Logo_NA_Verde_2013    
     
  a   a   a   a   a   a   a   a   a   a  
                             
 

A Nova Idade Média e o Declínio do Ocidente

 

«Uma idade média surge quando o modo de funcionamento natural da espécie, o inato, predomina sobre o modo cultural, elaborado e transmitido ao longo de séculos. São períodos em que as sociedades se mostram incapazes de transmitir e de recriar valores e o saber cultural que fundaram a sua identidade.»(1)

Fernand Schwarz

 

«A morte iniciática significa tanto o fim do homem acultural natural como a passagem para um novo modo de existência, o de um ser nascido para o espírito.»(2)

Mircea Eliade

 

 

A nosso ver, a vida humana está plenamente integrada na Natureza, que tem o seu lado visível e a sua face oculta, sendo multidimensional. O microcosmo humano reflecte o macrocosmo da grande Natureza. E, nesta, da mesma forma que o mundo físico é regido por leis imutáveis, também a Noosfera, a «Terra Mental» – segundo a definição de Telhard Chardin – deverá estar subordinada a leis naturais. A constatação da existência per se de dimensões parafísicas do planeta é fundamental para se percepcionar com razoabilidade as leis rítmicas que regem a história da humanidade.

Aqui deparamos com o mistério da dimensão Tempo: Seremos nós que percorremos o caminho do Tempo, ou somos percorridos pelo próprio Tempo que, tal como Kronos da religião grega, come os seus próprios filhos?

Um velho enigma para os filósofos.

Não dizemos nós que o Tempo está acelerado?

É claro que aqui evocamos uma das questões fundamentais com que se debatem os filósofos e cientistas da actualidade: a mente é uma emanação da matéria (teoria darwinista, positivista, nominalista), ou existe per se e independentemente da matéria física (concepção platónica)?

Nós consideramos que o mundo mental existe per se e que as formas mentais, das mais simples às mais complexas, têm vida própria (e um tempo de vida, como tudo o que é manifestado) incluindo, nestas últimas, as ideologias.

As formas mentais são parte integrante da Natureza e adquirem vida, ou morrem para a história, enquadradas no ritmo cósmico que rege todo o Universo.

Por exemplo, de sete em sete anos acontece um rejuvenescimento de parte das células do nosso corpo. Nós não o pensamos, este processo é para nós inconsciente, mas alguém ou algo teve de o pensar e de lhe dar vida.

Hermes Trismegisto dizia: «O Todo é mental.»

Sempre fomos educados no mais puro nominalismo, ou seja, no conceito de que as ideias mais não são do que uma extrapolação da vida sensível. O mundo físico, palco da história, é o real. Assim, regressar ao coração do pensamento platónico, à visão do mundo da mentalidade arcaica, exige um esforço de distanciamento, uma ascese philosophica que, debatendo-se inicialmente com escolhos e adversidades de monta, logo vai despertando no filósofo uma visão cada vez mais bela e esplêndida dos mecanismos que regem a Natureza. A Alegoria da Caverna torna-se legível através de um estado de consciência que percepciona a harmonia oculta que rege todo o cosmos.

Da mesma forma que o dia sucede à noite, e a noite sucede ao dia, a expiração sucede à inspiração, e a inspiração sucede à expiração, também os dias-civilizatórios se sucedem às noites-civilizatórias na história da humanidade. Estas últimas são as idades médias, ou seja, períodos intermédios entre duas civilizações. Estas noites-civilizatórias são absolutamente necessárias ao fluir da vida humana, como o é a inspiração de oxigénio.

Uma civilização é consequência de uma cultura que incorporou a sua forma mental específica, o seu arquétipo. Quando este perde a força, ou seja, quando chegou ao fim do seu tempo vital (quando chegou a hora de se retirar da dimensão tempo), essa civilização vai agonizando até se tornar um cadáver. Entra-se numa nova idade média, numa noite-civilizatória. E, se no dia-civilizatório já estava presente, no alvorecer, o ponto de trevas que se foi alargando ao longo do tempo, agora, nas trevas da noite, logo desde o seu início, um ponto de luz se vai criando, ou seja, começam-se a colocar na terra as sementes de uma nova cultura que, pelo ritmo natural do cosmos, darão os seus frutos numa nova Primavera civilizacional.

A história da humanidade é essencialmente uma sucessão de arquétipos e mitos que se vão manifestando ao longo do tempo, com vis­ta ao aperfeiçoamento espiritual do homem, à grande finalidade meta-histórica.

Esta dinâmica, criada pela sequência da manifestação dos arquétipos históricos, com os necessários períodos intermédios (idades médias) entre duas civilizações, faz com que este percurso seja efectuado por ciclos e não de forma linear, ou seja, está perfeitamente enquadrado na espiral do tempo.

Se perguntassem a um romano da era de Augusto como seria o mundo ao fim de mil anos, ele diria que o poder e a glória do Império Romano ainda seriam maiores nessa época. E se perguntassem a um homem do tempo das catedrais como seria o mundo no ano 2000, ele projectaria o seu tempo histórico e diria que seria um mundo ainda com maiores catedrais. Por isso, se hoje projectarmos, de forma linear, o nosso tempo histórico, também nos equivocaremos. Frisamos este facto.

Segundo a visão hermética e platónica, os grandes acontecimentos históricos reflectem uma actividade pré-existente no mundo mental; dito de outra forma, a ‘ideia’ precede o ‘acto’, como a cultura deve preceder a política. Por essa razão, o estudo da história só pode ser competentemente realizado por um intelecto intuitivo que consiga ‘penetrar’ no ‘mundo das ideias’.

Assim se entende que, já em 1933, Nicolás Berdiaeff tenha escrito um livro intitulado Uma Nova Idade Média – Reflexões sobre os destinos da Rússia e da Europa, relacionando a nova Idade Média com «a queda do princípio legítimo do poder e do princípio jurídico das monarquias e das democracias e a sua substituição pelo princípio da força, da energia vital, das uniões e dos grupos sociais espontâneos.»(3) É curioso que mais tarde tenha escrito:

«Tenho uma percepção aguda dos destinos históricos, o que me parece bizarro, porque detesto a História.»(4)

Mas já antes das reflexões de Berdiaeff, Oswald Spengler finalizaria em 1922 a sua obra monumental:

A Decadência do Ocidente. Vale a pena seguir a sua exposição dos conceitos de «culturas como organismos» e dos «protofenómenos»:


«O primeiro plano visível de toda a história é o que se produziu em con­sequência do processo de devir [da dimensão tempo]. À visão histórica, esse último somente se revelará onde as formas políticas ou económicas, as batalhas ou as artes, as ciências ou as divindades, a matemática ou a moral forem símbolos, expressões de uma alma. Todas as coisas transitórias são apenas símbolos.»(5)

Por exemplo, podemos afirmar que a alma humana é a ‘ideia’ que se manifesta no corpo humano e lhe dá vida, sendo este o símbolo daquela.

Portanto, o símbolo é uma manifestação no mundo sensível da ‘vida psíquica’ que ocorre no ‘plano mítico’ da Natureza. Recordemos René Guénon:

«Os acontecimentos históricos, como todos os demais factos, têm valor de símbolos, expressão de verdades de outra ordem às quais correspondem.»(6)

Voltando ao raciocínio de Spengler, salientamos que o conceito de ‘protofenómeno’ tem uma relação directa com a nossa filosofia das ‘formas mentais’ e das ‘ideias’, ou seja, no ‘laboratório da Natureza’ (história humana incluída), antes de uma ideia se manifestar em toda a sua complexidade passa sempre pela sua proto-história, ou seja, acontecem mani­festações mais simples (mas onde a matriz essencial já está realizada – o ‘ideal formal’) dessa ideia – manifestações arcaicas – que servem para verificar o resultado da ligação entre essa ideia e o mundo sensível.

