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O Enigma de Homero


Desde a Antiguidade que há dúvidas de que Homero seja o autor da Ilíada e da Odisseia e mesmo se alguma vez na realidade existiu como pessoa. Para uns, Homero é o nome patronímico de uma escola de cantores; para outros, o principal dos trovadores compiladores das tradições gregas, e para outros o autor do tema principal de ambas as obras.

A Questão Homérica

Chamamos "questão homérica " à dúvida existente desde a Antiguidade de que Homero seja realmente o autor da Ilíada e da Odisseia e até mesmo se como pessoa terá existido alguma vez.

A Homero foram atribuídas diferentes epopeias. Calino atribuiu-lhe A Tebaida (Os Sete Contra Tebas, mais tarde levada para o teatro por Ésquilo). Arquíloco e Aristóteles atribuem-lhe O Margites (sobre um tolo que entende tudo e não entende nada). Píndaro, por sua vez, atribui-lhe A Cipriada (acontecimentos anteriores à guerra de Tróia; o Julgamento de Paris, o Rapto de Helena, etc.), e Tucídides, o Hino a Apolo Délio.

Tudo isto, para além da Ilíada e da Odisseia, bem como vários outros hinos.

De imediato surgem dúvidas, principalmente quando se observam as contradições de alguns desses poemas com A Ilíada.

Já no século IV a.C., só lhe são atribuídas A Ilíada e A Odisseia, e forma-se uma escola de críticos, os corizontes ou revisores, que deviam verificar e estudar a origem dos poemas. A dúvida já está em andamento.

 


«(...)Chamamos "questão homérica " à dúvida existente desde a Antiguidade de que Homero seja realmente o autor da Ilíada e da Odisseia, e até mesmo se como pessoa terá existido alguma vez.(...)»



Na época romana, a polémica continua. Séneca, Cícero e Josefo ocupam-se deste tema. Mas depois de um tempo de silêncio, é nos finais do século XVIII, com Frederico Augusto Wolf e seus “Prolegomena ad Homerum sive de opera Homericurum  prisca e genuina veriisque Mutationibus”, quando o tema volta a ganhar importância . Wolf baseava-se nas contradições entre diferentes cantos da Ilíada, e no pressuposto de que não sendo conhecida a escrita na época da sua criação, não se poderia guardar memória de poemas tão extensos. Calculava que os poemas homéricos poderiam ter sido criados desde 950 a.C. até 550 a.C., quando Pisístrato ordenou a sua compilação.

Wolf também pensava que ambas as obras iam sendo compostas, aumentadas e corrigidas através de todos esses anos por distintos recitadores, trovadores e cantores dos muitos que então percorriam a Grécia, com o báculo distintivo da sua ocupação, dos quais Homero teria sido o melhor, razão pela qual, as duas epopeias mais importantes lhe eram atribuídas.

Estas suposições de Wolf encontrarão grande credibilidade na Alemanha da sua época, na qual triunfava o movimento romântico, que considerava que os poemas épicos são geralmente filhos de natureza, ou seja, decorrem da alma do povo e não do génio de um indivíduo.

 

 

«(...)A falta de dados históricos sobre Homero, não é significativa como dúvida profunda sobre a sua existência real. Na verdade, de personagens posteriores como Praxiteles e até mesmo do próprio Sócrates também não existem dados categóricos.(...)»



Como consequência, A Ilíada foi dividida de acordo com as diferentes versões, em 3,16 ou 18 cantos primitivos (conta com um total de XXIV cantos), e Homero convertido no nome patronímico de uma Escola de cantores; para outros o principal dos trovadores compiladores das tradições gregas; e para outros o autor do núcleo principal de ambas as obras. Apoiado nestas teses, o historiador Hermann fazia supor que  A Aquilea seria o núcleo de A Ilíada e El Nostos (Regresso) seria o núcleo da Odisseia .

Descobertas posteriores de Schliemann em Tróia, Ítaca e Micenas, de Evans em Cnossos e Halbherr em Faestos,umas vezes reforçaram outras vezes combateram estas conclusões, dando lugar a duas correntes distintas:

A primeira divide ainda mais os poemas. A segunda aposta na unidade de ambos os poemas e na existência de um homem génio, que apoiando-se numa série de tradições já existentes, ampliou-as e deu-lhes unidade e grandeza.

Esta última tese foi apoiada por investigadores como Lehrs, F. G. Welcker e C. O. Müller.

Também serviram de aval a estas conclusões, a unidade estética de ambos os poemas, bem como o facto de que ambos terem sido escritos em hexâmetros e as interpolações posteriores são perfeitamente identificáveis no texto original.

Outro dos argumentos de Wolf, ao considerar que desconhecendo-se a escrita na época da composição das epopeias elas não poderiam ter sido preservadas, foi destruído pelas descobertas de Petrie no Egipto e Evans em  Creta; por eles é demonstrada a existência de um certo tipo de escrita hieroglífica ou linear no Mediterrâneo Oriental, vinte séculos antes da nossa era.

