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Vencer o Medo

 

 

A necessidade de vencer o medo

medoO medo – como diria o grande filósofo Jorge Angel Livraga, fundador de Nova Acrópole – é uma pandemia, uma doença que abrange o mundo. O medo esconde-se agachado por trás de cada acontecimento das nossas vidas. Às vezes mostra-se como limitações, outras como dúvidas, desconfiança, insegurança, a própria agressividade é uma forma de medo.

O medo paralisa ou faz-nos actuar de maneira irracional. É a raiz de muitos conflitos que se foram acumulando perante a falta de coragem para os enfrentar. O Homem com medo justifica sempre a razão da sua desgraça, do seu infortúnio, dos seus fracassos. O medo é uma das causas de muitos ódios e violência que hoje assolam no mundo. O medo ao fracasso é um dos maiores temores.

A todos nos preocupa o futuro, o que será, o que virá, estamos muito dependentes de que o resultado imediato das nossas acções seja sempre agradável, tal como sonhámos. Ensinaram-nos a evitar os erros pois são sinónimo de derrota, no entanto cada erro é um ensinamento da própria vida, que nos ajuda a guiar as nossas acções e nos permite entesourar a riqueza da experiência.

O medo ao fracasso supera-se aceitando que nos podemos equivocar. A filosofia ensina-nos que não existe o fracasso, todas as experiências, quer sejam agradáveis ou desagradáveis, positivas ou dolorosas, deixar-nos-ão um ensinamento. O conhecimento não surge do toque da uma varinha mágica, nem de um dia para o outro. Haverá que praticar muitas vezes até conseguir aprender, porque não há uma solução definitiva e para sempre. A vida é um grande treino. Se a primeira vez que aprendemos a caminhar não tivéssemos superado o temor em voltar a cair, jamais teríamos aprendido a caminhar. Devido ao facto de termos caído muitas vezes e de nos termos levantado outras tantas é que hoje podemos caminhar. Tememos o desconhecido, a incerteza das coisas novas e, se o queremos superar, devemos enfrentá-lo. Não há melhor solução contra o medo do que actuar. Não existe outra forma de o dominar, há que dar um passo em frente. Aqueles que esperam que o medo desapareça antes de actuar caiem numa ilusão porque o medo existe sempre e, se não o enfrentamos, cresce com o tempo. Como diria o filósofo Livraga: «O mau não é ter medo mas sim que o medo nos tenha a nós». É normal que, como seres humanos, tenhamos temor frente ao que não conhecemos e o anormal e perigoso é que o temor nos paralise.

O Medo à mudança

Tudo se move numa marcha constante. Tudo muda em permanente evolução, a própria vida é uma procura de perfeição onde tudo se transforma para se renovar. Pretender que as coisas não mudem é desconhecer as leis que regem o universo. Mudam as estações, mudam os tempos, mudam as formas, tudo vibra, tudo se transforma. Todos somos caminhantes e vamos deixando para trás as folhas desgastadas da nossa árvore, para que em cada nova Primavera renasçam novos rebentos carregados de energia e vida.

As coisas perecem, a essência é a mesma. O homem que desconhece esta lei natural aferra-se às formas, torna-se rígido e petrifica-se no tempo. O que vale não é o invólucro, mas sim o conteúdo. O que verdadeiramente importa é que o espírito, as ideias, os valores, os sentimentos perdurem para além do tempo. Cronos, o deus do tempo na Grécia antiga, era o grande devorador das formas consumindo-as para as regenerar e devolvê-las novamente jovens e vitais. A nossa atitude filosófica consiste em saber encontrar as melhores e mais belas expressões que permitam manter vivas as ideias e os sentimentos.

Há outras formas de mudança que dependem das nossas decisões mas que não queremos realizar por insegurança. Sentimo-nos mais confiantes ante o conhecido, dá-nos segurança psicológica fazer o que os outros fazem. Temos medo de realizar grandes mudanças na nossa vida quando não vão ser aprovadas pelos outros. São as grandes decisões que devemos tomar sozinhos connosco próprios. Temos que aceitar que as mudanças podem ser favoráveis e devemos ter o valor para lhes fazer frente, lutar por aquilo que é bom e consideramos válido para nós e para o que nos rodeia, para além das modas ou costumes, para além do que digam os outros.

As frustrações são o que mais obscurecem a vida

À medida que o tempo vai passando os equívocos e fracassos vão deixando frustrações. Elas são o fruto das acções das quais não soubemos extrair nenhum ensinamento e são como o alimento mal digerido: causam-nos danos por dentro. A pessoa frustrada é céptica, agressiva, crítica e desconfiada, tem mau humor e não é feliz.

O que fazer quando começamos a acumular frustrações?

Assim como periodicamente limpamos as nossas habitações para eliminar o pó que se vai acumulando nos cantos e nas gavetas dos nossos armários, de vez em quando, também há que limpar a fundo e ordenar no nosso mundo interior. E assim como varremos, lavamos, abrimos as janelas para que tudo no quarto possa ser arejado, também temos que varrer o nosso interior, lavar, arejar e purificar para que não fiquem frustrações dentro de nós. É necessário rever as recordações das experiências que ainda nos geram mal-estar e encontrar o ensinamento que contêm para eliminar as emoções e pensamentos negati-vos que naquele momento se engendraram. A acção generosa é a água mais pura e cristalina que nos permitirá purificar e clarificar o nosso mundo interior.

