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Hipátia, Sacerdotisa de Pala Atena

Nesses tempos difíceis que estamos a viver, a falta de força interior face à vida talvez seja um dos problemas fundamentais. Quer dizer, esta capacidade de verticalizar todo o pensamento, todo o sentimento, todo o acto, trípode fundamental em que assenta a conduta humana. É a verticalidade que permite ter pensamentos sublimes, impregnados de sentimentos puros e nobres e, sobretudo, fazê-los extensivos aos nossos próprios actos obviamente, pela psicologia e característica que lhe são próprias, é mais difícil à mulher conseguir esse estado interno já que pode ser mais influenciável devido ao seu carácter sensível e dúctil.

É por esse motivo que hoje quis prestar, recordando-a, uma pequena homenagem a uma dessas mulheres que marcaram a história com o selo da autenticidade e fidelidade às suas ideias, arriscando a própria vida, e que marchou contra uma corrente já decadente, e que os últimos mistérios estavam a ser sepultados sobre o peso da ignorância. Acabara o esplendor de uma época gloriosa e começara o obscurantismo, em que as notas predominantes eram a confusão e as lutas internas.

Esta mulher, até aos últimos momentos da sua vida, manteve acesa já quase extinta chama de sabedoria clássica. Devido à extraordinária beleza, aristocracia e inteligência que possuía, foi admirada e reverenciada pelos que a conheceram. O mistério, a sabedoria e a beleza uniram-se para conceder uma mulher: Hipátia. Nascida em Alexandria entre 370 e 380, morreu em 415. Era filha do célebre matemático Théon, a quem sucedeu na chefia da Escola de Alexandria. Théon dirigiu a educação da sua filha, iniciando-a na geometria.

 

"Esta mulher, até aos últimos momentos da sua vida, manteve acesa já quase extinta chama de sabedoria clássica."

 

O que se sabe de Hipátia deve-se sobretudo a Suidas, que se ocupou em explicar a doutrina de vários filósofos gregos, especialmente de Platão e Aristóteles. Parece que escreveu um “Comentário sobre Diofanto”, matemático e filósofo de Alexandria também escreveu um “Cânone Astronómico” e um “Comentário sobre as teorias cónicas de Apolónio de Pérgamo”, matemático grego do século III.
Cuidadosa e delicadamente educada durante a infância e a adolescência, Hipátia converteu-se numa mulher cheia de beleza, distinção e talento, características que a distinguiam admiravelmente das outras jovens da sua idade. Altamente instruída, conhecia matemáticas, astronomia, geometria, possuindo uma eloquência e uma claridade mental que era causa de admiração dos seus contemporâneos. Possuía dons e graça naturais que, unidos às suas virtudes, faziam dela uma jovem tão adorável como admiravelmente extraordinária.

Após ter adquirido os conhecimentos mais notáveis do seu tempo, as suas afeções predilectas inclinaram-na para a filosofia como ciência síntese. Foi uma discípula entusiasta de Ammonio Saccas, que elevou ao mais alto grau o neoplatonismo. Quando esteve em Atenas também conheceu Plutarco o jovem, o qual ensinava aos seus discípulos os oráculos e os segredos da Teurgia.

Hipátia costumava usar o manto dos filósofos. Comentava-se que era belíssima que o seu físico pertencia ao tipo mais severo do antigo estilo grego; seus cabelos eram dourados como o sol, e os seus olhos azuis como céu. Disse também que era sacerdotisa de Palas Atena, e as suas orações e palestras mantinham-se sempre sóbrias, serena e grave, tal como equânime e irrepreensível na sua conduta e na sua maneira de discernir.

Pagã por educação e convicção, era amplamente ecléctica e tolerante sem modificar o seu próprio critério.

Sinésio, bispo de Tolemaida, contemporâneo de Hipátia, foi seu fervoroso discípulo e admirador, professando-lhe um grande respeito.

 

"A verdade é como o sol, inextinguível e sempre brilhante, e embora densas porém passageiras nuvens a ocultem à vista, dará sempre LUZ."

 

Hipátia ensinava filosofia e, com os seus dotes de eloquência e saber, atraia muita gente, convertendo-se no ídolo das multidões, contestando ao mesmo tempo amizade e a confiança dos vultos mais importantes da cidade. O perfeito Orestes recorria amiúde aos seus conselhos no referente a tudo aquilo que tornava difícil o desempenho da sua autoridade, contrariada pelo bispo de Alexandria, Cirilo. Este mostrava-se claramente contra os neoplatónicos, tratando por todos os meios anular a eficácia da obra que estava a realizar a Escola de Alexandria. Poder-se-ia dizer que as características da política daquela altura eram a ambição e a intriga.

Porém Hipátia nunca desceu ao nível dessa baixa política do seu ideal, a sua missão, o seu saber e virtudes impediam-na e o seu nível mental estavam muito acima dessas necessidades. Foi, no entanto, um incansável apóstolo da luz e do saber que entusiasmava todos os que a ouviam. Por tudo isto, Hipátia era com frequência solicitada para dar conselhos.

Sobre o móbil que motivou a sua morte circulam duas versões. Uma diz que a morte de Hipátia é mais um episódio da luta secular travada naquele tempo entre gentios e cristãos, em que a característica predominante estava longe de ser a caridade e a justiça. E a outra versão, mais difundida, é que nos diz que a causa da sua morte foi Cirilo que vendo nela um grande obstáculo para o desenvolvimento da sua política, decidiu de acordo com os monges e com um lictor chamado Pedro, acabar com a sua vida. Um dia, ao sair de casa, foi surpreendida pelo citado lictor que ajudado por turbas de fanáticos arrastaram-na até à Igreja Cesariana, onde a despojaram das suas vestes e a lapidaram, após o que o seu corpo foi feito em pedaços, espalhados em seguida pelas ruas da cidade; as suas obras e ensinamentos não chegaram à posteridade, já que foram destruídas no incêndio da biblioteca de Alexandria onde se conservaram.

A verdade é como o sol, inextinguível e sempre brilhante, e embora densas porém passageiras nuvens a ocultem à vista, dará sempre LUZ.

Hipátia, claro exemplo de mulher sacerdotisa, soube ser uma excelsa ponte entre os deuses e os homens aos quais, convertendo-se em perfeita cana oca ao serviço da verdade, pode transmitir a melodia sublime do conhecimento.

Talvez que se Hipátia, nestes momentos, depositasse a sua atenção sobre nós, nos dissesse como se de uma oração se tratasse:

“Sim, as estátuas estão partidas, os caramanchões silenciosos, os oráculos mudos; e no entanto, quem é que diz que morreu a antiga fé dos heróis e dos sábios? O Belo não pode morrer. Se os Deuses abandonaram os seus oráculos, não deixaram por isso as almas dos que aspiram a unir-se a eles; se cessaram de guiar as nações, não deixaram por isso de comunicar com os seus eleitos; se desdenharam as hipócritas e materiais orações da grei vulgar, não desprezaram as vossas cheias de esperanças no futuro que vos aguarda. Coube-vos viver momentos difíceis. Há que lutar até ao fim, sem desfalecer, em favor da Fé dos vossos antepassados, dos antigos sábios que sondaram os mistérios do céu e da terra. Por tudo isso eu vos exorto a que mantenhais sempre aceso o FOGO DA SABEDORIA”.

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