 

«(...)Todo o grego culto tinha em sua casa uma ou várias cópias de ambas as obras, embora geralmente soubesse várias partes dos poemas de cor e recorria às cópias em caso de dúvida.(...)»



Nas últimas investigações foram encontrados restos civilizatórios altamente técnicos nas costas gregas, com mais de trinta séculos antes de nossa era. Por outro lado, provou-se a possibilidade de que as pessoas treinadas para isso, como os trovadores gregos, decoram e recitam uma composição da extensão de ambos os poemas.

Também se esgrimiu como um motivo de dúvida sobre a autoria da Ilíada e da Odisseia, a variedade de línguas em que foram escritas, línguas dos vários territórios da Grécia, e não só da península, mas também das colónias gregas da Ásia Menor e das ilhas do Mar Egeu. Contra isso, pode-se argumentar que é mais fácil pensar que uma pessoa da profissão de Homero, isto é, que está acostumada a viajar, conhecesse várias línguas e fizesse uma síntese conservando a unidade; que o facto de diferentes cantores com diferentes línguas compusesse, cada um, uma parte, em que a unidade do poema se perdia.

Outra dúvida sobre a sua antiguidade, baseia-se no facto de que à vista das descobertas arqueológicas correspondentes à época em que decorre a acção, os objectos encontrados não corresponderiam aos descritos por Homero. De qualquer forma, os poemas homéricos são muito posteriores à guerra e mais propriamente ao regresso de Ulisses, pelo que se podem produzir alterações nas descrições de objectos, como acontece com as músicas medievais de cariz popular.

 

«(...)Nas últimas investigações foram encontrados restos civilizatórios altamente técnicos nas costas gregas, com mais de trinta séculos antes de nossa era. Por outro lado, provou-se a possibilidade de que as pessoas treinadas para isso, como os trovadores gregos, decoram e recitam uma composição da extensão de ambos os poemas.(...)»

 



Para terminar com a lista de argumentos a favor e contra a paternidade de Homero em relação à Ilíada e à Odisseia, vou citar um dos mais interessantes. A aparição e uso do ferro são posteriores à do bronze. Pois bem, na Ilíada descrevem-se objectos de ferro e na Odisseia de bronze. Por isso, esta devia ser anterior. No entanto, em algumas civilizações como a egípcia, a Idade do Ferro foi imediatamente posterior à da pedra, e muitas tribos usam atualmente o ferro sem terem conhecido o bronze. Além disso, em ambos os poemas aparecem os dois metais. O bronze é usado em objectos bélicos e sumptuosos e o ferro em utensílios quotidianos.

A falta de dados históricos sobre Homero, não é significativa como dúvida profunda sobre a sua existência real. Na verdade, de personagens posteriores como Praxiteles e até mesmo do próprio Sócrates também não existem dados categóricos.

Na Ilíada e na Odisseia, bem como noutros poemas cíclicos, pressupõe-se a existência de poemas anteriores que clarificam a narração. Por exemplo, a Ilíada corresponde a um curto período de tempo durante a Guerra de Tróia, que durou dez anos , neste caso, quase no final da guerra. Nos dois poemas homéricos fala-se de dois heróis do nordeste da Grécia, Aquiles e Ulisses heróis da conquista de doze cidades marítimas e onze interiores (Troia foi a duodécima das segundas). E todas elas estavam na área de estabelecimento de posteriores colónias “eolias”, que foram divididas precisamente em grupos de doze e colonizadas desde o nordeste da Grécia.

Em relação à estrutura da obra observam-se claramente vários estilos e diferentes partes. As narrativas desenvolvem-se como factos principais (que poderiam ser originários de Homero ou do principal homérida) e episódios que se entrecruzam.

Na Odisseia a Telemaquia (I a IV) é um agregado homogéneo e a Nekya (XXIV) é mais madura.

Para compreender a importância que para o mundo helénico tiveram A Ilíada e A Odisseia, são suficientes estes dados que M. I. Finley cita: " De todos os restos e fragmentos de obras literárias encontrados no Egipto que foram publicados até 1963, há um total de 1.596 livros de ou sobre autores, cujos nomes são identificáveis. Este número representa exemplares e não títulos separados. Dos 1.596, cerca de metade eram cópias da Ilíada ou da Odisseia, ou comentários sobre elas. A Ilíada supera A Odisseia em cerca de três para um. Os restantes autores vêm muito atrás.

Todo o grego culto tinha em sua casa uma ou várias cópias de ambas as obras, embora geralmente soubesse várias partes dos poemas de cor e recorria às cópias em caso de dúvida.

Talvez isto ajude a entender a sobrevivência destas obras e a sua importância na Literatura Universal e nas estruturas do pensamento clássico e contemporâneo, que sobrevivem dentro de nós mesmos.

Consuelo Fernadéz


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