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As Edições e Traduções do Mahābhārata *

O presente artigo destina-se ao estudante que se inicia nos épicos indianos, ou nos estudos indológicos em geral, e tem como objectivo apresentar de forma sucinta e meramente informativa, algumas das várias traduções e edições do Mahābhārata (MBh) que têm sido levadas a cabo por vários autores, de forma completa e parcial, em verso e em prosa, até ao presente.1 A apresentação será feita por ordem cronológica, referindo os pontos essenciais de cada edição e tradução, quando estes se justifiquem.

Breve introdução ao Mahābhārata

O MBh, épico monumental que perfaz oito vezes o tamanho da Ilíada e da Odisseia juntas, é uma obra rica em narrações mitológicas, contos e teorizações legislativas e éticas, que se harmonizam num jogo entre vários conceitos, em especial os de: dharma (dever, lei); e kārya (tarefa, acção, da raiz KṚ- “fazer”). Estes conceitos estruturam-se em torno da narrativa épica central, a guerra dos dezoito dias pelo trono de Hāstinapura (que de um ponto de vista histórico terá ocorrido no séc. VIII a.C.), entre duas facções, a dos Pāṇḍavas e a dos Kauravas, pertencentes à dinastia dos Kurus. Após os primeiros conflitos no seio da casa real dos Kurus, que correspondem historicamente à dinastia com o mesmo nome (no contexto dos kṣatriyas ários das mahājanapadas), os Kauravas passam a dominar a Norte do rio Ganges (Gaṅgā) com capital em Hāstinapura, e os Pāṇḍavas na parte superior do rio Yamunā, com capital em Indraprastha (futura Delhi). A composição épica desta batalha descreve aquilo que terá sido o fechar do capítulo da soberania kṣatriya na Índia, configuração política que terá durado cerca de um milénio.

"O título do poema não terá sido na sua origem
Mahābhārata
mas sim Jaya (vitória)"

Cena de batalha no Mahabharata
Cena de batalha do Mahābhārata

As oscilações e quebras deste longo poema entre as várias teorizações, contos e recontes que fazem espelho uns dos outros bem como de outras obras, e em especial o complicado centro do épico, a guerra dos dezoito dias em Kurukṣetra, que se desenha em muitos termos sem equivalente ocidental, que apresentam grandes dificuldades na sua tradução. O mesmo se aplica à sua delimitação e interpretação. Também o sentimento de alteridade com que o leitor ocidental menos preparado se depara durante as primeiras leituras do épico, e que é muito próprio desta poesia indiana antiga, poderão apresentar algumas dificuldades de interpretação, para as quais existem um sem-número de introduções que poderão solucionar rapidamente a questão.2

"A autoria do épico é atribuída a Vyāsa, o “compilador”, também chamado de Kṛṣṇa Dvaipāyana"

A par disto, as várias versões do épico que nos chegaram, as suas variações regionais, as claras influências da literatura védica e upaniṣádica, bem como a possível relação e reação às primeiras crenças budistas, dão uma dimensão temporal e geográfica à obra que torna difícil, se não impossível, a sua interpretação no tempo e no espaço, bem como encontrar uma unidade para o poema ou para a sua forma original. Esta situação é bem visível na divisão existente entre as hipotéticas origens geográficas do épico, em especial do Sul ou do Norte, publicando-se e traduzindo-se várias edições para o atestar, o que veio complicar consideravelmente a questão, por este motivo será apresentada adiante uma lista de quatro das principais versões do MBh.

A autoria do épico é atribuída a Vyāsa, o “compilador”, também chamado de Kṛṣṇa Dvaipāyana, que não deixa margens para dúvidas quanto à sua total inexistência fora do campo mitológico e simbólico, sendo inclusivamente uma personagem presente e fundamental na narrativa. Pelo facto de este ser filho de um pai brāhmaṇa e de uma mãe śūdra, terá a função de significar ele mesmo uma interação entre todas as camadas da sociedade desta Índia épica, o que ajuda a compreender o motivo de tantas adições e versões da narrativa. Ao mesmo tempo, subentende que esta não se terá tratado de uma obra produzida para as elites (primeira e segunda funções indo-europeias, i.e., político-religiosa e guerreira), mas sim para o Homem, característica que pode ser comprovada pela dimensão filosófica, política, ética, e até certo ponto devocional, que o poema épico comporta.

