Logo_NA_Verde_2013    
     
  a   a   a   a   a   a   a   a   a   a  
                             
 

Orfeu

 

Como se agitam no imenso universo, como se amontoam e se procuram essas inúmeras almas que brotam da grande Alma do mundo! Elas vão de um planeta a outro e choram no abismo da pátria perdida… São as tuas lágrimas, Dionísio!… Oh, Grande Espírito!... Oh, Libertador!.... Faz que as tuas filhas regressem para o teu Seio de Luz

Fragmento órfico


orfeuNum período indefinido – situado pela historiografia académica ao redor do séc. VIII a. C. e por certas tradições esotéricas no 3º milénio a. C. – aparece Orfeu, o cantor místico, filho, segundo a mitologia grega, da musa Calíope. Do mesmo modo que, antes, Zoroastro, Hermes Trismegisto e Vyasa, e depois, Buda e o próprio Cristo, Orfeu é considerado um avatar, quer dizer, uma «encarnação divina», um dos grandes mestres e renovadores da alma humana, à volta dos quais os discípulos edificam religiões inspiradas na mensagem destes filhos do Céu.
Diz a lenda que nasceu numa Grécia, na qual, tanto os grupos étnicos protogregos de origem atlante como as migrações asiáticas tinha sido destruídas e estavam em degradação chegando a um estado semi-selvagem. Era um tempo obscuro, caótico, de culto à força física e aos gênio inferiores da Natureza, um tempo sem moral, no qual a sedução sexual estava convertida no único impulso de vida. Como escreveu Jorge Angel Livraga:

«A feitiçaria e os cultos femininos impuseram-se paulatinamente e os últimos defensores da pureza e do altruísmo foram exterminados.

É neste quadro que aparece Orfeu, resplandecente de beleza física e moral, canalizando a energia da sabedoria e do verdadeiro amor. O misticismo era a sua característica e o amor sua radiante vestimenta.
Foi relacionado, miticamente, com Eurídice, a amada precipitada aos infernos do abismo. Tal como a Innana suméria e a Perséfone da Grécia clássica, era a representação da alma humana caída nas cavernas da matéria e dos esforços da consciência para unir-se misticamente a ela, resgatando-a para o mundo luminoso que lhe é natural. Orfeu, ao fim de mil peripécias, nas quais, como todo o Homem-Deus baixa por três vezes ao Submundo, morrendo no final despedaçado pelo povo que o rejeita. Logo, ascende ao céu onde aguarda pela divina Eurídice.

Misticamente, a sua mensagem chegou-nos de uma forma indirecta mas estranhamente poderosa, pois devido a uma espécie de ‘ensaio para o futuro’ – efectuado na Grécia antiga por quem impulsiona a evolução do Homem – que foi potenciado através das escolas artísticas e filosóficas que influenciaram a humanidade nos últimos cinco milénios, onde aconteceram mudanças fundamentais para a Humanidade. A, hoje denominada mitologia grega, na sua totalidade, não é mais do que um monte de ruínas da religião órfica.

Esta ensinou ao mundo que existia uma deidade trina: um Pai Celeste, uma Mão Celeste e um Filho de ambos, simbolizado pelo sol visível, e entre Eles e os humanos deu a conhecer uma imensa genealogia de deuses, semi-deuses e heróis. Na sua faceta esotérica, Orfeu foi o Grande Mestre, o fundador dos mistérios órficos, que como uma continuação mágica dos egípcios, ganharam em beleza e flexibilidade, ainda que jamais alcançando o conhecimento destes.

Os fiéis imaginaram o Mestre como um belíssimo jovem tocando a lira das sete cordas de ouro – símbolo do Espírito fazendo música com as suas sete vestimentas purificadas – emitindo música, imagem humana da Harmonia Universal Absoluta.»

Em Elêusis, célebre pelos seus mistérios, cantava-se este hino órfico, através do qual, podemos constatar a «consciência monoteísta» que todos os iniciados da Antiguidade possuíam: «Contempla a natureza divina, ilumina o teu entendimento, domina o coração, caminha pelas vias da justiça. Tem sempre perante a tua visão o Deus do Céu. Ele é o Único. Existe por si mesmo e todos os outros seres derivam d’Ele e por Ele estão sustidos. Nenhum mortal jamais o viu, mas Ele tudo vê.»

HINO ÓRFICO A ZEUS

Zeus foi o primeiro e o último, o princípio e o meio. D’Ele provêm todas as coisas. Zeus foi homem e virgem imortal. Zeus é chama de fogo, a fonte do mar. Zeus é o Sol e a Lua. Zeus é Rei. Ele, só, criou todas as coisas. É uma força, um deus, grande princípio de tudo. Um único corpo excelente que abraça todos os seres, fogo, água, terra, éter, noite, dia e Métis, a primeira criadora e o corpo sedutor. Todos estes seres estão contidos no imenso corpo de Zeus.

HINO ÓRFICO À NATUREZA

Natureza, mãe divina universal, de tantas formas mãe, celeste, venerável, espírito multicriador, rainha que indomada tudo dominas, tudo governas, brilhas em todo o lugar, omnipotente, venerada eternamente, divindade superior a todas, indestrutível, primogénita, antiquíssima… comum a todos, solitário e incomunicável, pai de ti própria sem pai, que com força varonil produzes tudo, tudo sabes, tudo ofertas, ama de leite e rainha de tudo, fecunda produtora de tudo quanto cresce, dissolvedora de tudo quanto madura, verdadeiro pai e mãe, ama de leite e sustentação de todas as coisas.

 

José Carlos Fernández
Director Nacional da Nova Acrópole


 

 

 

Voltar à página de Artigos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
  Nova Acrópole  
  imagem  
  CURSO FILOSOFIA PRÁTICA
A Sabedoria Viva das Antigas Civilizações
 
   
  Vide Programa do Curso  
 

  ACTIVIDADES n.a. EM PORTUGAL  
 

a

 
  Aveiro  
  Braga  
  Coimbra  
  Lisboa  
  Oeiras-Cascais  
  Porto  
   
  Notícias  
     

  NOVA ACRÓPOLE INTERNACIONAL  

  Anuários  
  Resoluções da Assembleia Geral  
     
  Perguntas Frequentes  
   
     
  Nova Acrópole Internacional  
     

SITES N.A. EM PORTUGAL

Porto
Coimbra
Aveiro
Braga
 

  outros cursos  

   
  Arte de Falar em Público  
  Cursos de Matemática e
Geometria Sagradas
 
  Florais de Bach  
  Outros Cursos  
     

  REVISTA ACRÓPOLE  

   
     

  NOVIDADES EDITORIAIS  

  TÍTULOS PUBLICADOS  
   
 

 
© Nova Acrópole 2009 | Optimizado para monitor 1024X800 | Mapa do site | Webmaster