Logo_NA_Verde_2013    
     
  a   a   a   a   a   a   a   a   a   a  
                             
 

A Força Interna do Renascimento

 

Força Interna

 

O Renascimento foi uma época em que se revitalizaram velhos sistemas que haviam sido muito úteis para o desenvolvimento do ser humano em todos os seus aspetos. Hoje podemos indagar quais seriam os ingredientes perfeitos para um novo renascimento.

A palavra “renascimento” é realmente bela. Concebê-la em pensamento, lê-la num livro de arte ou escrevê-la numa reflexão íntima, produz um movimento interno, um impulso de alma que faz aflorar pensamentos elevados que nos aproximam das ideias arquetípicas do Bem, da Justiça, da Bondade e do Verdadeiro. É como se tratasse de um vocábulo mágico que toca as cordas mais profundas da alma humana, a qual, uma vez desperta, fica fascinada por tão magnífico verbo e anseia buscar a sua pátria de origem, aquela grande luz de onde partiu, a ideia sublime e última do Bem. Marsilio Ficino, neoplatónico renascentista, não pode expressá-lo melhor:

 “Tudo procede do bem e ao bem se dirige”.

Renascimento, renovação, humanismo, imortalidade, liberdade individual, amor, beleza…, são conceitos e palavras que cobrem um valor relevante dentro do universo ideológico renascentista. Ideias que em cada época e lugar da história propiciaram períodos de prosperidade cultural, social e moral. Maravilhosas palavras que homens e mulheres tiveram a coragem de fazer suas e vivê-las sob a opressão estatal ou religiosa, palavras que seguiram inexoravelmente, promovendo renascimentos, porque são atemporais.

Qualquer renascimento que possa ter ocorrido anteriormente na história não surge de uma forma espontânea. Talvez a sua manifestação através de uma eclosão artística e cultural o possa parecer, no entanto, segue um processo causal. Sempre houve homens sábios que guardaram essas sementes de sabedoria que contêm ideias atemporais, nos períodos de obscuridade, com a finalidade de que pudessem germinar com força e vitalidade em almas grandes em períodos de luz que denominamos renascimentos.

O Renascimento italiano é temporalmente o mais próximo da nossa época. Deixou-nos obras artísticas de incomparável beleza em todas as suas vertentes: pintura, escultura, literatura, arquitetura, etc. Não deixam ninguém indiferente. Como conseguiram os artífices conectar -se com a Beleza tão fielmente? Que ideias despertaram o génio desses grandes artistas? Para expressar tanta beleza, deveriam acolhê-la previamente nos seus corações? Sabemos que muitos deles instruíram-se nas academias de filosofia, como Boticelli, que adquiriu formação filosófica na academia neoplatónica de Florença, dirigida por Marsilio Ficino. Os pilares doutrinais destas escolas foram as filosofias herméticas e platónicas. A filosofia atemporal, uma vez mais, constituiu a seiva que revitalizou a grande árvore renascentista das artes e das ciências. Reatualizaram o conceito de humanismo, outorgando ao homem uma capacidade criativa sem limites, servindo-se da sua valiosa imaginação. Este potencial criativo foi fundido com uma vontade própria, alheia aos desígnios divinos.

Este fundo filosófico impregnou a alma dos homens renascentistas e impulsionou-os a renascer interiormente e a expressá-lo exteriormente.

Força Interna

 

 

Um novo renascimento para a nossa época


Talvez os séculos XV e XVI, substrato temporal deste maravilhoso período, estejam distantes do nosso tempo. No entanto, esta seiva filosófica continua a irrigar o coração de muitos homens da nossa época, continuando a fazer renascer a alma das pessoas que querem e atuam para tornar possível novos renascimentos.

Todos podemos renascer interiormente, não é necessário esperar grandes mudanças culturais ou artísticas.

Comecemos hoje mesmo a ser, como diziam os filósofos humanistas, os donos da nossa vida e os artífices do nosso destino. Principiemos a assumir que somos parte integrante de um mundo em que todas as coisas se relacionam e, consequentemente somos também responsáveis pela sua evolução.

Renascer interiormente não é algo abstrato, é uma atitude que busca e se esforça por integrar valores no ser humano através da participação ativa das nossas potencialidades. Renascer é dotar de asas a nossa alma para que voe muito alto…

Renascer em concreto, no dia-a-dia, é abrir os olhos todas as manhãs com o propósito de aproveitar qualquer circunstância que se apresente para melhorarmo-nos, é esboçar um sorriso, oferecer um conselho sincero ou estender uma mão a um coração aflito, é dissipar a escuridão do medo e da incerteza que amedrontam os nossos ideais, é abandonar a passividade e o conformismo, é enfrentar com valentia a adversidade, é sacudirmos o egoísmo pessoal. Entusiasmo, solidariedade, generosidade, compaixão, convicção, segurança, força, compromisso, determinação, esforço…, é a transcrição em valores do que foi citado anteriormente. Este é o verdadeiro significado de um renascimento interior: a compreensão e a vivência de valores atemporais.

Os filósofos renascentistas, Marsilio Ficino, Giordano Bruno, Pico de la Mirandola, Tommaso Campanella, Nicolas de Cusa, Luis Vives, etc, souberam adaptar ao seu tempo os ensinamentos antigos, encarnando o homem que se forja a si mesmo. Nessa aventura de renascer, alguns foram condenados à morte. Não lhes importou levar até às últimas consequências a dignidade de serem livres-pensadores, proclamando que o homem tem imensas faculdades que pode desenvolver através de um trabalho de procura de conciliação com a ordem universal, que culmina com a contemplação do mundo inteligível; declarando que o homem ocupa um lugar central no esquema do mundo e que deve ser parte ativa e responsável da história. Este foi o seu legado, que transcendeu o tempo, que não pôde ser torturado, encarcerado ou queimado, porque radica na parte mais sublime do ser humano, na sua alma, que busca a perfeição para lograr a imortalidade.

 

Luis Llera

Em Revista Esfinge Junho 2014.

 


 

curso_filosofia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
  Nova Acrópole  
  imagem  
  CURSO FILOSOFIA PRÁTICA
A Sabedoria Viva das Antigas Civilizações
 
   
  Vide Programa do Curso  
 

  ACTIVIDADES n.a. EM PORTUGAL  
 

a

 
  Aveiro  
  Braga  
  Coimbra  
  Lisboa  
  Oeiras-Cascais  
  Porto  
   
  Notícias  
     

  NOVA ACRÓPOLE INTERNACIONAL  

  Anuários  
  Resoluções da Assembleia Geral  
     
  Perguntas Frequentes  
   
     
  Nova Acrópole Internacional  
     

SITES N.A. EM PORTUGAL

Porto
Coimbra
Aveiro
Braga
 

  outros cursos  

   
  Arte de Falar em Público  
  Cursos de Matemática e
Geometria Sagradas
 
  Florais de Bach  
  Outros Cursos  
     

  REVISTA ACRÓPOLE  

   
     

  NOVIDADES EDITORIAIS  

  TÍTULOS PUBLICADOS  
   
 

 
© Nova Acrópole 2009 | Optimizado para monitor 1024X800 | Mapa do site | Webmaster