O que significa abrir as janelas para que entre o ar no nosso mundo interior? No plano mental vão-se acumulando ideias fixas, frutos da ignorância e da pouca reflexão, que nos vão tornando inflexíveis, preconceituosos e rígidos ante a vida. Isto sucede porque falta «ar» à nossa mente, «espaço» e é necessário ampliá-la. Todos os filósofos da antiguidade afirmam que a Sabedoria amplia os limites da nossa mente, abre-a a novas dimensões, a novos ensinamentos. Para dissipar as nossas dores e penas não basta fazer uma viagem de fim de semana para ver coisas novas que relaxem as nossas tensões porque, quando regressemos, nos encontraremos com os mesmos pensamentos de sempre, as mesmas ideias rotineiras, as mesmas pessoas, as mesmas situações. A solução não a vamos encontrar nas mudanças superficiais mas sim em contacto com os ensinamentos profundos, com a filosofia que nos permite abrir as asas para ampliar o nosso horizonte de vida. O fogo é outro elemento que limpa e purifica.

O que representa o fogo no nosso interior?

O que fazemos quando queremos despejar os papéis velhos?

Seleccionamo-los e queimamo-los numa grande fogueira porque o fogo tem a propriedade de transformar aquilo que consome. Nós necessitamos isso, um poder que nos transforme por dentro, que faça morrer o velho e desnecessário e nos permita renascer, mais fortes, maiores. Este grande poder interior é a nossa Vontade. Não poderemos mudar nada e nada nos poderá limpar se não recorrermos à grande força da nossa vontade. O homem tem dois grandes poderes: a inteligência, que é a capacidade de discernimento, é saber o que fazer, quando e como fazê-lo, e a Vontade que nos permite realizá-lo.

De que nos serve saber o que fazer se não temos a vontade para o pôr em prática?

E de que é que nos serve ter essa força se não sei para onde a dirigir?

Necessitamos de nos aproximar à sabedoria pois só ela desenvolverá as nossas potências interiores e nos permitirá ver com clareza o caminho a percorrer. Todos temos poderes internos que devemos desenvolver. Muitas vezes afirmamos que temos força de vontade, mas quantas vezes começámos projectos e planos com grande entusiasmo e os deixámos de lado sem terminar? Porquê? Porque nos faltou constância, a mais notável expressão da vontade.

O vazio interior

Um velho conto diz-nos que na origem dos tempos, quando se construiu o Universo, os homens eram como anjos e vivíamos num mundo celeste cheios de felicidade. Um dia assomámo-nos a contemplar as infinitas águas do espaço e do alto vimos um belíssimo mundo material, pelo menos assim nos parecia e, enamorados dessas sugestivas formas, mergulhámos e submergimo-nos nele. Pouco a pouco, conforme fomos caindo, perdemos as nossas asas e simultaneamente esquecemos a nossa divindade. Quanto mais descíamos mais esquecíamos.

O ilusório brilho da matéria deslumbrou a nossa jovem Alma até fazê-la prisioneira dos seus encantos e enganos. Passou o tempo e já não foi como antes, um sentimento de perda começou a nascer. É este sentimento de saudade o que nos faz voltar. É a nostalgia da pátria perdida, a necessidade de plenitude que nos converte em peregrinos de um caminho, procurando a razão pela qual nascemos, pela qual vivemos e pela qual temos que voltar.

A reminiscência, dizia o sábio Platão, é o chamamento da Alma que recorda o seu mundo celeste e que necessita das suas asas para voltar. Essa é a finalidade da filosofia, abre a porta da nossa jaula interior e deixa a Alma livre para que possa voar, ensina-a e ajuda-a a recuperar as suas asas. A filosofia permite ao homem elevar-se por cima da vida material e horizontal para conquistar as maiores alturas, sem limites nem confins. Fá-lo penetrar desde o exterior, desde o seu redor, até ao profundo do seu ser. À medida que o homem aprende, à medida que o homem sabe, começa a actuar e a viver segundo esse conhecimento que vai conquistando. Vai desenvolvendo cada vez mais essas asas que lhe permitem voar até ao mundo espiritual.

O que nos falta é vida interior, é identificarmo-nos a nós próprios, conhecermo-nos por dentro, reconhecer que há algo mais do que somente estes planos materiais. Reconhecer que existe em cada um de nós um plano espiritual que não conseguimos ainda descobrir e que para o desenvolvermos necessitamos da Sabedoria e de um Ideal que nos aproxime a ela; é precisamente isso que possui a Filosofia. A autêntica Filosofia é a que nos permite levar à prática aquilo que vamos aprendendo, ajuda-nos a integrar o conhecimento nas nossas vidas; mas não se trata de qualquer conhecimento, é saber beber das fontes dos sábios, mas não de uma maneira intelectual porque a Filosofia não é um tratado para nos encher de teorias que compreendemos pouco e de quase nada nos servem.

