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Filosofia contra Totalitarismo

 

Filosofia contra Totalitarismo

 

Muitos estarão dispostos a manter o que não é desejável repetir, a experiência histórica do movimento nazi.

Possivelmente também asseguram que nunca se prestariam voluntariamente a ser parte dessa engrenagem.

No entanto, uma experiência nos Estados Unidos, país com ampla experiência democrática, pode fazer vacilar as nossas opiniões sobre este tema.

A AMEAÇA DO TOTALITARISMO

a) Uma experiência escalofría

Em Abril de 1967, num colégio da localidade de Palo Alto, California, EUA, o professor de Historia Ron Jones, realizou uma experiência com os seus alunos da secundária (15 e 16 anos) para que vivessem por si mesmos como um sistema totalitário, como o nacional-socialista (nazi), podia mudar radicalmente as suas condutas.

Organizou a aula dando-lhe uma identidade própria, sob o nome de “A terceira onda” – por ser esta a melhor de fazer surf – e apenas em quatro dias gerou-se no dito colégio e no dos arredores uma histeria colectiva e um confronto entre os que estavam a favor e contra do dito grupo.

Ao quinto dia, Jones convocou todos os membros e simpatizantes para uma grande aula no colégio, sob a promessa de converter-se num terceiro partido político que lutaria contra a corrupção e a guerra do Vietnam, em pleno auge; assistiram mais de 200 jovens inclusive de outros colégios. Após tê-los por uns minutos às escuras, com um televisor aceso mas sem sinal, Jones acendeu a luz e disse-lhes do que se tratava a experiência, passando-lhes imagens de Hitler, as juventudes hitlerianas e os campos de extermino.

Aos jovens presentes isto causou-lhes grande comoção chegando a falar-se de algum suicídio; actualmente ainda não se tornaram públicos os estudos do dano psicológico causado aos estudantes. Foi retirada a Ron Jones a licença de professor, podendo apenas ensinar a jovens com problemas, mas longe dos círculos oficiais de ensino dos EUA.

 

Filosofia contra Totalitarismo

 

b) A Grande Pergunta


Como foi possível que alguns jovens de classe média, com uma educação bastante liberal e uma larga tradição democrática no seu país, aceitassem cegamente conceitos totalitários em apenas quatro dias? Estamos nós isentos de cair sob a manipulação de um visionário ególatra? O que falhou então e continua a falhar agora no nosso sistema de educação?


c) Sobre o que se constrói o totalitarismo

Ron Jones, que para além de professor era actor e guionista, realizou o cenário baseando-se no:

  1. Seu carisma e influência sobre os alunos. Todos confiavam cegamente nele e nos seus ensinamentos
  2. A situação de descontento que viviam nos EUA com a guerra do Vietnam e uma estagnação  económica. Atraiu jovens de todas as tendências.
  3. O medo. Quem não seguisse a experiência suspenderia a sua disciplina de Historia
  4. O desejo de beneficiar da nova situação, para alguns alunos, e não querer suspender nem ficar excluídos da aula (do grupo).
  5. Engano para dar sensação de normalidade. Apresentou a experiência como uma mais entre outras tinha realizado, ocultando as suas verdadeiras intenções inclusive ao director do colégio.

d) Ferramentas ou modus operandi dos totalitarismos

Síntese das experiências: a posta em cena

A)Reuniu a turma e disse que quem não fizesse a experiência seria expulso e suspenderia o curso. Aos que não estavam de acordo fazia-os sair e marchar, acompanhados, à biblioteca. (Coacção e medo: desaparecimento dos dissidentes; medo de ser afastado do grupo. Permanecer na biblioteca é como nos campos de concentração, os gulags ou campos de reeducação).

B)Avisou que, desde esse momento, as notas dar-se-iam a nível colectivo, o grupo que participasse na experiência, ficando suprimidas as notas individuais. (Supressão do individuo a favor do grupo; sacrifício do “eu” pela “massa”).

C)Cada dia distribuiu uma consigna à turma, que fazia repetir como um mantra. Enchei a aula com cartões feitos pelos alunos com estas frases. (Lavagem do cérebro: ideias grupais e anulação da capacidade de raciocinar).

D) Deu-lhes uma saudação parecida à nazi, com a obrigação de saudar-se cada vez que se encontrassem ou cruzassem fora da aula. (Reforço grupal perante os outros. Sentimento de superioridade ao pertencer a um grupo forte).

