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O IDEAL DE PLATÃO

Plato
Platão

 

 

“Nada se assemelha mais à Alma do que a abelha, ela vai de flor em flor como a Alma, de estrela em estrela; a abelha traz o mel e a Alma traz a luz.”

Victor Hugo

 

 

 

 




Platão ( 427-347 AC ) era descendente de uma família aristocrática de Atenas. Diz a lenda que uma abelha veio posar nos seus lábios, enquanto dormia no seu berço. Este símbolo da abelha sugere que os Deuses abençoaram a criança, depositando nela o dom da palavra, da eloquência e da inteligência. Na sua juventude, Platão era já um dramaturgo inato, escrevendo tragédias.

Entretanto a abelha transformou-se em cisne, quando Sócrates na véspera do seu encontro com o jovem Platão, sonhou que um cisne bebé pousava no seu colo, e subitamente cobria-se de penas brancas, lançando-se de seguida nas alturas. No dia seguinte Platão conhecia Sócrates. A tradição afirma que ele queimou todas as suas obras, depois de ter entrado em contacto com os ensinamentos do seu herói moral e desde então dedicou toda a sua vida a aprofundar os mistérios da Filosofia.

Platão e Aristoteles Socrates
Platão e Aristoteles Socrates

Platão foi o fundador do idealismo filosófico, o criador da lógica e do conceito. Os seus diálogos escritos, representam, segundo Aristóteles, um novo género artístico, uma forma intermédia entre a poesia e a prosa. Sócrates nunca escreveu os seus ensinamentos; o seu instrumento era a palavra e utilizava a maiêutica ou ”arte de dar a luz”, para fazer nascer a verdade através de diálogos, onde perguntas e respostas proporcionavam um debate vivo entre dois ou vários intervenientes. A vivacidade, o poder de argumentação e a profundidade dos diálogos, constituíam uma encenação de génio, sem igual, que ainda hoje guarda toda a sua frescura e espontaneidade.

Platão, através de Sócrates, penetra nos Mistérios da nossa humanidade, ultrapassa a sua época e alcança a universalidade do pensamento humano. Toda a sua obra é um programa visionário, do Homem e do Estado Ideal. Nas obras escritas, quer na sua juventude, quer já na idade madura, tais como: a Apologia de Sócrates, Protágoras e Gorgias; Platão realça o contraste entre a ignorância que se ignora nos sofistas e a famosa frase de Sócrates “eu só sei que nada sei”. Com ironia e sábia modéstia, o Mestre desmascara a mentira do falso saber, e pouco a pouco leva-nos a sair da ignorância. Conhecer-se a si mesmo, é interrogar-se sobre aquilo que sabemos. Quando sofremos é porque não conhecemos o Bem; ninguém sofre por prazer, sofremos por ignorância ou negligência. Assim, o caminho da felicidade para o homem está relacionado com o conhecimento e vivência da virtude, que é o Bem.

 

"O politico deve seguir um ascetismo voluntário, e quem não se governa não pode governar o mundo."


O Banquete ou o Tratado do Amor, o Fédon ou o Tratado da Imortalidade da Alma, o Fedro da Beleza e da Teoria da Alma, são a revelação da plenitude e da maturidade do pensamento de Platão. Nestas obras, somos arrebatados pela luz que nos guia para fora da caverna; a Beleza, o Amor e a Inteligência, recriam em nós a Unidade das Almas, geminadas na essência do Divino.

Escola de Atenas
Escola de Atenas, de Raffaello Sanzio

A República, a sua última obra, é a síntese do HOMEM ESTADO, onde o poder do Filósofo governante reina sobre si próprio e sobre o Mundo. “Mens sana in corpore sano“ é a chave da educação integral; “Askesis “ é a educação para a abstinência e para o autodomínio. O politico deve seguir um ascetismo voluntário, e quem não se governa não pode governar o mundo. A transferência do ideal político para o interior do Homem é também Enkrateia, que significa o domínio de si próprio com firmeza e moderação. Enkratia é a base de todas as virtudes, aquela que liberta o homem da tirania das suas paixões egoístas, pois a liberdade interior é o oposto do homem escravo dos seus próprios instintos. O filósofo político vive em autarcia, por ausência de necessidade. A Justiça é inerente à Alma e representa o ideal do Bem no mundo; a Justiça é a saúde da Alma e a Saúde é a justiça do corpo.

“Ver-se a si próprio, é ser-se clarividente”

O Mistério da Alma humana é o caminho da revelação progressiva da Verdade. Nele podemos reconhecer três etapas:

- Purificação, através da maiêutica para sair do estado de ignorância; questionar-se e fazer um exame de consciência.

-Dialectica, ginástica mental que permite confrontar os conhecimentos, para clarificar e produzir a luz do pensamento puro, elevar o pensamento até ao Ideal; é o estado de aprendizagem, pois o filósofo ocupa um lugar intermediário entre a sabedoria e a ignorância (riqueza e pobreza da Alma). O Eros, o Amor, é o anseio metafísico do homem pela totalidade do Ser. O filósofo é um enamorado e tal como dizia o escritor e filósofo José Carlos Fernandes, ”o Amor é a essência do movimento”.

- Necessidade de educação para harmonizar o homem e a polis; é a via da prática, a construção do Estado em cada um dos seus componentes. A pedagogia é a força do Eros em movimento. Platão esboçou todo um sistema de degraus que constituem os fundamentos da educação e que corresponde a cada tipo de homem.

Para Platão, a Alma possui três tendências, associadas aos três mundos:

O NOUS corresponde à cabeça. A virtude é a sabedoria
O TYMOS corresponde ao coração. A virtude é a coragem
O EPITHYMIA corresponde ao ventre. A virtude é a temperança

A justiça é a virtude que produz a harmonia entre os três mundos.

A República platónica é uma obra de formação humana. O filósofo político é aquele que orientou a sua vida para a Unidade, é amigo e parente da Verdade, da Justiça, da Valentia, e do Auto Conhecimento. Jean Jacques Rousseau dizia “que a República de Platão não era uma teoria de estado, mas o mais belo estudo jamais escrito sobre a educação”. Hoje, nós sabemos que a verdadeira revolução só poderá acontecer quando conseguirmos transmutar o homem, porque só o homem melhor poderá criar um Mundo melhor.

Françoise Terseur
Pintora, Investigadora e Formadora da Nova Acrópole


 

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