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Os Mistérios Marianos e a Alquimia Espiritual

 

AlquimiaOs mistérios marianos estão relacionados com quatro etapas que, nas suas diferentes fases, marcam a transmutação da matéria obscura em puro veículo da Luz (Maria portadora da Luz – Corpus Lyb). Na Alquimia encontramos a transmutação do chumbo em ouro, símbolo físico (Alquimia: transmutação físico-química) da transmutação espiritual do Adão primitivo em Adão cósmico (Alquimia Espiritual).

  “A substância preciosa existe em potência no seio do caos sob uma forma confusa de elementos húmidos” (in Christophorus Elucidarius, 9, XXXII, pág. 228).

 

Virgem Negra de CzestochowaNa Alquimia matéria-prima é denominada Terra-Negra. As virgens negras (Virgini partiturae) são símbolos antiquíssimos que fazem referência à Terra antes da sua fecundação (a matéria primordial que serve para a Grande Obra). Segundo Fulcanelli, a Virgem-Mãe despojada do seu véu simbólico é a personificação da Substancia Primitiva da qual se serviu o Princípio Criador.

Texto dedicado à Imaculada Concepção da Virgem:
“ O Senhor teve-me consigo no começo das Suas obras. Eu existia antes que Ele formasse qualquer criatura. Eu existia desde toda a eternidade antes que a Terra fosse criada. Os abismos ainda não existiam e já eu tinha sido concebida”.

 

Deusa CibeleOs diversos epítetos da Virgem reforçam a ideia de que Deus se projecta nesta Substancia e nela se revela. “Assim se glorifica a Virgem como sendo: a palmeira da paciência, mel simbólico da ascensão, rosa mística, porta do céu, mansão de ouro, Maria, sede de Sabedoria. Não esqueçamos também que a deusa Cibele era adornada em Pessimonte na Frigia sob a forma de uma pedra negra que teria caído do céu”. (in O Mistério das Catedrais, Fulcanelli). É da noite que surge o dia e, assim, Maria transporta a Luz do Mundo no seu ventre. Nas criptas, lugares subterrâneos das nossas catedrais góticas, encontramos novamente a gruta iniciática de Cibele, onde as trevas inundam a alma do discípulo para permitir que surja a luz de um novo dia: o dia do nascimento espiritual.

 

“ O Senhor teve-me consigo no começo das Suas obras. Eu existia antes que Ele formasse qualquer criatura. Eu existia desde toda a eternidade antes que a Terra fosse criada. Os abismos ainda não existiam e já eu tinha sido concebida”.

No cristianismo encontramos a aparição das virgens em grutas como em Lourdes ou na Cova de Santa Iria, em Fátima, onde a Virgem aparece sobre uma azinheira. É de salientar que a árvore está associada aos três mundos: as suas raízes pertencem ao mundo inferior, o seu tronco ao mundo do meio ou terrestre e os seus ramos elevam-se no céu. A Virgem no interior da árvore recorda-nos o seu poder tridimensional de protecção.

As igrejas matrizes (de matriz), nome dado aos santuários marianos, são comparadas, na linguagem alquímica, ao atanor, lugar onde os elementos se ligam (verbo atar) sob a influência do fogo. Na Grécia, Dionísio, divindade do entusiasmo, equivale ao Mercúrio dos sábios ou agente andrógino que tudo penetra. Através da sua acção subtil, o sangue ferve e jorra despertando o espírito adormecido no seio da Mãe (a nave ou vaso alquímico). “O Cristo-Sol vive em ti e tu vives Nele” (Píndaro).

As três operações alquímicas e as três grandes festas Marianas

Nossa Senhora das Dores Nossa Senhora do Bom Parto Imaculada Conceição
Nossa Senhora das Dores Nossa Senhora do bom Parto Imaculada Conceição

 1 – Putrefacção/Pulverização

A cor negra, associada à morte, à dor, à ausência de vida interior, corresponde à Festa das Cinzas, à Paixão de Cristo, à Crucificação; todos eles eventos ligados à Virgem das Dores – a que tem sete espadas cravadas no seu peito e que, como símbolo da Mater Dolorosa, sofre a morte do seu Filho. A purificação, associada ao branco, é a contraparte desta primeira fase e corresponde à Obra em Branco. O sinal da estrela matutina anuncia o novo amanhecer.

2 – Rubificação

A cor vermelha, cor da vida, do amor e da geração, está associada à Nossa Senhora dos Prazeres, também chamada Nossa Senhora do Bom-Parto e marca a concretização da Obra ou nascimento da Pedra Filosofal.

3 – Sublimação

Está associada ao ouro, cujo poder solar redime e virtualiza tudo aquilo que toca. No culto mariano esta fase corresponde à Assunção ou Elevação ao Céu do corpo e alma de Maria coroada com os raios solares.

