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O Homem-Aranha e a Maturidade do Herói

Homem-aranha

O Homem-Aranha é um super-herói que tem cativado milhares de fãs por todo o mundo. Tal impacto ocorreu desde a sua criação na longínqua década de 60. Perante tal sucesso impõe-se questionar sobre qual terá sido a razão que levou tantas pessoas a ficarem encantadas por esta personagem? Talvez a diferença esteja naquilo que ele representa, pois quando Stan Lee criou o Homem-Aranha quis que ele fosse diferente de todos os outros super-heróis que existiam naquele tempo. Foi por essa razão que Lee não escolheu para desenhador do aracnídeo um dos mais conceituados artistas da altura, Jack Kirby. A sua pena era extremamente hábil na reprodução de super-heróis, dando-lhes uma imagem de força e heroicidade que quase ninguém na altura conseguia reproduzir. Porém, para Lee, esse era o problema: ele não queria que a nova personagem tivesse uma imagem heróica, mas sim a de um cidadão comum, alguém com quem qualquer um poderia cruzar na rua sem sequer suspeitar que poderia ser um super-herói. Esta foi a razão pela qual Steve Ditko foi o escolhido para desenhar o Homem-Aranha, pois era um exímio desenhador de pessoas comuns.

Para além deste ponto mencionado, a via de herói estava longe de estar presente na mente da pessoa que iria se transformar em Homem-Aranha, ao contrário do que acontecia com alguns dos mais famosos personagens da altura, como por exemplo:

Super-Homem. Um extra-terrestre que chegou à Terra, ainda bebé, oriundo do planeta Krypton. Tem os seus poderes devido à capacidade do seu corpo absorver e metabolizar a energia do sol amarelo que banha o planeta Terra. A estrela que presidia a sua galáxia de origem era um sol vermelho cuja radiação não lhe conferia poder algum. Quando cresce decide ajudar a humanidade utilizando os seus poderes para proteger os cidadãos de Metrópolis do mal.

Batman. Bruce Wayne viu os seus pais serem assassinados à sua frente, enquanto eram alvo de um assalto. Tendo ficado órfão jurou vingança contra todos os criminosos que procurassem infligir sofrimento nos cidadãos de Gotham City. Estudou psicologia criminal, química, electrónica, fortaleceu corpo e mente através de duras práticas e treinou diversas artes marciais de modo a poder estar à altura de combater o crime nas sombrias ruas da cidade.

Capitão América. O jovem Steve Rogers, sendo fisicamente pouco desenvolvido, e querendo ser útil ao seu país, que se encontrava em plena 2.ª Guerra Mundial, ofereceu-se para uma experiência cujo objectivo era testar um soro que permitiria a criação de super-soldados. O soro acabou por funcionar, porém nunca mais pôde ser replicado pois numa tentativa de roubo o cientista que o desenvolveu acabou por ser morto e o laboratório destruído. Desempenhou um papel importante em vários combates durante a guerra.
Estas personagens acima mencionadas escolheram a via heróica, quer devido às circunstâncias externas quer devido à sua própria natureza. Mas além disso, todos eles já se encontravam na idade adulta quando fazem a sua aparição como combatentes do crime.

 

capa homem-aranha
Primeira página de Amazing Fantasy 15, onde se estreia o Homem-Aranha. Veja-se a figura de Peter Parker ao fundo, isolado dos seus colegas que gozam com ele.

 

Pelo seu lado, Peter Parker, a identidade secreta do Homem-Aranha, é apresentado como um introvertido rapaz de 16 anos. Vive em casa dos seus tios, Ben e May Parker, sendo alvo de todo o carinho e atenção que estes podem dispensar. É um estudante aplicado e bastante apreciado pelos seus professores, porém, não é popular entre os seus colegas de turma, sendo apelidado de “rato de biblioteca” devido à sua dedicação aos estudos. Além disso, a sua frágil e magra compleição física, o facto de usar óculos e andar sempre com livros debaixo do braço não o fazem ser popular entre as raparigas que preferem os rapazes mais atléticos da escola que ele frequenta.

Peter Parker encontra-se em plena fase de transição entre a infância e a idade adulta – a adolescência, período onde o ser humano passa por grandes mudanças a nível físico, psicológico e social.

 

 

 

 

 

A adolescência é um fenómeno recente. Até quase finais do séc. XIX as crianças passavam directamente para a idade adulta e ainda hoje, em algumas sociedades tribais, isso ainda acontece. No entanto, o desenvolvimento tecnológico veio possibilitar mais conforto na sociedade e isso permitiu que as crianças pudessem estudar até mais tarde, pois não havia necessidade delas prestarem o seu contributo à sociedade tão cedo. É então que aparece o fenómeno da adolescência, a etapa que serve de antecâmara para a idade adulta.

