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Como Lidar com a Depressão

 

Como lidar com a depressão

 

A depressão constitui hoje um dos problemas de saúde que mais afecta as nossas sociedades modernas, originando problemas sociais e relacionais extremamente profundos e com consequências, por vezes, terríveis, de degradação humana.
Trata-se de um problema de saúde extremamente complexo e que, infelizmente, hoje sofre de uma abordagem extremamente mecanicista e química do ser humano que leva ao consumo de toneladas de medicamentos que, por vezes, só conseguem, (e quando o conseguem), calar os gritos da alma.

 

Um mal-estar não é uma doença



Criou-se um falso mito de que a vida é uma “festa”, que o “normal” é todos sermos ou parecermos ser eternamente jovens, não termos problemas e vivermos a apanhar Sol nas Bahamas ou em qualquer outro local exótico. Esta imagem é-nos projectada minuto a minuto sobre as mais diversas formas e pretextos e assim nos sonhamos, mas quando temos que passar realmente à vida, constatamos que pouco a pouco já não somos tão jovens nem tão belos como os modelos apresentados, que temos compromissos e problemas, etc… O momento terrível acontece! Afinal a minha vida é um tormento, não vivo, pois não corresponde ao “modelo”.


"O mal-estar não é uma doença, é uma oportunidade!"


Deixámos de perceber que os problemas não só são parte integrante da vida, mas que são um ingrediente essencial dela e que, por isso, não podemos estar “sempre na crista da onda”, a vida tem ciclos, altos e baixos e não é um processo linear de crescimento.

É perfeitamente natural que uma pessoa se preocupe com os acontecimentos importantes da sua vida, que tenha momentos em que onde se sinta melhor e em que onde se sinta pior, em que onde tenha momentos de inquietação, hesitação, de dificuldade em encontrar soluções, etc.

Hoje vivemos uma pressão de “marketing” para convencer as pessoas de que o seu mal-estar é uma doença. O mal-estar não é uma doença, é uma oportunidade!

 


Quando a vida se torna doença!...

Transformamos os problemas e obstáculos naturais na vida de qualquer ser humano em doenças. Qualquer pessoa que vai a um psiquiatra sai com um diagnóstico de doença mental:

Timidez - Desordem de Ansiedade Social
Saudades de casa – Perturbação de Ansiedade de Separação
Desconfiança – Perturbação de Personalidade Paranóica
Ter altos e baixos – Distúrbio Bipolar
Ser distraído – DHDA (Distúrbio de Hiperactividade/Deficiência de Atenção)

Podemos, assim, verificar que a classificação das doenças psiquiátricas é baseada em sintomas verificáveis em qualquer pessoa, em diferentes momentos da vida.



A venda da felicidade

A Venda da Felicidade

 

As drogas psicotrópicas surgiram como um grande logro para o ser humano, como anunciava o primeiro slogan publicitário do Prozac: “Escolha o seu humor”. Estas drogas foram implementando a ideia da panaceia ou “banha da cobra” para a resolução de todos os problemas da vida.

Havia que criar um mito “científico” que apoiasse esta nova indústria. Assim surge a teoria do desequilíbrio bioquímico dos neurotransmissores do cérebro, criada pelo Dr. Joseph Schildkraut (1965), que, embora não confirmada, foi logo aceite como uma “lei muito útil”.

Até hoje, continua a não existir qualquer teste objectivo que prove que existe algo fisiológica ou bioquimicamente errado a criar os sintomas típicos da depressão.

 

 



Não existe nenhuma forma de medir o que é normal nem qualquer “anormalidade”. As únicas alterações bioquímicas que podemos provar são aquelas que são introduzidas pelas drogas psicotrópicas.


Os desafios da vida

Não são necessários medicamentos para enfrentar os desafios normais da vida, mas sim, uma filosofia de vida, uma “filosofia aplicada”.

A vida não é uma doença e as dificuldades e atribulações, em relação às quais se pode sentir por vezes um mal-estar, também não são sintomas de doença.

Nem sempre podemos alterar as circunstâncias da nossa vida, mas podemos sempre mudar a forma como as interpretamos.



