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A Geração Harry Potter e as Novas Tendências Educativas

 

Cada estação do ano é relacionada com uma idade da vida do ser humano. A Primavera é a estação da juventude e como tal é um momento de nascimento e de desabrochar. Frágeis e sensíveis como os botões primaveris, os mais jovens são a esperança de uma nova geração. As crianças nascem para renovar e impulsionar a roda da vida, neles está depositado o nosso futuro como civilização. A aceleração dos tempos, a agitação dos nossos dias atrofiados entre o trabalho e as exigências de uma sociedade artificial e tecnocrata produziu um fenómeno de isolamento do homem e da natureza. As crianças são as primeiras vítimas do stress do consumismo, da exigência dos mais aptos para lidar com a imagem de uma actualização técnica baseada na esperteza, no pequeno génio das sociedades modernas que passa o seu tempo entre o computador, o telemóvel e os novos convívios de fast food que faz as delícias do ogre capitalista. Não há tempo na agenda preenchida das crianças para viver a sua inocência, no saudável ambiente do mundo natural, e por mais que se esforcem os adultos em compensar as suas crianças com os mais variados brinquedos pedagógicos, nada faz mais falta que o saudável acompanhamento dos pais.

O fenómeno Harry Potter é o sinal de uma urgente necessidade de mudança nos valores do nosso mundo, o sucesso e impacto da obra revela o vazio de um imaginário repleto de símbolos essenciais para o crescimento dos jovens. A obra possui a receita e os ingredientes do alimento que faz crescer por dentro, na escola da vida as crianças procuram modelos e refe-rências para fazer emergir as suas potencialidades. A infância é um estado intermediário entre o sonho e a realidade, por isso a importância do universo fantástico para despertar a imaginação do jovem na busca de referências para a vida real. O mundo dos adultos constitui um estado de condicionalismo complicado para as crianças que sonham livremente no futuro, integrando-se plenamente no presente sem o travão da memória ou experiência. As lições racionais dos adultos são abstracções para os jovens que sentem mais do que pensam, vivendo, experimentando livremente. Hoje substituímos a educação (educere = fazer sair) pela instrução e informação. A educação é como a alquimia, transformar a potência (chumbo, ignorância) em consciência (ouro, luz). A educação lida com a interacção dos três níveis da realidade humana: vida sensível (soma = física), vida psicológica (psique = alma) e vida espi-ritual (espírito = nous). Na linguagem actual fala-se da importância da inteligência emocional e experimental, nos jovens os três aspectos não estão separados como no adulto e a atmosfera do mundo é captada directamente pelas crianças, tornando-se mais vulnerável aos efeitos de impacto dos acontecimentos exteriores. As crianças não possuem anti-corpos para proteger-se do mundo, tudo é sentido em simultâneo com forte intensidade, por isso dizemos que a verdade fala pela boca das crianças.

 A Escola da Vida

O modelo da escola do aprendiz de feiticeiro Harry é um lugar repleto de ensinamentos sobre a sabedoria da vida. O teste da verdade (o chapéu que fala) que serve para introduzir os jovens no mundo da magia revela-nos que a verdadeira intenção na busca do poder e do saber está na pureza do coração. O mal somente existe quando a alma se submete ao egoísmo, ao orgulho, à falsidade, à violência, enfim tudo aquilo que separa em vez de unir, contrariando a essência da magia que é amor e união na sua aplicação, a magia, revela o saber fazer, é a Arte Magna por excelência, ora é branca quando reflecte o poder do amor, da união, do dar, ora é negra quando é utilizada para separar, apoderar-se e receber. Conforme a educação clássica, que tinha quatro pilares (doutrina de Platão), a Magia também tem quatro procedimentos:

