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Ikebana – Uma Arte Zen

O que é Ikebana?

Ikebana

Por este nome é conhecida, no Japão, a Arte do Arranjo Floral. Seu significado etimológico provém de Ikeru (conservar vivo) e Hana ou Bana (flores e ramos). Para os japoneses, o termo flor é um conceito, uma ideia, pois abrange tudo o que tenha afinidade com as plantas e com a própria essência do Ikebana. Qualquer ramo, folha, flor, raiz, musgo, etc., está dentro dessa ideia de conservar vivas as flores ou ramos do Arranjo Floral.

“Conservar vivas” não se refere somente a manter frescas as flores ou ramos de Ikebana, mas a mais do que isto, ou seja, a impregná-la com os nossos sentimentos, emoções, estados de consciência a fim de dar vida a essa obra de Arte que não só surge das nossas mãos, mas que também sai do nosso coração e pensamento.

O Ikebana é uma das artes Zen, razão pela qual também é um “Do”, uma trilha ou um caminho de auto-realização. A palavra japonesa “Do” é equivalente à palavra chinesa “Tão”, cujo significado literal é Via, Trilha ou Caminho. Em Ikebana, o “Do” é a “maneira”, o “espírito” utilizado na execução desta Arte, e esse espírito é a expressão do pensamento Zen.

 

“A beleza unida à virtude é poderosa”.

 

No Japão, é difícil encontrar alguma actividade que não tenha sido influenciada pelo Budismo Zen. Entre elas, podemos citar o teatro “No”, o “Kyudo” ou a Arte do Tiro com Arco e o “Cha no Yu” ou Cerimónia do Chá, entre outras.

O Ikebana costuma ser interpenetrado no Ocidente como uma simples técnica de arranjo de flores; no entanto, é muito mais, pois não só nos traz destreza ou excelente refinamento na composição floral, mas também o seu profundo estudo permite-nos compreender o Caminho das Flores, que é igualmente o Caminho de Nós Mesmos.

Será que é nosso objectivo convertermo-nos em especialistas com a leitura deste artigo? Obviamente necessitaríamos de muitos anos de treinamento nesta Arte, sob a supervisão de um Mestre de Ikebana, para conseguirmos tal façanha. O que podemos fazer é criar expectativas sobre o sentido e a essência do Ikebana, assim como aprender a respeitar e compreender um pouco mais a natureza que nos rodeia.

O nome original do Ikebana era “Ka-Do”, “O Caminho das Flores”. Este caminho, filosoficamente falando, envolve a viagem metafísica e espiritual que é a vida, até descobrirmos quem somos, razão pela qual o estudo do “Ka-Do” continua por toda a vida.

O recinto ou lugar onde se deve realizar Ikebana

Lugar

O recinto onde se desenvolve a aprendizagem sempre foi considerado como algo especial. Ali reina o silêncio, além de um pouco de música Zen, que acalma e harmoniza os sentidos.

 

“Não tem importância o material empregue; o mero pensamento recto conduz à perfeição. Oferece o teu sacrifício tendo isto presente”.

 

Os galhos e os instrumentos para trabalhar devem ser tratados com extremo cuidado e delicadeza, já que confeccionar um arranjo de Ikebana é uma cerimónia que começa desde que se entra no recinto. É muito importante não se apressar; é necessário refrear a ansiedade de querer ver a obra concluída. O discípulo de Ikebana senta-se diante das flores e começa a trabalhar, realizando gestos e actos precisos, submergindo-se pouco a pouco no mais profundo de si mesmo, com a única e firme intenção de se unir com o próprio coração da flor, que não é outro senão o Coração Universal, como dizem os Mestres japoneses. A flor e os ramos são apenas elementos decorativos. O arranjo é um ser vivo que deve receber de nós o maior cuidado. O Mestre, que sabe se esta inter-relação ocorre ou não, aceita ou rejeita o arranjo floral assim que o discípulo o termina.

Cerimónia

Uma das condições fundamentais do Ikebana é o silêncio e a concentração; isto permite-nos aprender a dispor as flores com calma interior. Além disso, o discípulo também deve aprender a ser humilde e aceitar quantas vezes forem necessárias a recusa pelo Mestre do trabalho realizado, pois só através da verdadeira humildade é que se tem consciência dos erros, e o coração do estudante, livre de enganos, pode compreender os ensinamentos e encaminhar-se, pouco a pouco, até à perfeição.

