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PÉRICLES e o Século de Ouro

 

PériclesVerdadeiramente, uma personagem extraordinária! Quanto a Péricles, a história não pôde chegar a acordo em relação a outra característica que não fosse a sua grandeza. É que o conceito de uma humanidade extraída após poucos milénios da eta­pa semi-bestial da barbárie, não chega para explicar estas florações sobre-humanas, nem entende as suas mensagens metafísicas, que ainda es­tão reservadas para a valorização de um futuro mais inteligente.


Há cerca de 2 480 anos nascia em Atenas um filho de Xantipo e de Argarista, a qual por sua vez descendia da famosa família dos Alcmeónidas. O seu mestre, Pitóclides, proporcionou-lhe uma educação fundamental e introduziu-o nos sagrados mistérios de Elêusis. Abandonou a vida física no mesmo ano em que a nas­ceu o divino Platão, herdou o génio da filosofia e da política, que é a manifestação da primeira na vertente social. Em tempos de tiranos, soube ser ditador; mas que o leitor não entenda esta palavra como a denominação quase injuriosa que se faz dos déspotas na actualidade, mas sim o conceito das épocas helenísticas em que recebia esse nome o homem superior que, tendo-se dominado a si próprio, ditava aos demais as normas harmónicas que tinham florescido na sua alma, para bem de todos. Combateu o partido governante e instituiu uma república aristocrática. Reformou os códigos políticos, instituindo um conselho de sete magistrados – nomofiláceos –, sábios iniciados nas criptas de Elêusis, encarregados de velar pelas leis e estabelecer a justiça e uma assembleia mais numerosa, de corte popular – tesmotetas – que acusava as necessidades do povo e propunha a revisão das leis inadequadas. Esta reforma, unida a detalhes de justiça social e clarividência organizativa, deram a Atenas o ceptro da Grécia e começaram a peregrinar para ela os sábios do mundo inteiro.


A sua vida de governante deslizou serenamente na maior simplicidade e recolhimento, pois era visto em público muito raramente e quando o fazia, à maneira dos antigos Reis-Iniciados, dirigia-se ao povo numa língua paternal e bela, sendo os seus discursos considerados como as páginas de ouro da oratória de todos os tempos e, ainda hoje, são modelos para as escolas contemporâneas. Os filósofos Anaxágoras, Protágoras e Zenão, eram os seus amigos preferidos e companheiros nos mistérios eleusinos; o músico-iniciado Damon e o grande Fídias frequentavam a sua casa constantemente. Ainda que hoje nos pareça mítico, todos estes e muitos outros faróis da humanidade viviam juntos e partilhavam os seus estudos, sob o olhar dos teurgistas órficos da Acrópole. Dessa união mística ainda hoje são testemunhas o Partenon e o Odeon, obras cume da arquitectura de todos os tempos. Por isso, ao seu século se denominou «de ouro»… mas, como tantas vezes, a intuição popular foi mais além da sua própria visão e registou uma realidade, que tão somente um esoterista pode compreender. E dizemos isto porque o estudioso corrente vive e investiga a casca das coisas e não tem grande preocupação relativamente aos últimos porquês nem ao que se esconde por trás daquilo que se mostra. O problema torna-se simples se lhe for dado o enfoque original, simples e carente de preconceitos, se, com inocência infantil, nos aproximamos ao enigma.


periclesEntão… Quem foi Péricles?... Matemáticos, escultores, músicos, filósofos, arquitectos, historiadores, médicos, astrónomos, marinheiros, militares, pintores, agricultores, armeiros, enfim, todos registaram as suas consultas a Péricles e a maneira como ele lhes ilustrava sobre os mesmo tópicos em que cada um deles, respectivamente, era erudito. Os sábios rodeavam-no. Elêusis honrava-se em o receber, o povo ovacionava-o enlouquecido de entusiasmo e os mármores, sob a sua direcção, converteram-se em maravilhas, cujas ruínas e pedaços, ainda nos arrancam lágrimas de recolhimento emocionado ou surpreendem-nos com as suas divinas proporções, extraídas do mesmo universo que nos rege. «Com Péricles, os Deuses desceram à terra», diziam os seus contemporâneos… e as tradições esotéricas confirmam o facto. Diz-se que, assim como nós criamos intimidade com os animais superiores e domésticos a fim de os dirigir, melhorar as suas espécies, integrá-los entre nós e acostumá-los à nossa companhia, amando-os e cuidando-os de uma forma amistosa, os que já passaram a etapa humana sendo deuses ou mahatmas, aproximam-se, em momentos excepcionais, de tal maneira aos humanos que concordam em dirigi-los publicamente e a compartilhar as suas baixas condições anímicas por um esforço de Amor e de desinteresse.


Segundo as tradições esotéricas, o «Século de Ouro» foi uma espécie de experiência dos Deuses, com o propósito de dar um tremendo impulso à civilização e projectar gloriosas possibilidades para um futuro em que a humanidade passe, definitivamente, dessa etapa passional, especulativa e egoísta para outra plena de generosidade e inteligência, onde a pureza e o desinteresse de espírito altruísta sejam valorizados na sua justa medida e onde a República de Platão não seja uma utopia mas sim uma realidade que torne felizes e enobreça a todos, dentro das suas particulares possibilidades de percepção.


Quando Péricles morria, acreditando que ele se encontrava inconsciente, os seus amigos começaram a elogiá-lo e a glorificar os seus trinta anos de governo, ele ouviu-os e respondeu-lhes: «O que elogiais na minha vida pertence, em parte, ao Destino e em parte a outros Chefes, a única coisa da qual estou orgulhoso é de que nenhum ateniense tenha vestido luto por minha culpa». Leitor… Quantos governantes puderam dizer e fazer o mesmo?

 

A ALMA DO OCIDENTE

Todos estamos de acordo em que a Grécia Clássica foi um ninho maravilhoso, onde a beleza e a filosofia emplumaram as suas asas e partiram para cobrir o hoje denominado mundo ocidental chegando as suas influências a lugares tão afastados como a Índia, devolvendo os resplandecentes tesouros intelectuais que o Budismo tinha vertido sobre a nascente Jónia. Do mesmo modo, é evidente a sua importância na formação organizativa e espiritual de Roma, que foi a portadora das sementes da democracia – bem entendida – a centenas de povos, sumidos outrora na barbárie, na superstição e na tirania irracional e sanguinária. O conceito arquitectónico grego ainda hoje nos rege; a sua música deu nascimento à nossa; a sua língua engendrou todos os idiomas europeus, herdeiros indirectos do sânscrito; a sua política é a nossa norma; a sua religião, o arquétipo desde onde se despenharam as crenças cristãs; o seu pensamento, a explicação real da nossa grandeza científica, de todo o nosso esplendor material. E, em todo esse foco de luz, refulge intensamente o «Século de Péricles».

 

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