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Princípios ideológicos do Autor do Príncipizinho

A visão humanista de Saint-Exupéry assume actualidade crescente. Destacamos aqui algumas máximas e fragmentos das suas obras e ensinamentos que sintetizam o seu pensamento (especialmente A Citadela) que podem iluminar hoje, melhor ainda que ontem, o panorama humano, dada a actual crise de valores, que ameaça extinguir a chama da civilitas e a dignidade humana. Agrupámo-los numa série de Princípios que ilustraram a sua obra e o seu exemplo de vida.



1-FOMENTAR A FRATERNIDADE ENTRE OS HOMENS, MEDIANTE O ESPÍRITO DE SERVIÇO

Porque nada se espera do homem que trabalha para a sua própria vida e não para a eternidade.
Porque nada há a esperar das coisas se não ressoam umas nas outras, única música para o coração.
Porque a verdadeira vida reside nas exigências e no fervor de trabalho. Não é feita de posse, mas de dádiva.
Porque a alegria é o calor dos actos e o prazer da criação.

Porque só são irmãos os homens que trabalham em conjunto. Porque só é fértil a grande colaboração de um através do outro.

Porque quanto mais rude é o trabalho em que nos consumimos em nome do amor, mais nos exaltamos. E quanto mais damos, mais crescemos. Apenas o que damos alimenta o coração.

Porque dar é estender uma ponte sobre o abismo da solidão.

Porque tudo se abre sobre algo mais vasto que une. Tudo se transforma em rota e janela sobre algo distinto de nós.

Porque a beleza existe apenas pela ressonância de cada parte em todos os outros.

Trabalho para unificar. Porque unificar é enodar melhor as diversidades particulares, não as excluindo em nome de uma ordem vã.


2-REVALORIZAR A IMAGINAÇÃO COMO PODER PARA ENTENDER E MELHORAR O MUNDO

Porque o essencial é invisível para os olhos e só se vê com o coração, como nos ensinou o Principezinho.
Imaginação que transborda o uso das palavras, que dá a conhecer aquilo que apenas pode ser expresso por símbolos.

 

3-GUERREAR CONTRA O MEDO, COMO MANIFESTAÇÃO GRITANTE DO EGOÍSMO. MEDO QUE PARALISA TODO O CRESCIMENTO, QUE IMPEDE TODA A ACÇÃO GENEROSA, QUE NOS CONVERTE EM MASSA INFORME E NOS EMBOTA A INTELIGÊNCIA. DESENVOLVER UMA FILOSOFIA DO RISCO COMO FUNDAMENTO DE UMA GENEROSA VALENTIA

Porque é no enfrentar das dificuldades que surge o guerreiro interior. É da criação que o homem extrai a alegria e o gosto poderoso pela aventura e pela vitória.


Porque se não nos empenharmos de corpo e espírito, nada terá sentido. Se não nos comprometermos não haverá aventura. Não temos direito de evitar um esforço senão em nome de outro esforço, pois devemos engrandecer-nos.

Porque a serenidade é o resultado da ascensão vencida, da Montanha dominada. Do repouso no céu.
Assim a vida converte-se numa luta, numa oração de fogo, numa dança que se dança para comover um Deus. Uma exaltação do orgulho interior que é existência e permanência.

Ah! Essa dança que casa com a vida. Ah! Esse trabalho que casa com o mundo, que faz com que cada um dos nossos passos seja ressonância, um hino à beleza, uma oração. Porque necessitamos de opositores para nos engradecermos e nos transformarmos para compreendê-los.

Porque precisamos do inimigo para dançar, pois que inimigo nos honrará com a dança da sua espada se ninguém habita em ti?

Necessitamos de uma filosofia que nos converta em sentinelas daquilo por que somos responsáveis.
“Sentinela, sentinela, não sei onde termina teu império quando Deus te dá a claridade de alma das sentinelas, essa visão sobre a imensidão a que tens direito”

Uma filosofia que acenda o fogo que na sentinela se torna chama de vigilância (porque “belo é o soldado que vigia”)


4-ENTENDER E PRATICAR A ARTE COMO UM CAMINHO MÍSTICO. COMO UMA EXPANSÃO DO CORAÇÃO NA BUSCA DA BELEZA. COMO ACTIVIDADE HUMANA GLORIFICADA POR UM RAIO DE VERDADE


Porque é necessário criar essas imagens, nas quais nos transmutaremos, nos nossos corações. E que todos, através de cada um, cresçamos em poder. Para que a virtude seja um sinal do que somos.

Uma arte que não se comercializa, porque é oração, porque cada acto é oração, dádiva de si para chegar a ser. O poema não foi escrito para ser vendido. Se o poema é objecto de comércio já não é poema.

Porque é preciso criar. Criar é criar o ser, e toda a criação é inexprimível.

Uma Arte que nos transforme a todos, que nos enleve a amar essa deusa que dança no coração da harmonia e da beleza. Porque se não nos sentimos cativados pela graça dos seus gestos, tal como não conseguimos aceder a certas músicas por falta de esforço, não é porque pouco valham, mas simplesmente porque não existimos.

E chamo verdade apenas àquilo que nos exalta. Pois nada se demonstra pró ou contra. Mas não duvidamos da beleza quando vibramos perante o rosto amado.

