Introdução ao “Sonho de Rāvaṇa: Um tratado místico da Índia”
O Sonho de Rāvaṇa (SR) saiu à luz na The Dublin University Magazine (DUM) numa série de quatro partes, tendo sido as três primeiras publicadas em 1853 (vol. 42) e a última em 1854 (vol. 43).
Nos anos que se seguiram a obra veio a ter algum impacto entre a comunidade teosófica, quer pelo seu carácter misterioso, quer pela novidade que representou para o velho continente. Contudo, o anonimato do autor e a incerteza quanto à sua origem, nunca a deixaram chegar ao grande público.
Tudo leva a crer que o texto está incompleto e que estaria prevista a publicação das restantes partes na mesma revista. No entanto, por algum motivo que nos escapa, o texto é descontinuado e a justificação para tal facto nunca nos é dada, nem pela DUM nem por qualquer outra fonte. Desta forma, a presente obra, seguindo o seu autor, acabou por cair num esquecimento aligeirado apenas pelos poucos teósofos e esoteristas que, desconcertados face ao seu brilhantismo literário e profundo conhecimento místico, a foram recordando como puderam durante o final do séc. XIX e início do XX.
Na Associação Cultural Nova Acrópole, ao tomarmos conhecimento desta intrigante e revolucionária obra, 160 anos depois da sua primeira aparição, compreendemos a importância capital e urgente da sua publicação e apresentação ao público português do séc. XXI.
É neste sentido que apresentamos a primeira tradução para língua portuguesa, anotada e comentada, de tão fascinante obra, de forma a que as profundíssimas metáforas e referências (tanto à cultura quanto à filosofia esotérica indianas) possam iluminar o coração e o alento dos seus leitores.
Numa época onde os estudos esotéricos sobre determinado oriente escorregam na lama da fantasia e da banalidade, esta obra do séc. XIX apresenta-se-nos ainda como uma lufada de ar fresco e de revigorante sabedoria. Respondendo com seriedade e humildade àquelas questões que sempre nos acompanharam, quebra, com amabilidade filosófica e sublimação literária, as nossas certezas e os nossos preconceitos, sendo, depois de lida, capaz de acompanhar o Homem por toda a vida, guiando-o e amparando-o no seu sempre renovado caminho.
Ricardo Louro Martins
Lisboa, Maio de 2014
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