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O TEMPO

Dali_O_TempoQuando estiver a ler este artigo, estaremos, talvez, em pleno período estival, fazendo preparativos para as férias, ou, pelo contrário, pensando amargamente que não nos calha nenhuma semana de tempo livre durante os meses em que o calor excessivo convida ao descanso.

Isto leva-me a reflectir, como filósofo: como podemos fazer o tempo verdadeiramente nosso? Estamos limitados a fazê-lo só quando repetimos - quiçá de um modo invariável - a já quase cerimónia das férias? E será que neste tempo de férias o tempo é verdadeiramente nosso? É o mesmo fazer o que queremos do que sermos Senhores do nosso tempo? E não podemos conquistar o tempo, que passa inadvertidamente, como um vento invisível e subtil que muda tudo? A conquista do tempo é uma das conquistas mais árduas da alma humana e só os sábios, místicos e heróis quase divinos foram capazes de deter o seu curso para olhar através dos rendilhados do presente e perceber um mundo de sonho, de perfeita beleza e harmonia, de imagens perpétuas (os arquétipos?). Platão e Plotino, Ibn Arabí e Sri Ram, deixaram escritos muito emotivos e de profundidade abissal a respeito.

Recomendo, por exemplo, deste último filósofo da Índia, um dos maiores filósofos do século XX, o seu escrito A Acção no Presente Imediato. Os antigos filósofos descobriram no tempo um aspecto duplo: Cronos, o tempo que é medido pelos relógios, a inexorabilidade da mudança que modela o curso da vida, representado como um ancião, símbolo da experiência, e, porque não, também da morte; e Kairos, a Oportunidade, um tempo sempre renovado, sempre jovem, alado, o presente contínuo que oferece os seus dons, o tempo que outorga a oportunidade. E não esqueçamos que a oportunidade, diziam os sábios, é um dom de Deus e foi representada com uma mecha de cabelo na frente e calva atrás, expressando assim a dificuldade de apanhar a oportunidade se não estamos vigilantes e atentos.

A conquista de Cronos é sinónima também da imersão no Eterno. Cronos é filho de Urano, o Céu da Inteligência e é conquistado portanto, plenamente, só por aquele que tenha compreendido e recordado a sua verdadeira origem. Por aquele que, como ensina o livro A Voz do Silêncio, se uniu ao seu próprio Espírito Divino, do mesmo modo que no princípio a forma em que se acha modelada a argila está na mente do oleiro.
Conquistar plenamente Cronos, o tempo que limita, é equivalente à plena conquista de nós próprios e isto não é uma tarefa fútil. Esta conquista foi chamada Osirificação no Egipto e Nirvana no Budismo. Osirificação significa “converter-se em Osíris”, quer dizer, na Ideia Divina da qual o homem é a sombra; o Adam Kadmon da Cabala ou o Homem Celeste dos gnósticos egípcios. Nirvana significa “mais além do bosque” das ilusões do mundo objectivo, dos seus jogos de luzes e sombras, das duplas verdades, dos valores relativos. É, segundo os budistas, a dissolução do eu egoísta e pessoal e a plena actividade do Eu divino. Actividade contínua e permanente pois não está sujeita aos limites nem ao vaivém do tempo.

Talvez não possamos, agora, conquistar o tempo e vencer a morte. Mas todos nos podemos converter em aliados do tempo e todos nos podemos esforçar no Ideal romano de que, “o nosso relógio conte só as horas felizes”. Podemos reler os ensinamentos sublimes de Séneca em Da Brevidade da Vida e recordar com ele que o importante não é o tempo transcorrido, mas o tempo que realmente vivemos. E se não conquistarmos o tempo, misterioso e subtil, sim podemos arrebatar-lhe os seus frutos invisíveis. Quais são esses frutos invisíveis? Perguntem, perguntem ao tempo.

José C. Fernández
Director Nacional da Nova Acrópole

In Revista Nova Acrópole nº 71


 

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