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Simbologia Teológica Grega

 

 O que tomamos como simbolismo grego é na realidade um renascimento que sintetizava diferentes correntes que sobreviveram na chamada «Época obscura» que se seguiu ao derrube dos reinos arcaicos de Creta, Micenas e da própria Tróia. Hesíodo e Homero são, na verdade, compiladores de antigas teologias que agora se relacionam sob uma harmonia coincidente, na qual não podemos ignorar vias paralelas que irão ressurgir mutadas na última fase do período helenístico.

O simbolismo teológico grego é caracterizado por uma exuberante imaginação e uma vitalidade surpreendente. Em Homero observa-se um panteão complexo de figuras antropomorfizadas, onde os heróis tomam um papel principal na relação estreita dos deuses com os homens, enquanto Hesíodo se cinge mais estreitamente ao esoterismo primitivo, no qual os números e as figuras geométricas das suas tríades dão uma claridade de superfície sobre um fundo enigmático.

As pinturas que os gregos fazem dos Deuses são tão fortes e coloridas, que as suas características gerais chegam quase inteiras até aos nossos dias, passando através do mundo romano. Embora seja evidente que, desde a época Tarquina até aos finais do Império, estas foram afectadas por acrescentos da península itálica primeiro, e de toda a bacia do Mediterrâneo depois, os símbolos dos Deuses principais sobreviveram. Quem não conhece Júpiter lançando raios, ou Mercúrio com asas nos pés, ou não se lembra da graciosa figura de Diana ou da poderosa figura de Hércules? Vivemos imer­os no pensamento grego e as suas representações religiosas, incorrectamente chamadas mitológicas, inflamam a nossa imaginação e enriquecem-na.

Simbologia Pré-Helénica

Se cada povo é como uma encruzilhada de cujo encontro nasce uma perspectiva diferente, não encontraríamos melhor exemplo que na velha Hélade, onde as correntes asiáticas e egípcias fermentaram um material disposto, que se desenvolveu e mutou com uma riqueza excepcional.

Já a partir do III milénio a.C. – e talvez mais longe ainda – se notam traços de uma civilização mediterrânea, com o centro em Creta, que alcançou o seu máximo apogeu registado no séc. XVI a.C. pela invasão dória.

Quanto aos símbolos religiosos egeus, a Arqueologia não logra desvelar os mistérios nem os ocultos significados daqueles elementos que simplesmente se mostram perante a vista do investigador.

Podem-se mencionar certos símbolos primitivos:

Pedras em forma de altar ou de colunas.

O culto às armas, especialmente o machado de duplo fio, cuja estilização máxima se sobreporia num par de cornos em oposição.

 

"Indubitavelmente o tempo e a falta de conhecimento podem ter distorcido muitos símbolos primitivos"

 

Adoração de certas árvores e animais. Figuras representadas em anéis mostram-nos a típica árvore num altar, ante a qual oficia um sacerdote, enquanto as sacerdotisas realizam outros aspectos do ritual, geralmente com base em danças. Os animais, especialmente a vaca (como Deusa Mãe) e o touro (símbolo do lendário Minotauro), assim como a serpente, receberam também um culto especial.

A Grande Deusa Mãe (com o provável nome «Rea»), realça o conceito de matriarcado, tanto religioso como político, assim como o sentido de dadora universal de vida. É a Matéria Primordial.

Ela indica tudo o que se relaciona com a fecundidade, a regulação do curso dos astros e das estações. Domina sobre todos os reinos: mineral, vegetal, animal e humano, e é ainda a Senhora do Mundo da Morte, pela mesma razão que rege a dádiva da Vida.

As representações mostram-na de cócoras ou de pé, nua ou vestida à cretense, com os seios descobertos. Usa toucados variados: desde a cabeleira atada com uma fita, até um turbante adornado com flores e penas, ou uma tiara cónica ou em forma de cone truncado.

Perante esta diversidade simbólica, cabe perguntar se se trata de uma só divindade com vários aspectos ou se de diferentes divindades misturadas ao longo dos séculos. Indubitavelmente o tempo e a falta de conhecimento podem ter distorcido muitos símbolos primitivos, mas o estudo comparativo inclina-nos para a tese de uma só Divindade, a Matéria Primordial, assumindo múltiplas formas na sua extensa modelação.

Assim, não deve ser motivo de assombro que, além das suas variadas representações, ela assuma igualmente diferentes aspectos simbólicos. Vê-la-emos como Deusa geratriz de amplas ancas, sustendo os seus peitos; como virgem guerreira acompanhada por um leão e a golpear o solo com uma lança; sentada debaixo de uma árvore sagrada recebendo flores e frutos das suas sacerdotisas; sentada num trono de árvore; rodeada de serpentes enroscadas ao seu corpo.

A esta Deusa Mãe juntam-se outras deidades femininas, Dictina e Britomartis, que depois se transfundirão no símbolo da Artemisa helénica. Britomartis (Deusa suave), é uma virgem caçadora que, fugindo de Minos, se atira ao mar do cimo de um monte (Monte Dicté?) caindo nas redes de um pescador. Torna-se então Dictina (Deusa da rede).

O Deus egeu, companheiro subordinado da Deusa Mãe, denominado Asterio (o estrelado) reúne simultaneamente uma natureza humana e animal: MinosTauro (sendo o touro o símbolo da força e energia cria­dora).

 A Simbologia na Grécia Clássica

Ainda que a maioria dos Deuses gregos, com as suas correspondentes histórias e símbolos, apareçam nas obras de Homero, podem mencionar-se fontes mais antigas e prestigiosas na obra de Hesíodo, denominada precisamente A Teogonia, ou seja, a origem dos Deuses.

Infelizmente para os comentaristas modernos, o velho iniciado Hesíodo não passa de um pastor analfabeto que cuidava das suas ovelhas per­to do monte Hélicon, e que aproveitou o muito tempo livre, que lhe trazia es­te trabalho simples, para recolher folclore mítico, ao qual juntava con­ceitos astrológicos extraídos da sua própria e natural observação do céu. No entanto, uma análise um pouco mais séria faz-nos prestar atenção logo desde o início ao próprio nome Hélicon (hélice) que, numa das suas chaves, se refere ao monte em espiral, semelhante ao sagrado Olimpo, que conduz ao contacto com os Deuses através da evolução.

Inclusive faria sentido perguntar se A Teogonia é obra exclusiva de Hesíodo, ou se, pelo contrário, reflecte um velho tratado esotérico das Escolas Órficas, traduzido e expresso na linguagem deste poeta.

Embora Hesíodo represente hoje para nós a mais antiga e acreditada fonte, há um facto que nos faz pensar noutras origens, o facto de Platão o ter criticado com dureza nos seus escritos por ter abusado dos símbolos, popularizando-os exageradamente. Isto teria tido como resultado que os homens considerassem os seus deuses tão humanos e falíveis como eles próprios.

 

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