Os condicionalismos

Os Condicionalismos


É necessário compreender as forças que condicionam os hábitos, preferências, ambições, aversões, bem como outros factores, que condicionam e influenciam a personalidade.

“A maior descoberta da minha geração é que os seres humanos podem mudar a sua vida alterando as suas atitudes.” - William James.

É necessário compreender, não apenas aquilo em que se acredita, mas também aquilo que nos levou a acreditar, quais as razões que se tem para acreditar, em que medida as nossas convicções afectam a forma como vivemos e até que ponto as nossas convicções são a fonte do nosso bem-estar, do nosso mal-estar ou da nossa doença.



Os nossos pensamentos

“A felicidade da sua vida depende da qualidade dos seus pensamentos” - Marco Aurélio

A consciência é a fonte que nos permite pensar e que se alimenta incessantemente para produzir o pensamento. Ingere todo o tipo de alimentos, alguns mais tóxicos do que outros: intenções, vontades, preconceitos, razões, paixões. Se queremos pensar com clareza, temos de alimentar a nossa mente com os alimentos mais saudáveis que houver. Estes alimentos são a filosofia: pensamentos grandiosos por oposição a pensamentos disparatados, circulares, mesquinhos, etc.



O que é que nos faz pensar que algo está errado?

O que é que nos faz pensar?



“Ninguém deixa de ter problemas enquanto se mantiver pela corrente da vida” - Carl Gustav Jung

A dor e o desconforto não são necessariamente ou sempre coisas más. O prazer também não é necessariamente ou sempre uma coisa boa. O sofrimento é bom quando nos avisa de que há algo que não está bem e requer a nossa atenção. O prazer é uma coisa má quando não nos avisa de que algo está errado e que requerer a nossa atenção (as evasões).

Deve-se dar atenção e utilizar os sinais que vamos recebendo de que há qualquer coisa de errado para podermos corrigir.

Mascarar os sintomas sem resolver o problema subjacente pode ser desastroso.

 

 



Há algo de errado com a vida ou consigo?

“As pessoas não se perturbam com as coisas, mas com a forma como vêem as coisas.” - Epicteto
Há uma questão importante que se deve colocar a quem sofre:

Sofrem porque há algo de errado com elas, como uma doença? Ou sofrem porque estão a enganar-se a si próprias, com o seu mal-estar, transformando-o numa doença para não mudarem?


A vida é mudança

Mudança



A vida está sempre pronta a mudar-nos. Quando é que nós vamos estar prontos para a mudar a vida?
Um mal-estar, se não for resolvido, pode acabar por se transformar numa doença.

Um estado persistente de mal-estar pode contaminar os pensamentos, palavras e actos, indo afectar também negativamente o bem-estar emocional e físico.

É importante encontrar o significado, o objectivo e o valor das experiências vividas

 

 


Como sabemos o que está certo?

 

Como sabemos?


Frente à necessidade de decisão, de resolução, de transformação, sempre esperamos que alguém nos dê a resposta sobre o que é bom, justo e que esteja certo, pois parte-se do princípio de que há um conceito único e universalmente aceite de bem.

Há algumas alternativas mais viáveis do que outras, mas têm que fazer sentido para nós, ir ao encontro das nossas intuições e da nossa experiência e funcionar no nosso caso particular.

“Quem arrisca e falha pode ser perdoado. Quem nunca arrisca e nunca falha é, em si, um falhanço.” - Paul Tillich

 



Mais importante do que tomar a decisão certa é decidir-se, pois só o agir permite conhecer e, tão pouco, existem soluções perfeitas, existem soluções que se vão aperfeiçoando.

 

 

"Não basta mudar a vida e a nós próprios, é necessário transmutar, transformar positivamente a energia da paixão na arte de viver com a razão."

 



O que nos move?

A luta básica do ser humano não é a sobrevivência (busca de comida, abrigo ou parceiro), mas antes a luta de vencer-se a si mesmo (dominar as suas paixões, desejos e ânsias interiores).

A expressão doentia dos nossos apetites e aversões causa todo o tipo de mal-estar.

“Aquele que conquista os outros é poderoso; aquele que se conquista a si próprio é sábio” - Lao-Tsé
A paixão vence tantas vezes que há muitos seres humanos que acreditam estarem “programados” para serem assim.