Nesse período ‘proto-histórico’, essa forma mental vai melhorando os seus contornos até que surja o tempo histórico da sua realização onde se concretiza com todas as suas potencialidades possíveis e sob inúmeras manifestações particulares.

«O transitório é símbolo de uma evolução orgânica, de um organismo. As culturas são organismos. Quem fizer desfilar, diante do seu espírito, as formas dessas culturas conseguirá descobrir a protoforma da cultura, que como ideal formal serve de fundamento a todas as culturas particulares e suas realizações particulares e suas realizações por diferentes que sejam. A cultura é o protofenómeno de toda a história universal (...).

Um protofenómeno é aquele em que se patenteia aos nossos olhos a ideia do devir em toda a sua pureza. No seu espírito, Goethe [génio que formulou este termo do «protofenómeno»] visionava com absoluta nitidez a ideia da protoplanta, encontrando-a na figura de qualquer planta originada casualmente e mesmo nas plantas apenas possíveis. Na sua investigação dos intermaxillare partiu do proto­fenómeno do tipo vertebrado. Em outros campos, serviram-lhe de ponto de partida a estratificação geológica, ou a folha, como protoforma de todos os órgãos vegetais, ou ainda da metamorfose das plantas, como imagem primordial [archai] de qualquer evolução orgânica. «A mesma lei poderá ser aplicada a todos os demais seres vivos» – escreveu a Herder (...). Esse modo de encarar as coisas teria sido compreendido por Leibniz. O século de Darwin sempre se conservou distante desse ponto de vista.»(7)

Mais uma vez encontramos o confronto entra a visão pla­tó­nica e a visão aristotélica-cartesiana – esta última forma mental ‘venceu’, mas já se vêem claros sinais de que o seu tempo está a esgotar-se. Segundo Darwin, as espécies evoluem como consequência da sua paulatina adaptação ao meio ambiente, mas os cientistas têm constatado a existência de inúmeros saltos na evolução.

Esta adaptação ao ambiente existe, mas não pode explicar o abismo que separa a vida inorgânica de um átomo da complexidade da vida orgânica de uma célula. As células começaram a existir quando chegou o tempo da ideia-célula ‘sair’ do seio de Maat – a grande mente cósmica – e se manifestar no mundo sensível, tal como aconteceu com todas as ideias-de-espécie. O biólogo Gregory Bateson, autor da obra Mind and Nature, afirma que «a mente é a essência da vida», e o nobel Ilya Prigogine tem desenvolvido com detalhe uma teoria dos sistemas auto-organizadores.

Segundo este físico e químico, um organismo vivo é um sistema de auto-organização, cuja estrutura é estabelecida pelo próprio sistema e não imposta pelo ambiente. Um ser vivo, enquanto tal, possui intrinsecamente uma força neguentrópica (inverso de entropia: a tendência para o caos), cosmizadora, que mantém um certo grau de autonomia em relação ao meio ambiente.

Erich Jantsch, discípulo de Prigogine e autor da obra The Self-Organization Universe, relacionou o óbvio: os processos mentais da natureza, descritos por Bateson, com os sistemas auto-organizadores de Prigogine. Porque se, na realidade, existe uma força neguentrópica num sistema material, ela tem de ter, inevitavelmente, uma raiz suprasensível.

Quer dizer, qualquer objecto material ou ser vivo só é, de facto, quando a ‘ideia-forma’ (eídos platónico) que lhe é própria participa nele. Nesta concepção da vida, chamamos a atenção para a seguinte passagem do Fedro de Platão:

«Então, apenas o que se move a si mesmo, porque se não desagrega, jamais cessa de mover-se; mais ainda, é fonte e prin­cípio de movimento para tudo quanto é movido. (...) De facto todo o corpo, cujo movimento lhe vem de fora, é inanimado: é porém animado, quando o recebe do interior de si mesmo, uma vez que é essa a pró­pria natureza da alma.» (245c-245e)

 

"Bem longe desta cosmização do espaço e da integração consciente nos ritmos cíclicos da Natureza, está o homem light das sociedades modernas"

 

Aceitando esta visão, não nos parece adequada a excessiva importância que os sociólogos dão à influência do meio sobre o indivíduo humano. Não negamos essa influência, mas só pode ser devidamente per­cepcionada tendo em conta a existência da ideia-indivíduo particular, que existe per se, sendo pré-existente à forma física e tendo a sua especificidade ao analisar-se a interacção que desenvolve com o ambiente envolvente. Como é que o ambiente, ou as circunstâncias, podem explicar a existência de génios, muitas vezes com irmãos perfeitamente vulgares, e todos eles vivendo a infância e adolescência no mesmo ambiente físico e humano?

Realmente quão pobre e irrealista – os factos da natureza sensível assim o negam constantemente – é essa visão do mundo segundo a qual tudo provém da matéria; uma visão própria de avestruzes com a sua cabeça bem metida na areia. Avestruzes que hoje nos lembram essa poderosa inteligentsia lusitana que, com perseverança digna dos heróis homéricos, continua com a sua consciência bem entranhada na areia dos ideários fossilizados de positivismos e marxismos, a maior parte das vezes subtilmente encapotados. Ficámos perplexos ao ouvir um escritor consagrado afirmar que se tinha de renovar o marxismo, para que este fizesse face às inquietações espirituais(?!) das pessoas.

Ora o que hoje se constata é uma rejeição generalizada das ideologias materialistas e castradoras das vivências espirituais.

É esta rejeição natural que as elites da União Europeia não compreendem e, por isso, continuam a construir uma estrutura sovietizante da Europa, portanto anti-natural, o que explica o seu afastamento do coração dos povos.

A antiga Europa de Leste liberalizou-se e a Europa Ocidental está a sovietizar-se – repare-se na planificação central. Aqui temos um exemplo da dinâmica da história, da acção do seu pêndulo. Tal teria de acontecer, dado que o capitalismo e o comunismo são as duas faces da ‘moeda’ que é o materialismo. Uma face não pode existir sem a outra, e por isso, desde 1989, o capitalismo entrou em decadência acelerada.

Analisaremos daqui a pouco o ‘fenómeno 1989’. Entretanto, continuamos com Spengler e a sua percepção do ciclo de vida das culturas humanas:

«Cada cultura percorre fases de envelhecimento iguais às da vida do indivíduo. Todas elas têm sua infância, sua adolescência, sua virilidade e sua velhice.»(8)

«Uma cultura nasce no momento em que uma grande alma despertar do seu estado primitivo e se surpreender do eterno infantilismo humano; quando uma forma surgir a partir do informe; quando algo limitado, transitório, se originar no ilimitado, contínuo. Floresce então no solo de uma paisagem perfeitamente restrita, ao qual se apega, qual planta. Uma cultura morre, quando essa alma tiver realizado a soma das suas possibilidades, sob a forma de povos, línguas, dogmas, artes, Estados, ciências, e em seguida retorna à espiritualidade primordial.

Mas a sua existência viva, aquela série de grandes épocas, cujos rígidos contornos designam o possível arremate, é uma luta íntima, profunda, passional, com o objectivo de afirmar a ideia contra as forças do caos, no exterior, e contra o inconsciente, no interior, para onde elas se retiram agastadas. Não somente o artista luta contra a resistência da matéria e o aniquilamento da ideia. Todas as culturas encontram-se numa relação simbólica, quase mística, à extensão, ao espaço, dentro do qual e por meio do qual tencionam realizar-se. Alcançando o destino, realizando a ideia, a totalidade das múltiplas possibilidades intrínsecas, com a sua projecção para fora, fossiliza-se repentinamente a cultura.
(...)

