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O Mistério de Colombo Revelado

 

colonNão quero deixar de sublinhar que na minha qualidade de jurista e como amante da filosofia, lanço-me a este comentário sobre questões históricas com o espírito de pura reflexão própria dum ávido leitor e observador dos factos históricos e sem outra pretensão que não seja a de trazer ao de cima as investigações que se estão a realizar sobre a figura de Cristóvão Colombo e a descoberta da América.

Depois de aclarada esta intrusão historiográfica, passo a assinalar alguns aspectos que ampliam ainda mais o enigma que sempre existiu sobre a figura de Colombo. Para além do que possam dizer certos eruditos, o tema da descoberta da América não é uma questão que esteja solucionada; são muitas as lacunas que apresenta a epopeia colombiana, que se complica ainda mais a partir de novas investigações e novos indícios. O espírito aberto e sagaz de muitos estudiosos está conduzindo este tema por uma via que poderia dar às comemorações do V Centenário uma nova dimensão, com perfis científicos insuspeitáveis.

Federico Udina Martorell, director do Arquivo da Coroa de Aragão, na nota introdutória à publicação das Capitulações do Almirante Cristóvão Colombo, entregues pelos Reis Católicos junto com dois salvo-condutos na Veja de Granada, afirma que destes documentos se podem extrair algumas reflexões de grande valor. Nas Capitulações diz-se textualmente: "As coisas suplicadas e que Vossas Altezas dão e outorgam a D. Cristovao de Colombo, em alguma satisfação do que descobriu nos Mares Oceânicos e da viagem que agora, com a ajuda de Deus, há-de fazer por elas em serviço de Vossas Altezas…" O facto de colocar o verbo no pretérito, "descobriu", em Abril de 1492, implica que se trata de umas terras já descobertas. E Udina acrescenta: "Não se pode facilmente alegar que possa haver erra nesta expressão, pois a Chancelaria catalã-aragonesa, como toda a chancelaria já no século XV, actuava com grande precisão e em assuntos desde calibre há-de ter medido muito bem as palavras" (publicado pela Ex.ma Deputação Provincial de Granada).

Este documento coloca interrogações sobre uma pré-descoberta, anterior à chegada de Colombo. Caberiam aqui pelo menos duas hipóteses. Uma mais concreta carregada de indícios racionais, que nos leva a pensar no contacto directo de Cristóvão Colombo com outros marinheiros ou navegadores que lhe deram informações sobre a existência de outro continente diferente das Índias, mais além do mar oceânico. E a outra hipótese, um pouco mais arriscada, com indícios ainda não racionalizados, faz-nos pensar na possibilidade do almirante pertencer a uma ordem monástico militar da mesma natureza da Ordem do Templo, que lhe tivesse transmitido as cartas de navegação, ou então que ele próprio tivesse estado alguma vez no outro continente.

Antes de passar a comentar ambas as hipóteses, não podemos deixar de conjecturar se Colombo não saberia que a Terra é esférica. Não seria de estranhar que tivesse notícias dos textos de Raimundo Lulio em que se faz alusão ao arco das águas e à possibilidade de haver outro continente frente às costas da Europa e África. Lulio, na questão 154 das Quaestiones per artem demostrativam seu inventivam solubles, ao perguntar-se porque razão fluí e reflui o mar de Inglaterra, ou seja o Oceano, afirma: "A Terra é esférica, e o mar também é esférico; e como a esfera da agua está na parte concava sobre a esfera da terra, o Mar grande tende naturalmente a submergir a terra (…) Pois então, nas costas ocidentais da Inglaterra observamos que as águas do mar fazem um arco imenso e que tal arco é a causa do fluxo e refluxo das águas. Mas as suas extremidades necessitam de dois pontos onde apoiar-se, pois de contrário, como se aguentaria? E um destes já o temos, já que o sabemos, são as ditas costas ocidentais da Inglaterra e as correspondentes em igual raia de França, da Península Ibérica e África; mas a outra, onde está? De todas as maneiras deve existir porque é necessária a existência de uma terra oposta às praias inglesas: existe, pois, um continente que não conhecemos".

Voltando ao fio da primeira das hipóteses mencionadas, há que fazer referência ao trabalho do professor Juan Manzano. Manzano no seu livro "Cólon y su secreto", onde analisa a possibilidade da existência de um "pré-nauta" que foi empurrado pelos ventos até terras americanas, e no seu regresso, exausto e doente nas costas de Porto Santo ou Madeira, em 1477-78, acabaria por tomar contacto com Colombo, que na altura vivia na ilha em casa da sogra. Os poucos sobreviventes desta expedição acidental teriam transmitido ao futuro almirante a rota seguida e as descobertas realizadas, antes de sucumbirem vitimados por uma sífilis irreversível contraída numa das ilhas descobertas. Tal como analisa o Prof. Manzano, esta seria com toda a probabilidade uma das razões que teriam obrigado a diminuta expedição a tomar o caminho de regresso (na mesma ordem de ideias é bem explicita a série de artigos publicados no jornal "Ideal" de Granada por J. J. Benitez, intitulada El Gran Secreto de Colón, ou o artigo de P. Pemán Medina, publicado no ABC, Cristóbal Colón, a impulsos del mistério).

O facto de Cristóvão Colombo conhecer a existência da América anteriormente à descoberta foi também mencionado pelo professor Juan Pérez de Tudela, na sua obra Mirabilis in altis, onde sustenta que o almirante tinha já um certo pré-conhecido da existência do continente americano, mas não por meio de fontes europeias, e sim através do contacto com ameríndios. Provavelmente, um grupo de mulheres da zona das Caraíbas que, embarcadas numa canoa, puderam entrar em contacto a oeste da ilha do Ferro com um barco português em que possivelmente viajava Cristóvão Colombo.

Todas estas obras sugerem que a descoberta da América não foi por casualidade na busca de Cipango, mas em que havia, sim, na mente do almirante uma série de dados, de argumentos, de cartas marítimas, de contactos com outros navegadores ou com ameríndios que, reunidos e estudados a fundo o levaram a partir para aquele sério empreendimento.

Quanto à segunda hipótese, nas notas anteriores podem encontrar-se bases que ajudem a esclarecê-la. Um dos representantes desta corrente é Joan Argentier, na sua Historia da América jamais contada. Nela encontramos vários argumentos para os quais queria aqui chamar a atenção. Em primeiro lugar, com a aniquilação da Ordem do Templo, muitos dos seus membros refugiaram-se noutras ordens europeias, entre elas a Ordem de Cristo em Portugal. A lenda do conhecimento da América pelos Templários não passa ainda do plano da especulação, mas pode ser um dado importante a ter em conta. Segundo este, Colombo não se chamaria Cristóvão, mas teria sido rebaptizado para levar a cabo a descoberta, levando a mensagem através das águas, como pode observar-se na sua assinatura X PO FERENS, além das cruzes de corte templário pintadas nas velas das naus colombianas.

Todos estes argumentos nos levam a pensar que tanto umas como outras hipóteses tornam mais que evidente que a descoberta da América necessita de ser seriamente revista; talvez pomo diz Pérez de Tudela, a figura do almirante necessite de um estudo ideológico muito mais profundo, com o objectivo de permitir que os até agora indícios possam ir tomando força através de novas investigações, de modo a conseguir-se que o esboço que nos vem do passado alcance a sua verdadeira dimensão em beneficio do conhecimento. Tal como dizia o Prof. Livraga Rizzi, com uma boa dose de humildade podemos começar a conceber novas ideias que, como sempre, neste espaço e tempo curvos, encontrar-se-ão com os seus ancestrais milenários.


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