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A Globalização e a “Escravatura” Moderna

Bases Teóricas - Parte I

 

O que é a globalização

A globalização é um modelo de funcionamento que se pretende aplicar em todo o mundo e em todas as suas áreas, desde a esfera cultural, social, política e económica.

O seu motor é a promoção do crescimento económico e a expansão do mercado a nível mundial. Pretende-se um processo de desenvolvimento integral do mercado e das empresas perseguindo um crescimento em todos os seus níveis, quer seja de capitais, financeiro, tecnológico, produtivo etc.. Para isso promove uma atitude de concorrência e a competitividade extrema como comportamento base dos indivíduos e das empresas.

A globalização promove a interdependência económica entre os países provocada pelo aumento das suas transacções de capitais, pessoas, tecnologia, bens e serviços. Nenhum país é autónomo e auto-suficiente.

Cada um produz o que mais beneficia o mercado como um todo. Alguns dos factores que mais ajudaram a impulsionar a globalização e o seu efeito de interdependêndia tem a ver com o grande desenvolvimento tecnológico e dos sistemas de comunicação dos tempos em que vivemos. Assim, logo que uma descoberta científica ocorra num dado local do planeta, rapidamente pode ser utilizada noutro ponto do mesmo, uma empresa também pode facilmente ter várias fábricas em vários países consoante os benefícios que recolha em cada um deles.

Os grandes actores da globalização são assim as grandes multinacionais, apoiadas pelos Estados dos diversos países, actuam a nível mundial como impulsionadoras das medidas económicas e políticas que depois vão ser implementadas nos países para onde se deslocalizam afectando por consequência toda a população local.

Hoje a globalização já não é uma teoria mas sim uma realidade, ela redefiniu as relações internacionais e locais, criou novos e poderosos padrões de funcionamento na sociedade que afectam muito significativamente a nossa vida quotidiana.

As bases teóricas da Globalização

As bases teóricas da globalização começam com Adam Smith (1759), que com a sua teoria dos sentimentos morais separa o domínio privado, que contém uma parte moral, da esfera económica. Defende que a moral deve ser encorajada pela legislação e pela religião mas que não deve perturbar a ordem natural da actividade comercial. Tem uma visão individualista da sociedade em que a procura dos interesses pessoais leva naturalmente à existência de um maior número de pessoas felizes; depois fruto da sua investigação das causas e da natureza da riqueza das nações, em 1776, surge a teoria da mão invisível. Uma teoria que procura demonstrar que a procura do interesse pessoal tem como consequência o bem comum através desta mão invisível. O mercado funcionaria por si só, uma vez que a lei da oferta e da procura regularia o seu bom funcionamento através desta mão invisível. Ou seja quando há muita procura de um bem, os preços em consequência subiriam e a procura iria diminuir. E o inverso acontece quando há muita oferta de um bem e pouca procura, o preço desceria em resposta. 

Mais recentemente surge a teoria do neoliberalismo, desenvolvida nas escolas de Chicago nos anos 70 e cuja face mais visível é Milton Friedman. Este grupo de economistas defende um ultraliberalismo económico que promove a globalização do mercado. Esta teoria tem nos Estados Unidos o seu grande impulsionador, que a procurou impor noutros países, de uma forma mais ou menos prepotente, desde a América do Sul, Rússia, até à Europa. A sua aplicação na economia dos países, tem vindo a influenciar o mundo nos últimos anos em diversas áreas com efeitos devastadores.
Defendem:

  • O funcionamento do mercado com base em trocas completamente livres sem qualquer restrição ou limites. O que iria regular todas as actividades seria o próprio mercado com o jogo da oferta e da procura, e os privados é que seriam donos de todas as actividades económicas do país.
  • Uma elevada concorrência, que se torna numa regra básica de convivência entre as pessoas, empresas e países levando ao crescimento e desenvolvimento económico benéfico para todos.
  • Flexibilidade das condições laborais de acordo com os interesses empresariais para fomentar a economia.
  • Participação mínima do Estado que não deve nacionalizar nenhuma empresa pois o próprio mercado se auto-regularia. Isto, na prática, significa que serviços básicos como a água, eletricidade, energia, saúde, educação deviam ser geridos por empresas privadas. Situação a evitar, seria também a imposição pelo Estado de preços reguladores, como acontece em alguns países para os bens essenciais como o pão e o leite. Assim, o Estado deve ser unicamente responsável pela Justiça, Forças Armadas, Tribunais e algumas estradas e Auto-Estradas.
  • Propunham a ideia de que um mercado livre sem reguladores ou participação do Estado estava directamente associado a um país mais democrático e livre em oposição a um Estado mais interventivo na economia que limitaria a liberdade da população.

Carla César
Conferência proferida em Maio de 2013 na Nova Acrópole de Lisboa

 

Ler segunda parte aqui - Ideias Base da Globalização


 

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