E) Havia “confidentes que diziam a Jones quem eram contrários ao grupo com a desculpa de assegurar a boa marcha da experiência. (Gestapo, Cheka ou polícia política) ou religiosa: medo e falta de privacidade, controlo da vida privada).

F) Cada dia Jones lia em público a lista de infracções e aos críticos os fazia expulsar e acompanhar à biblioteca. (Juízos populares, indefesa perante a autoridade, ilegalidade manifesta).

G) Mandou-os divulgar “A terceira onda” pelo colégio e chegaram a produzir confrontos violentos entre partidário e detractores. Agrediu um aluno que trabalhava no jornal estudantil para que não publica-se um artigo negativo sobre “A terceira onda” e não publicou! (Proselitismo agressivo, não se admite a critica nem a oposição; controlo sobre os meios de comunicação e coacção da imprensa).

H) O director, os professores e os pais dos alunos estavam muito satisfeitos porque as crianças eram mais disciplinadas, havia menos lutas nas aulas e tiravam melhores notas. (Aprovação social inicial; renuncia-se à liberdade por uma falsa segurança e ordem).

 

 

"A filosofia parte do princípio que tudo que acontece ao ser humano de negativo é por IGNORÂNCIA, sendo esta a verdadeira causa as nossas desgraças, individual e colectivamente. Qual o remédio? A Sabedoria!"

 

 

e) O atractivo totalitário

Se lemos o referido em C e D encontraremos características dos sistemas totalitários e populistas, sejam do século que forem ou disfarcem-se como quiserem; basta situá-los num contexto histórico adequado, seja numa aula de classe, uma grade recessão económica, um grande desejo de vingança ou o colapso de uma forma de governo. Em síntese: os totalitarismos – e populismos – propõem sempre soluções simplistas, radicais e rápidas. É sempre mais fácil culpar os outros, o diferente. Como já ensinava o Mestre Jesus de Nazaré “Ver a palha no olho alheio antes que a viga no próprio”.

 

Filosofia contra Totalitarismo

 

O ENSINAMENTO FILOSÓFICO

A filosofia parte do princípio que tudo que acontece ao ser humano de negativo é por IGNORÂNCIA, sendo esta a verdadeira causa as nossas desgraças, individual e colectivamente.

Qual o remédio?

A sabedoria!

Para alcançar a sabedoria, a filosofia sempre apresentou três passos:

Primeiro: reconhecer a nossa ignorância e nos propormos a sair dela.
Segundo: reflectir e tratar de ser objectivos para podermos ficar com as coisas positivas e afastar as negativas. Seleccionar as ideias com as quais vamos trabalhar.
E terceiro: levar essas ideias à prática para provar os seus resultados.
Dos resultados extrairemos uma experiência com a que voltaremos a repetir os passos segundo e terceiro, até desenvolvermos em nós, o hábito de pensar e actuar de maneira mais nobre e justas possíveis.

A filosofia propõe um exercício de renovação interior permanente. Conta Confúcio que um antigo sábio e imperador da China tinha gravado na sua banheira: “Renova-te cada dia. Não deixes de renovar-te”

a)Trataremos de ser objectivos no segundo passo

São negativas as consignas que deu Jones aos seus alunos ao longo da experiência de “A terceira onda”: “Força na disciplina”, “Força na comunidade”. “Força na acção” e “Força no orgulho?”
A filosofia tradicional da índia diz-nos que o ser humano reage de três formas ante uma situação, até que alcança a Sabedoria e então actua de forma justa.
Estas três formas de acção são chamadas:

Tamas (negar-se a actuar). Inacção, querer que as coisas mudem sozinhas mas sem nos comprometermos. É a base da ignorância.
Rajas (actuar sem pensar) querer mudar as coisas de forma brusca e em pouco tempo. Há acção mas sem reflexão; mas ao haver acção há a possibilidade de aprendizagem.

Sattwa (harmonia). Actuar com reflexão e prevendo as consequências dos nossas actos. É o passo obrigatório para chegar à sabedoria.

Conclusão: o que é negativo é o excesso por pouco ou por muito.

É negativa a disciplina?

Tamas. Sem disciplina não existe desenvolvimento pessoal nem colectivo. Tudo necessita de uma ordem, desde um trabalho até ao nosso organismo.
Rajas. Um excesso de disciplina leva-nos à rigidez e à criação de um sistema militarista.
Sattwa. Bem utilizada, permite-nos pôr ordem e ritmo na nossa vida. A disciplina inteligente faz cultura e levanta civilizações.

