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Alexandre, o Grande


A procura do túmulo de Alexandre tem sido objecto de numerosas expedições; cifram-se em cerca de 150 só no século XX. 

Poucas figuras históricas despertaram tanto interesse e debate sobre as vicissitudes que acompanharam a sua vida e a sua morte, como a do jovem rei macedónio. Filho de Olímpia e de Filipe II, e continuador da sua obra, com uma potência conquistadora que o levou a unir Oriente e Ocidente com laços frutíferos, serviu de modelo para todas as empresas civilizadoras que se puseram em marcha a partir da sua breve, mas fulgurante passagem pela História. Alexandre morreu a 10 de Junho do ano 323 a.C. na Babilónia, aos 32 anos de idade, provavelmente vítima de febre tifoide agravada com perfuração pulmonar e paralisia progressiva, que venceram a sua forte natureza. Havia dado forma a um vasto império, estabelecendo laços e relações entre os homens dos distantes extremos do mundo, deixando marcas inolvidáveis de cultura e civilização.


"(...)O seu génio como estratega, a sua habilidade organizativa, as suas qualidades como líder, as suas sensibilidade e capacidade para apreciar diversidades culturais, ficaram reflectidas em inumeráveis obras, entre a História e a Lenda(...)"



Não há duvida que o grande mistério de Alexandre se encontra na sua trajectória de vida, na forma como conseguiu conduzir os seus homens através de meio mundo; primeiro dominar a península grega, depois cruzar os Dardanelos, enfrentar e vencer o temido império persa, a invencível cavalaria bactriana, para chegar até ao rio Indo, em pleno coração do Oriente longínquo. O seu génio como estratega, a sua habilidade organizativa, as suas qualidades como líder, as suas sensibilidade e capacidade para apreciar diversidades culturais, ficaram reflectidas em inumeráveis obras, entre a História e a Lenda, desde épocas muito próximas à da sua morte. No entanto, há elementos que parecem desafiar as investigações e permanecem na obscuridade, fundamentalmente no que se refere à sua morte e ao destino dos seus restos mortais.

“Hoti to Kratisto”

Após doze anos de conquistas, vencido por uma doença que consome cada vez mais as suas forças, Alexandre reúne os seus oito generais no comando, os seus companheiros mais próximos que o haviam seguido em mil batalhas, e que detinham já postos de responsabilidade no império. Alguém formula a pregunta decisiva: “A quem designa como sucessor?”. O significado da resposta do rei continua, todavia a discutir-se: “Hoti to kratisto”, o que pode querer dizer: “o mais forte”, ou talvez “ o melhor”, ou inclusive, “o mais apto”. A ambiguidade da expressão permite todo o tipo de interpretações, tal como sucedeu entre os oito guerreiros macedónios. Pérdicas, o seu segundo na linha de comando, tinha recebido o anel real, pelo que pode considerar-se sucessor. Também se tem especulado com a possibilidade de, em sussurro, devido provavelmente a uma pneumonia, que complicava ainda mais o seu estado, tivesse pronunciado o nome de Cratero, o seu general mais fiel, o qual havia já designado como regente da Macedónia. 


" Alguém formula a pregunta decisiva: “A quem designa como sucessor?”O significado da resposta do rei continua, todavia a discutir-se:“Hoti to kratisto”, o que pode querer dizer: “o mais forte”, ou talvez “ o melhor”, ou inclusive, “o mais apto”."


O desmembramento do império de Alexandre, repartido entre os seus mais leais colaboradores, como é sabido, foi a consequência imediata daquela indefinição que muitos consideraram deliberada por parte do líder, que conhecia muito bem os seus homens, que não eram tão fáceis de comandar mesmo por uma autoridade superior. As discussões despoletaram-se no dia a seguir à sua morte e os acordos a que chegaram não convenceram os exércitos, pelo que, a instabilidade e as contínuas disputas caíram como uma sombra ameaçadora sobre os imensos territórios dos dois extremos do mundo.

Um Longo Enterro

A luta pelo poder, que ocorreria a seguir, teve um antecedente simbólico com o que sucedeu com o cadáver do grande rei.

Aristandro, adivinho da corte, havia anunciado que o país no qual se enterrasse Alexandre gozaria de fortuna e prosperidade. Por outro lado, o próprio rei tinha expressado o seu desejo de ser enterrado no templo de Amón, no oásis de Siwa, onde os sacerdotes o haviam reconhecido como filho do supremo Amon Ra, quando visitou o santuário em 331, depois de arrebatar o Egipto aos persas. 

