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Feng Shui ; A arte milenar chinesa de harmonizar o Homem com o ambiente

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Feng Shui significa Vento e Água e é a ciência e a arte de organizar a vida do ser humano de acordo com as forças da natureza. Se não existe um equilíbrio no nosso entorno alterar-se-á o nosso equilíbrio interior, física ou psicologicamente, e naturalmente a nossa vida não estará bem. O seu objectivo é pois o de estabelecer um equilíbrio entre o homem e a natureza, ajudando a melhorar a sua qualidade de vida. Não se trata de nenhuma fórmula mágica ou acção milagrosa - tal como dizia um mestre chinês, “se os milagres existem não é com o Feng Shui”.

Também não é uma simples “arte chinesa para decorar” ou a utilização de uma série de objectos “mágicos”, hoje tanto em moda no ocidente, como sinos, flautas, bolas de cristal, estatuetas de Buda, de tigres, etc. que nada têm a ver com o Feng Shui; ele é, sim, uma ciência que estuda o modo como nos afecta tudo o que nos rodeia desde as ruas, os edifícios, as montanhas, os rios, até à estrutura da nossa casa ou do lugar onde trabalhamos, a localização do quarto, da casa de banho, da cozinha, o posicionamento da cama e da secretária, etc. Estes são os factores que há que estudar e analisar se queremos conseguir uma harmonia em casa ou no local de trabalho, ter um bom Feng Shui.

Os chineses acreditam que o sucesso na vida é determinado de acordo com cinco áreas de influência, ordenadas segundo a sua ordem de importância:

1º ‑- Ming: destino. A sua influência é dada de acordo com o momento do nascimento, não podendo ser alterado mas somente conhecido e interpretado nomeadamente através da astrologia.

2º ‑- Yun: sorte. Está relacionada com as nossas acções, sendo a boa sorte resultado das boas acções. É, por isso, variável no tempo e pode ser prevista. Yun é semelhante ao conceito hindu de karma, a lei de causa e efeito.

3º ‑- Feng Shui: ambiente. Uma casa contrariando a harmonia - o Feng Shui - será um obstáculo para o nosso êxito, a nossa vida pessoal ou a nossa saúde; é, pois, um elemento que podemos manipular, permitindo-nos alcançar os mais altos níveis do que o nosso destino e a nossa sorte permitem.

4º ‑- Dao De: virtude e carácter. É o que nos permite atrair bons relacionamentos e sentimentos dos demais.

5º ‑- Du Shu: educação e esforço. Não basta ter sorte; é necessário um esforço constante de criar e aproveitar as oportunidades.

Breve História

A história do Feng Shui encontra-se intimamente ligada à história da China, ambas grandiosas e enigmáticas. Originado nas planícies agrícolas da China há cerca de 5.000 anos e utilizando muitos dos símbolos que datam quase do período neolítico, aparece de forma estruturada, semelhante ao que conhecemos hoje, na dinastia Han (200 a.C.). Esta ciência era então conhecida como Kan Yu, a Configuração do Céu (Kan) e a Formação da Terra (Yu), sendo tratado como o caminho do Céu e da Terra.

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O termo Feng Shui é desenvolvido a partir da enciclopédia Taoista Huan-Nan Tzu, escrita por Kuo Po, o qual escreve num capítulo sobre os movimentos do Vento (Feng) e os Fluxos da Água (Shui). Na cultura chinesa, o vento suave e a água em movimento sempre estiveram associados a uma boa colheita e a uma boa saúde enquanto que os ventos agrestes e a água estagnada foram ligados à fome e à doença.



É durante a dinastia Tang (618-907 d.C.) que alcança o seu máximo desenvolvimento, sendo o Mestre Yang-Yun-San, conselheiro da corte imperial, a estruturar as bases do Feng Shui que conhecemos actualmente com o primeiro manual que é conhecido. Esta escola surge nas montanhas dos arredores de Kueilin e está na base de toda a estruturação da Escola das Formas. Um século mais tarde, surge com o Mestre Wang Chin, a sul, um outro sistema ligado às orientações e que dará origem à Escola da Bússola. A Escola das Formas, originada nas regiões montanhosas, utilizava como referência a topografia: as posições e orientações das montanhas, pedras e rios, determinando as localizações mais propícias. Por outro lado, a Escola da Bússola desenvolveu-se nas planícies, onde a topografia não oferecia demasiadas variantes. Baseia-se no uso de uma bússola especial chamada Luo-pan e fundamenta-se numa ciência numerologia. Actualmente esta antiga divisão entre a Escola das Formas e da Bússola deixou de ser operativa e encontram-se ambas interligadas entre si.