O que nos move?

 


Não basta mudar a vida e a nós próprios, é necessário transmutar, transformar positivamente a energia da paixão na arte de viver com a razão. Não se trata de erradicar as paixões, mas antes canalizá-las para formas de expressão benéficas e não prejudiciais.



A desumanização

 

A desumanizacao


O síndroma de Fadiga Crónica abunda. Surgem os mais variados tipos de ansiedades e doenças não diagnosticadas, sem que se saiba ao certo a sua causa. Muitas destas doenças e destes problemas resultam da mecanização da humanidade e da desumanização que ela acarreta.

Negligenciar, ignorar ou negar os aspectos espirituais do ser humano não permitem ter uma vida tão plena quanto se poderia ter. Isso pode produzir não só mal-estar como também doenças.

Como lidar



A satisfação das necessidades materiais, emocionais e intelectuais não é suficiente para dar sentido à vida do ser humano.

Se alguém nega a dimensão espiritual poderá estar em perigo, pois, se a causa profunda de um mal-estar for espiritual, negar a existência desse domínio tornará impossível aliviar esse mal-estar.

Muitas pessoas estão a ficar vazias espiritualmente e estão a tentar satisfazer o seu apetite espiritual com comida, drogas, tecnologia, etc.

 

 

 

 


Freud versus Jung

Podemos encontrar em Jung e Freud a expressão de dois caminhos bem distintos para a abordagem do mal-estar do ser humano:

Jung considerava que o mal-estar que afecta a maior parte dos adultos era causado por crises espirituais, internas, não resolvidas.

Freud achava que todo o mal-estar era sintoma de uma doença.

Enquanto que a premissa básica de Freud está em consonância com a abordagem que hoje se faz de diagnóstico e medicação em relação às “doenças”, as posições de Jung vão ao encontro de uma interpretação mais holística dos desafios da vida. Para Jung a vida é uma viagem milagrosa cheia de surpresas e desafios, de alegrias e tristezas, de pensamentos, sentimentos e experiências que tanto nos trazem bem-estar como mal-estar, sendo um erro vermos o mal-estar ocasional da vida como um sintoma de doença.



O culto ao hedonismo

A propaganda ideológica das nossas sociedades actuais é a do prazer incessante e os hedonistas que nela se sustentam sofrem de, pelo menos, três problemas:

1º - Preferem os prazeres imediatos dos sentidos aos prazeres mais prolongados no tempo que advêm da realização de objectivos através da disciplina, do esforço e da paciência.

A gratificação instantânea é sempre de curta duração, por isso os hedonistas estão sempre sedentos de mais prazer.

2º - Não só os seus apetites são insaciáveis como carecem de uma gratificação cada vez maior, para manterem afinal os níveis habituais de insatisfação, o que os torna presas fáceis da escravatura.

3º - A ânsia de um hedonista por uma gratificação imediata pode acabar por matá-lo, pois o seu apetite nunca está satisfeito, mas os seus efeitos cumulativos sobre o corpo, a mente e o espírito são verdadeiramente debilitantes e destruidores.



Crise como renascimento e não como morte

Crise como renascimento



As crises com as suas mudanças, muitas vezes drásticas, não são uma morte, mas um renascimento.

Representam um crescimento do espírito humano à medida que vai afastando antigos hábitos de vida e de pensar mais destrutivos e os vai substituindo por outros mais novos e mais construtivos.

O mal-estar é um amigo, não um inimigo, pois abre o espírito, o coração, a alma a experiências de vida espiritual, obrigando-nos a redefinir o nosso sentido da vida e a humanizarmo-nos mais.

 

 


A Crise como noite da alma

  1. Para os taoistas “é como um remédio que primeiro nos faz sentir pior” ao criar reacção.

  2.  Na obra hindu do Bhagavad Gita, o desânimo de Arjuna foi a chave para a sua salvação ao atrever-se a lutar.

  3.  Na Alquimia, a primeira fase é a putrefacção ou dissolução para se reorganizar em formas mais puras.

“As dores que sentimos são mensageiras. Devemos escutá-los. Devemos transformá-las em doçura.” - Rumi
“A maior parte dos males da vida resulta do facto de o homem ser incapaz de estar sentado em silêncio numa sala.” - Blaise Pascal

As situações da vida estão em movimento constante.

