Crónicas Ocultistas
Uma Experiência Pessoal do Escritor William Seabrook
Este escritor, conhecido e cotado como um dos melhores do seu género, conviveu, no decorrer de inúmeras viagens, com feiticeiros e tribos selvagens inabordáveis até então e evidentemente ajudado por natural inclinação, experimentando pessoalmente, fenómenos para-psíquicos que a ele mesmo desconcertam ao não poder explicá-los através da razão corrente.
No seu livro, “Feitiçaria”, Seabrook narra uma experiência por demais extraordinária. Diz que, tendo partido numa viagem de iate com um amigo, o capitão Harrison Smith, foram surpreendidos por um temporal que os afastou muito da rota e que, depois de 4 dias de terrível luta com os elementos tinham chegado a um estado de verdadeira super tensão nervosa, em que os sentidos se agudizam, enquanto as coisas comuns perdem a exagerada importância que lhes damos normalmente.
A fim de continuar resistindo, descansavam, revezando-se a cada 4 horas no manejo do leme.
Ao finalizar um período de trabalho, Seabrook não conseguiu nem fechar os olhos, pois o esgotamento estava a ganhar-lhes e era tal o movimento do pequeno barco que ao ir deitar-se no beliche se podia estar seguro de rodar pelo chão ao cabo de alguns minutos. Em tão angustiosa oportunidade, recordou os ensinamentos recebidos dos místicos árabes chamados “Melewis” com quem tinha vivido muitos meses.
Após uma grande incerteza, decidiu fazer a prova. Quando lhe chegasse o turno de empunhar o leme, enviaria o seu corpo físico resolver a dura tarefa, mas ele permaneceria, consciente no seu corpo astral, repousando no beliche. Assim, insensível ao esforço, o seu veículo denso resistiria largas horas e o seu pobre amigo descansaria umas horas mais. Conseguiu fazê-lo. Conta que dirigiu o leme mais de cinco horas com sobre-humana firmeza. Quando Harrison despertou apressou-se a liberá-lo, mas encontrou no posto o corpo rígido e frio do seu amigo, governando como um autómato. Julgando-o doente, lutou desesperadamente para arrancá-lo do leme sem ter o menor êxito, pois, os seus músculos tinham recebido a elástica dureza do aço.
Finalmente, o escritor retornou ao seu corpo, que lhe obedeceu normalmente. Não guarda uma memória vivida do que o seu Eu fez ou pensou nesse intervalo de tempo, mas sim que dirigia o seu corpo desde o astral, deitado no beliche.
Quanto a Harrison, o ser substituído pelo corpo sem alma, somente lhe tinha chamado ligeiramente à atenção que não tivesse respondido à pergunta que lhe fez, mas atribuiu-o ao mau humor e abulia lógicos em tal situação, Seabrook diz que esta experiência é a mais memorável da sua vida. Na verdade, merece sê-lo. “Se duvidas, cala.”
Zoroastro
Arquivo Nova Acrópole