Baseadas nestas duas grandes linhas, várias escolas surgiram ao longo dos séculos permitindo fazer várias classificações. No entanto há quatro grandes escolas que marcam a história do Feng Shui e onde muitas modalidades se inserem:

- A Escola San-Yuan: Fundada por Yang-Yun-San (dinastia Tang - 618-907 d.C.), significa Três Períodos e é considerada a mais antiga escola de Feng Shui. Focalizou o seu estudo na classificação das formas dos terrenos tanto para as construções yang destinadas aos vivos como para as construções yin, destinadas aos mortos (sepulturas). Durante a dinastia Song (960-1279) a escola San-Yuan dirigiu a sua atenção para as edificações usando o sistema de “Estrelas Voadoras”, Xuan Kong Fei Xing (“o vazio misterioso das estrelas voadoras”), baseado na elaboração de um mapa do fluxo da energia nos edifícios e onde a dimensão tempo é contemplada de forma a permitir conhecer o desenrolar temporal dos acontecimentos de um edifício. Também San-Yuan irá aplicar as suas técnicas, para além dos edifícios, às estradas, represas, pontes, etc. Sendo a mais antiga Escola, o seu sistema é ainda hoje considerado o mais completo.

feng_shui_arte- A Escola San-He:A sua história recua a mais de 1.000 anos atrás e significa Três Combinações. Focaliza-se no relacionamento entre as montanhas e os rios e usa uma bússola especialmente desenvolvida para o uso da classificação do terreno. San He trabalha com as direcções cardeais, cálculos matemáticos e análises paisagísticas.

- A Escola Hsüan-K’ung: Fundada por Hsü-Jen-Wang durante a dinastia Song e significa Subtil Misterioso. Usa como instrumentos o Luo-pan (bússola) e o sistema de “Estrelas Voadoras” para determinar o fluxo energético dos edifícios. Durante a dinastia Ch’ing (1644-1911), o sistema clássico de Hsüan-K’ung foi expandido para incorporar classificações das formas das estruturas naturais e edificadas pelo homem.

- A Escola Pa-Chai: Significa Oito Mansões e é a mais jovem escola do Feng Shui tradicional chinês com uma história de 300 anos. Projectado exclusivamente para o uso em edifícios, combina a “estrela guardiã pessoal” (baseada no ano de nascimento) com a orientação da entrada principal da casa. O Pa-Chai usa a bússola simples de 8 direcções (os quatro sentidos cardeais e os quatro diagonais) para encontrar áreas de energia positiva e negativa numa casa. O Pa- Chai não deve ser confundido com a escola contemporânea de Feng Shui surgida nos Estados Unidos, conhecida como escola do Chapéu Preto, que divide a casa em oito áreas de vida.

O que é o Chi (energia)?

Os orientais partem de um conceito unitário da Energia: Energia única, mas que se manifesta sob múltiplas formas e permeia todos os seres do universo. Essa energia, chamada Chi (também referida como Sopro Cósmico, ou Respiração do Dragão) não pode ser confundida com o nosso vulgar conceito ocidental de energia pois, para a sabedoria chinesa, a matéria é uma condensação da Energia que assim que se fragmenta, volta ao seu estado puramente energético.

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   O ideograma do Chi mostra-nos precisamente esta dupla forma de manifestação da Energia:A raiz esquerda do ideograma mostra um grão de arroz, que simboliza o elemento alimentar da vida, a matéria.

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A raiz direita mostra um movimento de ascensão e de dispersão em direcção ao céu e simboliza o vapor, a energia.

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À semelhança do que ocorre no homem, em que a energia percorre os canais ou meridianos conhecidos na medicina tradicional chinesa, também na Terra o Chi percorre os seus meridianos denominados Long Mai, as Veias do Dragão, e que se manifesta pela sua força energética na forma das montanhas:

- As veias jovens: montanhas elevadas com picos escarpados e inclinações rochosas são as de energia mais fortes e também as mais instáveis;
- As veias maduras: montanhas mais baixas com picos arredondados mas definidos e inclinações mais suaves;
- As veias velhas: são montanhas baixas com pequenos picos e suaves inclinações.

