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Como se despertam os poderes ocultos no Homem

 

poderesO despertar dos poderes ocultos no Homem está implícito e explícito no terceiro dos Princípios da Nova Acrópole. No entanto, devemos esclarecer o que é que entendemos por «poderes».


Diz uma antiga fórmula hermética e kabalista: «OUSAR – QUERER – PODER». O poder seria, então, a forma final e mais elevada de um processo de aperfeiçoamento individual e colectivo que conduziria ao Homem Superior, ao Servidor, ao Homem Novo.


Geralmente confundem-se estes poderes com a capacidade de produzir fenómenos parapsicológicos ou ter vivências interiores «sobre-humanas». E não estão totalmente errados os que defendem tais coisas, mas lamentavelmente conhecem apenas do Livro da Sabedoria – ao qual H.P. Blavatsky chamou Doutrina Secreta – uma única e miserável página que, separada do contexto, não significa nada nem pode dar-nos nada, salvo esperanças que serão truncadas ao serem percorridos caminhos erróneos. O poder é uma propriedade do Ser. O Ser é o que pode.


Os poderes do Ser reflectem-se no Microcosmos; o Deus que podemos inteligir, imaginar e compreender, é o chamado «Logos» por Platão. Este Logos tem três aspectos. Pois é trino no seu Poder, se bem que Uno na sua Essência.
I VONTADE-LEI
II AMOR-SABEDORIA | ENERGIA-VIDA
III INTELIGÊNCIA-FORMA
A isso corresponde a antiga fórmula de OUSAR-QUERER-PODER.


Por conseguinte, a primeira coisa é OUSAR, ou seja, desenvolver em nós uma Vontade à imagem e semelhança do Deus que rege o nosso Universo ou Meio de existência. Esta desenvolve-se por uma contínua atitude de coragem perante a vida; uma vocação decidida pelo risco e pelas aventuras exteriores e interiores. É vencer o medo, as dificuldades. É pôr a nossa personalidade no seu lugar de obediente servidor e impedir que interfira na nossa firme vontade de avançar e triunfar sobre tudo e sobre todos. É saber-se indestrutível e eternamente jovem e forte, e assim senti-lo, assim vivê-lo, sem interrupções por mínimas que estas sejam.


A segunda é QUERER, mas querer de uma maneira tão intensa e superior que qualquer paixão humana, por sublimada que seja, não é mais do que uma sombra dis­forme desse Arquétipo. É o «Querer com o coração», como dizem os textos de Magia egípcios. Um querer pararracional, insaciado, incansável. É o Amor por todos os Seres e todas as coisas que, ao aproximar-nos deles e do mistério que neles habita, torna-nos Sábios. A sabedoria não exclui a cultura, mas ultrapassa-a, pois o Sábio já não necessita de ler nos livros o que outros escreveram, visto que lê directamente nos Anais Akáshicos 1, que não estão tão escondidos como vulgarmente se pensa. Como é lógico, esta capacidade de, digamos, consulta, adquire-se paulatinamente e surpreende-nos; pois se nos dedicarmos a procurá-la, ao não conhecermos a verdadeira estrada, perder-nos-emos em mil atalhos.


A terceira é PODER; poder, acima de tudo, pôr em prática e sob absoluto controlo os dois primeiros elementos citados, pois o Terceiro Logos nasce da união harmónica do Primeiro e do Segundo. Mais claramente: sem Primeiro e sem Segundo, não há Terceiro. Um mais dois é igual a três.
Haverá, então, que ter uma Vontade de Ferro, um Amor de Ouro e uma Sabedoria de Prata, uma Inteligência Mercurial e uma Forma de Bronze. Ser humanamente perfeito. Quando isso sucede, os poderes e Os Poderes estão «automaticamente» despertos ao Serviço da Grande Causa Espiritual que nos convoca.


Esse é o Caminho para despertar os poderes ocultos no homem. Um Selo de Humildade Interior, de Silêncio e Segredo será o marco de toda esta Operação Alquímica e da descoberta da Pedra Filosofal. Tudo o resto é fantasia, loucura e transtorno, que desemboca sempre na desgraça. No mundo em que correm nas trevas da ignorância milhões de pessoas que julgam saber onde está Thule ou Agartha porque leram isso num livrito qualquer; ou que estão em contacto com Mestres Galácticos, embora nem sequer consigam dominar o apêndice dos seus sexos ou as suas abulias, levanta-se connosco, uma vez mais, a Antiga Filosofia que inspira os que estão preparados a percorrer o Caminho Estreito da Sabedoria, dos pequenos Mistérios que são o Pórtico dos Maiores: dos Arcanos.
Bem-aventurado sejas tu se estás realmente entre os que sobem até à Nova Acrópole.


Jorge Angel Livraga

Fundador da Org. Internacional Nova Acrópole

 

1. Palavra Sânscrita com que se designa a Memória da Natureza


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
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