Pérdicas, que havia sido confirmado como regente pelos outros generais macedónios, tendo muito em conta a predição de Aristandro e, pelo contrário, ignorando a vontade do rei, determinou que o cadáver fosse transladado para a Macedónia, para repousar no panteão dos seus antepassados. A trasladação servir-lhe-ia de pretexto para enviar tropas bem apetrechadas, pois já tinham tido lugar as primeiras reações de rebeldia face à sua designação como regente. 


« Mas Ptolomeu não cumpriu o desejo do seu rei e, em vez de levar o corpo para Siwa, resolveu construir um mausoléu no centro de Alexandria, que seria, a partir de então, a necrópole real da dinastia por ele instaurada. »



Em vez da tradicional cremação em pira funerária, embalsamou-se o cadáver à maneira egípcia e envolveu-se num sudário feito com lâminas de ouro, que reproduzia fielmente os traços do seu rosto, segundo conta o historiador romano Diodoro Sículo. Após dois anos de trabalhos, preparou-se um catafalco magnificamente adornado com ouro e pedras preciosas. Sessenta e quatro mulas encarregar-se-iam de o levar ao longo de mais de 3000 quilómetros, escoltado por uma guarda de honra, a mando de um nobre macedónio, lugar-tenente do rei morto. O cortejo fúnebre, impressionante pela sua imponência, partiu de Babilónia, em direção ao Norte, seguindo o curso do Eufrates, para continuar em direção à antiga cidade persa de Opis e depois para noroeste seguindo o rio Tigre, lentamente, talvez não mais de 15 quilómetros por dia, recebendo a homenagem de milhares de pessoas que acudiam a ver passar a comitiva. O percurso continuava rodeando o deserto da Síria e ao longo da costa, em direção à actual Iskenderum, na Turquia. Ali, Ptolomeu Lágida, que tinha sido nomeado governador do Egipto, à frente de um exército, veio ao encontro do préstito, obrigando o cortejo a tomar a direção do Egipto. É óbvio que Pérdicas, ao tomar conhecimento da notícia, acorreu à luta, mas nem teve tempo de chegar ao território controlado por Ptolomeu, pois foi assassinado no caminho. Nenhum outro general ousou disputar o corpo de Alexandre. 

Mas Ptolomeu não cumpriu o desejo do seu rei e, em vez de levar o corpo para Siwa, resolveu construir um mausoléu no centro de Alexandria, que seria, a partir de então, a necrópole real da dinastia por ele instaurada. 


«Entre todas as conjetcuras, a mais verosímil, aponta sempre aos subterrâneos da já referida mesquita do Profeta Daniel, se bem que até ao momento, as investigações que se levaram a cabo na zona não ofereceram a menor pista, sobre qual pudesse ser o local de repouso de uma das mais brilhantes personagens da nossa História.»


O lugar escolhido para o enterro do rei fundador da cidade encontrava-se no seu centro, na interseção das suas duas vias principais, uma das quais é actualmente a rua Nebi Daniel. O lugar rapidamente se converteu em centro de peregrinação, assim como no talismã da dinastia ptolomaica. Quando Octávio vence Marco António e Cleópatra, a sua primeira visita foi ao túmulo de Alexandre, tal como antes dele, tinham feito Júlio César e Marco António, segundo narra o historiador Dión Casio. Diz-se também, que Calígula trouxe uma parte da armadura de ouro que cobria o corpo embalsamado do rei macedónio, e usava-o como talismã protector; e que Caracalla se despojou do seu manto púrpura e, em sinal de respeito e veneração, cobriu com ele o corpo de Alexandre. 

Segundo o professor de História da universidade de Houston, Frank Holt, tudo parece indicar que por volta do final do século IV, a onda de destruição de lugares pagãos, encabeçada pelo patriarca Teófilo de Alexandria, originou a demolição do mausoléu dos ptolomeos e, assim, o túmulo de Alexandre; tal como tinha sucedido com outros monumentos, como o templo dedicado a Serapis. O motivo não era tanto uma vingança histórica, mas um ataque directo ao facto de que os reis defuntos serem considerados deuses. No seu lugar, edificou-se uma igreja dedicada a São Atanásio, que foi convertida em mesquita em 640. O antigo edifício foi demolido e sobre ele construiu-se a actual mesquita do profeta Daniel. As criptas e as catacumbas que se encontram no subsolo, suscitaram conjeturas sobre a possibilidade de alguma delas albergar os restos do rei macedónio.

