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O Mito do Dilúvio

 

Lição de filosofia da história, memória ancestral, apresentamos aqui de modo breve algumas dessas tradições, desde a Mesopotâmia até à América

Em todas as civilizações ao longo das épocas, há um mito que retorna sempre, transformado, por vezes dissimulado, outras vezes claramente apresentado: trata-se do mito do Dilúvio. De facto, os homens de todas as épocas parecem guardar memória de uma experiência do fim do mundo em que as águas maternas, aquelas que dão a vida, parecem igualmente capazes de causar a morte. Lição de filosofia da história, memória ancestral, apresentamos aqui de modo breve algumas dessas tradições, desde a Mesopotâmia até à América.

Os antigos Egípcios possuíam uma lenda relacionada com o dilúvio universal. O deus Tum, também chamado Temu, Atem, Atmu, extraiu as águas dos abismos profundos e derramou-as sobre a Terra a fim de a inundar, destruindo o género humano. Todos os homens pereceram excepto aqueles que se encontravam a bordo da embarcação de Tum.

As lendas persas falam-nos do herói Yima dizendo que Ormuzd lhe ordenara que ensinasse a lei divina à humanidade, mas Yima recusara, consentindo apenas em oferecer-lhes a sua protecção. Assim que soube que um terrível Inverno atingiria a Terra, a que se seguiria uma grande inundação, construiu um edifício enorme no qual guardou as melhores espécies de animais e plantas que pôde e viveu feliz durante mil anos com os homens a quem dera abrigo.

Os Escandinavos relatam a história de um Gigante chamado Imir, morto pelos filhos do deus Borra: Odin, Vili e Ve. O sangue de Imir submergiu a Terra, a tal ponto que quase todos os Gigantes, a maravilhosa raça que, segundo a mitologia escandinava, habitava o nosso planeta, pereceram no grande dilúvio, excepto o Gigante Belgemir que se tinha posto a salvo com a sua mulher num barco.

Segundo os mitos mesopotâmicos, a humanidade criada pelos deuses completara o seu ciclo, mas um dia, devido às más acções dos homens, Enlil decidiu aniquilá-los. Foi o deus Ea que preveniu Utnapishtim, o homem justo. Este construiu um barco carregando-o com a semente da vida. Quando o Dilúvio teve início, até mesmo os deuses sentiram medo. O vento e a tempestade duraram seis dias e sete noites. Ao sétimo dia Utnapishtim verificou a altura das águas. A sua embarcação fora arrastada para o monte Nisir que a reteve durante sete dias. Em seguida, ele deixou sair uma pomba e uma andorinha que regressaram depois, não tendo encontrado sítio onde pousar. Finalmente, ele fez sair um corvo que não regressou. Foi então que as águas baixaram. O monte onde se realiza o sacrifício aos deuses estaria sempre presente nas cidades como recordação desse acontecimento, tal como o zigurate, montanha mágica onde a vida pode sempre renascer após a sua destruição purificadora.

deucaliaoNa Grécia, Zeus decidiu a destruição da humanidade e apenas um casal conseguiu salvar-se: Deucalião e Pirra que, lançando pedras para trás de si, deram nascimento aos homens que repovoaram a Grécia.
Existe um mito hindu que se assemelha à história do deus babilónico Ea. O deus Vishnu, como sabemos, sofreu múltiplas transformações em Avatar. A primeira refere-se ao período do dilúvio. Nessa época Vishnu, que tomara a forma de peixe, Matsya, nadava num lago quando Vaivasvata, o grande Mestre do Kali Yuga o encontrou, pensando, naturalmente, que se tratava de um simples peixe. Porém, o animal suplicou que ele o retirasse do lago prometendo-lhe a sua protecção como recompensa. Vaivasvata salvou o deus que, em retribuição, o advertiu sobre o dilúvio que se preparava. Seguindo os conselhos de Vishnu, Manu Vaivasvata construiu uma arca. O pequeno peixe engrandeceu rapidamente até atingir as dimensões de todo o oceano. Quando o dilúvio eclodiu, Vaivasvata e a sua comitiva foram os únicos sobreviventes.

Uma outra história hindu fala do deus Krishna que era uma criança turbulenta. Um dia roubou uma árvore sagrada do jardim de Indra, o deus do Céu. Quando Krishna se tornou adolescente, amado pelos homens, provocou o ciúme de Indra. Como forma de vingança, este enviou para a Terra uma chuva torrencial que caiu ininterruptamente durante sete dias e sete noites. Porém Krishna apossara-se do monte Govardhana e manteve-o suspenso na extremidade do dedo mínimo. Refugiando-se sobre essa montanha, toda a humanidade fora salva.