A imagem antropomorfizada da Deusa-Mãe dissolveu-se através da alquimia; agora deparamos com um poder plástico e subtil que escapa à dimensão estática. A substância é ora fixa (primeira fase), ora fluida (segunda fase) ou volátil (terceira fase). Os sete véus de Ísis, as sete saias das mulheres de Nazaré encontram-se relacionados com a Maya hindu (a grande Ilusão), que se reveste do corpo septenário para gerar a Vida. A subtileza desta condição impermanente da matéria realça, por oposição, o sentido eterno e absoluto D´Aquele que nela se oculta. Somos filhos da Terra e do Céu; sob cada máscara perdura a presença do Único que dorme nas entranhas de cada um de nós. O tempo, esse grande agente alquímico, ajudará a natureza a purificar-se. O sofrimento causado pela dor da encarnação servirá de fermento para que a consciência se liberte do seu tabernáculo de matéria.

Ao longo de múltiplos nascimentos o corpo tornar-se-á mais subtil (subtilização da matéria), mais apto a responder às necessidades de uma maior espiritualização. Deste modo, do ponto de vista da Sabedoria antiga existe uma relação entre o homem e a mulher, ambos elos quebrados de uma Unidade Absoluta. Nascemos com a nossa contraparte atrofiada devido à necessidade de trabalhar por fora e por dentro e ciclicamente reajustamos a nossa personalidade à natureza que mais providencia a nossa evolução (teoria da reencarnação). Na Alquimia, os opostos unem-se e fundem-se num só para recriar o estado original pré-adâmico ou andrógino (aquele que reúne dentro de si mesmo o masculino e o feminino). É assim que procuramos o homem ou a mulher que corresponde à imagem de nós próprios ou que, pela lei de complementaridade, reajusta o desequilíbrio causado por carências a nível do plano físico, psíquico ou espiritual.



“Do ponto de vista da Sabedoria antiga existe uma relação entre o homem e a mulher, ambos elos quebrados de uma Unidade Absoluta.”



Na psicologia Junguiana o Homem pertence a três dimensões: Física, Psíquica e Espiritual. A alma é o elo que une o inferior ao superior (infra-consciente e supra-consciente). O inconsciente contém todas as potências passadas e futuras que o Ego procura alcançar. O Eu mergulha neste grande Akasha para dissipar as sombras do passado (inferno). O dragão ou a serpente simbolizam as forças incontroladas e obscuras da natureza. A vitória sobre o dragão é o tema predilecto do herói que, como símbolo do Sol (Espírito), desce aos infernos e enfrenta a sua própria sombra lunar que durante várias vidas aprisionou a alma imortal num corpo de desejo (libido inferior). Assim, a Virgem sustém o Menino Jesus (o Herói ou Rei solar) pisando a serpente-dragão que, uma vez mais, é vencida pelo poder da Luz.

Jung relaciona o poder de Anima (personificação de todas as tendências psicológicas femininas na psique do homem) com o Animus (personificação de todas as tendências masculinas na mulher) como elos conducentes à penetração no inconsciente.

Neste espelho da alma há quatro tipos que servem como modelo interior às necessidades de complementaridade do Eu com o inconsciente. Assim, em conformidade com a psicologia junguiana, o quadrado mágico do ideal feminino estabelece-se a partir de quatro níveis de consciência sintetizados por quatro imagens:

Eva Helena de Troia Virgem Maria Atena
Eva Helena de Troia Virgem Maria Atena

Física – Imagem Eva.
É a procura de prazer sensorial de ordem sexual. O equilíbrio, neste primeiro nível de consciência, realiza-se com base no físico.

Vital – Imagem Helena de Tróia.
 É a procura de estímulos e do equilíbrio através da beleza e da estética feminina.

Emocional – Imagem Virgem Maria
É a procura da afectividade duradoura que requer a sacralização do Eros.

Mental – Imagem Atena
É a procura de autonomia através do conhecimento ou Sophia.

Na Idade Média europeia o Eterno Feminino estendia-se a todas as que entendiam a mulher como dama inspiradora e guardiã dos valores espirituais da época (Maria casta e pura), mas também era entendido no seu sentido altamente abstracto de Maria-Madre-Igreja, templo e corpo de Deus, a Sophia (sapiência) que amamenta os seus filhos com o leite da Sabedoria. Note-se que a mulher reflecte sempre um ideal de sociedade. Os antigos sábios chineses diziam que se queremos conhecer o grau de evolução moral de uma sociedade basta olhar para as mulheres que a compõem, pois estas reflectem nos seus costumes o nível espiritual de um povo.

A personalidade (em grego, máscara) reflecte o estado interior de um indivíduo; ora, segundo a relação feita anteriormente, a mulher projecta no exterior o Animus (impulso masculino) que emerge do Anima (imagem feminina) correspondente ao nível de vivência dos valores arquetípicos do meio circundante. Quanto mais baixo é o valor moral da sociedade, mais a mulher exalta o Eros inferior (amor sexual); e quanto mais alto for esse valor, mais a mulher reflecte o Eros superior (amor espiritual).


 
 Françoise Terseur
Extraído do livro “O poder da Deusa – Fontes Remotas dos Mistérios Marianos em Portugal”


 

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