Conferência/Concerto de HomenagemCHOPIN
E A ALMA DO ROMANTISMO
O que são palavras sem a vibração que as entoa?
São como casas vazias onde ninguém habita.
Assim é este texto, incompleto na sua tentativa de expressar a alma do concerto de homenagem a Chopin no Bicentenário do seu nascimento e que decorreu no Decante Bar.

Após uma breve introdução ao Romantismo feita pela filósofa e escritora Françoise Terseur, o Pianista Jorge Fontes brindou-nos com várias peças de Chopin. Cada peça, iniciada por uma breve introdução que ajudava a audiência a localizar-se no sentimento que a originara. O Pianista soube transportar a audiência através de um mundo mágico de notas que brotavam directamente do quadro sentimental de Chopin.

Os nossos sinceros agradecimentos para a gerência do Decante Bar, na pessoa do Sr. Luís Almeida, que acolheu e apoiou a montagem do evento, permitindo a clareza e conforto com que a audiência recebeu as notas tocadas.
Os nosso especiais agradecimentos à Prof.ª Françoise Terseur e ao pianista Jorge Fontes pela disponibilidade e entusiasmo com que nos brindaram com as suas palavras e notas de harmonia.
Tertúlia:Conversas no Parque sobre a Beleza
Eis que o Parque Infante Dom Pedro acolheu mais um evento da Nova Acrópole de Aveiro, dinamizado por João Ferro. Melhor tema não havia para o enquadramento que o Parque oferece, a Beleza.

Plotino, filósofo neo-Platónico disse o seguinte:
“A Beleza, para a maioria, consiste em objectos que a vista pode ver; mas também pode ser recebida através dos ouvidos, pela composição mestra de palavras e proporção consonante dos sons. E se nos elevarmos desde os sentidos até às regiões da Alma, iremos perceber aí acções e hábitos, ciências e virtudes, investidos com uma maior proporção de beleza. Mas enquanto existir o acima também existirá uma beleza superior, que nos irá aparecer à medida que avançarmos na sua investigação.”
Há uma verdade óbvia à qual nós muitas vezes somos inconscientes, que é a seguinte: Todos somos atraídos pela beleza, ela exerce sobre nós um chamamento. Daí que tudo o que seja Belo provoque em nós o desejo de nos unirmos a tal, assim, a Beleza é um Princípio que evoca sempre o Amor.
Os Gregos diziam que a Beleza não residia na forma, que somente era uma epifania, mas na imensurável ideia, e no último grau, na vida que tudo permeia.
Se a beleza é a essência de Tudo, como os Gregos diziam, então existe um chamamento “universal” no sentido do Amor universal.
Acrescentando uma outra lição da Sacerdotisa Diotimia ao que foi dito anteriormente, que a União com a Beleza provoca no Homem a felicidade, então, existe um desejo inato ao Homem, desde o seu primeiro instante ao momento da sua morte, que é Ser Feliz.
Assim, na sua demanda pela felicidade, o Homem vai-se unindo a belas Formas e a sua felicidade dura tanto quanto durar a forma à qual se uniu. Como se subentende nas palavras de Plotino, existem vários patamares de beleza, a mais efémera é aquela que os nossos cinco sentidos captam, a mais duradoura, será aquela que se obtém através da União, do Amor, a um Ideal, na última instância ao próprio Ser.
Estejamos Atentos ao chamamento desta Beleza. Na maior parte das vezes, as vozes das belezas exteriores, efémeras, abafam essa voz interior, eterna. Esforcemo-nos para escutá-la, esforcemo-nos para sermos Felizes e não ocasionalmente felizes, porque na Arte de ser feliz está a Arte de Saber Viver.
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