Cena de batalha do MBh no templo Kailasa em Ellora
Cena de batalha do Mahābhārata no templo Kailāsa em Ellorā, séc. VIII.


O título do poema não terá sido na sua origem Mahābhārata mas sim Jaya (vitória), designação que aparece no verso introdutório a cada um dos 18 livros: «nārāyaṇaṃ namaskṛtya naraṃ caiva narottamam / devīṃ sarasvatīṃ caiva tato jayam udīrayet».3 Esta “Vitória” equivaleria ao que hoje são os livros da guerra (livros VI-X, podendo ou não incluir-se o XI), e que recebeu mais tarde, após adições, o nome de Bhārata (a dinastia dos Bhāratas), e ainda, ao ter sido pelo menos uma terceira vez consideravelmente alargado, o nome de mahā- (grande) Bhārata. No entanto, o mahā- refere-se ao volume e extensão da obra e não propriamente à dinastia, não obstante este facto a maioria dos autores, em especial aqueles que seguem a tradição popular, continua a traduzir a obra como “Grande Índia”, “Grande Dinastia Bhārata”, “Grande Humanidade”, etc., títulos possíveis e atestados na designação bhārata, mas que dificilmente corresponderão à realidade. Em vez disto seria preferível traduzir como “Grande Bhārata” ou “Grande Épico/História da Dinastia Bhārata”, aplicando-se sempre ao tamanho da obra e nunca à designação.

"O épico representa uma preocupação para com o bom governo, a guerra justa e o ideal de rei/herói."

Antes de passarmos à apresentação das traduções e edições, existem várias problemáticas que o leitor e o estudante deverão conhecer antes de iniciar a leitura do épico, que serão aqui abreviadamente assinaladas:

1) Não obstante que a compilação do épico se tenha realizado algures entre os sécs. IV a.C. e IV d.C., e muitos dos seus episódios, como o da Bhagavadgītā, pareçam ser consideravelmente tardios e “alheios” ao objectivo central épico – bem como personagens hoje tidas como essenciais, como é a de Kṛṣṇa (avatāra de Viṣṇu), que parece não ter marcado presença numa primeira versão do épico (pelo menos enquanto divindade) –, a sua antiguidade e arcaísmo, quer linguísticos quer ideológicos, dão-lhe uma antiguidade razoável, que deverá remontar no mínimo ao período védico tardio (entre 1000 e 500 a.C.). Isto comprova-se com alguma facilidade devido à estreita relação do épico com a literatura védica, em especial com o Ṛgveda (composto em 1500 a.C.), as quais permitem entender no épico uma reformulação exaustiva da legislação, prática e imaginário védicos, upaniṣádicos e purāṇicos;

2) Ainda que seja notório ao longo de todo o épico que este se dedica sobretudo às problemáticas da primeira e segunda funções indo-europeias num momento de “crise” universal, a verdade é que este traça também uma grande relação entre as três funções ou as três principais varṇas (“cores”, castas) indianas (brāhmaṇas, kṣatriyas, e vaiśyas), que se organizam em torno do rei. O épico expressa igualmente uma estreita relação entre deuses e homens, que são com frequência avatāras (encarnações) tanto de deuses como de demónios, enfrentando-se quer num espaço quer noutro, sempre subjugados e harmonizados a uma ordem aparentemente desordenada, e a ciclos universais absolutamente inalteráveis;

