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«Começei esta aventura da fotografia aos vinte anos, em 1976, em França. Nessa altura exerci como fotógrafo urbano durante o dia, assistente de fotógrafo público aos fins-de-semana e taxista em Paris, durante a noite, para me puder sustentar economicamente. Vivia numa pequena casa em Paris, em que a cama partilhava o espaço com o meu laboratório de branco e preto de fotografia...
Quatro anos depois, tive que decidir: a fotografia ou a filosofia... e decidi mudar as minhas prioridades. Nunca deixei de fotografar, mas nos vinte e nove anos seguintes fi-lo mais como “amador sério” do que como profissional...
Em 1986 mudei-me para Tel Aviv, Israel, onde fundei a sede local da escola de filosofia Nova Acrópole. Hoje em dia temos mais de dez filiais em diferentes cidades do país. Nos últimos anos, decidi combinar estes aspectos da minha vida: Fotografia e Filosofia. A forma de fotografar mudou muito nas últimas décadas; sobretudo pelo sistema tecnológico de "argentic" a "digital". Esta mudança influenciou tanto a maneira de fazer as fotografias, que decidi voltar a estudar, pelo que fiz a graduação na escola de "Studio Gavra", que é a primeira escola de fotografia em Israel.
Há muitos e muito diferentes aspectos na fotografia bem como a técnica e o material são diferentes sem se tratar de fotografia comercial, de moda, documental, artística, ou fotografia urbana.
O meu caminho é usar a tecnologia como um elemento para expressar a minha visão filosófica e a minha forma de viver, por isso escolho materiais relativamente simples: sem equipamento de estúdio complexo, sem aplicar luzes artificiais, somente a luz natural (flash, o tripé em situações especiais), sem efeitos artificiais... só um filtro UV transparente para proteger a óptica.
Com isto não quero dizer que considero a técnica como algo negativo, ao contrário, na minha perspectiva, o aspecto técnico deve ser o mais transparente possível para que não oculte a essência da fotografia; só assim, dominando a técnica, o fotógrafo pode esquecê-la e transformar os seus sentimentos e intuições em Arte.
Uma foto é muito mais do que possamos descrever … o mais importante da foto é o invisível: a emoção, o sentimento, a nostalgia, a harmonia… Para mim, uma boa foto não é o reflexo subjectivo do fotógrafo porém um momento particular (quando se acciona o disparador) escolhido pelo fotógrafo, acreditando-se ou não no efeito de coincidência, como o momento qualificado. Refiro-me que o mais significativo não é “quando” nem “onde”, todavia que essa foto foi tirada em certo momento ou em certo lugar como para que possa transmitir uma qualidade específica, através da harmonia, da beleza, ou qualquer outro elevado e profundo sentimento.
Por isso mesmo, chamo a esta minha exposição: "Momentos de verdade".
Ser fotógrafo é, para mim, o caminho filosófico da vida, e cada foto tirada é uma experiência espiritual, não no sentido religioso, mas como uma via que me permite aproximar-me da beleza, que eu considero, segundo Platão, um aspecto da Verdade.
Por último… a minha primeira camêra "Reflex", em 1976, era uma "Pentax MX"; hoje todavia uso uma Pentax… claro que existem muitas outras boas marcas, mas Pentax sempre foi "especial"… uma pequena empresa com um alto compromisso de qualidade, e além disso… há amores eternos…»
Pierre Poulain
Exposição «Momentos de Verdade»
Workshop «Técnica e Filosofia da Fotografia»
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