Em Busca do Túmulo de Alexandre

A procura do túmulo de Alexandre foi objecto de inúmeras expedições; cifram-se em 150 só no século XX. O próprio Schliemann, o descobridor de Troia, em 1888 solicitou autorização às autoridades egípcias para escavar por baixo da mesquita do profeta Daniel, mas não lha concederam. Outro explorador célebre, Howard Carter, pouco tempo antes de morrer, afirmou enigmaticamente que sabia onde estava o túmulo de Alexandre Magno, mas que o segredo morreria com ele, como efectivamente aconteceu. Em 1960 uma equipa arqueológica polaca escavou os arredores da mesquita até quinze metros de profundidade, sem encontrar nenhuma sepultura. 

Quando em 1977 o arqueólogo grego Manolis Andronikos descobre os túmulos reais na Macedónia, um dos quais, segundo os indícios, albergou o corpo de Filipe II, pai de Alexandre, voltaram as expectativas e a esperança de encontrar a do seu filho. Mais recentemente, em 1991, organizou-se uma expedição, com a finalidade de escavar de novo por baixo das criptas da mesquita, que também não teve êxito, dado que os arqueólogos rivais convenceram as autoridades religiosas de que não era necessário continuar uma investigação sobre algo que já se sabia. Em Janeiro de 1995 um par de arqueólogos, os Souvaltze, ratificaram o que em 1991tinham anunciado com pompa e circunstância: a sua descoberta do túmulo de Alexandre Magno no oásis de Siwa. Após o entusiasmo inicial, outra equipa de arqueólogos, desta vez grega, comprovou que os achados correspondiam um templo de época romana. 


«No Museu Arqueológico de Istambul, um magnífico sarcófago, encontrado por casualidade em 1887 na necrópole real de Sidón, no actual Líbano, durante muito tempo foi considerado o “sarcófago de Alexandre”»



Paralelamente a estas tentativas persistiu a lenda que nega que o cadáver de Alexandre tivesse chegado a Alexandria, o que contribuiu ainda mais para a fantasia de localizar os seus restos nos mais diversos locais, desde o vale Ferghana na Asia Central, até Marghilon, uma cidade em plena Rota da Seda. O rumor mais extravagante neste sentido, afirma que o corpo de Alexandre se encontra escondido numa gruta secreta, ao sul do estado de Illinois. 

No Museu Arqueológico de Istambul, um magnífico sarcófago, encontrado por casualidade em 1887 na necrópole real de Sidón, no actual Líbano, durante muito tempo foi considerado o “sarcófago de Alexandre”. O monumental sepulcro, construído em mármore pentélico por um desconhecido, ainda que experiente escultor helénico, mostra no seu perímetro cenas da vida do grande rei: caçando, lutando contra os persas…. Calculou-se que terá sido construído na segunda metade do século IV a.C., pelo que, bem poderia ter servido para albergar os preciosos restos mortais. Não obstante, os estudiosos do assunto descartaram tal hipótese, e atribuíram o luxuoso túmulo ao rei fenício de Sidón Abdalonymos, o qual manteve uma excelente relação com Alexandre, que o colocou à frente da sua região. Por outro lado, não parece provável que um corpo mumificado e envolvido em ouro, destinado a ser visto, se guardasse num sarcófago de mármore, tendo em conta, para além disso, que se tornaria extraordinariamente pesado de trasladar até Siwa. Outra hipótese possível, aponta para que o próprio rei de Sidón o tivesse mandado esculpir, como oferenda póstuma ao seu rei amigo, quem sabe se com a esperança de que pudesse permanecer na sua cidade para sempre. 

Entre todas as conjetcuras, a mais verosímil, aponta sempre aos subterrâneos da já referida mesquita do Profeta Daniel, se bem que até ao momento, as investigações que se levaram a cabo na zona não ofereceram a menor pista, sobre qual pudesse ser o local de repouso de uma das mais brilhantes personagens da nossa História.

Maria Dolores F. Figares


Bibliografía:
Jacques Benoist-Méchin : Alejandro Magno. Caralt. Barcelona, 1984. 
Pseudo Calístenes: Vida y hazañas de Alejandro de Macedonia. B. Clásica Gredos. Madrid, 1977. 
T. Peter Limber: Alexander the Great Mystery. Saudi Aramco World. June, 2001. 
E.M. Forster: Alexandria: a History and a Guide. Peter Smith. Gloucester, Mass., 1968.

 

 

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