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Os Métodos Pedagógicos de Hipátia

 

Os métodos pedagógicos de Hipátia eram sui generis para uma época de abundante argumentação e retórica, que impediam muitas vezes a experiência directa. Uma época dominada também por sistemas de fé cega que directamente a excluíam. Quando era necessário, ela seguia a linha egípcia do «observa e medita» ainda que acompanhando sempre os seus discípulos no invisível das ideias, ajudando-os a deduzir da experiência. Ela, como Iniciada nos Mistérios que era, dava muita importância às analogias, ao ler na Natureza, a usar sempre a chave do «Assim é acima como é abaixo», um dos princípios herméticos do Kybalion; quer dizer, fundamentar-se na homogeneidade das Leis da Natureza lidas sempre com uma mente clara e à luz do discernimento, sem projectar as nossas fantasias sobre aquilo que se lia na natureza e na alma humana.

Um dia, por exemplo, Hipátia apresentou-se com dois recipientes contendo água. Um deles, de vidro, tinha uma superfície ampla relativamente à profundidade e com indicações de medidas. Colocou-o junto de um feixe de luz solar que entrava no jardim da Escola e pediu-lhes que observassem. Passada meia hora de silêncio era visível a diminuição da massa de água. Hipátia nada disse. Depois colocou o outro recipiente de bronze também com água no fogo até que toda a água, fervendo, se evaporou. Depois, no mesmo recipiente de bronze agora vazio e aquecido no fogo durante vários minutos, Hipátia deitou, com cuidado, água provocando uma nuvem esbranquiçada que se levantou violentamente.
Até aqui nada que os discípulos, nas suas experiências quotidianas da vida, não tivessem presenciado, ainda que sem consciência atenta.

Mas agora as palavras de Hipátia deram uma insuspeita vida ao significado da experiência:
— A água está formada por porções mínimas — começou a explicar — ligadas de modo a darem essa fluidez tão característica da água, não muito diferente de uma multidão que se precipita pelas ruas ou esperam, mais ou menos agitadas, na ágora. Estas «porções mínimas» podem ser libertadas pela energia penetrante de um raio de luz, elevando-se no ar, deixando de estar presas umas às outras e obrigadas a seguir, por essa ligação, os seus movimentos. Também podem ser libertadas pelo calor, que as agita violentamente: o ar que estava preso na água, expandindo-se pelo calor, quer ser libertado e empurra para cima para vol­tar ao seio da sua mãe, arrastando porções mínimas de água desde o fundo; porções que finalmente são libertadas pela agitação que nelas imprime o fogo. No terceiro caso é com suma violência que passam do seu estado fluido ao aéreo transformando-se numa nuvem branca, semelhante em tudo às nuvens que vemos no céu. Tudo isto poderemos deduzi-lo facilmente do que vimos. Pensai agora o seguinte utilizando a chave da analogia:
— As nossas almas encadeadas na matéria — começou a dizer Hipátia — são como essas «porções mínimas» de água. Quando nelas incide um raio de inteligência que provém do grande Sol de Bondade, que é o Rei da Natureza no visível e invisível, podem assim libertar as suas consciências das ataduras do mundo: deixarem de ser escravas da sua agitação e ondulações. Segundo a Filosofia Estóica, e também as tradições herméticas, no fim dos tempos o Fogo consome toda a existência libertando as almas das ataduras que a necessidade de experiência forjou. Os cristãos apropriaram-se desta ideia de «final dos tempos» vulgarizando-a e temendo-a iminente. Na realidade, estes ciclos do fim da própria Natureza em que tudo se dissolve num espaço puro e imaculado, são anéis de um tempo para nós quase infinito, milhares de milhares de milhares de anos. Quem pode imaginar a duração da vida do Universo? E no entanto, se nasceu, está submetido à Lei e deve morrer ainda que bem possamos chamar Eternidade a esta duração. Além disso é certo que todo o fim de um ciclo, por muito pequeno que seja, invoca em parte esta «morte da Natureza». Assim não o faz o Inverno, o sono, ou a morte de um indivíduo, ou o tempo que medeia entre uma res­piração e a seguinte?

Os tempos de agitação que vivemos são extremamente infelizes pelo mar de dor que parece que irá submergir cidades e campos e onde às catástrofes naturais devemos somar a estupidez e injustiça humanas. É como se as Fúrias e Erínias desatadas bebessem o sangue da felicidade humana, já pouca neste mundo de sombras. E no entanto há muitas almas que neste tumulto, realizando grandes sacrifícios, com sofri­mentos e cheias de compaixão, se libertam como a água que antes vistes borbulhando. O problema é que nessa libertação a agitação psíquica é tão grande que, enquanto se efectua, grandes erros podem ser propagados pois a sabedoria divina mistura-se com as imagens psíquicas de crenças irracionais gerando monstros de irrealidade, como do mundo onírico; formas mentais com que devemos conviver todos os dias, usadas por gente poderosa e sem escrúpulos para acorrentar ainda mais os ignorantes.

— Isto é semelhante ao que sucede com os ascetas — continuou Hipátia — que passam anos a fazer exercícios místicos mas que não purificaram e ordenaram as suas mentes com a filosofia e segundo o modo progressivo das Escolas de Mistérios, onde a libertação da Alma Humana é uma Ciência mil vezes provada. Os Amos da Caverna, como chamava Platão, aproveitam-se, repito, destas corporizações da fantasia, quer para acorrentar ainda mais os prisioneiros ou para que estes, se romperam as suas correntes, em vez de saírem para a luz se percam nos labirintos sem saída desta caverna. Não é o mesmo, insisto, tentar levar os outros para a luz de um Sol que se pressente através do voo, cavalgando um raio de inteligência que nos arranca da massa que não pensa, ou através do sacrifício e da abnegação compadecida da alma pelo sofrimento alheio, do que aproveitar-se do sofrimento e da ignorância dos outros, manipulando-os para aumentar um poder animal e não humano… sentindo assim o prazer do macho dominante da manada. De qualquer modo, insisto que estes tempos são uma oportunidade para muitas almas e mesmo que o que se vislumbre seja uma noite duradoura – é melhor nem pensar de quantos séculos – devemos continuar a trabalhar esforçadamente. A Filosofia ensina-nos a ordenar a nossa mente e afectos para sermos abençoados por esse raio de inteligência que nos devolva a pura autenticidade de sermos nós mesmos, como o são os números primos, e não um produto das influências alheias, ondulando nesse mar das opiniões e do não ser em que nada é duradouro nem consistente — concluiu Hipátia.

 

 

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