Segundo o livro dos Maias, Chilam Balam, no decurso da décima primeira Ahau-Catum, Ah-Musen-Cab surgira para fechar os olhos das 13 divindades. Ninguém sabia o seu nome a não ser as suas irmãs e os seus filhos que o pronunciavam em segredo. Mesmo eles temiam olhar para a sua face.
Tudo isto se desenrolou na altura da alvorada da Terra e ninguém imaginava o que poderia acontecer…
As 13 divindades tombaram sob o poder de 9 deuses que desencadearam uma chuva torrencial que os derrubou assim como às cinzas, rochedos e árvores. Ahau-Catum lançou quatro rochedos e quatro armas contra outras quatro armas. E as 13 divindades foram aprisionadas sendo as suas cabeças cortadas. Os seus ombros ficaram assim carregados com o peso do ridículo

A grande serpente Quetzalcoatl, deus do tempo, fora separada dos Céus. Ela possuía uma cauda de escamas sibilantes e plumas de Quetzal. Os 9 deuses agarraram em feijões que tinham sido plantados com grãos do seu coração. E agarraram também em grãos de cabeças e plantaram-nos. E a Grande Serpente, a Eternidade, envolveu-os, reuniu-os e ergueu-os até ao décimo terceiro Céu, o Zénite. Desse modo a sua pele e os seus ossos quebrados tombaram sobre a terra e o seu coração fechou-se sobre si próprio. Visto que as 13 divindades não pretendiam abandonar nem o seu coração nem a sua semente, quatro flechas feriram as crianças, os anciãos, os viúvos e as viúvas que viviam sem vontade.

Eles foram assim enterrados sob as areias da costa. As águas chegaram e projectaram-se umas contra as outras. E enquanto a Grande Serpente estava sob o efeito do encantamento, o Céu desceu e a Terra seca foi engolida. Assim, os quatro Deuses, guardiães dos quatro pontos cardeais, os Babac destruíram tudo. Quando tudo chegou ao fim, os homens mais jovens (os Maias) saíram de um lugar chamado Aztlan e da sua capital, Tula, a bordo de um grande barco, guiados por Quetzalcoatl. A primeira árvore branca foi erguida a norte. O pássaro de peito igualmente branco poisou sobre essa árvore e um arco-íris apareceu, significando que a destruição estava já longe deles. Quando a primeira árvore branca despontou, surgiu, simultaneamente, a árvore negra. Um pássaro de peito negro poisou então sobre ela (Cf. o corvo e a pomba bíblicos), e escutaram-se passos de homens jovens. A grande Mãe Seiba (a Deméter grega) salvou-se da destruição da Terra e levantando a cabeça tornou eterna a folhagem. Com os seus ramos e as suas raízes ela chamou o seu Senhor…

Eis o que nos diz a Bíblia (Génesis, VI):
«Javé constatou como era grande o pecado dos homens sobre a Terra e que o coração destes apenas formava desejos malignos durante a sua existência. Arrependeu-se de ter criado o Homem sobre a Terra, e o Seu coração sofreu amargamente. Disse Ele: ‘Apagarei da superfície da Terra os homens que criei e com eles os animais, os répteis e as aves do céu, pois arrependo-me de os ter criado’.
Porém Noé caíra em estado de graça aos olhos de Javé, por ser um homem justo, íntegro diante dos seus contemporâneos, seguindo a Deus. Javé disse-lhe: ‘Constrói uma arca de madeiras resinosas, pois vou lançar um dilúvio que tudo inundando, eliminará debaixo do céu todo o ser animal com sopro de vida. Tudo quanto existe na Terra perecerá. Contigo, porém, farei a minha aliança: entrarás na arca com os teus filhos, a tua mulher e as mulheres dos teus filhos. De tudo o que vive, de todos os animais, levarás para a arca dois de cada espécie, para os conservares vivos junto de ti: um macho e uma fêmea’.
Noé fez tudo o que Javé lhe ordenara. Ao fim de sete dias as águas do dilúvio inundaram a Terra. Choveu torrencialmente durante quarenta dias e quarenta noites sobre a Terra. As águas subiram e ergueram a arca que se elevou sobre a Terra. As águas foram aumentando muito enquanto a arca seguia à deriva pela superfície. Javé fez perecer todos os seres que se moviam na Terra, desde os homens aos animais, aos répteis e às aves do céu. Todos foram exterminados da Terra, restando apenas Noé e quem estava com ele na arca.

noeAo fim de cento e cinquenta dias as águas baixaram e, ao décimo sétimo dia do sétimo mês, a arca deteve-se sobre o monte Ararat. Após quarenta dias, Noé abriu a janela, que fizera na arca, e soltou um corvo, que saiu repetidas vezes, enquanto iam secando as águas sobre a Terra. Depois soltou uma pomba, a fim de verificar se as águas tinham diminuído à superfície da Terra. Mas, não tendo encontrado sítio para pousar, a pomba regressou à arca, para junto dele, pois as águas cobriam ainda a superfície da Terra. Aguardou sete dias, depois soltou novamente a pomba, que voltou para junto dele trazendo no bico um ramo verde de oliveira. Noé soube, então, que as águas tinham baixado sobre a Terra. Aguardou ainda mais sete dias, depois tornou a soltar a pomba, mas, desta vez, ela não regressou mais para junto dele.
Javé abençoou Noé e seus filhos dizendo-lhes: ‘Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a Terra. Eis que vejo concluída a minha aliança convosco e com os vossos descendentes. Não mais criatura alguma será exterminada pelas águas do dilúvio e não haverá jamais outro dilúvio para destruir a Terra’. E Javé disse: ‘Este é o sinal da aliança que faço convosco, com todos os seres vivos que vos rodeiam e com as demais gerações futuras: coloquei o Meu arco nas nuvens para que seja o sinal da aliança entre Mim e a Terra’.
Os filhos de Noé, que saíram da arca, eram Sem, Cam e Jafet. Cam era o pai de Canãa. São estes os três filhos de Noé, e por eles foi povoada a Terra inteira».


Fernand Schwarz
Antropólogo, Cruz de Paris em Artes, Ciências e Letras.
(Extractos de um curso ministrado na École d’Anthropologie de Paris)

 

 

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