O que só se escuta a si mesmo, o que só aprecia as suas próprias ideias e se sente atraído pelo som da sua própria voz, o que não concede importância à existência das outras pessoas e as usa apenas como ecrã para reflectir as suas palavras, jamais poderá conversar, nem estabelecer uma relação humana saudável.

Há que saber escutar. Não é preciso ser mudo ou retraído, mas fazer gala de essa preciosa faculdade de quem toma em consideração aquele que tem à frente, aquele que procura uma relação tal como a procuramos nós próprios.

Escutar é uma arte: requere prestar atenção, valorizar o que os outros nos dizem, entender porque nos dizem as coisas que nos dizem, ler nos olhos do que fala tal como se escutam as suas palavras, colaborar em silêncio com gestos que indiquem a nossa activa participação no diálogo.

“Escutar é compreender e compreendermo-nos.”

Escutar é poder comparar com o que pensamos e ter a oportunidade de calibrar, através de essa comparação, o peso dos nossos pensamentos.

Escutar é saber intervir no momento oportuno, sem interromper bruscamente nem sem deixar de considerar o que o outro está a dizer. É responder partindo do que nos disseram e estabelecer um fio inteligente, para que a conversa tenha um sentido, quer dizer, um princípio, um meio e um fim.

Escutar é compreender e compreendermo-nos.

Aquele que é capaz de conversar, alternando engenhosamente as suas intervenções com as dos outros, aquele que escuta outra pessoa tanto ou mais que a ele mesmo, sabe recolher tesouros em todos os recantos e de todos os minutos da vida. Desenvolve a observação, a paciência, o respeito e a capacidade de pensar.

Saber escutar é a melhor maneira de saber falar.

 

Delia S. Guzmán

Directora Internacional da Nova Acrópole