Os Avanços Tecnológicos na Antiguidade
As conquistas da ciência moderna são extraordinárias, mas com a nossa civilização de naves espaciais, arranha-céus e computadores, somos susceptíveis a minimizar os avanços científicos da antiguidade.
As pessoas dos tempos primitivos tinham já muitos dos problemas que enfrentamos hoje, e às vezes quase os resolviam de forma semelhante. Por exemplo, os antigos romanos mudavam em algumas ruas principais a direcção do tráfego durante as horas de ponta. A cidade de Pompéia dispunha de polícias de trânsito sinaleiros para resolver o problema do congestionamento de tráfego. Há mais de 2.500 anos atrás, placas indicadoras das ruas já se usavam na Babilónia, com alguns nomes interessantes, como por exemplo, a "rua que nenhum inimigo pode pisar ". Em Nínive, a capital da Assíria, aparecia o seguinte: " Estrada Real - Proibição de Estacionamento".
Heron, um engenheiro de Alexandria, construiu uma máquina a vapor que utilizava, tanto os princípios da turbina como os de propulsão a jacto. Caso não tivessem acontecido os repetidos incêndios da Biblioteca de Alexandria, poderia ser conhecida a história do carro a vapor existente no Egipto. Pelo menos sabemos que Heron inventou um tipo de conta-quiilómetros que registava a distância percorrida por um veículo.
As escavações em Mohenjo Daro, Harappa e Kalibanga no Paquistão e na Índia revelaram o surpreendente facto de há 4500 anos atrás, ter existido um plano director urbano. As ruas dessas cidades antigas eram rectas e os quarteirões rectangulares. Descobriu-se também um sistema de fornecimento de água canalizada e um sistema de esgotos, ambos muito bem organizados.
Os tijolos com que se construíram estas cidades eram cozidos pelo fogo. Por causa da sua solidez, foram usados pelos britânicos na construção do leito do caminho-de- ferro na linha de Karachi - Lahore, há mais de cem anos atrás. Também é notável que estes tijolos sejam ainda hoje fabricados na zona de Mohenjo Daro, de acordo com os protótipos provenientes das ruínas. Isso mostra que a tecnologia tinha alcançado um pico no passado distante insuspeito na Índia e que, por alguma razão, não terá progredido. A partir daí, tudo se resumiu à imitação das técnicas antigas.
"...Numa das catacumbas do século VI, há uma pintura que mostra um grupo de mulheres que levam presentes. Quando a luz está acesa, a bela pintura não tem perspectiva. Mas quando o guia apaga as luzes, as figuras nas paredes tornam-se tridimensionais como se estivessem feitas em mármore. Este efeito fantástico foi obtido pelo pintor graças ao uso inteligente da tinta e pintura brilhante, cujo segredo está perdido para sempre..."
No antigo Egipto, o nível da qualidade da joalharia, tal como da arquitectura, foi superior nos períodos iniciais. Anéis, colares, brincos, tiaras e coroas da Dinastia V-XII expostos no Museu do Cairo e no Metropolitan Museum de Nova York, têm um acabamento perfeito e são mais bonitas do que as peças de dinastias posteriores. E entre as pirâmides do Egipto, as primeiras estruturas são superiores em termos de qualidade da sua construção. A curva de progresso iniciou no Egipto um declínio acentuado por volta de 1600 aC.
Curiosamente, as camadas mais subterrâneas de Mohenjo Daro mostram instrumentos de qualidade superior e uma joalharia mais refinada do que aqueles das camadas superiores.
Modernas empresas de navegação italianas devem ter copiado a ideia dos luxuosos navios de curso regular, dos antigos romanos; dois navios romanos, encontrados na década de 1920, no fundo do lago Nemi, na Itália, foram restaurados entre os anos de 1927 e 1932. Os navios eram grandes e espaçosos, e possuíam quatro linhas de remadores. Estava prevista a lotação de 120 passageiros em 30 cabines com quatro beliches em cada, e os espaços adequados para a bagagem. Os barcos foram ricamente decorados; pisos de mosaico com cenas de " A Ilíada ", as paredes feitas com painéis de madeira de cedro e pinturas, que decoravam a sala de estar e a biblioteca. Um relógio de sol no tejadilho indicava a hora, e acredita-se que uma pequena orquestra entretivesse os passageiros no salão.
Na popa havia um grande restaurante, com a correspondente cozinha. Os passageiros desfrutavam de pão fresco, recem-cozido, para o pequeno-almoço e as ementas das refeições eram comparáveis ??em termos de exuberância, com a decoração da sala de jantar. Algumas descobertas são surpreendentes: recipientes de cobre que forneciam água quente para banhos e objectos de banho absolutamente modernos, especialmente as canalizações e as torneiras de bronze. Séculos mais tarde, Colombo e Magalhães não teriam sequer sonhado com tais barcos!
