O Fenómeno das Migrações

Estudar e conhecer a História é uma das melhores formas de observar, com serenidade e objectividade, fenómenos que se considera pertencerem exclusivamente à época actual. A História, diziam os antigos, é mestra da vida e oferece-nos conhecimentos e possíveis soluções para os problemas actuais, pois "nihil novum sub sole" (não há nada de novo debaixo do sol).
Esta consideração, acompanhada por uma postura filosófica, pode oferecer-nos, por um lado, o necessário ensinamento do passado e, por outro, um desafio à nossa imaginação, para que possamos procurar novas soluções para os problemas que a Humanidade enfrenta desde cedo.
E é neste marco que colocamos o fenómeno social das migrações actuais, ou seja, das deslocações de povos, em grande número, para outros países na procura de melhores condições de vida. A História registou muitos testemunhos deste fenómeno, em grande variedade. Tais deslocações foram muitas vezes violentas, porque no fundo sempre existe o velho problema do sentimento de posse do terreno pátria por parte das povoações locais que predominam. Outras vezes, no entanto, a chegada de novos povos enriqueceu substancialmente as civilizações nativas criando sínteses férteis que ainda hoje admiramos. Nasceram novas civilizações pois não podemos esquecer que as ideias e as tradições civilizatórias emigram com os povos que são os seus veículos.
Assim, não é novo o fenómeno da procura de uma vida melhor, que observamos com dor quase todos os dias nos meios de comunicação, quando nos informam da odisseia de tantos e tantos imigrantes desde países vizinhos, mas também longínquos, que esperam realizar aqui os seus sonhos. As diferentes idades médias que atravessam todas as civilizações caracterizam-se precisamente, entre outras coisas, por este tipo de fenómenos migratórios e o mesmo acontece nesta nova idade média na qual começamos a entrar.
Mas porque acontecem estas coisas? A principal causa, que reside no fundo deste doloroso problema, está na desigual distribuição dos bens e da riqueza no mundo, que foi-se desenvolvendo através dos séculos pela cobiça e a exploração dos poucos poderosos à custa dos muito menos afortunados.
No entanto, podemos lutar contra a pobreza e a injustiça que obrigam milhares de seres humanos a entregar-se à vida, “à cara ou coroa”, para conseguir aquilo que muitos disfrutam no meio da inconsciência e do egoísmo. É importante que encontrem o apoio necessário. E é nosso dever procurar esta ajuda e oferecer a nossa, por pequena que seja, para que a esperança volte a todos aqueles que a perderam pela injustiça do mundo.
Georgios Alvarado Planas