É negativo pensar na comunidade?

Tamas. Pensar só em si mesmo leva ao egoísmo extremo e ao egocentrismo, os grandes males do nosso tempo.
Rajas – actuar apenas para a colectividade, de forma irracional, anula o individuo e permite a existência de tiranos, fanáticos e iluminados.
Sattwa. É a base da solidariedade, do altruísmo e do voluntariado. Facilita o encontro e a cooperação entre desiguais, seja numa equipa de trabalho ou na sociedade de nações.

É negativa a acção?

Tamas. O inactivo é indolente, abúlico, com tendência à depressão.
Rajas. Híper activo e impetuoso e por isso tende à ira e à cólera quando as coisas não saem como ele quer.
Sattwa. Pensa antes de actuar e procura o bem pessoal de cada um combinado com o bem comum. Trabalha passo a passo e com grande capacidade de adaptação, sem esquecer nunca a meta e sem perder os seus princípios, valores éticos ou religiosos.

É negativo o orgulho (ou alegria interior)?

Tamas. Quem se sente alegre ou feliz – orgulhoso - com o que faz está sempre triste e amargurado. É o eterno pessimista.
Rajas. Hiperactivo concebe o trabalho como “fazer mais coisas”, mas sem parar para reflectir. É o grande optimista.
Sattwa. Disfruta do que faz pois o trabalho é para ele “uma prova” com a qual aprende mais da vida e de si mesmo. Vê a vida como uma viagem cheia de aventuras, mas com uma finalidade espiritual e/ou transcendente. São os homens e mulheres verdadeiramente sensatos.

b) A “acção” filosófica ou terceiro passo

Passemos das ideias aos actos pela mão de Platão e dos seus ensinamentos sobre as quatro virtudes próprias do ser humano:

Primeira virtude: temperança ou moderação. Nada em excesso. Ajuda-nos a não cair nem em Tamas nem em Rajas: nem ser um absoluto descrente, nem cair nas garras de nenhum louco iluminado. Não procurar as coisas fáceis e rápidas pois quase sempre são mentira; começar por um certo controlo das nossas paixões e caprichos.

Segunda virtude: fortaleza ou a capacidade de nunca se render. Não deixar-se arrastar pelas correntes de opinião, sejam elas quais forem, mantendo-nos firmes naquelas experiências e ensinamentos que o nosso coração e a prática da vida dizem-nos ser válidas.

Terceira virtude: prudência ou pensar antes de actuar. Dar o melhor de nós mesmos e reflectir sobre as consequências dos nossos actos: procurar o bem comum e o bem individual. Desenvolver os princípios da convivência sobre o respeito mútuo e trabalhar pensando no futuro de todos. Pensar em grande, onde entre toda a humanidade.

Quarta virtude: A justiça. Assinala Platão que a “Justiça é dar a cada qual o que lhe corresponde segundo a sua natureza”; por isso é a mais difícil de todas as virtudes e a coroa e síntese das anteriores. Há que “conhecer as necessidades e características do outro” ou como diria Pessoa, “outrar-se”, pôr-se no lugar do outro. E uma vez feito, “dar-lhe o que lhe corresponde” e não o que nos parece ou podemos.
Quem exercita a justiça de forma plena é o sábio, o que adquiriu sabedoria; mas entretanto, se podermos procurar a justiça: primeiro, sobre o respeito por nós próprio e os outros; e segundo, baseado no anterior, desenvolver uma verdadeira e sã convivência ou “arte de viver com”.

 

c) A derrota dos totalitarismos

 

A sua derrota não é nem pelas armas nem pelas leis, senão pela EDUCAÇÃO. E uma educação profunda e não superficial, onde os valores éticos sejam vividos pelos que ensinam, pelos pais e pelos cargos públicos, onde se ensine a reflectir e a assumir as consequências dos nossos actos, se premie a honra, o esforço e o altruísmo e se persiga o engodo do “golpe” e a corrupção. O contrário do totalitarismo é a liberdade e para Platão “a filosofia é a ciência dos homens livres”… porque são virtuosos (têm valores éticos e vivem-os).


Para quem deseje conhecer mais sobre dita experiência, recomendo procurar no Canal História, “A terceira onda. O fascismo na aulas” http://www.canaldehistoria.es/vertv/sinopsis/524436_/La-Tercera-Ola--fascismo-en-la-escuela-

 

Javier Saura
Director em Cádiz da Organização Internacional Nova Acrópole

Março de 2013

 

 

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