Filosofia é saber o que é o homem e como pode ser melhor. É saber como dominar as emoções, como vencer os temores, como dissipar as dúvidas, como conhecer as leis da natureza, como enfrentar a velhice e a doença, como superar as mudanças, isso é Filosofia. E todos os filósofos da Antiguidade deixaram valiosos ensinamentos que nós podemos fazer nossos para sermos felizes e viver melhor. Devemos alcançar a ACROPOLIS, a cidade alta da qual nos falaram todos os povos da Antiguidade.

Devemos ter um Ideal que ilumine a nossa vida e justifique a nossa existência, que nos inspire a trabalhar por nós e pelos que estão à nossa volta. É importante ser idealista porque um Ideal, como o de D. Quixote, é como uma estrela que nos ilumina o caminho, da mesma forma que as estrelas na noite escura guiam a rota dos marinheiros.

Devemos ter um Ideal filosófico para encontrar as nossas raízes na História, no passado, na experiência da humanidade. Não somos novos, vimos desde o fundo do tempo, passámos por ciclos de ouro e de prata, mas hoje o nosso ciclo é escuro e difícil. Tocou-nos viver numa época de decadência, de perda de valores, mas é a que nos tocou viver e não podemos virar-lhe as costas, não podemos fazer marcha-atrás, não nos podemos encerrar nem fugir para orar na montanha. Temos que fazer algo aqui, no nosso momento histórico e para isso é necessário ter um Ideal. Só um Ideal nos dá a certeza de que é possível construir um mundo melhor, mesmo quando as nossas forças fraquejem.

Não devemos deixar-nos apanhar pela inércia ou pela indiferença, esperando que as coisas mudem por si só ou acreditando que o meio em nosso redor não nos vai afectar, o certo é que estamos imersos no mundo e é nosso dever construir uma ponte que nos permita passar de um lado para o outro no meio da decadência ou, como diz o Dr. Livraga, construir um módulo de sobrevivência, um barco que possa navegar no meio da tempestade. Podemos começar a construir no presente um mundo melhor.

Não vamos poder mudar absolutamente tudo, mas sim podemos mudar a nós próprios e o que está ao nosso redor. Queremos que a nossa vida seja diferente, queremos que a nossa vida seja como um oásis no deserto, que não só nos oferece água mas também a todos os peregrinos que se aproximam dele. Isto sim é possível, não é uma ilusão, não é uma fantasia.

Se trabalhamos, nos esforçamos e lutamos, então alcançamos e possuímos. É como a felicidade que todos estamos a procurar, se é desejada e por ela se trabalha, conquista-se. O crescimento que cada um de nós anseia alcançar é infinito, mas vamos avançar passo a passo porque a felicidade não é um dom, não é uma prenda dos deuses, é o resultado do nosso esforço, da nossa dedicação.

“É um estado da Alma que é própria dos que souberam semeá-la em si mesmos”.

E para concluir esta reflexão recordamos uma antiga história hindu que simbolicamente nos fala da divindade do homem, da sua origem celeste e da importância da filosofia para voltar a encontrá-la.

«Contam que, há muito tempo, os homens eram como os deuses mas abusaram desse divindade que lhes permitia serem felizes pois concedia-lhes plenitude. Então Brahma, o rei dos deuses, disse: ‘Vamos tirar aos homens a divindade e vamos escondê-la onde nunca mais a possam encontrar, visto que abusaram e a não souberam aproveitar. Assim, reúne num conselho todos os deuses menores para decidir onde esconder a divindade do homem.’ Todos reflectem e propõem:

‘Vamos esconder a divindade no fundo da terra.

’ Mas Brahma responde: ‘De nada serviria, porque o homem cavará a terra, encontrá-la-á e a extrairá.’ ‘Então escondamos a divindade do homem no fundo dos mares.

’ ‘Não’ disse Brahma ‘porque algum dia os homens submergirão no fundo dos mares e a encontrarão.’ Então ficaram todos indecisos:

‘Não sabemos onde ocultar a divindade do homem, porque o homem encontrá-la-ia em qualquer lugar onde a escondêssemos.

’ Dizem que Brahma lhes respondeu: ‘Vamos guardar a divindade do homem dentro dele mesmo, porque é o único lugar onde não lhe ocorrerá procurar’.»

E dizem que é assim desde há muito tempo. O homem cavou profundamente a Terra, deu inumeráveis voltas em redor dela, explorou cada canto do planeta, escalou cada montanha procurando conquistar os mais altos cumes, mergulhou em todos os mares, mas nunca penetrou no interior de si mesmo procurando aquilo que tanto necessita: essa parte divina que, algum dia, reconquistada, restituir-lhe-á a felicidade e a plenitude perdida. Esta plenitude é o que nos faz verdadeiramente felizes, porque o homem é feliz quando se sente pleno e realizado no seu interior.


Beatriz Diez Canseco

Directora Nova Acrópole Peru


 

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