Este é o sentido de todas as decadências na História, da conclusão íntima e externa, do acabamento que, inevitavelmente, aguarda qualquer cultura viva. A que mais nitidamente se nos depara, quanto aos seus contor­nos, é a decadência da Antiguidade. Mas já podemos perceber com absoluta clareza, tanto dentro de nós como ao nosso redor, os primeiros sinais de um acontecimento perfeitamente semelhante no que se refere à sua duração e ao seu transcurso, e que ocorrerá nos séculos iniciais do próximo milénio. Trata-se da nossa própria decadência, da decadência do Ocidente.»(9)

Recordamos que Spengler escreveu esta obra essencialmente durante a segunda década do século XX. Em 1931, publicaria O Homem e a Técnica, onde coloca uma série de questões pertinentes que, no geral, continuam perfeitamente actuais.

A concepção de um tempo histórico linear é recente – tendo em conta a antiguidade da humanidade – e, a nosso ver, tem raízes tanto no judaísmo como na filosofia grega de índole aristotélica. António Quadros assevera com justeza: «Com o judeo-cristianismo confirma-se a refutação de Aristóteles. Não apenas a filosofia mas também toda uma civilização abandonam a antiga concepção do tempo mítico. Eis o que não escapa ao próprio Eliade, que escreve: «Para o judaísmo, o tempo tem um começo e terá um fim. A ideia do tempo cíclico é ultrapassada.

Jeová não se manifesta já no seu tempo cósmico (como os deuses das outras religiões), mas num tempo histórico, que é irreversível.» O cristianismo depressa irá desenvolver a valorização do tempo histórico e amítico.»(10)

Neste contexto, tem razão de ser a seguinte reflexão do escritor António Lobo Antunes: «(...) o marxismo não é mais do que uma heresia do judaísmo, tal como a psicanálise. Não é por acaso que Marx e Freud são judeus, como é evidente. O marxismo é uma religião em que o paraíso já está prometido à partida, não existe nenhuma diferença entre isso e a mais reaccionária das igrejas.»(11) Podemos relacionar o tempo mítico ou sagrado com uma ‘visão cíclica’ da história e o tempo histórico ou profano com uma ‘visão linear’ da sequência dos acontecimentos.

Na visão linear pode existir um fim do mundo ou um paraíso interminável (seja este na terra ou no céu); na visão cíclica aceita-se que o fim do mundo seja, afinal, o fim de um mundo, aceita-se que o fim de uma civilização não seja o fim da humanidade, mas somente um passo mais na peregrinação do espírito humano.

Houve culturas pré-colombianas que previram o seu fim e destruíram ritualmente os seus templos, o que também parece ter acontecido com o menir de Locmariaquer. Deixá­mos de viver o tempo sagrado – que constitui uma rotura com o tempo histórico – e perdemos a serenidade espiritual que ele proporciona. Na visão cíclica, os milenarismos não têm sentido. O tempo linear, por seu lado, é profundamente redutor, como Spengler bem compreendeu: «Com a falta de imaginação que sempre caracterizou o materialismo de todas as civilizações, projectou-se uma imagem do futuro, um estádio derradeiro e permanente da Humanidade, um Paraíso terrestre [onde viveríamos no ano 2000], concebido na base das tendências da evolução técnica dos fins do século XIX.

E nem se atentou que tal projecção era contraditória com o conceito de progresso, que exclui da sua compreensão qualquer situação estática...
(...). Não mais as guerras, as distinções rácicas, as diferenças entre povos, Estados, religiões; não mais os criminosos ou aventureiros, nem os conflitos advenientes da superioridade de uns ou da diferença de outros, nem o ódio ou a vingança; somente um interminável conforto até à consumação dos séculos.

Tais trivialidades não deixam de nos lembrar (...) a repelente presença do tédio vital – taedium vitae – da Roma Imperial, que se insi­nua nas al­mas pela simples leitura dessas bagatelas idílicas cuja realização, ainda que parcial, na vida quotidiana, levaria inevitavelmente ao assassínio e ao suicídio colectivo.»(12)

Reflicta-se sobre o poder das ‘formas mentais’, quando estas adquirem vida – para o bem e para o mal.

Nas civilizações antigas, e nomeadamente no antigo Egip­to, as iniciações religiosas eram compostas por duas fases:

– A iniciação no tempo: ligada ao ciclo e à renovação da Natureza.

– A iniciação no espaço: ligada à verticalização da consciência.(13)

Os celtas deveriam ter o mesmo modelo arcaico. Helios Jaime, investigador do C.E.R.C da Sorbonne, expôs na sua comunicação científica (na Universidade da Bretanha Ocidental – em 1997) Visão celta do mundo e as literaturas hispânicas, a concepção celta do tempo e do espaço.

Concepção celta do tempo: «Segundo a visão do mundo dos Celtas, o tempo não constitui uma mera sucessão em que o passado, o presente e o futuro são unidades independentes umas das outras. Com efeito, os diferentes momentos que compõem o tempo são apreendidos como uma relação de contiguidade. Deste modo, o passado pode ser visto como presente ou, o que ainda é mais interessante, o passado e o presente podem ser tempos coincidentes. Esta simultaneidade do passado e do presente pode ser ilustrada pelo esquema da espiral:

Graças ao movimento rotatório da espiral, num dado momento, o passado A e o presente B encontram-se num eixo de simultaneidade. É por isso que a dimensão cronológica é superada por uma visão recreativa do tempo.»

Concepção celta do espaço: «Entre os Celtas, o espaço não se limita a ser uma magnitude, ou seja, um lugar circunscrito por pa­râmetros, mas ganha uma dimensão existencial. Este espaço existencial está em relação com a percepção que se pode ter dele. Com efeito, o que é importante não são os dados mensuráveis, mas o modo como o espaço pode ser apreendido. O mar, por exemplo, não é visto como uma extensão de água salgada, mas como o espaço que permite fazer comunicar este mundo com o além, o Sidh.»

Infelizmente, este estudo de Helios Jaime não incluiu a literatura portuguesa, onde existem obras impregnadas desta mentalidade celta. Por outro lado, esta visão do mundo está perfeitamente subjacente à mentalidade arcaica do povo português e é testemunhada por muitas das suas lendas e tradições e pela sua sensibilidade para com os lugares sagrados da Natureza.

Bem longe desta cosmização do espaço e da integração consciente nos ritmos cíclicos da Natureza, está o homem light das sociedades modernas.

Pensava-se que em 1989, com a queda do muro de Berlim, se entraria num caminho de maior felicidade, mas o que aconteceu foi, pura e simplesmente, o fim das certezas que cimentavam o modus vivendi do ho­mem ocidental. Como bem sublinhou Alain Minc(14), as elites que nos governam, de espírito cartesiano, desarmadas perante a irrupção de uma revolução de mentalidades – que inclui uma nova procura do sagrado –, não souberam encontrar a ‘ideia’ para refundar o mundo pós-comunista e isto representa, de facto, um grande drama. Ignacio Ramonet, director do Le Monde Diplomatique, tem sido um observador ar­guto da degenerescência da civilização, embora esteja demasiado colado a formas marxizantes, pois ao falar do reacender da su­perstição e do fanatismo religioso não entendeu as suas causas profundas. O antropólogo Fernand Schwarz colocou o dedo na ferida:

«A dimensão espiritual – já se admite – é constitutiva do ser humano e irredutível. Mas esta dimensão deve integrar-se adequadamente na vida do homem. Pois, caso contrário, se não for canalizada, ou é negada ou aparece sob formas patológicas. A proliferação de seitas, o fundamentalismo, são exemplos da incompetência em tratar do sagrado e em utilizar esta função renovadora para a alma humana. A nova antropologia, através do estudo das sociedades tradicionais, fez-nos tomar consciência de que era fundamental considerar as funções psíquicas que constituem os mitos, os ritos e os símbolos para compreender as nossas sociedades contemporâneas e como as suas irregularidades podem perturbar os comportamentos sociais.»(15)

Esta incompetência em tratar do sagrado e em utilizar esta função renovadora para a alma humana é uma consequência da catástrofe meta­física do Ocidente, designação do orientalista Henry Corbin.