É necessário que preparemos, nos jardins da alma, as experiências refinadas que nos hão-de fazer vibrar perante a Arte. É necessário preparar os ecos que hão-de vibrar no poema. Assim, quando o raio da beleza te golpear o coração, o teu coração estará preparado para esse raio. Uma Arte que não nos põe em relação com o racional, mas sim com Arquétipos. Pois como racionalizar o recolhimento? Como racionalizar o amor? Como racionalizar o domínio? Eles não são objectos, são deuses.

 

6-PROMOVER UMA NOVA EDUCAÇÃO QUE DESENVOLVA OS VALORES HUMANOS, DESPERTE O AMOR E A SABEDORIA, E SIRVA DE MATRIZ PARA O SER INTERIOR

Porque o que importa é se o discípulo será mais ou menos homem. Não se o homem será ou não feliz, mas o que será feliz será mais ou menos homem.

E não há rigor se, uma vez franqueado o pórtico, os homens despojados de si mesmos e saídos das suas crisálidas não sentem abrir-se neles as suas asas.

Uma educação que não encha as crianças de fórmulas vazias, mas sim de imagens carregadas de força. Que não nos encha de conhecimentos mortos, mas que nos forje um estilo que permita entender e transformar a vida. Que ensine as crianças a trabalhar contra os seus próprios egoísmos e inércias, que lhes ensine o amor. Que ensine aos homens o acto mágico da criação, em vez de convertê-los em escravos de máquinas, ou em escravos inconscientes dos seus próprios hábitos.

Que ensine o respeito. Que ensine que, como o Principezinho, todos os meninos são peregrinos celestes, que a sua alma é feita de luz das estrelas, e que tudo o mais deve ser mudança, desapego dos bens materiais. Que lhes ensine a meditação e a oração e o exercício do amor, pois com estes se dilata a alma. Que lhes ensine o gosto pela perfeição porque toda a obra é uma marcha para Deus e não pode terminar senão com a morte.

Uma educação que lhes edifique uma alma onde o fogo interior possa arder. Uma educação que discipline, que forje de acordo com a ordem interior de cada um, como o artista que talha as pedras preciosas. Ou será que chamas liberdade ao direito de errar no vazio?

Uma Educação que apele à acção, à responsabilidade, pois, quão triste é escutar o clarim e não reagir!

Uma educação que salve esse templo do significado das coisas.

Uma Educação que outorgue provas sólidas. Porque toda a prova sólida é uma semente a partir da qual poderás extrair o mundo.


5-DESENVOLVER UM HOMEM ÍNTEGRO, QUE TENHA ESCALADO A MONTANHA DAS SUAS PRÓPRIAS POTENCIALIDADES. QUE SE TENHA TRANSMUTADO PELA LUZ DA VONTADE, DA SABEDORIA E DO TRABALHO ALTRUÍSTA. RESPONSÁVEL PELA SUA ALMA E PELOS SEUS ACTOS

Porque convém manter permanentemente desperto no homem o que é grande e convertê-lo na sua própria grandeza.

Um homem que tenha perante si um futuro mais vasto, mais claro, mais generoso e mais ardente, um homem que, uma vez que chegue a ser, renegue a larva que descobriu ter sido, que se assombra perante o seu próprio esplendor, que se maravilha e que se faz soldado da bondade e do seu vigor.

Porque a perfeição não é um fim que se atinge, é transformarmo-nos em Deus.

Porque é preciso fundar nos homens o sentimento de grandeza.

E que o contexto de toda esta transmutação interior e crescimento exterior seja o silêncio, porque o espaço onde o espírito pode mover as asas é o silêncio. Porque a solidão desenvolve-se sob os nossos pés como a esteira da sabedoria, para falar com as estrelas, e essa voz da alma que fala só fala no silêncio.

Transmutação porque devemos arrancar mil vezes a máscara que nos oprime, para nos expressarmos.

Devemos deixar para trás as imagens de nós mesmos, como a serpente deixa a sua pele.

Um homem que não se alimenta das coisas, mas sim do sentido das coisas.


6-ENOBRECER O HOMEM NAS FONTES DO IDEALISMO. RECRIAR UMA NOVA, AINDA QUE MILENÁRIA, CONCEPÇÃO DO AMOR

Porque o respeito pelo homem é o respeito pela sua nobreza.

Porque a virtude é a perfeição no estado de homem e não a ausência de defeitos. Porque devemos alimentarmos para viver, viver para conquistar e conquistar para retornar e meditar e sentir assim o coração mais vasto no seio do silêncio.

Eis a verdade do homem. Existe para a sua alma. Demos-lhe poetas e sacerdotes de novos cultos e logo se expande o coração do homem.

Porque nada pode ser feito sem amor. Um amor que é força, que une, que conquista. Esse amor que no sorriso particular enriquece todos os sorrisos. Esse amor que desperta o arcanjo que dorme em nós.
Um idealismo que dá direcção aos esforços. Porque só a direcção tem sentido e não aonde se está agora. O que importa é marchar para algo. Amar através da mulher, não a mulher. Através do poema, não o poema. Porque os seres quedam vazios quando não são janelas para o Ideal, para Deus, e é por isso que o amor vulgar apenas ama o que é fugaz.

Amor que nunca se deve confundir com delírio de posse. Porque o amor verdadeiro começa quando nada se espera de volta. Amor que é conhecer e reconhecer o rosto lido através das coisas. O amor não é mais que o conhecimento dos deuses.

 

José Carlos Fernández
Director Nacional Nova Acrópole

Tradução José Patrão   

 

 


 


 

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