Logo_NA_Verde_2013    
     
  a   a   a   a   a   a   a   a   a   a  
                             
 

A Globalização e a “Escravatura” Moderna

Ideias Base - Parte II

Ideias base da Globalização

A Aldeia Global
É amplamente difundida a expressão de aldeia global, apoiando-se na expressão “aldeia” cuja imagem existente no imaginário das pessoas aparece como algo positivo, saudável, acolhedor e associado a sentimentos de pertença a uma comunidade. No entanto, a cidadania e a participação activa das pessoas na sociedade é algo que tem vindo cada vez mais a desaparecer. Nas grandes cidades, onde os efeitos da globalização é mais evidente, as pessoas não se conhecem, nota-se uma individualização muito forte e as pessoas cada vez mais vivem sozinhas e para si. A manifestação efectiva de uma comunidade tende desaparecer.

Outra ideia que a palavra aldeia global sugere é que a informação flui de uma forma rápida e chega a todos, no entanto, a informação real não chega. Existem poucas agências de comunicação e estas são responsáveis por escolher as ideias que devem passar para a opinião pública. Assim, a informação difundida está nas mãos de quem tem o poder expressar ideias em massa, está nas mãos de quem tem o poder de difundir as ideias que satisfazem os seus interesses pessoais e económicos. Hoje é preciso ter muito cuidado com as ideias em que pensamos que acreditamos pois elas podem estar a ser induzidas pelas campanhas de informação. A falsa propaganda é uma realidade e a maior parte de nós não se dá ao trabalho de fazer uma investigação sobre os supostos factos que ouve nos noticiários. É verdade que temos acesso a muita informação mas será que temos acesso à Verdade dos factos, ou será que temos acesso à informação que querem que tenhamos?

A expressão “aldeia global” também induz a ideia de que todos podem chegar a qualquer lado facilmente, no entanto, apenas os capitais e a especulação financeira é que demonstram rapidez respondendo quase que imediatamente perante um qualquer boato.

O Mercado Global
Outro aspecto da globalização é a ideia do mercado global, em que todas as pessoas têm acesso a tudo e que este faz com que as desigualdades e as diferenças tendam a desaparecer. No entanto, nunca como hoje houve tanta desigualdade e a diferença entre os pobres e os ricos foi tão elevada. Na verdade não temos todos os mesmos produtos à disposição e não temos todos a mesma carteira, pelo que a ideia de um mercado global igual para todos não se verifica.

Ao longo dos últimos anos tivemos grandes desenvolvimentos tecnológicos, estes permitem que a nossa capacidade produtiva seja levada a níveis muito altos, o problema é que ela não está ao serviço da humanidade. Não dá valor à solidariedade e à moral, mas sim à competitividade e sobrevivência do mais forte. Utiliza a ciência e a técnica como meios do mercado. A ciência procura e a técnica produz aquilo que faz falta ao mercado mas não o que faz falta à humanidade. Os desenvolvimentos nem sempre são morais e o mais grave é que apesar de estarmos a evoluir tecnologicamente não estamos a evoluir moralmente. Existem casos de populações que não têm acesso aos bens produzidos no próprio país pois estes, para além de serem para exportação, estão a preços extremamente altos para a população local.

Por outro lado, existe um culto ao consumo e aqui as grandes corporações com a sua capacidade financeira fazem campanhas de publicidade que levam as pessoas a acreditar que precisam de bens que, na realidade, não necessitam. Há que constantemente comprar e comprar para manter a actividade económica em crescimento contínuo.

O fim do Estado
A “morte” do estado como elemento fundamental para o desenvolvimento é uma das principais ideias difundidas pelos defensores da globalização. A ideia de que a economia se autorregula pelas leis da oferta e da procura é algo que, hoje em dia, já pode ser comprovado como sendo mentira por vários exemplos reais. A prova disso é a instabilidade nos mercados financeiros e a crise económica generalizada por todo o mundo. Hoje temos meios tecnológicos, temos mão-de-obra qualificada, temos capital para investir mas, por outro lado, as taxas de desemprego são altíssimas, as pessoas que trabalham são maioritariamente exploradas de uma forma mais ou menos explicita, existem pessoas que passam fome enquanto outras que constroem casas de banho de ouro. Onde está a autorregulação? 