A primeira ruptura grave surge no século XIII pois, como Gilbert Durand sustenta, foi «o repúdio progressivo pela escolástica peripatética [aristotélica] e averroísta da anamnésia platónica de Escoto Erígena e de Dionísio, o Aeropagita, que marca bem o que Henry Corbin chamou de catástrofe metafísica do Ocidente».(16) Mas esta ‘catástrofe’ teve mais duas etapas decisivas, o cartesianismo e o positivismo. Este processo de dessacralização do Ocidente levou à hipervalorização da razão, gerando todo o tipo de patologias que esse excesso acarreta.

«O homem é ao mesmo tempo sapiens e demens, racional e intuitivo, poeta e cientista. Vive num vaivém constante entre consciente e inconsciente. Escolher de forma exclusiva um destes elementos leva-o a um comportamento que o priva da sua humanidade e aproxima-o do comportamento animal com os seus corolários de violência, paixão, cegueira, barbárie. A sua humanidade reside precisamente na capacidade que tem em manejar esse paradoxo, essa ambiguidade natural. A dimensão espiritual e as suas funções, que a Modernidade relegou para a categoria de infantilismos, sem efeito nos comportamentos individuais e sociais, voltam a despertar interesse: os mitos, que se referem simultaneamente a várias dimensões da existência; os ritos e os símbolos, com a sua capacidade de conter vários significados ao mesmo tempo, são os instrumentos que ajudam a manejar a contradição, superando-a.»(17)

Este constitui um dos factores que nos consciencializam do valor inestimável das tradições com carácter mítico, que ainda incluem o ciclo anual português e que são protagonizadas espontaneamente pelas populações apesar de, em muitos casos, a ausência – quando não mesmo censura – de incentivos das autoridades do poder político ou religioso ser um facto incontestável.

Estamos numa charneira do tempo. O físico Fritoj Capra, inspirando-se no I Ching chinês, apelidou esta curva histórica de ponto de mutação(18). Neste período de mudança, as culturas submergentes e as emergentes são contemporâneas, mas vivem, de certo modo, em mundos paralelos. Assim, não nos deve surpreender que, no geral, os poderes instituídos, sejam eles políticos, religiosos ou até académicos, vivam desfasados no tempo e sem compreenderem as formas culturais nascentes.

Embora com o entusiasmo próprio de uma alma poética e pioneira, Teixeira de Pascoaes entendeu esta dinâmica do ‘ponto de mutação’: «Felizmente, o renascimento religioso é inegável. Encontra-se bem claro, não só na obra de Eduard Schurée, como nas obras dos modernos filósofos, William James, Steiner, Bergson, Boutroux, etc. e ainda no progresso das várias sociedades esotéricas espalhadas pelo mundo.

Estas sociedades são também um dos sinais dos tempos. Correspondem, nos dias de hoje, às antigas associações filosóficas e religiosas da Palestina e do Norte de África, entre as quais se contava a dos essénios, de onde saiu Jesus Cristo.

E, na verdade, este período histórico é bem semelhante ao período da decadência de Roma.

Dum lado, as classes superiores, egoístas, cépticas, esterilizadas como a terra onde existiram os grandes focos de civilização. Pierre Loti nota que as localidades dos antigos centros populosos se transformaram em locais desertos. (...) Dum lado, esta gente esgotada, mumificada em formas de ser já mor­tas, colorindo a lividez cadavérica da alma com frios sorrisos de ironia...

Do outro lado, a alma dos Povos, ébria de seiva, rumorejando novas criações espirituais que apenas afloram, no vago, no indeciso, em que surgem as madrugadas. Estamos à beira de uma nova Era.»(19)

Uma das características que distingue o esoterismo filosófico, que nós propomos, do esoterismo-ficção e do esoterismo-revelação é a aceitação do método científico nas áreas onde seja possível aplicá-lo, e a necessidade de veri­ficar, de algum modo, a realidade das ideias pelo es­tudo e pela experiência – tendo como pano de fundo as leis de analogia. Constitui essencialmente uma atitude de humildade, aberta a acei­tar o erro, o que é uma grande vantagem para a evolução do pensa­men­to com a consequente eliminição de erros e, não menos importante, constitui um exercício espiritual de confrontação com o conservadorismo atávico do ego inferior.

Vem-nos à memória a velha máxima do filósofo e esoterista Francis Bacon: «Na contemplação das coisas, se o homem principia com certezas terminará na dúvida; mas, se ele se contenta em principiar com dúvidas, terminará na certeza.» Assim, e já assinalados os conceitos filosóficos, a nosso ver imprescindíveis para compreender em profundidade o nosso tempo, passaremos a assinalar algumas características próprias de um período medieval e a sua manifestação – em potência ou já em acto – no tempo actual, incentivando o leitor a efectuar as suas próprias observações e reflexões sobre a época em que vivemos.

Recordamos que, para além da Idade Média ocidental, compreendida en­tre os séculos V e XV, a história da humanidade es­tá preenchida de idades médias (muitas vezes menos longas do que a citada) como, por exemplo, aquela que sucedeu à dinastia Han da China, ou os chamados períodos intermédios dos vários impérios do antigo Egipto. Também não podemos deixar de salientar que, para além de não sermos catastrofistas, acreditamos profundamente no ser humano, que, com a sua força espiritual e o sentimento reminiscente daquela harmonia oculta que rege o universo – podemos chamar-lhe Deus – conseguirá ultrapassar este momento histórico difícil como, aliás, tem feito desde há muitos milhares de anos, superando situações ainda mais trágicas.

Queremos também deixar bem claro que consideramos a tecnologia uma grande conquista do homem que deve ser preservada. Outra questão é a sua utilização excessiva, «fáustica», desequilibrada e sem o mínimo respeito pela qualidade de vida dos ecossistemas humanos e naturais.

O poder é exercido mais pela força do que pelo direito. Acresce o esvaziamento do poder central e a emergência de todo o tipo de feudos. O estado, como uma pólis viva, um organismo unitário, começa a desmembrar-se paulatinamente. As multinacionais de hoje lembram o poderio dos senhores feudais perante os quais os reis tinham muito pouco ascendente.

E quando, hodiernamente, constatamos que os políticos (mais subservientes a uma ética mercantil do que a uma ética do guerreiro e da honra) e as suas máquinas partidárias estão reféns das grandes multinacionais, que se vão apoderando de todos os interesses estratégicos (banca, comunicações, media, água, electricidade, etc.) das nações, é fácil de prever para onde se encaminha o poder fáctico: isto é, para uma série de homens sem rosto, que domina a alta finança. Jürgen Roth, um dos mais prestigiados jornalistas de investigação da Alemanha, demonstrou num trabalho(20) aturado de pesquisa como os estados do Ocidente colaboram com as máfias do narcotráfico, facto que ficou bem claro com o escândalo do BCCN.

Porque é que no hemisfério sul a maior parte da população vive em condições de extrema pobreza, mas nunca aí faltam armas de fabrico ocidental? Como se justifica que certos países encetem campanhas esmagadoras contra o tabaco mas não contra o uso de armas que, naturalmente, matam mais?