É durante este período um pouco conturbado, de construção e afirmação da identidade individual e social, que Peter Parker acaba por ganhar os seus poderes, após ter sido mordido por uma aranha radioactiva. Rapidamente se apercebe que tinha ganho reflexos muito mais apurados do que qualquer ser humano normal, a força proporcional de uma aranha, extrema agilidade, a capacidade de poder fixar-se em quase todas as superfícies, o que lhe permitia escalar paredes ou ficar dependurado no tecto, e um sentido que lhe alertava dos perigos. Além disso, o facto de ser quase um génio em química e electrónica permite-lhe criar um dispositivo para disparar teias que, entre muitos usos, lhe permitia balancear entre os arranha-céus de New York ou prender alguém envolvendo-o no fluído.

 

homem-aranha
Outra página de Amazing Fantasy 15 onde se ilustra a pouca popularidade do jovem Parker com as raparigas e o tratamento jocoso que obtém de Flash Thompson.



Estes poderes vieram transformar a sua vida, pois novos horizontes se abriram perante os seus olhos. O rapaz inseguro e introvertido veio dar lugar a um jovem confiante e seguro nas suas acções. No entanto, devido ao facto de ter sido constantemente gozado e descriminado pelos seus colegas, que não toleravam a sua maneira de ser, caiu no extremo oposto, ou seja, tornou-se demasiado confiante e extrovertido. Este extremar de posições é uma característica que está presente nos adolescentes, algo que já na Grécia Clássica era referido por Aristóteles: “ [Os jovens] Quando cometem uma falta sempre é por excesso, porque exageram em tudo, no amor, no ódio, ou em qualquer outra coisa.” Peter Parker começa a sentir-se invencível, intocável, pois tinha a sensação de que não haveria nada nem ninguém que lhe pudesse fazer frente. E isso ganha ainda mais projecção após ele testar os seus poderes enfrentando um lutador profissional com o dobro da sua envergadura. Causa grande sensação ao vencer o oponente sendo tão esquelético.

Um promotor de espectáculos, vendo a sua exibição, convida-o a participar num programa de televisão prometendo-lhe fama e riqueza. Parker somente tinha que arranjar um nome artístico e um fato que fosse mais atractivo para o público (ele tinha combatido com roupa normal e uma máscara). Sem perder tempo Peter confecciona ele próprio a vestimenta e escolhe para nome artístico Homem-Aranha.
Sem se questionar muito sobre o assunto, Peter entra no mundo do espectáculo deslumbrando todos com as demonstrações dos seus poderes. É a sua oportunidade de se mostrar e de poder desenvolver, ainda que um pouco inconscientemente, a sua auto-estima.
Na adolescência, a afirmação do jovem como indivíduo é uma etapa importante. Ele tem necessidade de demonstrar as suas qualidades e capacidades. Isso pode ser feito através da:

  1. Realização de práticas desportivas, onde tem a possibilidade de demonstrar as suas aptidões físicas e mentais.
  2. Demonstração de destreza manual na construção ou conserto de vários objectos.
  3. Expressão plástica como desenho, pintura ou escultura.
  4. Expressão oral que lhe vai permitir desenvolver a sua capacidade de comunicar e relacionar-se com os outros.
  5. Expressão artística como música, poesia ou teatro.
  6. Demonstração das suas capacidades intelectuais nas áreas científicas.

Peter Parker demonstrava ter uma grande capacidade intelectual na área científica, bem como alguma destreza manual na construção de aparelhos electrónicos. Porém, isso não lhe conferia grande segurança pessoal nem melhorava a sua auto-estima, pois estas capacidades eram insuficientes para a satisfação de duas necessidades que os jovens têm nesta fase de desenvolvimento do ser humano: a da integração no meio circundante e a da pertença a um grupo. Embora Peter estivesse integrado a nível escolar e familiar, a nível social não conseguia sentir-se integrado com os seus colegas pelas razões já apresentadas. Essa rejeição fazia com que ele não pertencesse a algum grupo de jovens da sua faixa etária. Nesta fase os jovens buscam a companhia de rapazes e raparigas da sua idade para poder partilhar as suas dúvidas, os seus sentimentos, as suas ambições, etc.