Ainda que os utensílios sanitários de porcelana não fossem uma prova de cultura elevada, demonstram a presença de uma tecnologia e de um estatuto sanitário, desenvolvidos. Apenas 200 anos atrás era visível a sua ausência. No entanto, 4.000 anos antes eram comuns na cidade de Cnossos, em Creta , as casa de banho privativas, com um sistema central de esgotos e canalizações em cerâmica.
Os quartos do Palácio de Minos eram ventilados por chaminés de ar. Com quartos de qualidade e excelentes casas de banho e sanitários; o palácio não era apenas "moderno", mas tão grande como o Palácio de Buckingham .
Em Chan Chan, a capital do império Chimu na América do Sul, que floresceu entre os séculos XI-XV foram descobertas canalizações para água quente e fria em casas de banho decoradas em tons azuis. Este feito tecnológico, não existia na Europa na época de Ricardo Coração de Leão ou Joana d' Arc.
As pinturas das cavernas de Ajanta, perto de Mumbai, são admiradas pelos turistas. Muito tem sido escrito sobre a excelência dessas obras de arte, mas pouco foi revelado sobre os preparados ou tintas luminosas utilizadas nestes murais. Numa das catacumbas do século VI, há uma pintura que mostra um grupo de mulheres que levam presentes. Quando a luz está acesa, a bela pintura não tem perspectiva. Mas quando o guia apaga as luzes, as figuras nas paredes tornam-se tridimensionais como se estivessem feitas em mármore. Este efeito fantástico foi obtido pelo pintor graças ao uso inteligente da tinta e pintura brilhante, cujo segredo está perdido para sempre.
Na cidade de Ahmedabad, em Gujarat, existem dois minaretes do século XI em frente dos quais se ergue um arco com uma lacónica inscrição: " Torres balançantes. Segredo desconhecido ". A altura dos minaretes é de vinte e cinco metros, e a distância entre eles de oito. Enquanto um grupo de visitantes atinge o topo de uma torre, o guia desce até á varanda da outra, agarra o gradeamento e começa a balançar o seu minarete. Imediatamente a outra torre começa a oscilar, com o consequente divertimento ou alarme dos visitantes. Estes feitos notáveis ??demonstram que as raízes da ciência mergulham surpreendentemente no passado.
Uma das sete maravilhas do mundo foi o farol de Alexandria, cento e trinta e cinco metros de altura, localizado na ilha de Pharos e construído em mármore branco. A torre tinha um espelho móvel que durante a noite, projectava a sua luz de forma que podia ser vista da uma distância de quatrocentos quilómetros. O farol existiu desde o ano 250 aC até 1326 da nossa era, quando um terramoto o destruiu.
Muitas destas realizações dos povos da antiguidade não foram superadas em séculos posteriores. Na Idade Média a humanidade regrediu em termos de progresso científico, e apenas durante os últimos 300 anos a ciência começou novamente a sua recuperação.
"A terra é redonda e gira em torno do Sol", dizia Anaximandro (610-547 aC). "A Terra é um globo", ensinava Pitágoras aos seus discípulos, em Crotona, no século VI antes de nossa era.
Aristarco de Samos (310-230 aC) afirmava que a Terra se movia numa órbita ao redor do sol girando ao mesmo tempo sobre o seu eixo. Ele acrescentou que todos os planetas se moviam em torno do sol.
" Rig Veda ", o livro sagrado da Índia, contém uma passagem curiosa onde se refere às "três terras " (uma dentro da outra): "A Terra tem três zonas de espessura: o núcleo interno, o núcleo externo e o manto, para alem de uma fina crosta". Somente graças ao progresso científico e perfeição dos nossos instrumentos se conseguiu descobrir a verdade transcrita no " Rig Veda " .
É evidente que devemos muito mais aos nossos antepassados do que imaginamos. Aqueles que costumamos designar um pouco depreciativamente como " antigos " possuíam tantos conhecimentos científicos como os que temos hoje. As ferramentas técnicas do homem da Antiguidade foram significativamente subestimadas.
Estamos em dívida com esses misteriosos portadores da tocha da civilização, nessa idade de ouro na qual os "milagres " da ciência eram, talvez, tão comuns como são hoje.
Estas e outras questões levam-nos por si mesmas a questionarmos que talvez a origem da civilização seja mais antiga do que supomos.
Juan Prades