A Esfinge tem (…) significados internos muito importantes e, como símbolo, é talvez o mais completo de todos. O seu sentido genérico é, resumidamente, o seguinte:

Na sua chave física, assinala claramente a evolução das formas que, no nosso período actual, culminam e cristalizam-se na forma humana; por isso, a parte humana está colocada em destaque, modelando a cabeça, o ponto mais belo e alto. Fala-nos também da unidade de toda a Natureza e das diferentes aparências da Vida-Una.

… é a Mãe Cósmica, a enigmática Esposa da Luz

Tomando um determinado aspecto da sua chave psicológica, ela demostra de que maneira uma força única, subtil, interpenetra todo o corpo da Natureza e atravessa o conjunto dos reinos horizontais, para elevar-se gloriosamente na poderosa verticalidade das suas asas misticamente emplumadas, que são uma esperança e uma recordação do céu.

Bem, se passarmos à sua interpretação cosmológica, esse ser multiforme é a Mãe Cósmica, a enigmática Esposa da Luz. Nos Mistérios de Neptuno,

[poderá ser reconhecida] como a Senhora das Águas, ânfora e receptáculo do segundo aspecto da Divindade na sua manifestação trina.

Pela marca que deixa no solo, [indagar-se-á] outros sinais no Céu. Ela é, também, imagem dos Quatro Elementos e das rodas aladas que, ao serem feridas, vertem o seu sangue e lavam os homens: são os seus eternos Guardiões… Ela é (…) o próprio Mistério, deitado sobre os seus órgãos reprodutores… Poderás saber muitas coisas da Divindade, mas nenhum Templo nem Fraternidade te dirá como se reproduz… (…) Ela é a eterna Virgem-Mãe, que embala sempre nos seus braços, a Vítima do Tempo, a Grande Vítima de si mesma.

 

Jorge Angel Livraga

Fundador da Nova Acrópole

 


Excerto do romance Ankor – Príncipe da Atlântida de Jorge Angel Livraga, editora Ésquilo (2005)