            O Ikebana mostra-nos, através das flores, como devemos enfrentar a vida na sua totalidade, pois um verdadeiro Caminho Espiritual abrange sempre todas as facetas do homem.

 


Eis aqui as palavras de um Mestre de Ikebana:

            “O homem e as plantas são mortais e mutáveis; o significado e a essência do arranjo floral são eternos”.
                         
            “Deve-se procurar a forma exterior a partir do interior”.

            “Não tem importância o material empregue; o mero pensamento recto conduz à perfeição. Oferece o teu sacrifício tendo isto presente”.

            “A beleza unida à virtude é poderosa”.

            “A beleza em si não conduz a nada; ela só aperfeiçoa em combinação com o verdadeiro sentimento”.

            “O adequado manejo das flores refina a personalidade”

            “Dirige a tua casa com quietude interior, auto controlo e justiça”.

            “Não sejas negligente nem no lar nem na profissão”.

            “Cultiva a amizade com sinceridade e sentimentos puros”.


Origens do Ikebana

            As origens do Ikebana remontam à antiguidade do Japão. Desde há muito tempo, os japoneses tiveram um profundo sentimento pela paisagem, um grande respeito pelo poder da natureza expresso nas montanhas, nas cascatas, nas árvores e no mar impregnado de ilhas naturais, nas quais a beleza das árvores e das flores comoveu profundamente o espírito nipónico. Estes sentimentos estão, por si mesmos, manifestados na religião autóctone, o “Shinto”, uma forma de adoração à Natureza. As árvores que permaneciam verdes ao longo do duro Inverno sempre se revelaram aos japoneses como imbuídas de algum poder misterioso. Por este motivo, levavam-se ramos de folhas perenes aos altares “Shinto”, como oferendas aos “Kami” ou Espíritos da Natureza. Os sacerdotes que cuidavam destes altares prolongavam a vida das suas oferendas arranjando-as em jarros com água pura.

 

“O homem e as plantas são mortais e mutáveis; o significado e a essência do arranjo floral são eternos”.

 

Quando o Budismo penetrou no Japão através da China e da Coreia, no século VI, não se supunha a extinção da religião “Shinto” e, de facto, ambas coexistiram de maneira natural. Com o Budismo, veio o costume das oferendas florais em recipientes diante da imagem de Buda. Os primeiros artistas florais foram sacerdotes. Ainda hoje, podem-se ver composições de flores e ramos nos altares shintoístas e nos templos budistas.

 

O Principio de Três

Arte_IkebanaO Principio de Três constitui a base do Arranjo Floral, e só depois de anos de treinamento o estudante de Ikebana pode trabalhar nos seus arranjos com um maior número de ramos.

            Eis aqui os três princípios:

            “Ten”              (Céu)
            “Jin”                (Homem)
            “Tchi”             (Terra)





O Principio de Três baseia-se na construção dos três ramos-mestre, cujo equilíbrio e harmonia dão forma ao que se quer expressar através do Ikebana. O discípulo arranja-se a si mesmo e, ao tempo, a outro ser, pois o coração da flor, o coração do homem e o coração do Universo são uma só coisa.

            No ciclo de três, o homem encontra-se na metade do caminho entre o céu e a terra. Recebe o seu alimento espiritual do céu metafísico, enquanto o seu corpo é sustentado por raízes terrestres. O discípulo de Ikebana que participa dos princípios céu e terra deve trabalhar até conseguir a harmonia destes princípios dentro de si mesmo.

 

“Deve-se procurar a forma exterior a partir do interior”.

 

O Ikebana surge com uma resposta à beleza e infinita variedade de formas das plantas naturais. É um reconhecimento à força e à delicadeza dos ramos vivos que utiliza.

            Pode ser uma distracção ou um passatempo para alguns, mas, para muitos, o Ikebana transforma-se num estudo absorvente que leva a um conhecimento cada vez mais profundo da vida, assim como traz elementos para melhorar o aperfeiçoamento de seu próprio Ser.

 

Júlia Lorenzo Lozano
Prof. de Ikebana na Escola Valenciana de Arte Floral – Espanha

 

 

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