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Fraternidades Místicas e Filosóficas

 

 

O mais glorioso entre os imortais, aquele que tem muitas designações, o sempre todo-poderoso, Ó Zeus, rei da natureza, que com a lei tudo governas, (…) a todas as coisas harmonizaste numa só, más e boas, de modo que em todas elas há uma só Razão [um Logos], sempre existente, de que fogem os mortais malvados, os desafortunados que, procurando sempre alcançar o bem, não vêem nem ouvem a lei universal de Deus, posto que, se lhe obedecesse, com o seu entendimento, alcançariam uma vida feliz.

Cleantes, Hino a Zeus

 

 

A frase em epígrafe de Cleantes (331-232 a. C), discípulo directo de Zenão de Cicio – o fundador da Escola Estóica –, mostra que a filosofia moral dos estóicos estava assente numa vivência mística. As suas escolas constituíam verdadeiras fraternidades filosóficas. Séculos mais tarde, o estoicismo constituiria um pilar da Alma Romana e, tal como o neoplatonismo, influenciaria profundamente o cristianismo dos primeiros séculos.

 

Sublinhe-se a abertura desta fraternidade
a homens e mulheres, livre ou escravos,
e a importância do factor ético,
que inclui o conceito de que se só pelo pensamento, antes da concretização,
já se está a transgredir

 

 

Encontrou-se em Filadélfia de Lídia uma estela, datada do séc. I a. C., que contém as instruções para os membros de um culto privado a Zeus. Segundo o texto da estela Dionísio (o pontifix deste culto) recebeu em sonho as instruções que a estela reproduz. Transcrevemos uma parte:

À boa fortuna. Para a saúde, para a salvação comum (…) escreveram-se estas instruções transmitidas a Dionísio durante o sono, as quais possibilitam o acesso a sua casa a homens e mulheres, livres e escravos. Neste lugar ergueram-se altares a Zeus Eumenes e a Héstia sua companheira, assim como a outros deuses salvadores (…). A Dionísio Zeus deu-lhe instruções para fazer as purificações, abluções e mistérios segundo o costume dos sacerdotes e conforme o que agora vigora por escrito. Ao entrar nesta casa, homens e mulheres, livres e escravos, jurem não conhecer e não fazer uso conscientemente de algum engano contra um homem ou uma mulher, nem de um veneno daninho para os humanos, nem de encantamentos prejudiciais. Não devem fazer uso de filtros amorosos, de poções abortivas, de contraceptivos, nem de coisas letais para as crianças, e não devem aconselhar tais coisas nem fazer outra pessoa cúmplice, deixando assim de ser bem-intencionados nesta casa. E se algum fizesse ou pensasse fazer alguma destas coisas, isso não deve ser permitido nem silenciado, mas sim, é necessário divulgá-lo e guardar-se disso. Exceptuando a própria mulher, um homem não deve seduzir outra já casada, seja livre ou escrava, nem um mancebo ou uma virgem; e não deve aconselhá-lo a outro. Ao cúmplice, se o houver, tem-se que dar a conhecê-lo, seja homem ou mulher, e não ocultar nem silenciar o facto. Ao homem ou mulher que tenha feito qualquer uma destas coisas, que lhe seja vedado acesso a esta casa. Os deuses a que está dedicada são grandes, vigiam estas coisas e não suportam os transgressores destas instruções. Uma mulher livre deve ser casta e não deve conhecer o leito ou ter intimidade com outro homem, excepto com o próprio marido (…). Nos sacrifícios mensais e anuais, os homens e as mulheres que têm confiança em si mesmos toquem na inscrição [desta estela] na qual estão escritas as instruções do deus, a fim de que seja notório quem lhe obedece e quem não.

Sublinhe-se a abertura desta fraternidade a homens e mulheres, livre ou escravos, e a importância do factor ético, que inclui o conceito de que se só pelo pensamento, antes da concretização, já se está a transgredir. Quer dizer, havia a consciência de que só com uma atmosfera mental limpa o contacto com a divindade e a união fraterna entre os membros poderiam ser efectivas. Nestas fraternidades era comum a realização de banquetes sagrados.

Já no século II da nossa era encontramos em Atenas, dois Julianos, pai e filho, hierofantes e de uma fraternidade mistérica que combinava a herança da sabedoria esotérica da Pérsia e Babilónia e a filosofia platónica própria do movimento neopitagórico. A eles se deve o texto do Livro dos Oráculos (Lógia Chaldaiká) que influenciou grandemente os neoplatónicos, nomeadamente Jâmblico. De metafísica profunda fala-nos do universo e da alma, fornecendo informações de como esta pode actualizar as suas potencialidades latentes e, assim, ascender até à contemplação dos Mistérios. Sustenta que: há que deixar de pensar em conformidade com o corpo para despertar as potencialidades interiores da alma.

EM BUSCA DA COMPREENSÃO DA ALMA GREGA

O facto de muitos historiadores não se conseguirem abstrair das suas ideologias e dos padrões característicos da época em que vivem faz com que, muitas vezes, fiquemos com uma ideia distorcida do passado. Em geral, os manuais escolares referem a Grécia como pátria da democracia, divulgam um pouco da arte e dos filósofos e escamoteiam uma procura autêntica ao «centro» da Alma Grega. Por outro lado, muitos dos investigadores do mundo clássico são tocados pela magia, religiosidade e filosofia viva que nele imperou mas não têm possibilidade (ou vontade) para divulgarem as suas investigações a um público alargado. Um dos fenómenos que nos transportam à atmosfera do mundo grego (e, posteriormente, do greco-latino) é a existên­cia de fraternidades místicas e filosóficas. O Grego, embora não tivesse um contacto tão mistérico com a Natureza como os seus antepassados Pelásguicos, Cretenseses e Micénicos, permanecia um homem profundamente religioso e a própria filosofia, na maior parte das escolas, era um meio para a prática da espiritualidade. Estas escolas filosóficas como as pitagóricas, as platónicas e as estóicas constituíam verdadeiras fraternidades místico-filosóficas onde a amizade profunda era vivida de forma intensa. Ficou famosa a amizade e o espírito de ajuda mútua que existia entre os irmãos pitagóricos.

 

Paulo Alexandre Loução
Investigador e Escritor

 

 

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