    «Reféns de interesses inconfessáveis»: talvez seja esta uma das mais perturbantes realidades que justificam o estado de espírito da classe política da actualidade, à qual falta imaginação criadora. Dizia, e bem, um prestigiado economista português: é preferível ter ‘ideias sem poder’ do que ‘poder sem ideias’.

Os sistemas falham. O caos sócio-económico que aconteceu há anos na Argentina não será, infelizmente, um facto isolado.

    Ao adoptar-se uma visão do mundo tão ‘racional’ e ‘científica’, excluindo as ‘fantasias’ próprias do homem acientífico – e portanto ‘reaccionário’, com uma mentalidade ‘pré-científica’, ‘supersticiosa’, ‘atrasada’, etc – criou-se uma máquina tremenda e profundamente desumana. O excesso de razão ori­ginou, como teria de acontecer inevitavelmente, a irrupção de irracionalidades, desde as patologias do sagrado à subida em flecha da criminalidade amoral – o amoral não tem cons­ciência do plano moral, enquanto o imoral não é completamente destituído dessa consciência –, sem esquecer a inconsciência criminosa no plano ecológico. George W. Bush, presidente do país que mais polui o planeta, tendo conhecimento dos grandes problemas ecológicos, como os perigos do efeito-estufa, rejeitou o protocolo de Quioto e não se coibiu de afirmar que nada faria para mudar o sistema abençoado de vida (sic) dos americanos, que é gastar muita energia. Passou-se de uma linguagem racional para um discurso pseudo-religioso à maneira medieval.

A racionalidade moderna seguiu a máxima de Keynes, segundo a qual não há que pensar a longo prazo, pois aí estaremos todos mortos, sentença que a nível ecológico é completamente irracional. O actual sistema económico é tão perfeito que não dá qualquer valorização à montante, ou seja, aos recursos naturais. Richard Duncan, presidente do Institute on Energy and Man, sediado em Seattle, publicou, em 2001, um artigo ­na revista Population and Environment(21), onde aponta para a inevitabilidade de uma au­têntica epidemia de apagões a partir de 2012.

O seu estudo foi efectuado tendo em conta o crescente uso da electricidade e o facto das fontes primárias, como o petróleo, não serem infinitas, sendo ainda hoje usadas para gerar 42% da electricidade utilizada no mundo. «Não há substituto para a energia eléctrica no quadro desta civilização industrial e consumista. Por isso, os ‘apagões’ serão uma bala dirigida directamente ao coração deste sistema», refere Duncan com base nos gráficos e cálculos que realizou.

Mas é evidente que continuamos todos – ou quase todos – muito satisfeitos, anestesiados, como se nada se passasse porque, pensando bem e sendo ‘racional’, o homem há-de criar novas formas de produ­ção de energia, e assim continuará o abençoado ‘progresso interminável’. Roberto Vacca, talvez mais realista, previu a iminência do desmoronamento da civilização actual, tese que Umberto Eco exemplificou desta forma no seu trabalho intitulado A Idade Média Já Começou(22):

«Um dia, nos Estados Unidos, a coincidência entre um obstáculo à passagem na estrada nacional e uma paralisação do tráfego ferroviário impedirá que pessoas importantes cheguem a um grande aeroporto. Os intervenientes, sem o revelar, vencidos pela tensão natural, provocam a colisão de dois aviões, que, consequentemente, se precipitam sobre um cabo de alta tensão cuja car­ga, repartida por outras linhas já sobrecarregadas, provoca um apagão como aquele que já sucedeu em Nova York há uns anos. Mas desta vez é mais grave e dura vários dias. Como neva e as ruas permanecem bloqueadas, os automóveis originam desordens monstruosas; os empregados de oficinas fazem fogueiras para se aquecerem e são declarados incêndios que os bombeiros não podem extinguir por não conseguirem chegar até ao local. A rede telefónica permanece sobrecarregada devido ao impacto causado por cinquenta milhões de indivíduos isolados que tentam comunicar-se telefonicamente. Iniciam-se marchas pelas ruas cobertas de neve e repletas de mortos.

    (...) Algumas semanas depois, quando se tiver restabelecido arduamente a normalidade, milhões de cadáveres, dispersos pelo campo e pela cidade, começarão a difundir epidemias e a suscitar calamidades de proporções semelhantes às da pes­te negra (...). A vida política, sujeita a uma crise total, subdividir-se-á numa série de subsistemas autónomos ou independentes do poder central, com milícias mercenárias e uma administração autónoma da justiça. Enquanto durar a crise, os habitantes das zonas subdesenvolvidas, já preparados para subsistir em condições de vida e de conflito elementares, serão aqueles que mais facilmente a conseguirão superar. Terão lugar consideráveis migrações com fusões e amálgamas raciais, importações e expansões de ideologias. Ao declinar a força das leis, e permanecendo os cadastros destruídos, o direito à propriedade fundamentar-se-á no direito à usurpação; para além disso, a célere decadência terá reduzido as cidades a um conjunto de ruínas intervaladas por casas habitáveis e habitadas por quem delas se apodere, enquanto pequenas autoridades locais poderão conservar um certo poder, construindo recintos e pequenas fortificações. Nesse momento, a estrutura será já completamente feudal: as alianças em nome do compromisso e não da lei; as relações individuais baseadas na agressão; no âmbito da aliança por amizade ou por interesses comuns renascerão costumes elementares de hospitalidade para com o viajante. Perante essa perspectiva, diz-nos Vacca, não resta outro remédio senão o de começar a pensar em planificar instituições equivalentes às comunidades monásticas que, no meio de uma tão grande decadência, se apliquem na sobrevivência e na transmissão dos conhecimentos técnicos e científicos úteis para o advento de um novo renascimento.»(23)

    Poderá ao leitor parecer excessiva a tese de Vacca divulgada por Eco. Mas o facto é que, tendo em conta a persistência da actual irresponsabilidade po­lí­tica evidenciada mais uma vez na Cimeira da Terra realizada em Joanesburgo, neste ano de 2002, até o próprio editorial de um semanário como o Expresso já faz advertências nesse sentido: «As novas gerações, sendo em teoria amigas do ambiente, comportam-se na realidade como terríveis predadoras.

    A salvação do Planeta exigiria uma atitude nova.

    Uma atitude de contenção, de poupança, de renúncia, um certo espírito ascético.

    Mas a grande parte dos jovens mostra hoje uma tremenda voragem consumista, revela uma sensibilidade aguda em relação à moda, é ávida de objectos, permeável à propaganda.

Cultiva a ilusão de que a felicidade se conquista através da posse de cada vez mais bens materiais.

Assim, caminharemos alegremente para o abismo.

Quando, num horizonte que não sabemos qual é mas que está sempre mais próximo, o homem vir no horizonte a tragédia, assustar-se-á.