3) O épico representa ainda uma extrema preocupação para com a protecção da realeza e da dinastia, que reflectem uma “ordem” face à “desordem” que neste momento ataca vinda de todas as partes e em várias formas. Bem como uma preocupação para com o bom governo, a guerra justa e o ideal de rei/herói. Problemáticas nas quais podemos encontrar algumas relações históricas, ainda que sem grande sustentação, com a chegada de Alexandre à Índia e com a emergência do império de Aśoka. No entanto, pelo facto de o épico referir dinastias já presentes no Ṛgveda, composto entre 1500-1000 a.C. (mas portador de uma antiguidade oral impossível de determinar), que virão a constituir os grandes estados de Kuru, Pañcāla, Kosala e Magadha, durante os sécs. VII-VI a.C., permite-nos afastar um pouco mais a hipótese de o épico ter algo que ver com invasões gregas;

4) A par destas questões, existe todo um intrincado jogo de relações gramaticais em torno das raízes do sânscrito, presentes nas designações que são utilizadas quer para locais quer para personagens, que impedem, com uma frequência indesejável, que se possa fazer uma interpretação do épico que seja suportável para o estudante e para o leitor, e que não multipliquem o épico num conjunto de sub-interpretações que se deslocam desde as influências de pelo menos 1500 a.C. até aos rituais que persistem no presente, mas que em última análise comprovam a fascinante riqueza que o épico preserva.4

Vyasa narra o Mahabharata a Ga?esha
Vyāsa narra o Mahābhārata a Gaṇeśa

As principais edições do Mahābhārata

    1. Edição de Mumbai, Vulgata, ou Texto de Nīlakaṇṭha: A. Khadilkar (ed.), Mahābhārata with Nilakantha's commentary, 6 volumes, Mumbai, Ganpat Krsnaji's Press, 1863. Esta edição tem como base o material recolhido em Vārānasi pelo comentador do séc. XVII Nīlakaṇṭha Caturdhara. Foi reimpressa em 1929-1936, pela Citrashala Press. Esta é a edição mais tradicional, que rivaliza com a Recensão de Puna, apresentando um texto menos “artificial” e muito provavelmente mais próximo ao que seria a versão original.
    2. Recensão Crítica do Sul: P. P. S. Shastri (ed.), The Mahabharata, 18 volumes, Ramaswamy Sastrulu & Sons, Madras, 1932.
    3. Edição Crítica do Mahābhārata, Recensão de Puna, ou Edição de Bhandarkar: V. S. Sukthankar, S. K. Belvalkar, P. L. Vaidya (edd.) TheMahābhāratafortheFirstTimeCriticallyEdited, 19 volumes, Puna, Bhandarkar Oriental Research Institute, 1933-1972. É a edição que tem maior autoridade, contudo ainda pouco adoptada nas traduções do épico, sendo um enorme projecto editorial que reuniu centenas de manuscritos e outras formas de testemunho desde a Índia à Indonésia, iniciado em 1919 pelo BORI (Bhandarkar Oriental Research Institute) em Puna, no entanto o seu resultado final é muito criticado e entendido como um texto artificial que nunca existiu no passado. Por este motivo esta edição deverá ser utilizada como “apêndice” ou “suplemento” à tradução e à investigação, sendo preferível seguir em especial a versão da Edição de Mumbai. O valor da edição passa essencialmente pelo facto de possuir, além do texto crítico bem determinado, as suas inúmeras variantes, bem como as passagens que se julgam ser adições tardias ao original. Com base nesta edição foi lançada on-line a versão electrónica, que é extremamente útil e que está em constante actualização: John Smith (ed), Electronic Text of Mahābhārata, http://bombay.oriental.cam.ac.uk/john/mahabharata/statement.html, 1999.
    4. Edição de Calcutá: TheMahābhārata:AnEpicPoemWrittenbytheCelebratedVedaVyāsaRishi, 4 volumes, Calcutá, Asiatic Society of Bengal, 1834-39.

