A Primavera, Símbolo de Renovação

Autor

Nova Acrópole

Partilhar

Autor

Nova Acrópole

Partilhar

Há poucos dias apenas, chegou a Primavera e, jovens ou não, esta data encerra para todos um sentimento de renovação e esperança. Assim, pelo menos durante um dia, imaginamos que tudo vai florescer, que as coisas vão ficar melhores, que tudo tenderá para um futuro que tentamos vislumbrar feliz.

Mas esse sentimento não passa desse dia, tal como os nossos esforços para fazer do ano inteiro uma Primavera.

Quais homens amnésicos que tivessem perdido a memória de ler, mesmo já tendo lido muito, nós olhamos sem ver e conhecemos sem entender os ritmos da natureza. Uma vozinha interior escondida diz-nos que a Primavera não é só uma das estações do ano, um momento de muitos, mas também que o reverdejar da natureza é uma mensagem, uma linguagem que nos quer transmitir algo, ainda que não saibamos o quê.

Imitando, como só os desmemoriados o podem fazer, vestimo-nos de cores claras, começamos “psicologicamente” a sentir calor e exteriorizamos as nossas ânsias de renovação, que muitas das vezes não vão mais além do que uma boa limpeza geral à nossa casa.

E é aí que não percebemos plenamente a linguagem da natureza. É claro que a natureza veste roupas novas na Primavera. Mas ela veste-as todas as primaveras, ano após ano, inexoravelmente, com uma paciência infinita, quase sobre-humana. E na natureza, depois da Primavera vem o Verão, quer dizer, depois da renovação das formas, vêm os frutos dessa renovação, o plasmar das ânsias de eclosão que no princípio eram apenas sementes…

Contudo, nós, os homens, deixamo-nos ficar aquém… Conseguimos perceber uma renovação mas não a fazemos constante; não fazemos da evolução a nossa linha de conduta e, todos os anos, longe de tirarmos, conscientemente, as peles velhas, precisamos de um empurrão e dos embates da vida, umas vezes pelo prazer, algumas pela dor, outras por contemplar o calendário quando chega finalmente a Primavera. Tão pouco temos a perseverança que implica levar até ao Verão o que começou a nascer na Primavera.

Satisfazemo-nos com impulsos que morrem à nascença; bastam-nos vislumbres de luz em vez da luz que rompe a escuridão definitivamente; parece-nos que a semente é suficiente, sem suspeitarmos sequer que ela já encerra a futura planta; e, quanto muito, desejamos que a planta nasça da semente sem nada fazermos por isso, sem a regarmos, sem cuidarmos dela, sem a colocarmos debaixo dos raios benéficos do Sol.

Lembremo-nos que na semente já está contido o seu fruto, e não cuidar da semente é um crime que atenta contra o fruto mais do que contra ela mesma. Matar uma semente, negar-lhe o nosso esforço, é como matar o futuro no presente. E sonharmos com a árvore do futuro sem começarmos por cuidar da semente, é limitar-nos ao plano dos devaneios, sem nenhum efeito prático.

Hoje, Primavera, é o momento. Hoje podemos escolher a semente da árvore do nosso futuro. Podemos decidir como serão os ramos e as folhas que nos darão sombra amanhã. E para os que querem construir Acrópoles, cidades altas com almas elevadas, é hoje o momento de cultivar a semente que jaz latente em cada um de nós esperando a água benta do conhecimento e da fé.

 

Por Delia Steinberg Guzmán

Não há plugins para instalar ou ativar. <a href=" %1$s"title="Voltar para o Painel">Voltar para o Painel</a>

Go to Top