Teve lugar na Nova Acrópole de Lisboa a celebração de um seminário intitulado: ”O livro vermelho de Jung”, um tratado mistérico, proferido por Laura Winckler.

Laura Winckler nasceu na Argentina, foi educada em Buenos Aires, onde se graduou em Literatura Clássica e Filosofia. Em 1973 mudou-se para França, onde continuou os seus estudos em psicologia e ciências humanas, criando a Associação Cultural Nova Acrópole França em conjunto com Fernando Schwarz.

Investigadora, concentrou a sua investigação sobre a psicologia yunguiana em conjunto com o desenvolvimento pessoal, astrologia, mitologia e simbolismo. Completou a sua formação com seminários especializados sobre psicologia yunguiana ditados pelo Instituto de Yung em Paris. A sua investigação foi enriquecida pelo estudo das ciências tradicionais, incluindo a “astrologia humanista” criada por Dane Rudhyar.

Vamos tentar, numas brevíssimas linhas refletir o extenso seminário, onde o tema tratado foi amplamente desenvolvido, contando com a assistência de um numeroso publico, que pode aprofundar o pensamento de Yung, iluminando, um pouco mais, o caminho até à própria Alma.

Segundo comentou a Sra. Winckler, durante a Primeira Guerra Mundial, Jung iniciou uma larga autoexploração que denominou “a sua confrontação com o inconsciente”. Durante este período, desenvolveu as suas principais teorias do inconsciente coletivo, dos arquétipos, dos tipos psicológicos e do processo de individualização e transformou a psicoterapia, desde uma prática preocupada pelo tratamento da patologia, num meio de reconexão com a alma e a recuperação do sentido da vida.

No coração deste esforço esteve o seu lendário livro vermelho, que criou entre 1914 e 1930 e que continha o núcleo das suas obras posteriores. A obra pode ser descrita como um trabalho de psicologia de forma literária e profética.

Jung diria sobre O Livro Vermelho:

“Os anos… quando perseguia as imagens interiores, foram os momentos mais importantes da minha vida. Tudo o demais derivou daí. Começou naquele tempo e os detalhes posteriores pouco importam. A minha vida inteira consistiu na elaboração do que havia irrompido progressivamente desde o inconsciente e inundado como uma corrente enigmática que ameaçava transbordar. Esta foi a substância e o material para mais de uma só vida. Tudo o que surgiu posteriormente foi meramente a classificação externa, a elaboração científica e a integração na vida. Mas o início numinoso, que tudo continha, foi aí.