As traduções do Mahābhārata

    1. Tradução do Harivaṃśa (suplemento ao MBh com a história de Kṛṣṇa) de Simon-Alexandre Langlois (Harivansa,ouHistoiredelaFamilledeHari,OuvrageformantunAppendiceduMahabharata, 2 volumes, The Oriental Translation Fund, 1834-1835)
    2. Tradução da História de Nala e Damayantī de Monier Williams (StoryofNala, Oxford University Press, 1860). Esta tradução é apresentada com o vocabulário e análise gramatical. 
    3. Tradução do MBhde Hippolyte Fauche (Le Mahâbhârata: poème épique de Krishna-Dwaipayana, traduit complètement pour la première fois du sanscrit en français, 10 volumes, Impr. Impériale, 1863-1870). Com a morte do tradutor, a tradução dos livros X-XII foi continuada por L. Ballin (pela Ernest Leroux, 1899).
    4. A obra de Arnold Edwin (Indian Idylls, from the Sanskrit of the Mahâbhârata, Roberts Brothers, 1883), traduz alguns episódios do MBh em verso, como o de Nala e Damayantī, o de Sāvitrī e Satyavāt, entre outros.
    5. A primeira tradução completa para o inglês foi feita por Kisari Mohan Ganguli, patrocinada e publicada por Pratap Chandra Roy (The Mahaharata of Krishna-Dwaipayana Vyasa Translated into English Prose from the Original Sanskrit Text, 11 volumes, Bharata Karyalaya Press, 1884-1896). Esta é uma tradução fiel e agraciada pelo facto de se encontrar inteiramente disponível on-line em várias bases de dados. Apresenta meticulosas notas ao texto (sobretudo baseadas nos comentários de Nīlakaṇṭha) comparando sistematicamente as várias recensões do épico, contudo, ao ter sido traduzida em prosa, sem referir os versos, pode colocar algumas dificuldades ao leitor, em especial àquele que a utiliza num trabalho de investigação. Não obstante, este trabalho monumental apresenta uma tradução extremamente polida e acessível.
    6. A segunda tradução completa para o inglês foi feita por Manmatha Nath Dutt (The Mahabharata, Sanskrit text and English translation, 3 volumes, Elysium Press, 1895-1905), tradução que tem a vantagem ter sido feita em verso (baseando-se na tradução de Ganguli) e a desvantagem de algumas passagens terem sido reconstruidas de forma a não chocar a sociedade britânica, como a omissão de designações de carácter sexual, o que faz da tradução um trabalho menos fiável do que aquele de Ganguli.
    7. Tradução do Harivaṃśade Manmatha Nath Dutt (AProseEnglishTranslationofHarivamsa, Elysium Press, 1897).
    8. G. de Vasconcelos Abreu (OsContos,ApólogoseFábulasdaÍndia, Imprensa Nacional, 1902) onde traduz pela primeira vez para o português alguns contos do MBh.
    9. Romesh Chunder Dutt (The Ramayana and Mahabharata Condensed into English Verse, Dent's Everyman's Library, 1910) traduz alguns dos episódios do épico e resume outros, de forma a tornar a leitura mais simples. Este é um trabalho considerado fiel mas que está no entanto ultrapassado.
    10. Dwijendra C. Roy (TalesfromtheMahabharata, Bharat Karyalaya, 1912) compila dezassete histórias do MBh.
    11. Tradução da história de Nala e Damayantī de Norman A. Penzer (NalaandDamayanti, A. M. Philpot, 1926), com um apêndice extremamente útil com notas às várias designações do sânscrito.
    12. Edward P. Rice (TheMahabharata:AnalysisandIndex. Oxford University Press, 1934) traduz de forma resumida o épico, que é muito útil pelo facto de incluir índice de nomes e temas, com referência à tradução de Nath Dutt.
    13. V. Raghavan (TheMahabharata:CondensedinthePoet'sownwords, G.A.Natesan & Co., 1935) apresenta uma tradução muito útil que nos dá o texto em bilingue, e quase literal, tendo sido durante os anos que se seguiram à sua edição, uma tradução incontornável no seio dos estudos indológicos, no entanto encontra-se hoje um tanto ou quanto esquecida.
    14. Tradução da Bhagavadgītāde Swami Prabhavananda e Christopher Isherwood (TheSongofGod:Bhagavata-Gita, Phoenix House, 1947), contém ainda em anexo uma nota quanto ao papel do episódio no épico.
    15. Tradução do episódio de Nala e Damayantī de Maurice Langton (NaḷaVeṇbā,TheStoryofKingNalaandPrincessDamayanti:aNarrativePoem, ChristianSocietyforIndia, 1950), tradução em verso da versão tamil do séc. XII, de Puhalendi Pulavar.
    16. A. L. Basham, (TheWonderthatwasIndia, Grove Press, 1954), para além de resumir o épico, apresenta a tradução de Nala e Damayantī.
    17. Biren Roy (TheMahabharata, D.K. Mukherji, 1958) traduz e resume o épico.
