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De Hildegarda para Bernardo, Abade de Claraval

Oh venerável padre Bernardo, apresento a minha súplica perante vós, pois grandemente honrado por Deus, trazeis medo à imortal ignorância deste mundo, e em vosso intenso zelo e ardente amor pelo Filho de Deus, reunis os homens [Lucas 5.10] no exército de Cristo para lutar sob o estandarte da Cruz contra a selvageria pagã. Rogo-vos em nome do Deus Vivo que atenteis às minhas dúvidas.

Padre, encontro-me num grande distúrbio devido a uma visão que me surgiu através de revelação divina, uma visão não vista com os meus olhos de carne, mas só pelo meu espírito. Desgraçada, e de facto mais desgraçada na minha condição de mulher, tenho desde a mais tenra infância visto grandes maravilhas, que a minha língua não tem o poder de expressar, mas que o Espírito de Deus me ensinou que deveria acreditar.

Firme e gentil padre, na vossa bondade concedei uma resposta a mim, a vossa indigna serva, que nunca, desde a mais tenra idade, viveu uma hora livre da ansiedade. Na vossa piedade e sabedoria procurai no vosso espírito, como vos foi ensinado pelo Espírito Santo, e do vosso coração trazei o conforto a esta vossa serva.

Através destas visões que tocam o meu coração e alma como uma chama ardente, ensinando-me significados profundos, tenho um entendimento interno dos Salmos, dos Evangelhos e de outros livros.

Apesar disso, não recebo este conhecimento em alemão. De facto, não tenho nenhuma formação formal, pois só sei ler ao nível mais básico, certamente sem uma análise profunda. Mas, por favor, dai-me a vossa opinião neste assunto, porque não tenho instrução, nem educação em matéria externa, pois só aprendi internamente, no meu espírito. Daí o meu discurso inseguro e hesitante.

"Através destas visões que tocam o meu coração e alma como uma chama ardente, ensinando-me significados profundos, tenho um entendimento interno dos Salmos, dos Evangelhos e de outros livros."

Quando ouvir da vossa piadosa sabedoria, serei confortada. Pois salvo uma única excepção, a de um certo monge, em cuja exemplar vida confio plenamente, não tive a coragem de contar estas coisas a ninguém, já que ouvi tantas heresias fora do nosso território. Tenho, de facto, revelado todos os meus segredos a este homem, e ele deu-me consolação, nestes grandes e temíveis assuntos.

Agora Padre, pelo amor de Deus, procuro a vossa consolação, para que a possais assegurar-me. Há mais de dois anos, efectivamente, vi-vos numa visão. Como um homem a olhar directamente para o sol, audacioso e sem medo. Chorei, porque eu própria sou tão tímida e receosa. Bom e gentil padre, fui colocada ao vosso cuidado, para que possais revelar-me através da vossa correspondência se devo falar destas coisas abertamente ou guardar o meu silêncio, porque tenho grande ansiedade acerca desta visão, relativamente de quanto devo falar do que vi e ouvi. Entretanto, porque mantive o silêncio acerca desta visão, tenho mantido a discrição, acamada com as minhas enfermidades e incapaz de me levantar.

Por isso, choro a vós em dor. Na minha natureza, estou instável porque estou presa no lagar (1), aquela árvore enraizada em Adão pelo engano do diabo e que levou ao seu exílio neste mundo desobediente.

Agora, elevando-me, corro para vós. E digo-vos: não sois instável, mas sempre elevais a árvore, uma vitória em vosso espírito, elevando-se não só a vós próprios, mas também todo o mundo para a salvação. Sois de facto a águia olhando directamente para o sol.

Imploro a vossa ajuda, através da serenidade do Pai, da Sua maravilhosa Palavra e através do suave líquido da compunção, o Espírito da verdade [cf. João 14.17; 16.13] e através desse som sagrado, que ecoa toda a criação, e através da mesma Palavra que fez nascer o mundo, e através da grandeza do Pai, que enviou a palavra com doces e abundantes frutos para o ventre da Virgem, donde Se fez carne, tal como mel é rodeado pela colmeia. E que possa o som, o poder do Pai, cair sobre o vosso coração e elevar o vosso espírito, para que possais responder celeremente as estas minhas palavras, levando em atenção, claro, a procura de todas estas coisas em Deus – relativamente à pessoa ou ao próprio mistério – enquanto passais pelo portão da vossa alma, para que possais conhecer todas estas coisas em Deus. Até breve, sejais forte em vosso espírito, e um poderoso guerreiro por Deus.

Ámen.

 

Abade Bernardo de Claraval para Hildegarda

Irmão Bernardo, chamado Abade de Claraval, oferece a Hildegarda, amada filha em Cristo, o que a prece de um pecador pode alcançar.

Será talvez de atribuir à vossa humildade, que pareceis possuir uma elevada consideração pelas vossas pobres capacidades, que eu próprio reconheceria. Ainda assim, fiz algum esforço para responder à vossa carta de amor, apesar da pressão dos afazeres obrigar-me a responder mais sucintamente que desejaria.

"Regozijamo-nos na graça de Deus que está em vós."

Regozijamo-nos na graça de Deus que está em vós. E, além do mais, temos de seriamente urgir-vos e implorar-vos para que reconheceis este dom como a graça e a responder sequiosamente com toda a humildade e devoção, com o conhecimento que “Deus opõe-se aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes.” (Tiago 4.6; I Pedro, 5.5). Mas, por outro lado, quando o aprendizado e o ungir (que revela todas as coisas para vós) está dentro de vós, que conselho poderíamos dar?

E por isso pedimos-vos mais, e humildemente rogamos, que lembrei-vos de nós perante Deus, não só nós, mas todos aqueles que nos estão ligados em comunidade espiritual.    


(1) Hildegarda utilizava muitas imagens nos seus escritos. Esta, em particular, parece ser uma fusão entre a árvore do Paraíso e o lagar de Isaías, onde ele esmagou as uvas da ira (63.3).


 

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