Mas aí já será tarde para a evitar.» (Exp., 7.09.2002)

– Um sentimento geral de insegurança. A sociedade ocidental está construída so­bre uma engrenagem tão complexa mas ao mesmo tempo tão frágil, que pode desabar a qualquer momento. Isto gera um sentimento de insegurança que, fortalecido pelo aumento real da delinquência – em França passou-se de 500 000 crimes e delitos em 1960 para mais de 16 milhões em 1999(24) –, resulta na criação de novas fortalezas, das quais os condomínios fechados são um exemplo paradigmático. Vale a pena citar a análise do sociólogo António Barreto sobre este fenómeno:

«A moda dos condomínios fechados pegou. (...) Pode não parecer, mas são já alguns milhões as pessoas que vivem nestas condições. Todo o ano, não só em férias. (...) Em Portugal há poucos mas aumentam rapidamente. Em Espanha há centenas. Alguns têm milhares de hectares. Quando, um dia me perdi na estrada, em plena Castela-a-Velha, entrei num, por acaso. Demorei duas horas a sair. Em Inglaterra, nos Estados Unidos, no Brasil e na Argentina são aos milhares. Um dos últimos a ser inaugurado, na Áfri­ca do Sul, é uma verdadeira cidade, que inclui ‘country clubs’, herdades, coutadas de caça, casinos, lei própria, polícias, jornais, etc. Não faltam os guarda-costas, correios privados, mordomos e criados minuciosamente seleccionados. Um pequeno mas verdadeiro exército assegura o sono dos notáveis. O Chairman de tal cidade, reciclado na era de Mandela, afirmou: «A cor da pele dos residentes não me interessa. Só quero saber das suas contas bancárias e da cor de platina do cartão de crédito».» (Público, 21.11.99) Atente-se neste sinal de decadência profunda, em que o estatuto social é avaliado não pelas qualidades e pela ética do indivíduo mas pela relevância crescente dada à cor do cartão de crédito, ao local onde se vive, às pessoas com quem se convive, etc.: a forma sobrepõe-se ao conteúdo.

    No mesmo artigo, Barreto descortina com argúcia o estado de feudalização psicológica em que vivem os actuais políticos: «Há muitos que, sem parecer, vi­vem assim. Os políticos, por exemplo. A política é cada vez mais um condomínio fechado. As regras de vida e de acesso, os códigos de conduta, a insegurança, a auto-suficiência dos residentes, a selecção de pessoal, os guarda-costas, as medidas de segurança, os meios de transporte, as ligações endogâmicas, a linguagem, as normas de cortesia e os tiques de vestuário são os de um condomínio. Na Ajuda, por exemplo, empossados e cortesãos exibem verdadeiros uniformes. (...) Veja-se como se deslocam os políticos dentro das cidades: parecem coelhos perseguidos, escondidos no fundo dos carros blindados; afastam, manu militari, os passantes; têm cada vez mais, regras de vida próprias, geralmente de privilégio. Nas campanhas eleitorais, já não vêem cidadãos, contactam eleitores. Sem os ver. No resto do ano, transformam os eleitores em espectadores. (...) Vivem à distância. Porque governam à distância.» Este fosso entre os políticos e a realidade concreta das populações é outro sinal de crise, de falta de liderança, pois esta só pode emer­gir através do exemplo humano dos líderes. A esmagadora maioria dos (pseudo) líderes políticos da actualidade não compreende que a função política tem um carácter eminentemente pedagógico: só se governa com propriedade, dando o exemplo. Os teóricos da gestão mostram sabê-lo perfeitamente, quando distiguem o conceito de bom gestor (aquele que gere enquadrado no que é conhecido e está estabelecido) do conceito de bom líder (aquele que dá o exemplo humano, motiva equipas, abre novos caminhos).

    Por outro lado, talvez este ambiente de insegurança crescente tenha um sentido esotérico de ‘forçar’ os seres humanos – os que conseguem ultrapassar a cobardia psicológica – a redescobrirem a fonte espiritual que os fortalece interiormente. Como disse Fernand Schwarz . «O que constituiu a fonte de segurança para o ser humano não foi a força armada, nem a espessura das muralhas, mas esse sentimento de união com algo que está para além de si mesmo, a abertura para um mundo desconhecido com o qual se estabelece uma relação.»(25) Trata-se de cosmizar o espaço – verticalizar a consciência e integrar os ritmos da Natureza, integrar o tempo cósmico.

 

Representação esquemática das culturas nascentes e declinantes no actual processo de transformação cultural, segundo Fritjot Capra.

 

 – O regresso ao campo e às alegrias simples da vida. Este regresso ao campo também aconteceu no período de declínio do império romano. Em poucos séculos, a população de Roma passou de um milhão para trinta mil habitantes. É evidente que temos de voltar a uma vida com maior simplicidade. O excesso de artificialidade a que estamos sujeitos está a causar, em algumas camadas da população, uma reacção pós-moderna em prol do artesanato, do telúrico, do natural, do cálido, das coisas simples da vida como, por exemplo, comer uma laranja que saiba a laranja. E de que valem todos os novos brinquedos tecnológicos se não soubermos, ou não tivermos tempo nem disponibilidade psíquica para cultivar a amizade?

Uma feudalização geral da sociedade, ou efeito de atomização. Perdendo-se a ideia unitária da nação como organismo, o instinto de sobrevivência dos seus órgãos leva-os a lutar cada um por si. Daí as ‘tribos’ profissionais, a for­ça dos lóbis de interesses, a etnização, o regionalismo, etc. Um outro fenómeno é a feudalização subtil. Geram-se feudos que não comunicam entre si e novas formas de racismo. Podemos encontrar um sacerdote que ainda vive psicologicamente na antiga Idade Média, um cientista no tempo de Au­gust Comte, um político nos anos 60, etc. Quer dizer, vivem no tempo físico do início do século XXI, mas cada um no seu feudo de tempo psicológico: vivem em mundos paralelos.

Conflito de civilizações, que recorda inevitavelmente o confronto entre a Cristandade medieval e o Islão.

    Concordamos com Paulo Vallada: «A Aldeia Global é uma expressão que procura significar o sistema industrial moderno, comum a to­dos os países do mundo. (...) Porém, se a comunicação é global, existindo até um elo de ligação que é a língua inglesa, os centros de reflexão correspondentes às tradições dos povos são completamente diferentes. Em termos socioculturais, estamos numa nova Idade Média. Não se constata que o espírito humano tem outra dimensão e não pode ser limitado a um sistema industrial.»(26) O homem ocidental e racionalista, na sua visão superficial da natureza humana, tem necessitado de muito tempo para perceber que as outras culturas contemporâneas vivem sob uma forma mental que desperta interesses e necessidades psicológicas muito diferentes das suas. É como se o conforto material e a tecnologia fossem tudo para todos os povos, e as diferentes civilizações não tivessem o seu carácter específico.

    O Instituto Olin de Estudos Estratégicos da Universidade de Harvard deu a conhecer em 1993 – oito anos antes do 11 de Setembro – e através da revista Foreign Affairs, um ensaio que premonizava o conflito de civilizações. Segundo este estudo, depois do Fim da História sentenciado por Francis Fukuyama, ou seja, terminado o confronto entre o liberalismo e os regimes totalitários, o combate ideológico será substituído pelo conflito cultural. Num futuro próximo, a cultura e a religião pesarão mais no sentir dos povos do que a ideologia (talvez esteja aqui uma fonte de entendimento para certos fenómenos políticos que se passam actualmente na Europa). Este tipo de conflito surge numa sequência evolutiva dos últimos séculos. De conflitos entre reis, passou-se, a partir da Revolução Francesa, a conflitos entre estados-nação; na sequência da Revolução Russa surgem os conflitos ideológicos; e, com a queda do muro de Berlim e o subsequente esvaziamento ideológico do mundo ocidental surgirão, paulatinamente, com maior definição os conflitos entre civilizações, nomeadamente entre a ocidental e as outras, tais como a chinesa, a japonesa, a islâmica, a hindu, a eslavo-ortodoxa, a ibero-americana e a africana. Naturalmente que todas estas civilizações têm no seu interior inúmeros focos de conflito, assim como são crescentes as diversas formas de regionalismo, mas crescerá também a consciência de civilização e de pertença a uma cultura. Para que se evitem conflitos desnecessários, tem, primeiro que tudo, que se aceitar a existência dessas diferenças (o Ocidente ainda não percebeu que a sua influência se deu a um nível muito superficial) para que se possa, depois, estabelecer uma conduta de tolerância activa assente em princípios comuns. Não fomos preparados para compreender que esta Aldeia Global é composta por diferentes civilizações e não por uma única civilização global.

