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Isis, A Grande Mãe

Desde a mais remota antiguidade, o homem sempre rendeu culto aos deuses. Desde os cultos às forças da Natureza, até aos cultos a deuses mais ou menos “humanizados”, passando pelos cultos a deuses com formas antropomórficas, a humanidade sempre necessitou de uma li-gação que cubrisse o espaço entre o homem e Deus. Sabemos que todo o manifestado responde a uma dualidade: bom-mau, branco-preto, dia-noite, grande-pequeno, acima-   -abaixo, homem-mulher, de modo que não podemos entender um sem conceber o outro. Entendemos o bom porque o contrapomos ao mau, quer dizer, é bom o que não é mau, a mesma coisa se passa com os restantes. Esta dualidade também esteve presente nos cultos religi-osos; assim encontramos cultos masculinos e cultos fe-mininos, duas formas de entender a Deus, dois caminhos para atingir uma mesma meta.

Os cultos femininos à Grande Mãe estão presentes nos panteões de todas as antigas civilizações e na nossa também. Sob diferentes nomes e formas, a deusa foi-se perpetuando através do tempo. Assim na Suméria aparece como Ishtar, na Pérsia é Anaita, conhecemo-la, também, como a Astarté de Biblos, Deméter para os gregos, Vénus para os romanos. Inclusivé hoje, a Virgem Maria cristã e católica. E no Egipto - Ísis.

O culto isíaco floresce na Hispânia, da mão dos conquistadores romanos onde são muitas as mulheres que acudiam aos seus templos e santuários para celebrar os ritos sagrados. São numerosos os testemunhos destes cultos que, em forma de inscrições, nos chegam de Sevilha, Guadix, Antequera e mesmo Braga. Nesta última cidade, a Bracara romana, existe uma lápide de mediados do século II d. C. onde se lê: “Lucrecia Fida, sacerdotisa perpétua de Roma e de Augusto, do convento bracarangustano, dedica este monumento à augusta Ísis”.

 

Vemos, através do Mito, que Ísis é a que dá a Vida, a que reúne, conserva, unifica. A que mantém a esperança, a que ama. É a Grande Senhora, a Grande Mãe

 

Ísis, a deusa dos mil nomes, é filha de Geb (a Terra) e de Nut (o Céu). Está associada a Hathor, a vaca celeste, a Grande Deusa Mãe do panteão egípcio. Por isso, em muitas representações, Ísis aparece toucada com os cornos sagrados e o disco solar, símbolos de Hathor. Deusa associada à maternidade, à fertilidade e à magia - porque descobria os nomes secretos de Ra -, é relacionada com elementos cosmogónicos, como a estrela Sírio e com as distintas fases da Lua (Hécate). Irmã e esposa de Osíris representa o eterno feminino. É a terra, a matéria primordial fecundada pelo espírito. Coroada por um trono em forma de escada, transporta na sua mão o ANKH ou chave da vida como símbolo do caminho que deve percorrer o homem até chegar à divindade. O significado de cada uma das partes do símbolo é:

• o círculo representa o mundo divino;

• o traço horizontal, o horizonte;

• o traço vertical, o caminho que deve percorrer o homem para aceder à divindade.

Outro emblema característico da deusa é o nu de Ísis; com ele, mantém unidas todas as coisas; o homem, da mesma maneira, acede ao conhecimento superior por uma passagem de união com o ser interior. Este laço é o que recorda que ela é a que reúne os pedaços do seu esposo, Osíris, despedaçado pelo seu irmão Seth. Este facto está narrado no Mito Osiriano: “Diz-se que num tempo existiam ho-mens primitivos - não selvagens, mas antigos - e que para os acompanhar e os aconselhar existia uma Tríada Divina, emanada de outras Divindades superiores; esta Tríada estava constituída por Osíris, Ísis e Hórus, filho de ambos.

Numa ocasião, os Deuses, reunidos, tomando consciência de que Osíris se estava a tornar demasiado importante, convidaram-no a reunir-se com eles. Osíris tinha um irmão ou contraparte negativa, como sempre sucede nestes relatos mitológicos. O irmão de Osíris era Seth, representado como um monstro em forma de crocodilo. Seth, na reunião, explica que oferecerá uma caixa ou cofre muito belo a aquele dos Deuses que demonstre que cabe perfeitamente no seu interior. Nenhum pôde fazê-lo bem porque ou faltava ou sobrava lugar, mas Osíris entrou comodamen-te, dado que o cofre tinha sido feito de propósito à sua medida. Aproveitando o facto de Osíris estar lá dentro, Seth selou o cofre com chumbo e atirou-o ao rio Nilo. O cofre chegou assim navegando até ao Mediterrâneo, onde, de acordo com as versões, ficou encalhado junto a uma ár-vore da costa.

Ísis, a sua esposa, consumada feiticeira, através de um espelho mágico, consegue descobrir o seu para-deiro e assim resgatá-lo. Mas Seth, temeroso de que o pudes-se ressuscitar, parte o cadáver de Osíris em 7, 14 ou 49 pedaços e atira-os em todas as direcções do universo.

Com a a ajuda de Anúbis, Ísis consegue encontrar todos os fragmentos menos a parte sexual, e assim compõe um corpo mágico para Osíris, ainda que se queixe amargamente por nunca mais poder ter um filho do seu esposo. Então, também de maneira mágica, fica grávida ao ser tocada por um falcão e deste modo nasceria Hórus. Mais tarde Hórus cresce e vinga o seu pai destruindo o seu tio maligno”. (1)

Vemos, através do Mito, que Ísis é a que dá a Vida, a que reúne, conserva, unifica. A que mantém a esperança, a que ama. É a Grande Senhora, a Grande Mãe, Mãe do Mundo e dos homens que voltam o olhar até ao seu trono procurando um raio de Luz, um vislumbre de inteligência, uma porta pela qual nos podemos assomar ao mundo Misterioso que nos espera.

 

Carmen Morales
Investigadora e Formador da Nova Acrópole

 

(1)     O Mito Osiriano, M.A. Gilardi

 

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