Pelo menos como Homem-Aranha, Peter tinha visibilidade devido à participação num programa televisivo que agradava a muita gente tornando-o um fenómeno de sucesso em New York. Pela primeira vez na sua vida o jovem era alvo da atenção calorosa por parte de pessoas externas ao seu lar familiar, tendo até como seu grande fã Flash Thompson, o rapaz que infernizava a sua vida como Peter Parker. Toda esta situação aumentou o seu nível de auto-estima.

 No entanto, Peter é obrigado a sair do seu mundo ilusório quando se apercebe que o facto de ser o Homem-Aranha não mudou em nada o comportamento das pessoas relativamente a Peter Parker: os seus tios continuam a mimá-lo como um rapaz frágil, as raparigas continuam a desprezá-lo e Flash Thompson não deixa de gozar com ele. E isso teria que necessariamente ser assim porque ninguém sabia quem era o Homem-Aranha. Este duro contacto com a realidade vai ser ainda mais forte devido a um acontecimento que vai marcar fortemente a sua vida.

Um dia, quando estava a sair do estúdio após mais um programa, um larápio que estava a fugir de um guarda passa por Peter e ele nada faz para impedir a sua passagem, apesar dos pedidos do segurança. Este último questiona-o sobre a razão de Peter ter permanecido impassível, pois seria suficiente esbarrar contra o gatuno para impedir a sua progressão e permitir a chegada do guarda. O jovem responde, um tanto orgulhosamente, que já estava farto de ser empurrado por todos e que agora somente iria dar importância a uma coisa: às suas próprias necessidades. E assim retira-se do estúdio.

Pouco dias mais tarde, ao chegar a casa, vê um par de carros da polícia estacionado à porta do seu lar. É informado que um assaltante tinha entrado em casa e que o seu tio Ben tinha oferecido resistência acabando por ser morto. O polícia informa que o ladrão se encontrava refugiado num complexo de fábricas abandonado. Após um período de choque inicial Peter, louco de raiva, decide ir atrás do ladrão como Homem-Aranha. A sua revolta era tal que não queria esperar que fosse a polícia a resolver o assunto, ele exigia vingança contra aquele que lhe tinha tirado uma das pessoas mais importantes na sua vida. Movido por esse impulso, e sem reflectir muito, chega ao armazém abandonado onde se encontrava o assassino e enfrenta-o, derrotando-o facilmente. Porém, ainda lhe estava reservada uma grande surpresa: o matador do seu tio era a mesma pessoa que ele tinha deixado fugir uns dias atrás no estúdio. As lágrimas correm pelo seu rosto e a angústia apodera-se do seu coração ao aperceber-se que se ele tivesse apanhado o ladrão na altura, naquele momento o seu tio estaria vivo. É aí que se vai recordar de uma frase que vai marcar a sua vida e que o seu tio Ben costumava proferir: “com grandes poderes também vêm grandes responsabilidades”.

jonah jameson

J. Jonah Jameson, o poderoso editor do “Daily Bugle”.

Da alegria para a angústia foi um passo curto. Tudo aquilo que parecia ser bom, afinal resultou num pesadelo do qual Peter não consegue sair. Torturado ele equaciona a hipótese de deixar de ser o Homem-Aranha. Aqui demonstra a sua imaturidade juvenil ao deixar-se dominar pelas emoções e a não raciocinar de uma forma equilibrada procurando perceber através da dor a lição a ser retirada. A dor serve de alerta para algo, quando sentimos dor no corpo é um sinal de que alguma coisa está mal e temos que descobrir a sua causa. Também a nível psicológico acontece o mesmo, a dor é um indicador de algo negativo e é necessário ir até à raiz dessa aflição para poder extirpá-la.

No entanto, uma situação faz Peter mudar de ideias. A morte do tio Ben faz com que a família fique com dificuldades financeiras. O jovem resolve continuar com os espectáculos, pois pelo menos recebe um bom dinheiro que serve para ajudar nas despesas do lar. Mas Peter vê-se novamente surpreendido pelo andar dos acontecimentos, pois J. Jonah Jameson, o director do maior jornal da cidade, o “Daily Bugle”, escreve um editorial considerando o novel personagem uma ameaça para a sociedade. Para este editor o Homem-Aranha é um vigilante que quer tomar as leis nas suas próprias mãos e é um mau exemplo para os jovens.
Para além da incompreensão que sente por parte dos colegas de turma, Peter tem que lidar agora com a falta de compreensão por parte da sociedade, movida pelas palavras ásperas e venenosas de J. Jonah Jameson. Como consequência, a televisão já não o quer como estrela televisiva e o jovem procura novas fontes de rendimento. Decide voltar-se para um grupo de super-heróis que mora na mesma cidade, o Quarteto Fantástico. Resolve apresentar-se ao grupo, mas fá-lo de uma maneira algo ingénua e intempestiva, causando alguma agitação e provocando um desaguisado, que utiliza como forma de poder mostrar os seus fantásticos poderes. O seu objectivo era demonstrar que tinha qualidades para integrar o grupo e que merecia um salário de topo. No entanto, os seus planos saem gorados, pois após os ânimos terem sido serenados os membros do Quarteto explicam-lhe que são uma organização sem fins lucrativos e que nenhum deles recebe salário algum. O jovem herói abandona o edifício frustrado por mais uma coisa na sua vida não correr de feição.

