguinte:

- O Circulo de Gwenved, circulo da Beatitude, onde cada novo estado nasce da Vida. É o Mundo Branco a que todo o homem deve chegar ao finalizar as Migrações.

 

Juro pelo Deus que a minha tribo adora; que o Céu caia, que o Mar transborde, que a terra se abra sob nossos pés.

 

… Juramento de um Príncipe ou Herói Celta.

 

Fernando Schwarz
Antropólogo e escritor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
  Nova Acrópole  
  imagem  
  CURSO FILOSOFIA PRÁTICA
A Sabedoria Viva das Antigas Civilizações
 
   
  Vide Programa do Curso  
 

  ACTIVIDADES n.a. EM PORTUGAL  
 

a

 
  Aveiro  
  Braga  
  Coimbra  
  Lisboa  
  Oeiras-Cascais  
  Porto  
   
  Notícias  
     

  NOVA ACRÓPOLE INTERNACIONAL  

  Anuários  
  Resoluções da Assembleia Geral  
     
  Perguntas Frequentes  
   
     
  Nova Acrópole Internacional  
     

SITES N.A. EM PORTUGAL

Porto
Coimbra
Aveiro
Braga
 

  outros cursos  

   
  Arte de Falar em Público  
  Cursos de Matemática e
Geometria Sagradas
 
  Florais de Bach  
  Outros Cursos  
     

  REVISTA ACRÓPOLE  

   
     

  NOVIDADES EDITORIAIS  

  TÍTULOS PUBLICADOS  
   
 

 
© Nova Acrópole 2009 | Optimizado para monitor 1024X800 | Mapa do site | Webmaster