O que permanece é o que se encontra numa dimensão fora do tempo: o nosso ser interior, as nossas ideias grandiosas, o nosso amor verdadeiro, o nosso legado aos outros e, numa dimensão exterior a nós, as forças que sustentam todas as coisas e a dimensão da eternidade que as preserva.

O que necessitamos entender é o sentido da mudança de forma a recuperar-se a harmonia ou equilíbrio interior que a mudança tantas vezes afecta. Embora as ideias só por si não possam alterar a mudança, podem ter uma influência decisiva sobre a forma como respondemos à mudança.



Porque é que a mudança é um problema?


Os hábitos isolam-nos da mudança, pretendem ser um porto seguro (ou a ilusão!) reconfortante frente ao oceano da vida sempre em mudança.

O ser humano necessita de vez em quando de uma renovação pessoal, têm de mudar de pele ou sair da concha para poder crescer. Por vezes as circunstâncias são mais sábias do que as pessoas.

Procuramos muitas vezes a mudança, mas depois resistimos quando não é exactamente aquilo que imaginávamos.

Mudança



Há que saber libertarnos do peso do passado. O facto de uma coisa ter acontecido de determinada maneira no passado, mesmo que por diversas vezes, não terá necessariamente de continuar a acontecer da mesma maneira no futuro. O facto de o passado estar encerrado não significa que o futuro não esteja aberto.

Quando somo confrontados com uma mudança desagradável, é provável que sintamos mal-estar. Em parte, isso deve-se ao facto de pensarmos que esse estado de mudança que estamos a viver nunca vai mudar, mas “Não há tempestade que dure sempre”, ou como diz um outro ditado popular “não há mal que dure sempre nem bem que nunca acabe”.

 



Por vezes, basta mudar a nossa atitude em relação à situação para aliviarmos o mal-estar que ela causa.
As pessoas que não conseguem entrever o fim da sua infelicidade podem tornar-se cegas em relação ao início da sua felicidade.



Tem a adversidade sentido?


“O fogo testa o ouro; a adversidade testa as pessoas fortes.” - Séneca

Os momentos difíceis são mais significativos pela verdade que revelam do que pelo sofrimento que acarretam. Privam-nos do bem-estar e comodidade das nossas vidas e mostram até que ponto estamos preparados para responder.

Quando as coisas correm bem, as pessoas raramente se questionam. Mas quando as coisas correm mal, as pessoas ficam, de repente, cheias de dúvidas.

Nos momentos bons, toda a gente acha que o mérito é seu; nos momentos maus, querem sempre culpar outro qualquer.


As expectativas e o mal-estar


Todas as expectativas são uma fonte potencial de mal-estar, pois quase todo o mal-estar é causado por uma expectativa não realizada. Não ter expectativas permite-nos tirar o máximo partido de qualquer circunstância e não apenas daquelas que vão ao encontro das nossas ideias.

Diminuir as expectativas não significa deixar de estar atento ou de se esforçar; pelo contrário, significa não tomar nada como um facto adquirido.



Emoções negativas


Emocoes negativas


As emoções negativas impelem-nos a fazer mal em vez de bem e a ter e causar mal-estar. Envenenar os outros com a nossa raiva, envenena-nos a nós próprios.

A melhor forma de lidar com a raiva é nem sequer chegar a sentir. Se conseguirmos não levar as coisas demasiado a peito seremos pessoas mais felizes e muito menos zangadas.

 

“Sem profundidade de compreensão, sem a completa identificação de nós próprios com a Verdade como nós a conhecemos, não pode haver sentido, naturalidade ou beleza nas nossas vidas.”
Sri Ram

 

José Ramos

 

Bibliografia:

- “As Grandes Questões da Vida – Como a Filosofia pode mudar a nosso dia-a-dia”, de Lou Marinoff – Editorial Presença

- “O Sentido da Alma”, de Thomas Morre – Planeta Editora

- “O Despertar do Homem Interior em pleno Século XXI”, de Jorge Angel Livraga – Edições Nova Acrópole

 

 


 

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