Aqui nota-se, mais uma vez, a imaturidade presente na abordagem descuidada feita ao Quarteto Fantástico, bem como o facto de não aceitar que o erro era seu por ter feito mal a avaliação da situação.
Porém, nem tudo é mal feito pelo jovem Parker, pois na luta contra o crime ele apercebe-se que não deve depender exclusivamente dos seus poderes, utilizando em muitos casos a sua Inteligência para encontrar soluções que lhe permitem derrotar os seus oponentes, alguns deles também com poderes. A Inteligência é a capacidade de poder discernir, de saber escolher o que fazer, quando fazer e como fazer. Parker utiliza-a no combate contra um vilão denominado Abutre. No primeiro embate entre ambos o jovem apercebeu-se de um leve zumbido que aparecia sempre que se encontrava perto do Abutre. Sendo um grande conhecer da tecnologia supôs que o seu oponente se deslocava pelos céus utilizando um aparelho impulsionado por correntes magnéticas. Então, concebe um dispositivo que anulava essas mesmas correntes tornando o vilão impotente.

Além disso, ele apercebe-se de que ser o Homem-Aranha pode, afinal, proporcionar-lhe uma fonte de rendimento. J. Jonah Jameson encontrava-se ávido por fotografias do Abutre. Como tinha que combater o vilão, Peter aproveitou o facto e conseguiu arranjar uma máquina pequena que ele aproveitou para utilizar e tirar fotografias do combate sem ninguém se aperceber. As fotos causaram sensação ao editor do “Daily Bugle” e a partir daí Peter tornou-se fotógrafo free-lancer do “Daily Bugle”, atenuando os seus problemas económicos.

Mas após ter derrotado um par de vilões poderosos, o Homem-Aranha passa uma temporada a prender criminosos comuns, o que o faz sentir um pouco saturado, pois não aparece um desafio à sua altura. Como qualquer jovem da sua idade, Peter quer mais do que aquilo que tem, ambiciona ir mais além, quer oportunidades que o obriguem a superar-se a si próprio.

O jovem é aquele que sonha que pode conseguir tudo. Para ele é como se não existissem limites. É certo que esse sentimento tem que ser moderado com alguma temperança, mas é necessário ter em conta que é essa capacidade de sonhar que permite partir em busca de novos horizontes, que o faz avaliar as coisas a partir de novos ângulos, o que pode resultar em descobertas a vários níveis.

O Abutre
O Abutre, um dos primeiros super-vilões do Homem-Aranha.

Esta busca de coisas novas faz com os jovens ponham em causa as normas instituídas. Nem sempre eles terão razão nas avaliações realizadas, pois uma sociedade tem que se reger por normas que assegurem uma correcta relação entre as pessoas bem como a segurança dos seus integrantes, mas eles necessitam de entender isso, não basta dizer que é assim “porque sim”. Tudo tem uma razão de ser e é isso que eles querem conhecer. Nesta fase é muito importante o exemplo dado pelos adultos.

Nesse aspecto, Peter encontra o seu modelo no ausente tio Ben, que foi sempre um homem bom, correcto, bondoso e responsável para com a família. Ele não só falava nos valores mas também os praticava. Este é um ponto importante para os jovens, pois nesta fase onde a rebeldia se encontra bastante presente, eles não aceitam que lhes digam para fazer algo quando as mesmas pessoas que falam não dão o exemplo.
Voltando à vontade expressa do Homem-Aranha em poder ter um adversário à sua altura, o desejo cumpre-se com o aparecimento do Dr. Octopus, um vilão que tem acoplado à sua zona toráxica um peitoral de onde saem quatro braços mecânicos fortes o suficiente para derrubar uma parede de cimento. É às mãos deste vilão que ele conhece o sabor da derrota o que o leva a cair novamente num estado de angústia, duvidando das suas capacidades e não sabendo o que fazer para poder ultrapassar esta situação nova no seu trajecto heróico.