Na escola de Harry Potter cada aprendiz procura despertar os seus dons (qualidades da alma). A primeira pedra da Magia é a paciência, saber esperar, resistir com firmeza às dificuldades da aprendizagem, a segunda é a persistência, saber dar continuidade, não desanimar à primeira vez, saber recomeçar de novo, a terceira é a coragem que exige disciplina, fortaleza frente aos medos, a quarta é a humildade, ser autêntico, não mentir e mentir-se, reconhecer o erro, amar a verdade acima de toda a opinião. Esses quatro dons são as qualidades que permitem ao aprendiz de feiticeiro a conquista de si mesmo, tornando-se um herói, aquele que venceu o seu inimigo interior, o seu lado sombrio, chamado Valdemort na obra de Harry Potter, a aventura ou a busca bem sucedida do herói é então o caminho da vida, a pedra filosofal é a transmutação do eu inferior em eu verdadeiro.

Os jovens sonham com heróis, porque eles representam a imagem arquetipal do poder e do ser. Estes modelos ajudam-nos a crescer como seres humanos. O anti-heroi será então aquele que não encontrou o seu caminho de realização e pensa que a sua vida é inútil e vazia, já que ele próprio não vale nada. Assim o jovem busca nas histórias de Harry Potter os seguintes arquétipos:

1)    ‑A Aventura: a oportunidade de desafios, poder ser capaz.

       ‑ Virtude: coragem; dons mágicos: ousar.

2)    ‑As provas: a confrontação com os medos e conflitos interiores, a superação da dificuldade.

       ‑Virtude: temperança; dom mágico: poder

3)    ‑O Sobrenatural: um universo aberto ao sonho, à criatividade, à comunicação com as forças da natureza, o desconhecido.

       ‑Virtude: prudência; dom mágico: agir

4)    ‑A Amizade: a partilha, a união com os outros, a compreensão, a tolerância.

       -Virtude: justiça; dom mágico: saber.

A falta desses modelos produziu no mundo de hoje a inversão do herói, ou seja, o anti-heroi:

- Falta de bom-senso, temperança,irresponsável e futilidade

- Falta de prudência ou domínio, glutão e anoréctico

- Falta de coragem e altruísmo, cobarde, medricas e preguiçoso

- Falta de justiça e compreensão‑dúvida, ignorância, intransigência e violência

A inversão dos valores positivos originou os gran-des problemas na educação e os comportamentos problemáticos dos nossos jovens são o resultado do nosso desconcerto moral e do vazio espiritual e existencial das nossas sociedades, os quatro grandes pontos negros atribuídos à ju-ventude são:

- Violência, ausência de coragem

- Consumismo, ausência de temperança

- Vícios, ausência de prudência

- Competitividade egoísta, ausência de justiça

 

A Magia ou arte de saber fazer um Mundo Novo e Melhor

A Magia é a ciência da comunicação e da experimentação, inspirando-se nos procedimentos ou princípios e leis da natureza, ela busca as afinidades e simpatias entre o visível e invisível, recreando na arte de separar e unir as várias etapas da criação.

A Magia e os seus três princípios:

- Unidade; Lei, vontade

- Analogia; Inteligência, forma

- Vibração; Energia, amor

 

A Magia e os seus quatro instrumentos:

- O nome; A ideia

- A palavra; A intenção, a força da invocação

- A imagem; A representação, a sombra

- O gesto; O procedimento, a competência

 

Os atributos do mágico:

A varinha ou caduceu de Hermes: é o que liga os dois mundos (visível e invisível), é o conhe-cimento, a antena que faz passar a corrente das energias, o poder de animar e acordar aquilo que está adormecido.

O livro fechado: é o saber interior, o saber antigo ou o akasha (a memória da natureza), o karma das coisas passadas e futuras. Toda a acção produz uma reacção nem sempre visível no imediato, mas que fica registado até alcançar o seu efeito de retorno.