    18. Ethel Beswick (TalesofHindugodsandHeroes, Jaico Publishing House, 1960) traduz vários dos mais importantes episódios do MBh, com referência aos famosos contos de Nala e Damayantī, e Sāvitrī e Satyavāt, de forma simplificada e direccionados ao leitor ocidental.
    19. Alain Danielou (HinduPolytheism. Pantheon Books, 1964) traduz alguns episódios do épico, com especial referência aos deuses.
    20. C.V. Narasimhan (TheMahabharata:AnEnglishVersionbasedonSelectedVerses,  Columbia University Press, 1965) resume o épico naquilo que é o seu centro, a guerra, deixando de parte muitos dos contos e embelezamentos literários, sendo uma tentativa de apresentar exemplos daquilo que seria o épico na sua forma original.
    21. Com edição de S.C. Nott (TheMahabharata:SelectionsfromAdiParvaandSabhaParva, The Janus Press, 1965) a obra apresenta selecções dos primeiros dois livros do MBh.
    22. M. V. Subramaniam (VyasaandVariations:TheMahabharataStory, Higginbothams, 1967) apresenta-nos o épico com base nas versões de Villi em tamil, de Kumāra Vyāsa em kannaḍa, bem como as de Bhāsa, Bhattanārāyaṇa, Māgha e Bhāravi.
    23. Tradução do MBh de J.A.B. van Buitenen e James L. Fitzgerald (TheMahābhārata, 3volumes,University of Chicago Press, 1973-81), onde se projectaram dez volumes, dos quais apenas quatro foram publicados, van Buitenen traduziu os três primeiros volumes, que comportam os cinco primeiros e os maiores livros do épico, tendo o livro VI ficado inacabado devido à morte do tradutor, tendo-se editado apenas um capítulo deste livro, a Bhagavadgītā. Fitzgerald traduziu o sétimo volume, que comporta o livro XI e a primeira metade do XII (2004). Fitzgerald e van Buitenen traduziram da Edição de Puna para prosa, e todas as secções do texto são previamente sumarizadas, apresentando cada volume anotações ao texto, bem como um glossário, índice e apêndices sempre úteis. O trabalho está de momento a ser continuado por David Gitomer e Wendy Doniger. Esta é uma tradução muito aconselhável, e talvez aquela da qual mais se espera com a sua conclusão.
    24. W. J. Johnson (TheSauptikaparvanoftheMahabharata:TheMassacreatNight, Oxford University Press, 1998), tradução completa do livro X, conta ainda com uma aclamada introdução e anotações.
    25. Madeleine Biardeau (LeMahābhārata: Un récit fondateur du brahmanisme et son interprétation, 2 volumes, Éditions du Seuil, 2002) faz uma tradução resumida dos dezoito livros, mas a qual comporta grandes excertos dos principais episódios, estando muito próxima tanto do original quanto das versões completas. A obra é ainda agraciada pelos longos comentários e notas a cada um dos episódios, apresentando-se como um trabalho absolutamente incontornável para todo aquele que pretenda aprofundar os seus conhecimentos do épico, trabalho levado a cabo por uma das maiores autoridades, senão a maior, dos estudos épicos indianos do séc. XX e início do XXI.
    26. Gilles Schaufelberger e Guy Vincent (LeMahābhārata, 4 volumes, Presses de l'Universite Laval, 2004-2009) apresentam as traduções dos principais episódios do épico, com a felicidade de estarem verso a verso.
    27. O projecto TheClaySanskritLibrary (Maha-bhárata, 10 volumes, New York University Press e JJC Foundation, 2005-2009), apresenta-nos traduções completas, em formato de livro de bolso, levadas a cabo por vários autores, como William J. Johnson, KathleenGarbutt, Adam Bowles, entre outros, sendo as traduções absolutamente fiáveis, literais e acessíveis, numa edição em bilingue (em caracteres romanos) que permite com grande facilidade a comparação entre o original e sua a tradução. Os livros apresentam ainda notas, glossário e índice, sendo esta tradução muito aconselhável em especial para os estudantes que se iniciam no sânscrito. Esta tradução, fazendo reflexo do que acontece com a de J.A.B. van Buitenen e James L. Fitzgerald, peca por não se encontrar completa, no entanto, é e virá a ser, quando finalizada, a melhor tradução a que teremos acesso do MBh. Complementos a cada uma das traduções estão disponíveis no sítio da editora, online: http://www.claysanskritlibrary.org/downloads.php
    28. Tradução da Bhagavadgītā de José C. Calazans (Bhagavad Gītā. A Canção do Senhor, Ésquilo, 2010) é a primeira tradução portuguesa do sânscrito e completa do episódio do livro VI do MBh, apresentada verso a verso e em bilingue (em caracteres romanos e em devanāgarī), que conta ainda com um excelente prefácio de Carlos João Correia.