A adversidade é algo que faz parte da vida é uma forma de testar as capacidades do ser humano, de o fortalecer. Cada indivíduo deve ter a noção que nem sempre vai conseguir ultrapassar todas as barreiras com as quais se vai deparar. Mas isso não deve levar a estados de desânimo, mas sim à análise daquilo que falhou e à busca da forma de ultrapassar a situação. Com a derrota sofrida, Peter aprende que a vida é feita de vitórias e derrotas, mas que nada disso é definitivo.

A Fortaleza é a virtude que faz com que o ser humano seja capaz de manter o seu rumo apesar dos desgostos, dos contratempos, das dúvidas e dos medos. A sua aliada é a Perseverança, ou seja, a capacidade de continuar a tentar ultrapassar as dificuldades mesmo quando estas se afiguram difíceis e levam a “derrotas” temporárias. O homem perseverante é aquele que “cai dez vezes mas levanta-se onze”.
Estas duas virtudes tornam-se factores importantes no processo de amadurecimento de Peter Parker. A Fortaleza permite-lhe manter a sua natureza mesmo quando grande parte das pessoas em seu redor não respeita essa maneira de ser, e a Perseverança faz com que as contínuas tentativas de criar um relacionamento estável com algumas dessas pessoas resulte numa paulatina conquista de consideração por parte de colegas de aulas e de trabalho. A tal ponto chega esse ganho que aquele rapaz tímido que não sabia chamar a atenção das raparigas começa a ser disputado por duas jovens: Liz Allen e Betty Brant.

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O poderoso e maquiavélico Dr. Octopus, um dos mais perigosos arqui-inimigos do Homem-Aranha.


A Fortaleza é precisamente aquilo que falta ao seu chefe J. Jonah Jameson, crítico constante do Homem-Aranha, mas cujo acto esconde a inveja que tem de não poder ser altruísta como o herói, que põe a sua vida em risco sem exigir nada em troca, enquanto ele próprio sempre procurou o lucro. Jameson não consegue encarar o aracnídeo porque ele é uma forma viva de lhe recordar a sua debilidade que o faz, mesmo tendo consciência de um caminho diferente, continuar a seguir a mesma via em vez de procurar mudar.

Em suma, no seu processo de crescimento, Peter Parker recebe um dom que lhe vai dar a possibilidade de desenvolver as suas virtudes. De um momento de entusiasmo e êxtase, onde ainda se encontrava fechado no seu egoísmo, ele passa para um estado de dor e sofrimento devido à morte do seu tio Ben. Isso vai despertar em si o sentido de responsabilidade. Paulatinamente, Peter Parker vai entender que aqueles que têm a possibilidade de ajudar os outros têm a obrigação moral de o fazer. Ele percebe que o sentido de responsabilidade do Homem-Aranha deve passar por essa dedicação aos outros e não por prender criminosos em busca de fama e glória, ou mesmo, como forma de poder descarregar as suas frustrações pessoais. Somente os fortes podem dar, os débeis não o fazem.

 

 



É certo que Parker podia desistir de ser o Homem-Aranha, pois desde que ganhou os poderes a sua vida tornou-se ainda mais complicada do que já era, pois para além de ter que lidar com os colegas que gozavam constantemente com ele passou a ter uma identidade secreta para esconder de todos, mas sem deixar de combater o crime que assolava em seu redor. Também tinha que lidar com os ataques da imprensa liderada por J. Jonah Jameson e com a volatilidade das pessoas que umas vezes gostavam dele e outras odiavam-no.

Homem-aranha

 

Porém, apesar disso tudo, algo impedia-o de abandonar a vida de herói. No final de uma das suas aventuras, Parker confronta-se consigo próprio e questiona-se sobre o que o leva a ser o Homem-Aranha e por que razão ele simplesmente não desiste. A resposta é dada pelo próprio quando refere que se ganhou os poderes é porque alguma razão deverá existir para isso e que por mais difícil que isso seja ele deve permanecer como Homem-Aranha.

O herói é aquele que faz aquilo que deve, independentemente do reconhecimento recebido ou da compreensão das pessoas. É aquele que desenvolveu em si os poderes internos, como a Fortaleza, a Inteligência, a Perseverança ou a Generosidade, que lhe permitem ser firme na persecução do seu objectivo de proteger o Bem e lutar pela Justiça.

Peter deixou de ser um adolescente frágil, inseguro, egoísta e introvertido para se tornar em alguém responsável, generoso e altruísta, preparado para cumprir com o papel que lhe coube neste teatro que é a Vida.

Cleto Saldanha
Maio de 2013


 

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