Numa experiência realizada pelo físico Gravesand podemos visualizar esse efeito de retorno. Se colocarmos numa barra de metal cinco esferas juntas suspensas por um fio acontece que ao levantarmos uma esfera da extremidade e deixando-a cair de forma que bata na esfera vizinha, produz-se um efeito de choque em cadeia que como o eco repercute-se da seguinte forma:

Assim os agentes receptores do choque constituem o afastamento entre a causa e o efeito, a distância é o tempo que separa um do outro, são o karma “em lista de espera” para dar o seu resultado. Da mesma forma que a semente levantada pelo vento germina bem longe do seu lugar de origem, a palavra, a acção irreflectida produzirá os seus resultados bem longe dos nossos olhos. O livro fechado é o registo do passado que produzirá o futuro, deixando o livre arbítrio para alterar o seu conteúdo, o presente é a chave dos segredos do tempo e do Livro da Magia.

A vassoura: é um meio de deslocação, como também um instrumento de purificação para abrir o caminho no invisível, a mente deve ser despojada das suas impurezas para atingir prontamente o seu destino. São as setas dos nossos pensamentos.

A capa: é um instrumento de protecção contra o assalto das presenças indesejáveis do plano inferior, como uma aura invisível, ela protege a alma das influências indesejáveis da noite, é como um escudo para interceptar os golpes da vida.

O chapéu cónico: é o vínculo com aquilo que é superior, é a montanha, a pirâmide (pir = fogo) símbolo da elevação do fogo espiritual que deve dominar a matéria.

O espelho: símbolo da visão interior, aquele que reflecte os nossos estados de alma como a Lua reflecte a luz solar.

Todos os símbolos podem ser introduzidos e adaptados às necessidades de aprendizagem da criança, ensinando-lhe a fazer magia no seu quotidiano, responsabilizando-o pelos seus actos, por mais insignificantes que pareçam, pequenos gestos realizados com atenção acabarão por motivar o sentido heróico da vida. Para os jovens, esses instrumentos são um meio para o desenvolvimento da sua personalidade, recursos para crescer em harmonia com o seu entorno, relacionando a instrução (o saber) com a formação (as virtudes práticas), as humanidades com as ciências, para uma educação integral.

Dicas para o Herói Quotidiano

Violência: Sabe-se que a violência infantil é muitas vezes reacção aos abusos dos adultos em relação à obtenção forçada de resultados por parte da criança. A criança reconhece na violência um meio para alcançar os seus fins e utilizar o método que vive em casa ou na televisão e jogos de computador. Devemos ensinar pouco a pouco a criança a revelar o sentido do domínio sobre pequenos hábitos adquirindo força de carácter, provas simples que vão revelando o poder da sua vontade sobre a circunstância, a criança necessita de experimentar a consequência das suas acções para reconhecer a natureza do sofrimento. O “deixar passar” ou a hiperprotecção são nefastos à formação do carácter.

Consumismo: evitar dar presentes para calar as crianças, antes dar-lhe oportunidade de conquistar a coisa desejada a custo de esforço, ensinar-lhe a produzir e criar os seus próprios jogos, ensinar-lhe a magia do fazer e do imaginar.

Vícios: promover uma vida saudável e natural, aprendendo a observar a Natureza. A reciclagem é o maior exemplo da economia da Natureza. Incentivar as artes (música, dança, leitura, etc.), viagens de estudo, jogos e desportos.

Egoísmo: fomentar a partilha, o respeito pela vida em todas as suas vertentes, realizar pequenos ritos de agradecimento à Mãe Natureza, ao Pai Sol, com oferendas aos quatro elementos: à terra com alimentos, à água com água pura, ao ar por meio de perfumes, ao fogo com uma luz natural. Cuidar de algum animal, um cantinho do jardim, uma árvore de um parque, uma planta. Incentivar o laço de afecto e de respeito pelo outro.

Para finalizar, criar prémios do Herói Quotidiano em casa, nas escolas, e porque não, um pequeno templo ou altar invisível às quatro virtudes que são o sustento do Homem Novo e de um Mundo Melhor… Desejando aventura na Escola da Vida a todas as crianças do Mundo.

 

Françoise Terseur
Pintora, Investigadora e Formadora da Nova Acrópole

                                                                      

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