Ricardo Louro Martins


Notas:

* Uma primeira versão deste artigo foi publicada pela Férula: Revista para Estudos Históricos Interdisciplinares (do IPAEHI), em Agosto de 2012.

1 - Para a presente listagem de traduções e edições tomei como ponto de partida essencial o trabalho apresentado por P. Lal em: TheMahabharata:anAnnotatedBibliography, Calcuta, Writers Workshop, 1973

2 - Destaca-se a obra de Madeleine Biardeau: L'hindouisme: Anthropologie d'une civilisation, Paris, Editions Flammarion , 2009.

3 - «Depois de se ter honrado Nārāyaṇa e Nara, o melhor dos homens, e a deusa Sarasvatī, cante-se agora a “Vitória".»

4 - Para uma análise detalhada das questões aqui apresentadas recomenda-se em especial a leitura das Introduções e Comentários de Madeleine Biardeau (Le Mahābhārata: Un récit fondateur du brahmanisme et son interprétation, 2 volumes, Paris, Éditions du Seuil, 2002), bem como de J.A.B. van Buitenen e James L. Fitzgerald (The Mahābhārata, 3 volumes, Chicago, University of Chicago Press, 1973-78), e as obras deAlfHiltebeitel,comediçãodeVishwaAdlurieJoydeepBagchee(Reading the Fifth Veda, Studies on the Mahābhārata - Essays by Alf Hiltebeitel,vol.I,Leiden,Brill,2011;eWhen the Goddess was a Woman, Mahābhārata Ethnographies: Essays by Alf Hiltebeitel,vol.II,Leiden,Brill,2011).

Bibliografia:

BIARDEAU, Madeleine, Le Mahābhārata: Un récit fondateur du brahmanisme et son interprétation, 2 vols, Paris, Éditions du Seuil, 2002.

HILTEBEITEL, Alf; ADLURI, Vishwa; BAGCHEE, Joydeep (edd.), Reading the Fifth Veda, Studies on the Mahābhārata - Essays by Alf Hiltebeitel, vol. I, Leiden, Brill, 2011

HILTEBEITEL, Alf; ADLURI, Vishwa; BAGCHEE, Joydeep (edd.), When the Goddess was a Woman, Mahābhārata Ethnographies: Essays by Alf Hiltebeitel, vol. II, Leiden, Brill, 2011.

LAL, Purushottama, The Mahabharata: an Annotated Bibliography, Calcutta, Writers Workshop, 1973.

PARMAR, Arjunsinh K. (ed), Critical Perspectives on the Mahābhārata, Delhi, Sarup & Sons, 2002.

 

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