A forma do movimento assim como a estagnação do Chi determinam a sua qualidade, tal como a água ou o vento (ar), se se movimentam de forma acelerada, tornam-se destruidores e, se estagnam, são produtores de doenças, a movimentação constante e suave permitem a germinação e o desenvolvimento da vida.

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Para o Feng Shui existem dois tipos de Chi: o Sheng Chi, ou Chi benéfico e o Sha Chi ou Chi maléfico. Um local no qual nos sentimos perturbados, com uma atmosfera degradante, possui um Sha Chi, podendo originar estados ou atitudes afins como discussões, violência, etc.

Um dos principais objectivos do Feng Shui é, pois, determinar o modo de movimentação ou estagnação do Chi nas construções, sendo um local com bom Feng Shui aquele onde todos os ambientes são nutridos por Sheng Chi.

A movimentação do Chi deve-se dar através de suaves linhas ondulatórias. Movimentos “rígidos” ou em longas linhas rectas provocam distorções da sua harmonia transformando-se em Sha Chi ou energia perniciosa.

Para além da forma de movimento ou da estagnação do Chi, existem outros factores que desencadeiam a formação de Sha Chi:

- a desordem;
- lixo acumulado;
- móveis e objectos quebrados e não concertados;
- excesso de elementos ou má colocação dos mesmos nos espaços que se tornam obstáculos à circulação do Chi,
- a colocação de espelhos, especialmente em quartos, onde criam uma circulação caótica do Chi quando aí necessitaríamos de uma energia suave e regeneradora. Diga-se de passagem que o uso indiscriminado de espelhos em modalidades recentes e ocidentalizadas de Feng Shui têm originado mais problemas do que soluções;
- vigas salientes e tectos inclinados tornando-nos expostos a compressões energéticas que se podem tornar bastante perniciosas;
- longos corredores que aceleram a movimentação do Chi, da mesma forma acontece com as janelas ou portas alinhadas frente a frente;
- obstáculos frente à porta da casa, como por exemplo postes ou árvores de grande porte que não permitem a boa entrada do Chi no interior da casa;
- ambientes obscuros, frios e húmidos;
- ambientes "tristes" e vazios;
- plantas doentes e mortas;
- espaços fechados que esgotam os benefícios do Chi;
- todos os elementos que constituem “flechas venenosas” pois, tratando-se de energia perniciosa, Sha Chi, a sua especificidade prende-se com o facto de ser gerada por estruturas pontiagudas que funcionam como flechas de Sha Chi apontando sobre nós próprios ou sobre os edifícios. Estas Flechas Venenosas podem existir tanto no interior dos edifícios, normalmente criadas por objectos pontiagudos, cantos salientes de móveis ou elementos arquitectónicos como vigas, ou no exterior dos edifícios por estruturas pontiagudos, ruas dirigidas à casa, esquinas de edifícios, postes, etc.

Pelo contrário, os sons, os elementos vivos, como as plantas, atraem o Chi.

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Se queremos saber como fluí o Chi num determinado espaço, vejamos o que nos atrai em primeiro lugar a atenção. É para onde fluí ou se dirige a nossa atenção que também fluí o Chi. A chave do bom Chi de um espaço está na forma em que são estimuladas as nossas percepções; elas não devem ser bloqueadas nem confundidas nem aceleradas. O Feng Shui ensina-nos a dispor os elementos (cores, formas, luz, etc.) num ambiente de modo a atrair o Chi até ao local e fazê-lo circular harmoniosamente.

O nosso afastamento da natureza fez-nos atrofiar essa capacidade sensitiva, que funciona como um tacto subtil, de percepcionar a natureza energética dos locais; no entanto nos animais ela permanece e utilizando-a, tribos nómadas do Médio Oriente instalam o acampamento ao entardecer no local onde os seus cães se deitam a descansar, conscientes da sensibilidade dos animais às energias telúricas que os fazem buscar os melhores locais; desta forma simples, asseguram-se de um bom descanso para a dura viagem do dia seguinte.

Diz-se também que esta é uma boa forma de encontrar o melhor espaço para o quarto e colocação da cama ao instalarmo-nos numa nova casa. Se temos um cão, antes de nos instalarmos, levamo-lo à nova casa e deixamo-lo, solto circulando pela mesma; onde ele se deitar, esse é o lugar de melhor energia. O contrário se passa relativamente aos gatos, que buscam a energia perniciosa, pela sua capacidade de a absorver e mesmo de a transmutar.

 

José Ramos
Investigador e Director da Nova Acrópole Coimbra


 

 

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