    O português, dada a sua cultura de tolerância e o seu carácter universalista, pode ter um papel importante na construção de pontes entre as diferentes civilizações. Como o religioso é uma faceta fundamental nesta nova era, o estudo comparado das religiões, do esoterismo filosófico e da antropologia do simbólico, será fundamental para que se possa criar um novo tipo de comunicação entre culturas, comunicação essa a que atribuímos a designação de diálogo simbólico. Só será possível estabelecer esse diálogo conhecendo-sentindo os diferentes imaginários e esoterismos subjacentes às diversas religiões, na certeza de que a este nível existem elementos profundos comuns a todas as formas de espiritualidade, sendo claro que todos os tipos de fundamentalismo constituem uma barreira praticamente intransponível para este género de diálogo.

    O diálogo simbólico é mais poético do que racional, mais imagético do que conceptual, mais esotérico do que formal. Talvez o Quinto Império em acção seja um tributo ao Homem universal, à centelha divina que habita em todo o ser humano.

    A consciência espiritual une, o apego à forma separa.

    A Europa, para chegar a este estado de consciência, tem de sofrer uma verdadeira anamnesis, uma reminiscência das suas raízes espirituais assentes em milénios de tradição. Actualmente está envelhecida, cansada, sobretudo materializada, e com uma necessidade absoluta de se voltar para si própria. É trágico, mas para subsistir terá de criar uma muralha à sua volta e fazer res­peitar o seu próprio estilo de vida e de cultura, da mesma forma que devemos respeitar o estilo de vida de um esquimó, de um árabe ou de um africano, nos seus espaços culturais – normalmente existe um grande desconhecimento antropológico ao tratar este assunto. Logo que o Velho Continente deixe de ser governado por homens-comerciantes e volte à ética do guerreiro-idealista – já Ortega y Gasset demonstrou na sua España Invertebrada que a ética do guerreiro é superior à ética subjacente ao espírito industrial –, poderá rejuvenescer e voltar a dar um contributo importante à história da humanidade.

A micro-glaciação. Javier Alvarado, na sua obra El Advenimiento de una Nueva Edad Media, admitindo uma ligação profunda entre a actividade humana e a Natureza, expõe a possibilidade de que as micro-glaciações tenham uma relação directa com os períodos medievais: «No nosso período histórico, ocorreram pequenas glaciações, também denominadas micro-glaciações, que apenas foram noticiadas ou assinaladas pela sua escassa importância. Uma delas foi a que acompanhou toda a Idade Média. A Idade Média, símbolo da quietude, do impasse nas investigações e nas relações humanas, do desaparecimento do saber e das formas arquétipas, desapareceria num período glaciar muito menos paradoxal. Talvez a activi­dade humana não esteja tão desligada da Natureza, quan­do ela mes­ma se transforma num tétrico manto branco para fazer lógica companhia à noite dos dez séculos.

    O contraste climatológico que se operou desde a Civilização Greco-Romana até à Idade Média pode ser apreciado inclusive na forma de vestir. Comparemos somente as leves túnicas clássicas com os sobrecarregados e faustosos aparatos medievais.

    A par com o Renascimento, surge, curiosamente, um período climático mais benigno. Contudo, de há alguns anos a esta parte, entrevê-se a possibilidade do advento de uma nova micro-glaciação. Mais uma vez, parece que o frio psicológico se mostra em consonância com o frio climatológico.»(27)

    Vinte anos depois de Javier Alvarado ter exposto esta tese, podemos afirmar que é perfeitamente plausível o futuro arrefecimento do planeta em consequência do efeito-estufa e graças a um ‘mecanismo de segurança’ da própria Terra. Os antigos sempre consideraram a Terra como um organismo vivo regido por uma divindade, e eis que agora surge um cientista, James Lovelock(28), que vem afirmar, com base num notável trabalho pluridisciplinar, que a Terra tem um sistema de auto-regulação tão perfeito como se de um ser vivo se tratasse.

    Para evitar as consequências trágicas do efeito-estufa, a humanidade teria de mudar profunda e rapidamente os seus hábitos de vida, o que parece pouco provável, dado que os progressos reais em termos ecológicos continuam a ser muito pouco satisfatórios – isto não quer dizer que devamos ficar expectantes face à actual loucura e inconsciência anti-ecológica. Entretanto, devido ao aquecimento global, o gelo já começou a derreter em várias zonas do planeta, nomeadamente no Árctico, e, em poucas décadas, o nível das águas, ao subir, aumentará o seu ‘espelho’ – que reflecte os raios solares – de uma forma que provocará – para além de terríveis inundações –, em concomitância com a formação de enormes e densas massas de nuvens, uma descida geral de temperatura. Depois, como um pêndulo, voltarão a formar-se novas massas de gelo e o nível das águas descerá.

– Naturalmente que existem muitos outros sintomas de características medievais, tais como o regresso do homem-nómada e das pestes, as novas migrações (estas têm uma relação com um dos maiores problemas do séculos XXI, já muito antes previsto por Malthus: a explosão demográfica), a irrupção da superstição e de charlatães de todo o tipo, e um estado geral de confusão mental bem alimentado diariamente pela era da informação. Numa pausa, precisamente ao escrevermos estas linhas, pudemos observar que o telejornal do canal português mais sereno constou, no essencial, de acidentes de viação, um atentado suicida, um lóbi a defender os interesses da sua ‘tribo’, incêndios e incendiários, etc. Porque é que praticamente não há espaço para incluir inúmeras acções criativas e positivas que se realizam todos os dias em Portugal, seja no campo das artes, da ciência, da educação, dos rituais e tradições, mostrando as inúmeras facetas de um povo e de uma cultura? Porque é que se ‘come’ quase tudo o que as agências de informação internacionais preparam? Visionando canais de vários países, verifica-se que os temas dos seus noticiários são muito semelhantes – pelo menos entre os países ocidentais. Isto acontecerá apenas devido aos critérios jornalísticos?

    Também não deixa de ser interessante observar o crescimento significativo de recriações medievais levadas a efeito todos os anos em diversas localidades do país.

O que se está a passar obedece a causas mais profundas do que é recorrente pensar e constitui o resultado de uma crise moral e espiritual e do esgotamento das ‘ideias’ que estiveram na base desta civilização ocidental. Mas crise significa mudança sendo, portanto, uma etapa absolutamente necessária para a comutação de arquétipos civilizacionais. Numa conferência pronunciada em Junho de 1991, Christiane Singer falou de modo inspirado no lado positivo das crises: «O pior, é ter tido a infelicidade de ter atra­vessado a vida sem naufrágios, é ter ficado à superfície das coisas, ter dançado no baile das sombras, ter patinhado no pântano do diz que diz, das aparências, e nunca ter sido precipitado numa outra di­mensão. As crises, na sociedade em que vivemos, são realmente o que ela tem de melhor – mesmo correndo o risco de nos projectarem, sem estarmos preparados para isso – para entrarmos na outra dimensão. Na nossa sociedade, toda a ambição, toda a concentração está em desviar a nossa atenção de tudo aquilo que é importante, criando-se um sistema de arame farpado, de proibições para não podermos ter acesso à nossa profundidade.