Por outro lado, a teoria da globalização defende que o Estado deve ter o mínimo de intervenção possível na economia mas quando uma empresa pretende instalar-se num país reúne-se com o Estado para negociar o seu conjunto de regras e exigências. Desta negociação, muitas vezes, saem regalias fiscais e outras para esta empresa em particular. Onde está a igualdade e a não intervenção do Estado?

Com a chegada a uma localidade de uma grande corporação produz-se uma alteração no equilíbrio e nas técnicas habituais utilizadas pela comunidade, no entanto estas empresas são apresentadas como as benfeitoras que vão trazer prosperidade e emprego para a região ficando, assim, numa posição negocial superior pois ameaçam mudar-se para outro local caso as suas condições não sejam satisfeitas. Está instalada a semente da ingovernabilidade e o Estado perde legitimidade e poder ao sujeitar-se às leis das corporações e não ao interesse da comunidade, que cada vez vive com mais restrições.

A ideia de que a menor participação do Estado melhoraria a vida das pessoas, pois as empresas produziriam com maior liberdade é uma ilusão pois tal só funcionaria se o motor não fosse o benefício das grandes corporações. Na realidade, o que este liberalismo está a produzir é o aumento das desigualdades. O Estado não só está a intervir como está a beneficiar uns em detrimento de outros. No fundo, os condutores da globalização necessitam de Estados interventivos mas flexíveis aos seus interesses.

 A Cultura Global
A implementação de uma cultura global que se impõe sobre os costumes locais da população tem um efeito pernicioso. Sob a bandeira da igualdade de oportunidade para todos, em que todos devem ter acesso a tudo destrói-se a identidade cultural dos povos. E sem identidade um povo não tem intervenção comunitária nem consegue unir-se em torno de um mesmo ideal, não consegue lutar ou defender os seus interesses porque não identifica o que o une com o todo. Fica isolado e vulnerável.

Simón Bolívar acreditava que só quando os povos se unissem contra todos os invasores seriam livres. As pessoas lutam porque estão unidas por um sentimento de unidade e comunidade.

As tradições vão sendo esquecidas pelas novas gerações sob o argumento de que utilizam métodos obsoletos e, assim, as antigas tradições de trabalhar a matéria são deixadas de lado face aos novos processos tecnológicos muito mais rentáveis no curto-prazo. As empresas instalam-se nas comunidades como salvadoras e benfeitoras da população, por trazerem investimento e emprego para a região mas, no fundo, o que fazem é alterar as regras de produção e das relações humanas e quando encontram algo melhor noutro local retiram-se sem qualquer pudor ou problema de consciência pelo dano provocado na comunidade. Afinal a ética económica não é um dos pilares da globalização e o objectivo de crescimento sustentado é apenas um factor relevante para as empresas e não para as comunidades.
O mercado vai impondo as suas regras e o que era tradicional torna-se exótico e uma forma de espetáculo para entreter a população. Chega-se ao címulo de haver turistas que pagam para viverem a experiência de apanhar uvas numa vindima.                

Carla César
Conferência proferida em Maio de 2013 na Nova Acrópole de Lisboa

 

Ler primeira parte aqui - Globalização e as suas Bases Teóricas

Ler terceira parte aqui - Exemplos Reais

 

 

curso_filosofia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
  Nova Acrópole  
  imagem  
  CURSO FILOSOFIA PRÁTICA
A Sabedoria Viva das Antigas Civilizações
 
   
  Vide Programa do Curso  
 

  ACTIVIDADES n.a. EM PORTUGAL  
 

a

 
  Aveiro  
  Braga  
  Coimbra  
  Lisboa  
  Oeiras-Cascais  
  Porto  
   
  Notícias  
     

  NOVA ACRÓPOLE INTERNACIONAL  

  Anuários  
  Resoluções da Assembleia Geral  
     
  Perguntas Frequentes  
   
     
  Nova Acrópole Internacional  
     

SITES N.A. EM PORTUGAL

Porto
Coimbra
Aveiro
Braga
 

  outros cursos  

   
  Arte de Falar em Público  
  Cursos de Matemática e
Geometria Sagradas
 
  Florais de Bach  
  Outros Cursos  
     

  REVISTA ACRÓPOLE  

   
     

  NOVIDADES EDITORIAIS  

  TÍTULOS PUBLICADOS  
   
 

 
© Nova Acrópole 2009 | Optimizado para monitor 1024X800 | Mapa do site | Webmaster