Trata-se de uma imensa conspiração, da mais gigantesca conspiração de uma civilização contra a alma, contra o espírito. Numa sociedade onde tudo está fechado, onde os caminhos para entrar na profundidade não são indicados, existe apenas a crise para podermos quebrar os muros à nossa volta. A crise serve de certo modo como ar­ma para arrombar as portas dessas fortalezas onde nos mantemos encarcerados, com todo o arsenal da nossa personalidade, tudo aquilo que pensamos ser.»

Com a iminência de uma nova Idade Média, as pequenas comunidades, quiçá até um pequeno país como Portugal, se não perderem a cultura que lhes é própria e, inclusive, revitalizarem as suas tradições de conteúdo espiritual e recriarem um novo (velho) espírito de convivência humana baseado na autenticidade, po­dem ter um papel importante não só na condução dos seus pró­prios destinos, como também na oferta de um contributo inestimável para que a humanidade ultrapasse com êxito esta charneira histórica. Trata-se de assumir uma postura de protagonismo oposta à do homem-espectador e expectante do mundo moderno.

O futuro pertence àqueles que preservarem as suas tradições, sem se deixarem submergir na voragem da aceleração dos tem­pos, ou seja, àqueles que se mantiverem no seu tempo histórico sem perderem a memória do passado e mantendo a prospectiva do futuro.

Finalizamos este subcapítulo citando, novamente, o texto latino do sé­culo I. d. C. – já nessa época se faziam sentir os sintomas da decadência romana – escrito por Juvenal e divulgado há já alguns anos por Louis Pauwels no Figaro Magazine.

«As pessoas moram em gaiolas para coelhos a preços exorbitantes. Já não se pode circular nas ruas. Quando penso em que é que Roma se tornou, fujo para longe. Os milhões que ganham os promotores.

Vindos dos quatro cantos do Mediterrâneo, ei-los que adquirem as melhores casas para delas se apoderarem.

Desprezam os nossos gostos e valores; o mau gosto torna-se sinónimo de requinte, o idiota passa por genial, cantores medíocres são vistos como estrelas. Já não há em Roma mais lugar para um bravo Romano. Na rua os estrangeiros agridem-nos. E, depois, ainda por cima são eles que te acusam e te levam a tribunal.

Onde estão os ritos antigos? A religião é publicamente vilipendiada. Quem teria ousado, outrora, fazer troça do culto dos deuses? Não nos devemos surpreender que a desonestidade seja geral. Já ninguém tem palavra, porque todos perderam a fé. Mesmo os crentes já não crêem na virtude. Outrora, um desonesto era algo incrível. E, agora, um tipo verdadeiramente íntegro é visto como um prodígio. Quanto aos jovens, é melhor nem falar. Onde já vai o tempo em que era visto como um sacrilégio um jovem não se levantar diante de um idoso? Em resumo, devoção, correcção, rectidão, palavra de honra, respeito, valor, civismo, património cultural, etc; tudo isso desapareceu.»

 

Paulo Alexandre Loução
Investigador e Escrito

 

(1) Fernand Schwarz, O Fim das Nossas Certezas, in revista Nova Acrópole, nº. 63, Porto, 1985.

(2) Mircea Eliade, Origens, Ed. 70, Lisboa, 1989, p. 140.

(3) Citado por António Carvalho, Uma Nova Idade Média?, publicado no D. N., 3.08.95.

(4) Ensaio de Autobiografia Espiritual, Idem.

(5) Oswald Spengler, A Decadência do Ocidente, Ed. New Face, Lisboa, 2000, p. 94. Su­bli­nha­do a negro é nosso.

(6) René Guénon, Carta a Vasile Lovinescu, Cairo, 16.12.1934.

(7) Op. cit., pp. 94-95.

(8) Ibidem, p. 97.

(9) Ibidem, pp. 96-97. Sublinhado é nosso.

(10) António Quadros, Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista, Lisboa, Gui­ma­rães Editores, 2001, p. 357. A citação da autoria de Mircea Eliade é da obra O Sagrado e o Profano.

(11) Diário de Notícias, 8.12.2001, suplemento DNa.

(12) Oswald Spengler, O Homem e a Técnica, Gui­ma­rães Editores, 1993, p. 38.

(13) Cf. Fernand Schwarz, Os Mistérios no Antigo Egipto, Ed. Nova Acrópole, p. 29.

(14) Cf. Alain Minc, A Nova Idade Média, Gallimard, 1993. Existe tradução portuguesa publicada pela Difel.

(15) Fernand Schwarz, O Fim das Nossas Certezas, in revista Nova Acrópole, nº. 63, Porto, 1985, p. 8.

(16) Gilbert Durand, La foi du cordonnier, Ed. Denöel, p. 23.

(17) Fernand Schwarz, op. cit., pp. 7-8.

(18) Cf. Fritoj Capra, O Ponto de Mutação, Cultrix, São Paulo, 1994. Fritoj Capra, doutor em ciências pela Universidade de Viena, ficou mundialmente conhecido pela sua obra O Tao da Fí­sica, edição portuguesa da Ed. Presença.

(19) Teixeira de Pascoaes, O Génio Português na sua expressão filosófica, poética e religiosa, conferên­cia proferida em 9.04.1913 no Ateneu Comercial do Porto. Está incluído na colectânea de tex­tos, A Saudade e o Saudosismo, org de Pinharanda Gomes, Assírio & Alvim, 1988, p. 93.

(20) Jürgen Roth, Mafias de Estado, Salvat, Espanha, 2001, p. 93. Ed. original, Schmutzize Hände, pe­la Bertelsmann, 2000.

(21) Vol. 22, nº. 5, 2001. Divulgado pelo Expresso de 28.07.2001.

(24) Inserido na obra La Nueva Edad Media, Alianza Editorial, Madrid, 1990. Título original: Documenti su il nuovo medioevo.

(22) Ibidem, pp. 10-11.

(23) Cf. Georges Fenech, Tolérance Zéro, Éditiones Grasset & Fasquelle, 2001.

(24) Op. cit., p. 9.

(25) Paulo Vallada, A Utopia Viável, Ésquilo, Lisboa, 2001, p. 19.

(26) Javier Alvarado, El Advenimento de Una Nueva Edad Media, Nueva Acro­po­lis, Madrid, 1980, p. 137.

(27) Cf. as suas obras Hipótese Gaia e Eras de Gaia, publicadas em Portugal pelas Pub. Europa-América.

(28) Op. cit., p. 76.

 

 

Pode Desenvolver mais a Temática deste Artigo sobre a Evolução Histórica, no Curso de Filosofia Prática

Veja o Programa do Curso e Increva-se Aqui

 

curso_filosofia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
  Nova Acrópole  
  imagem  
  CURSO FILOSOFIA PRÁTICA
A Sabedoria Viva das Antigas Civilizações
 
   
  Vide Programa do Curso  
 

  ACTIVIDADES n.a. EM PORTUGAL  
 

a

 
  Aveiro  
  Braga  
  Coimbra  
  Lisboa  
  Oeiras-Cascais  
  Porto  
   
  Notícias  
     

  NOVA ACRÓPOLE INTERNACIONAL  

  Anuários  
  Resoluções da Assembleia Geral  
     
  Perguntas Frequentes  
   
     
  Nova Acrópole Internacional  
     

SITES N.A. EM PORTUGAL

Porto
Coimbra
Aveiro
Braga
 

  outros cursos  

   
  Arte de Falar em Público  
  Cursos de Matemática e
Geometria Sagradas
 
  Florais de Bach  
  Outros Cursos  
     

  REVISTA ACRÓPOLE  

   
     

  NOVIDADES EDITORIAIS  

  TÍTULOS PUBLICADOS  
   
 

 
© Nova Acrópole 2009 | Optimizado para monitor 1024X800 | Mapa do site | Webmaster